fev 052018
 
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Quando se fala em Guillermo Del Toro, uma das primeiras lembranças que se tem é do seu premiado “O Labirinto do Fauno” onde uma menina tem missões a cumprir em busca de uma felicidade imortal – tarefas estas dadas por um ser mitológico. Não muito longe disso, o diretor traz mais uma de suas pérolas as telas do cinema com “A Forma da Água“, onde não somente seus filmes amadurecem como também os personagens e as intrigas se tornam pouco mais complexas do que as vistas anteriormente. Além de serem mais sutis, permanecem densas e tão pesadas quanto se pode suportar.

A nova obra nos traz Elisa (Sally Hawkins): uma zeladora/faxineira sem voz, que trabalha em um laboratório onde um homem anfíbio que foi descoberto pelos militares americanos e que está sendo mantido em cativeiro para pesquisas. Ela então se apaixona pelo estranho ser e monta um plano para ajudá-lo a escapar das garras tiranas de Strickland (Michael Shannon) que é responsável por ele até então. Tudo isto com a ajuda de seu vizinho e também de sua colega de trabalho (Octavia Spencer).

Apesar dos últimos filmes não terem sido tão abrangedores quanto o primeiro, Del Toro consegue trazer novamente seus elementos fantásticos e fazer de “A Forma da Água” uma divertida e tocante aventura, por vezes infantil, mágica e em certos momentos até erótica. Em épocas de estruturas politicamente corretas, metáforas e eufemismos baratos tentando ajudar roteiros, aqui as figuras de linguagem ficam de lado e são colocadas em seus devidos lugares com sexo (quase) explícito, masturbação soft, sangue, garras, violência e tiros. Mas nada disso se apresenta sem sentido ou casualmente. Tudo normalmente se encaixa como sempre em seu realismo absurdo e inteligível.

Em todo o filme também é clara a intenção de retratar as minorias em suas formas mais simples e diretas, desde os insultos que sofrem as personagens femininas: seja por suas condições de classe operária, seja pelo simples fato de serem mulheres. As estruturas dos atores foram bem trabalhadas e em cada um dos personagens é factível a extração de um conteúdo a mais, seja nos militares russos da guerra fria que buscam aniquilar as descobertas inimigas, seja no colega de quarto (Richard Jenkins) que tenta se recolocar profissionalmente e ao mesmo tempo em que deve aceitar que a tecnologia bate a sua porta, e que também em meio a todos problemas de trabalho ainda busca a felicidade homossexual em tempos severos e de tolerância zero.

O ambiente submerso que vemos em a “A Forma da Água” também é cuidadoso em demasia com a direção de arte, nos deixando a vontade em saber que cada detalhe não foi esquecido. A verossimilhança com os arquétipos das épocas sugeridas também nos remetem aos seriados dos anos 70 – com um saudosismo incrível – sem deixar de ser extremamente atual. Em certos momentos pode remeter a Tim Burton em “Edward Mãos de Tesoura” nas cenas mais tétricas e tristes (uma vez que a figura aquática encontrada é humilhada e ferida pelo simples fato de ser diferente e não falar o idioma local).
Em todo o filme também é clara a intenção de retratar as minorias em suas formas mais simples e diretas, desde os insultos que sofrem as personagens femininas: seja por suas condições de classe operária, seja pelo simples fato de serem mulheres. As estruturas dos atores foram bem trabalhadas e em cada um dos personagens é factível a extração de um conteúdo a mais, seja nos militares russos da guerra fria que buscam aniquilar as descobertas inimigas, seja no colega de quarto (Richard Jenkins) que tenta se recolocar profissionalmente e ao mesmo tempo em que deve aceitar que a tecnologia bate a sua porta, e que também em meio a todos problemas de trabalho, ainda busca a felicidade afetiva em tempos severos e de tolerância zero.
O título do filme também remete diretamente a uma fala do mestre Bruce Lee, onde em vários momentos ele sempre afirma para “sermos água”: contornar as dificuldades, adaptar-se as adversidades, modificar sempre suas formas para que o ambiente o acolha de forma mais intensa e prazerosa, sem deixar de ser água. Apesar das acusações de plágio que o filme vem sofrendo (e com razão) ainda assim é um excelente entretenimento e experiência cinematográfica.
Encontre a “Forma da Água” e aproveite.

