jun 122018
 
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A primeira coisa que chama atenção neste filme sem dúvidas é a foto de Jim Carrey estampada na capa como uma isca perfeita aos desavisados. O ator ficou marcado por suas excelentes atuações em comédias e filmes pastelão, porém nunca quis ser rotulado desta forma, tentando por diversas vezes quebrar este paradigma interpretando dramas e agora um thriller de suspense. No caso de “Dark Crimes” ele consegue. De novo.

O policial Tadek (Carrey) investiga o assassinato de um empresário. Para surpresa de todos, o caso é comentado letra por letra em um livro escrito por Kozlow, renomado escritor. De acordo com o andamento das investigações mais informações vão surgindo fazendo com que a trama se torne mais sombria.

Gravado na Cracóvia (Polônia) o filme tem um tom acinzentado e sombrio demonstrando que direção de arte fez seu trabalho de forma correta ilustrando as atitudes de seus personagens. Porém somente este quesito funciona bem. Com uma trama bastante interessante, o roteiro consegue estragar a ideia inicial de um romance “noir” em que os confusos diálogos entre os personagens não parecem reais. Os personagens não possuem início nem meio, uma vez que entram e saem da tela com tanta facilidade que se tornam coadjuvantes da paisagem e da tentativa de uma boa direção.A direção que por sua vez começa bem montando um cenário que lembra muito as cenas de “8 Milímetros” de Joel Schumacher. Vai se esgueirando deixando referências de vários diretores, em especial nas cenas mais arrastadas em que Tarkovski é nitidamente citado. Mas em certos momentos parece que tudo é esquecido e voltamos a um espelho tacanho de filmes feitos por obrigação, como quem tivesse que entregar um trabalho a contra-gosto e deixa o espectador (que iniciou com a mente fervendo) com uma imagem morna e sem vontade. Tudo se deve também ao reflexo dos erros de (pós) produção e na demora de dois anos no lançamento da obra, que deveria ter chegado às telas em 2016.

Por incrível que possa parecer o grande destaque de “Dark Crimes” é justamente a atuação de Jim Carrey que se mostra firme e seguro conseguindo passar ao público seu esforço e capacidade. Uma pena que desta vez tenha sido engolido pelos erros de outros setores, que acabam por comprometer todo o contexto por mais interessante que possa parecer.

 

fev 222018
 
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Em tempos em que a tolerância e a resiliência são palavras de ordem para a convivência social e em comunidade, “Três Anúncios Para Um Crime” vem como uma patrola esmagando conceitos e dando liberdade àqueles que nada tem mais a perder neste mundo. Aos bons de coração e inertes ao mundo que os rodeia, o filme é o espelho de uma sociedade torta e que se enverga ao considerado mundano e consciente de que alguma coisa deve ser feita.

A história nos apresenta a Mildred Hayes, uma senhora extremamente ferida pelo estupro e assassinato brutal de sua filha. Descontente com as atitudes completamente relapsas da polícia na busca de um culpado, ela então decide tomar uma atitude extremamente inédita em se tratando da cidade pequena onde mora: aluga três outdoors em uma estrada próxima a sua casa. A repercussão é imediata tanto na cidade quanto nas redondezas, atraindo inclusive veículos de comunicação de outras localidades próximas. Porém as consequências acabam atingindo outras pessoas, incluindo o Delegado Bill Willoughby, responsável direto pela investigação.

Dizem que não há dor maior na vida de um ser humano do que a perda de um filho. Pois Frances McDormand consegue traduzir e mostrar nas telas durante todo o filme a angústia e força armazenada na personagem principal. Com um humor negro indefectível, sem ser agressivo e impactando a cada diálogo ela segue abalroando aqueles que seguem frente ao seu caminho: mas tudo tem um custo.A atriz consegue oscilar da comédia ao drama quando contracena com Peter Dinklage (o Tyrion Lannister de “Game of Thrones), por exemplo.

Outro contraponto da história é o delegado interpretado por Woody Harrelson que se vê em uma sinuca quando os anúncios são expostos. Ciente de um câncer que o consome rapidamente ele tenta resolver as situações a sua maneira. Dócil com as filhas e esposa, e feroz quando dentro de um uniforme o ator consegue dosar o peso do personagem sem ficar tão estereotipado ao ponto de o público não conseguir definir se o ama ou odeia. Um papel para poucos.