jan 022018
 
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Tudo tem seu início, meio e fim. Ou fim, início e o meio como já cantavam Raul Seixas e seu fiel escudeiro e escritor Paulo Coelho. Fato é que o último filme da saga “Guerra Nas Estrelas” ainda tem muito a contar: e não é mais do mesmo. Ao assistir “Os Últimos Jedi” é sensível sentir o poder do cinema novamente na veia dos envolvidos, e consequentemente dos espectadores. A lenda tentara se erguer em “O Despertar da Força” quando uma turma de competentes roteiristas, produtores e diretor (sob supervisão) resolveu retomar o projeto com gana. O resultado trouxe de volta a expectativa de grandes heróis e vilões em uma história não tão peculiar, mas o suficiente para dar o primeiro impulso.

Em “Os Últimos Jedi” o carro sobe a lomba com uma velocidade precisa, trocando de marcha gradativamente e acelerando com tudo no final. O piloto sai do carro com o dever cumprido e gosto de quero mais. E tem mais, muito mais. A “essência” está de volta. Neste novo capítulo tudo parece estar de volta e com uma precisão cirúrgica: o roteiro bem construído com reviravoltas e diálogos nada enfadonhos, tendo ainda até algumas alfinetadas na cultura americana e no “lifestyle” mundial, seguido de tramas quase complexas tal qual os demais, assemelhando-se em muito com o que a saga original trazia também.

A inserção de novos atores como Benício Del Toro dão novos ganchos e novo fôlego a possíveis prequels, bem como a destruição de ícones antigos faz com que a renovação seja algo natural. A presença de Mark Hamill é fundamental para a construção disto tudo e até a ponte para um final quase apoteótico. Falar de mais personagens atitudes seria quase um spoiler imperdoável.

Ainda que seja o mais longo dos filmes da saga, não se torna cansativo e tampouco pedante, mas muito pelo contrário: É bárbaro, décadas depois, ver os espectadores saindo do cinema e cantarolando a trilha de “Star Wars”… e obviamente aguardando pelo próximo.

mar 302016
 
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Cinezone Poster - Batman VS Superman

“Tell me… Do you bleed? You will”. A frase que aparece no primeiro trailer de “Batman Vs. Superman – Down Of Justice” é o chamamento para o considerado embate do século: o prometido confronto entre os dois maiores heróis mais populares dos quadrinhos.

A história gira em torno da discussão da real função do Homem de Aço na sociedade americana e mundial, uma vez que não é regido por nenhuma lei governamental específica tendo em mãos a possibilidade da destruição total do planeta se assim quiser. Sua idoneidade é colocada mais ainda em dúvida, quando Lex Luthor (Jesse Eisenberg) coloca lenha da fogueira questionando qual a verdadeira influência de um “alien”, e qual seu propósito em adotar um lar tão perecível perto do que um dia foi Krypton, chegando a ser chamado de falso deus, e antagonizado por boa parte da população. Toda esta alegoria acaba chamando a atenção do justiceiro Batman, que começa a se interessar pelo assunto e vê a oportunidade de mais uma vez fazer justiça com as próprias mãos.

Esperado como novo rebento avassalador de bilheterias da DComics / Warner, vindo de uma pré-venda melhor que “Deadpool” e “Vingadores – A Era de Ultron” (e quem sabe a melhor abertura de bilheteria até hoje), não conseguiu agradar a todos. Uma vez pela expectativa gerada após um merchandising que acabou ficando exaustivo, mais as negativas iniciais de Ben Affleck como Bruce Wayne e a despeitada Gal Gadot como Mulher Maravilha, juntamente com um roteiro não tão interessante quanto as premissas esperadas pelo bom e esforçado diretor Zack Snyder.

As mudanças adotadas pela DComics após a trilogia de sucesso de Christopher Nolan foram entendidas como um ajuste para uma sequência de filmes interligados, bem como a Marvel o fez, juntando heróis e criando universos paralelos quando necessário fazer mais (dinheiro). As aparições de outros personagens marcantes se tornam perspicazes e pertinentes ao início de uma nova saga.