A grande surpresa em termos de elenco é a atuação de Sam Rockwell: um nojento policial com trejeitos abobados e violentamente brutal quando contrariado. O personagem cresce a cada cena tornando-se fundamental na trama até o final. O crescimento do ator não é de hoje, como já reconhecido em outros filmes e tendendo a buscar um revés mais dramático valorizando seus papéis anteriores.

A trinca de atores é o plano chave do diretor Martin McDonagh para fazer uma história que parece morna, aquecer a ponto de fervilhar a emotividade do público. O elenco suporta o peso sem maiores problemas fazendo o hilário e o singelo parecerem confortáveis dentro de um roteiro simples e inteligível. A capacidade de atuação dos três é tão forte que foram indicados ao Oscar 2018. É difícil levarem todos pois concorrem com outros monstros consagrados do cinema. Mas não é impossível.

Talvez vocês possa esperar muito mais de um concorrente ao Oscar com tantos talentos a disposição, ou uma direção mais contundente. Porém talvez a ideia seja justamente criar um ambiente de crítica tão corrosiva ao ponto de tentarmos entender o filme dentro de nossos próprios conceitos. Afinal qual atitude tomar diante da reação explosiva e consequente? A dor é mais suportável que a perda? E para quem não tem mais o que perder, quanto custa? Talvez uma obra que se torna tão necessária em nosso país frente a quantidade de ombros dados ao que vemos diariamente em nosso cotidiano.

set 172017
 
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Sempre tive um certo receio de aceitar o Netflix como uma de minhas fontes bases de catálogos de filme. Sempre usei as salas de cinema como grandes templos de adoração, usando os torrents como segunda plataforma para assistir filmes mais recentes. De tanta insistência me rendi ao streaming. Sempre que eu dizia que assisti a um filme novo vinha a pergunta: “tem no Netflix?”. E invariavelmente o assunto parava por aí. A plataforma streaming nos trás grandes obras a preços irrisórios. Mas é preciso garimpar para encontrar algo que realmente valha mais do que duas horas (com exceção dos seriados, que são a grande vedete). Por recomendação assisti “Onde está segunda?“.

Ano de 2072 em um país futurista onde famílias só podem ter um filho. Sete irmãs gêmeas tem de se dividir entre os dias da semana para poderem conviver tranquilamente e em segredo. Depois de um dia de trabalho, Segunda não volta para casa, o que faz com que as outras seis tenham de buscar seu paradeiro e arriscando o disfarce de anos.

A ideia do filme é muito boa e um bom roteiro faria uma grande diferença. Mas não é oque acontece: as duas horas que seguem são rodeadas de clichês e sem muito esforço há como saber cada detalhe do que acontecerá até o final. A cada cinco minutos certamente eu conseguiria escrever os próximos cinco sem medo de errar.

O elenco é de dar inveja a grandes produções. Noomi Rapace no papel das sete irmãs faz um esforço descomunal para interpretar um personagem multifacetado e fica bastante claro onde se sente melhor conseguindo atuações mais vantajosas próximas da Lisbeth Salander de “Os Homens que não amavam as mulheres” (excelente na versão original sueca). As presenças dos monstros Willem Dafoe e Glenn Close não chegam a impressionar justamente pela escrita mal conduzida em seus scripts.

A direção fica abalada junto com seus clichês e a coisa parece engrenar sempre para o mais do mesmo. Conforme comentado, a ideia é muito boa, mas colocada em mãos erradas acaba por estragar a obra completa.

Netflix tem disso: as vezes se acerta na escolha, as vezes um erro crasso pode te jogar no desânimo da procura de uma nova emoção. Mas a vantagem da plataforma ainda é que se pode procurar um remédio para a próxima tentativa, mas jamais remediar o tempo perdido.

jun 162017
 
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Ultimamente os filmes argentinos nos apresentam boas histórias, roteiros, atuações e demais técnicas cinematográficas com bastante conhecimento e interesse na arte que o cinema apresenta. A busca impiedosa por uma produção firme e bem feita não falha em “Neve Negra“, uma produção extremamente tensa e focada nas discussões familiares e segredos que podem guardar. Ainda que com a presença do monstro Ricardo Darin, consegue decolar nas telas somente nos momentos finais, e ainda assim deixa o público esperando um pouco mais. Como de costume. Não que esperar um pouco mais seja ruim, mas a sensação de vazio deprecia o todo.

Salvador (Darin) é culpado desde a adolescência por matar seu irmão em uma caçada pela neve, e vive quase como um ermitão. Quase no meio do nada. Muitos anos depois, sem ter contato com praticamente ninguém, seu irmão Marcos (Leonardo Sbaraglia) aparece juntamente com a esposa grávida, tentando convencer o isolado bronco a vender as terras que possuem, deixadas por uma herança de seu pai. Pois justamente neste cenário rude e branco de neve, as marcas reaparecem deixando transparecer as feridas – e os rostos maquiados pelo tempo.

O pretexto de uma boa história e um roteiro bem afinado sempre renderam bons filmes e, ainda que fossem pobres de produção ficavam marcados pela sua perspicácia escrita. “Neve Negra” é exatamente o contrário: abre a expectativa de reviravoltas, e acaba se tornando interessante justamente pela técnica apurada. Gravar na neve não é nada fácil, uma vez que a cor branca em grande quantidade traz uma dificuldade incrível para as objetivas. Porém o destaque se faz justamente nas tomadas aéreas e que acabam por traduzir muitas vezes a imensidão do vazio dos personagens.

Todo o embate por uma trama fica bastante claro antes do filme ter o seu final revelado por completo. Ainda que a direção de atores, continuidade e a fotografia trabalhem bem e em sincronia com o andamento, mágicas acontecem para que as pontas se unam. Um bom início, uma boa trama em um inverno mal aquecido…

 

mar 212017
 
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Estamos acostumados a transpor tudo o que vemos e sentimos ao nosso universo particular, mas nem sempre isso é possível devido a ambientação, locais, personagens, cultura e até mesmo gírias. No caso de “A Qualquer Custo” (título brasileiro que não diz muito no contexto da obra em sua essência) é possível enxergarmos cada um de nós em seus detalhes, locações, modos de ser, de falar e expressar. E de certa forma é aí que, para os mais atentos, mais uma das meras histórias de perseguição entre mocinho e bandido se transforma quase em um faroeste caboclo.

Dois irmãos, um ex-presidiário (Ben Foster) e um pai divorciado (Chris Pine) com dois filhos, perderam a fazenda da
família em West Texas e decidem assaltar bancos imaginando isso como uma chance de redenção e de se restabelecerem financeiramente. Sua forma de agir e de conseguir o dinheiro chama a atenção de um delegado (Jeff Bridges) daquela jurisdição que se interessa pelo caso e parte, juntamente com seu parceiro, na busca pela dupla.

Pra quem gosta de um simples faroeste, é um bom filme. Para quem gosta de ler nas entrelinhas, é um excelente filme. Tudo se passa em uma região devastada economicamente do país. A direção de David Mackenzie faz questão de demonstrar o tempo inteiro o isolamento dos povoados a cada curva de estrada empoeirada, enquanto persegue de perto os anti-heróis. Estes que buscam uma justiça criminosa para conseguir retirar dos bancos, aquilo que lhes foi tirado em dívidas: a dignidade de suas famílias. Os roubos acontecem rápidos, com notas e valores pequenos: não para não serem rastreados, mas para reaverem tudo aquilo quase da mesma forma que foram usurpados. A relação entre eles também é complexa. Um Chris Pine quase irreconhecível, visto filmes onde faz personagens mais “bonzinhos”. E um excelente Ben Foster, onde por fim acabamos por apostar quase todas as fichas em um destino inesperado.

Mas o que fez “A Qualquer Custo” sair do ostracismo foi o roteiro eloquente e principalmente os diálogos ácidos e politicamente e incorretos. A caricatura do personagem de Bridges, um texano bronco (tanto quanto o nome de sua camionete) faz piadas racistas ao seu comparsa e traz sempre o sarcasmo regional, da supremacia branca e rude que tudo pode na “terra das oportunidades”. Ainda assim, quase no fim de sua vida profissional, nota-se que é mais importante compreender os motivos para que se possa determinar por si só os fins.

A expressão “hell or high water” não possui um contexto literal para o português, algo como “custe o que custar” ou ainda “sob qualquer sacrifício”, e também consta em algumas cláusulas de contrato bancário a fim de quitar dívidas. O que acaba por muito definir as intenções e desejos dentro, e muito também, fora das telas.

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fev 062016
 
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Cinezone Poster - Os Oito Odiados

A cada lançamento de filmes de Quentin Tarantino há uma expectativa enorme sobre o que o criativo diretor de “Cães de Aluguel” e “Pulp Fiction” vai aprontar desta vez. As ideias batidas e já repetidas do cinema são repaginadas e vitaminadas, como uma calça velha e surrada se customizasse se transformasse em um artigo de luxo na última moda. Mas a ansiosa espera acabou e muitos saíram frustrados ao assistirem “Os Oito Odiados”. Já outros glorificaram mais uma vez a mão de quem consegue fazer mais do mesmo virar espetáculo.

A história nos apresenta John Ruth “Hangman”, um famoso caçador de recompensas, escoltando a fugitiva Daisy Domergue para a cidade de Red Rock, onde receberá seu prêmio por entregar a renegada a justiça. Pelo meio do caminho encontram estranhas figuras como o ex-militar Marquis Warren e o novo delegado na cidade Chris Mannix. Em meio ao caminho uma forte tempestade os atinge, fazendo com que tenham que parar em uma estalagem. Lá encontram algumas figuras esquisitas e extremamente suspeitas com quem terão que passar provavelmente algumas noites até que o tempo estabilize.

Sem sombra de dúvida, a essência de tarantinesca está presente em todos os momentos da obra mas de uma maneira diferente da usual. A transformação estranha aos olhos dos menos ávidos traz uma introspecção que as vezes chega a ser chata devido aos personagens e locais detalhados a exaustão. A abertura é digna de um grande filme de faroeste com a trilha perfeita do ícone Ennio Morricone, mas que acaba desmanchando a expectativa já na primeira hora de filme por se mostrar extremamente longa e com diálogos que poderiam ser encurtados em quase pela metade: uma das características do diretor sempre foi a descrição firme dos personagens para que o perfil psicológico fosse traçado automaticamente pelo espectador, mas este trabalho acaba por ser exagerado e até complexo chegando a confundir. Fato que acaba por deixar até irrelevante a originalíssima ideia de gravar todo o filme com um equipamento da Panavision (apenas quatro em uso hoje no mundo) que torna tudo mais “de época”.

Mas apesar do tom arrastado como é conduzido “Os Oito Odiados”, alguns elementos dão picos de interesse ao público, como alfinetadas na xenofobia americana resistente até hoje e cada vez mais revitalizada por Donald Trump em sua candidatura a eleição nos EUA: as comparações entre mexicanos e cachorros. E não para por aí. O tratamento dado a prisioneira interpretada por Jennifer Jason Leigh é digno de toda misoginia presente em nossa sociedade (ainda), ou ainda o racismo exacerbado sobre o personagem de Samuel L. Jackson que mesmo tendo servido a sua pátria mãe tem de carregar uma carta de Abraham Lincoln como se fosse uma carta de alforria para ser respeitado pelos então confederados.

Parte interessante da metade do filme para o final, onde o público reconhece o que pagou para ver, vem banhado em sangue e diálogos ríspidos em um clima de detetive, como usado no filme “Os Sete Suspeitos“. Em alguns momentos lembrando até Agatha Christie ou ainda o contorcionismo roteirizado do excelente “Deathtrap“, de 1982 (traduzido no Brasil como “Armadilha Mortal”).

De todo, “Os Oito Odiados” não chega a decepcionar um olho pouco mais clínico, mas infelizmente entedia os menos avisados. Sendo o oitavo filme de Tarantino, podemos esperar mais um bom filme nos próximos anos e um “gran finale” como despedida no décimo filme. Segundo o diretor, após dez filmes encerrará sua brilhante carreira. Só nos resta aguardar.

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nov 052015
 
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Cinezone Poster

 

Vários adjetivos podem definir “Dope”. Porém apenas três ou quatro não seriam capazes de descrever toda a magia que este filme busca (e consegue) trazer ao espectador. A primeira impressão ao ver o cartaz é: apenas mais um filme sobre algum subúrbio negro violento dos Estados Unidos. Mas quando a sinopse aponta para três negros nerds, sendo que um deles é lésbica, outro com raízes árabes, e um competindo para entrar na mais concorrida universidade do país, a visão pode ser mudada. Quem teria coragem, ou ainda o “peito” de usar estereótipos tão batidos e ainda assim conseguir escapar dos clichês da vida moderna?

Pois a vida de Malcom e seus amigos é até pacata perto de tanta violência e distúrbios sociais na comunidade. Sofrem bullying como qualquer jovem diferente de suas idades e são perseguidos por grupos de maior “autonomia”. Até que alguns eventos em cadeia fazem com que as vidas sejam completamente mudadas e várias questões morais sejam colocadas a um ponto tal que suas decisões poderão influenciar para sempre. E de cabeça para baixo.

Este moderno expoente do novo cinema faz o público pensar ao mesmo tempo que entretém e arranca boas risadas dentro de um ambiente completamente anos 90. Pode-se fazer uma busca visual em encontrar em poucos takes, cenas de “Te Pego Lá Fora” onde todo pré adolescente gostaria de estar entre as gangues modistas, ou ainda em “Um Maluco no Pedaço” estrelado pelo então Will Smith. Minha primeira lembrança foi de “Todos Odeiam o Chris”, tanto pelo visual colorido, quanto pelas mazelas sofridas por um pré adolescente.

Fato é que o diretor Rick Famuyiwa consegue trazer mais do mesmo e ainda assim inovar com uma linguagem simples, misturando a narração em primeira pessoa e os diálogos entre os personagens uma coisa uníssona e contagiante. Não há como não torcer pelos três protagonistas. Inclusive quando estão errados. A voz inicial é de Forest Whitaker, e a trilha sonora também é um deleite sendo produzida por Pharrell Willians – além de todo visual oferecido pela produção.

Fechando como uma das grandes atrações de Cannes e levando a melhor edição de Sundance (festival que premia especialmente os melhores roteiros) não havia como esperar muita coisa diferente de um filme tão diferente, e ao mesmo tempo tão igual a tudo que já vimos. Temos até uma nostalgia “taratinesca”. Nas suas devidas proporções, é claro.

Título Original: Dope

Direção: Rick Famuyiwa

mar 262015
 
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OMPC_Focus

 

O novo filme de Will Smith chegou arrasando quarteirões e rasgando a cena nas estreias de outros que já estavam em cartaz, batendo inclusive o dispensável “Cinquenta Tons de Cinza”, e chamando atenção por onde passa. Mas o veloz “Fórmula 1” em seguida perdeu o embalo, desacelerou e entrou juntamente com os demais em um trânsito truncado e seguindo o fluxo da demanda de blockbusters.

Incompreensível é o motivo que leva a indústria brasileira a trocar os nomes dos filmes tão drasticamente. O filme no seu original “Focus” é traduzido para os brazucas como “Golpe Duplo”. Há quem diga que o nome dado no Brasil faz sentido com o enredo desenvolvido, e realmente faz. Mas não há a necessidade de transformar o título em mais um entre tantos de trapaças e reviravoltas (ex.: Golpe Baixo, O Golpe, Golpe de Gênio, O Grande Golpe, Golpe Perfeito, etc…). Partindo desta premissa, certamente acabará se acomodando tanto quanto os demais nas prateleiras.

A história vem com Nicky, um experiente ladrão que se vê assediado pela estonteante Jess (Margot Robbie), que é uma novata neste mundo de criminosos larápios. Persuadido, os dois começam a agir juntos com mais uma equipe especializada na arte de “bater carteiras” e ludibriar. Porém os negócios vão esquentando e as afinidades sempre maiores fazem com que os principais personagens se apaixonem, e em um pequeno intervalo de tempo se separem, afinal não há honra entre ladrões. Dois anos depois eles se reencontram, quase inimigos íntimos.

O roteiro nos mostra partes distintas na obra, e acabam por se emendar como se fossem três episódios da mesma temporada em um seriado, o que acaba pesando no final das contas pois a temática já é batida, e enrolar o público faz parte do negócio. Aqui temos o ápice das ações, onde os golpes são bem dados e extremamente coreografados e pode-se dizer que o espectador fica incrédulo e agarrado na cadeira enquanto o segredo do truque não é revelado. Atenção a “Simpathy For The Devil” dos eternos Rolling Stones que dão o ritmo.

Falar de Rodrigo Santoro é chover no molhado (o personagem fora oferecido a Ryan Gosling, Brad Pitt e Ben Affleck que declinaram), uma vez que tem sua boa ação condecorada como sempre, mas não acrescenta nada a história porém não desabona o brasileiro.

No fim temos um mesclado de histórias contadas e por vezes desencontradas, que tentam fazer apenas mais do mesmo. E conseguem.

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O Abutre (2014)

 Blogger, Crime, Daniel Arrieche, Drama, Filmes  Comentários desativados em O Abutre (2014)
dez 312014
 
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TMPC Nightcrawler

 

Jornalismo sensacionalista e a guerra entre as emissoras. Os noticiários com os casos mais sangrentos e em busca da audiência a qualquer preço. O sangue escorre do olho da vítima caindo diretamente no tapete da sala. Pode-se sentir na garganta a aflição do motorista preso nas ferragens ou ainda a bala que atravessa o peito do inocente. A faca estalando no peito e rasgando a carne. As reportagens são feitas com o imediatismo que o cotidiano exige e muitas vezes com entradas dos repórteres ao vivo do local dos acontecimentos. O realismo a flor da pele para manter o espectador grudado no noticiário. Mas até onde o ser humano é capaz de ir para conquistar seus objetivos? Esse é uma das muitas perguntas feitas em “O Abutre”.

No início de tudo Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) é um biscate que vive entre um emprego e outro sem paradeiro fixo e nenhum tostão no bolso e vivendo de pequenos delitos. Porém ele tem um trunfo que com o tempo poderá ser uma arma letal em suas conquistas: o discurso. Sua capacidade de convencimento e de vender a si mesmo é tão grande que cedo ou tarde alcançará seu objetivo. Em uma de suas andanças na madrugada presencia um grave acidente e por curiosidade pára: um cinegrafista registra tudo e no dia seguinte as imagens inéditas estão rodando nas emissoras. Louis vê ali um nicho em que pode se dar bem. E dali parte na sua saga.

Os questionamentos apontados em “O Abutre” permeiam a ética profissional e também qual a contribuição de quem adquire os diretos de exibição dessas imagens, para o crescimento deste mercado negro. Tratado pelo diretor como um submundo o filme conta a história do sociopata e as que vantagens pode tirar da desgraça alheia. O sofrimento do próximo é o que mais interessa não só a ambos, mas também a uma massa ávida e estereotipada pelo próprio meio de comunicação.

Tido como um cidadão que paga seus impostos e trabalhando arduamente ele vai galgando seu espaço e tirando de seu caminho aqueles que o importunam. A qualquer preço.

Certamente a obra será referência nas escolas de comunicação do mundo inteiro pela ética e até pelo dia a dia dos profissionais da área, não só o interpretado por Gyllenhaal mas também pelo papel de Rene Russo a quem interessa a audiência e também sua própria sobrevivência. A cena do embate entre a bela e a fera é digno de um bom roteiro, fazendo com que o espectador fique assustado e preso a cadeira: o jogo de gato e rato travado entre fornecedor e receptor é digno de ser lembrado também daqui há alguns anos como um dos grandes do cinema.

Uma direção segura, firme e uma fotografia “noir” que reflete bem a personalidade de Louis Bloom. Um roteiro consistente e que deixa a dúvida do desfecho até o final. Um filme que desmascara herói ou bandido. Ética ou sobrevivência? Até que ponto chegamos?

 

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Fúria (2014)

 Ação, Blogger, Crime, Daniel Arrieche, Filmes  Comentários desativados em Fúria (2014)
out 242014
 
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Tokarev

 

Ultimamente quando entra um filme novo de Nicolas Cage em cartaz, logo vem a impressão de que apenas mais um caça-niqueis está nas telas. Também tenho este mesmo sentimento de que alguns tiros serão dados, pessoas morrem, carros batem e o vencedor é sempre o mesmo. Pois “Fúria” infelizmente é apenas mais do mesmo. Na película apenas se deduz que o protagonista é um ex-criminoso “reabilitado” (não se sabe como nem quando) e bem visto pela sociedade americana, que tem a filha sequestrada e morta pela máfia russa. Então o pai sai em busca dos responsáveis por tudo, querendo vingança a qualquer preço. Nem que para isso tenha que voltar para a vida marginal. Já vimos isso na franquia “Busca Implacável” com Liam Neeson. Nicolas já teve desempenhos notáveis por “Despedida em Las Vegas“, “O Senhor das Armas“, “A Outra Face“, e no meu preferido “8mm” dirigido por Joel Schumacher. Qual o motivo para filmes tão fracos e blockbusters? Dinheiro?! O roteiro ainda tenta surpreender no final, mas ainda assim não chega a empolgar em momento algum. A propósito: já notaram a quantidade de filmes que incitam a guerra contra os russos (e povos da mesma região do planeta) novamente?! Nada é por acaso. Principalmente na sétima e mais bela das artes.

 

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