Cinezone Wall - BvS 02

A agonia dos fãs ao saberem que o canastrão Ben Afleck interpretaria o homem-morcego foi em vão. O ator mostra amadurecimento e faz entender que seus cabelos grisalhos não vieram à toa. Diferentemente de Christian Bale, o novo Bruce Wayne faz um milionário mais sombrio e ciente de seus compromissos, porém ainda atormentado pelo passado trágico ainda advindo do assassinato de seus pais. O ator é um dos que mais leva a sério a história e toda a trama: os próximos prováveis filmes solo dirão o que o presente ainda tende a duvidar. Superman continua o mesmo idealizado no filme de 2013, com o galã Henry Cavill bom moço e ligado a família. Parênteses: um dos fatos que mais me agradam ao assistir e comentar cinema é a quantidade de mensagens subliminares passadas a cada frame, e em “Batman vs. Superman” essa ideia é repetidamente interessante. A associação feita continuamente em “Homem de Aço” como o “salvador da humanidade” se faz aqui em diversos momentos lendo-se Superman como o Cristo libertador da era moderna. As constantes aparições frente ao sol, a ligação direta com a religiosidade, aquele que vem dos céus em uma nave flamejante, e (SPOILER) em uma das últimas cenas sendo carregado nos braços por duas mulheres, faz uma alusão quase absurda a crucifixão inclusive com as cruzes de ferro ao fundo na cena.

Outro personagem que tem seu destaque é Lex Luthor. Interpretado por Jesse Eisenberg, o vilão é um multimilionário filantrópico que em busca de poder tenta destruir tudo aquilo que não consegue alcançar. Com frases prontas de efeito bem colocadas, faz com que o público se divirta e se interesse cada vez mais pelo excêntrico e megalomaníaco. Uma pitada da loucura é muito bem vinda e certeira, fazendo lembrar em momentos até mesmo o melhor Coringa até hoje, Heath Ledger.

Lógico que um filme desta magnitude tem seus erros e acertos, como as pontas deixadas desatadas para os próximos filmes, as nuances de novos vilões estampadas em pichações nas pelas paredes das cidades de Metrópolis e de Gotham, os novos personagens que são brevemente citados dando a entender novas aparições (Aquaman, Flash, Ciborgue, Lanterna Verde, etc), fazem esta obra única, e merecedora de aplausos pela ousadia e pelo afinco como foi colocada nas telas. Palmas. E ansioso pelos próximos capítulos.

 

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dez 302015
 
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Cinezone Poster - Star Wars Awaken

É. A força despertou. Definitivamente. O novo “Star Wars” traz de volta a saga da guerra nas estrelas em sua melhor forma. Para aqueles fãs ardorosos e que estava saudosos de Luke Skywalker, Han Solo, C3PO, Chewbacca, entre outros personagens, uma continuação digna dos anos setenta onde George Lucas fez com que milhares sonhassem com galáxias distantes e novos heróis. Neste caso com o selo da Disney e com a direção do mago J.J. Abrams.

Muitos boatos e caras feias surgiram quando do anúncio de mais um filme, uma vez que um final fora dado no filme VI com a morte do vilão (e xodó) Darth Vader. Mas aos poucos a ideia foi se consolidando e atores originais foram sendo escalados dando credibilidade ao rebento. Mas ainda assim a desconfiança era total pois uma mudança de mãos atrás das câmeras fora sancionada e um roteiro novo era praticamente inimaginável. Então uma grata surpresa chegas telas, com um fôlego inesperado sendo que todos puderam respirar novamente.

Nas salas de cinema aplausos eram dados efusivamente quando da subida do letreiro inicial (como em todos os demais filmes da saga). No início pensei que a euforia era até demasiada… mas não. Todas as promessas foram cumpridas, tanto que fica muito complicado comentar qualquer cena sem entregar spoilers! Fato é que toda a magia da franquia de Lucas fora revigorada a ponto de termos a proposta (ainda não confirmada) de mais uma trilogia a caminho.

Novos personagens e um novo vilão trazem todo o espírito desdenhado no prequel dos episódios I, II e III que de apesar de mostrar muito das origens imaginadas (e desejadas) por todos, parece não ter vindo com o mesmo afã que o filme VII trouxe.

Segundo o próprio criador George Lucas, o personagem mais importante é o nanico robô R2D2 que vem contando tudo que aconteceu, estando ele muitos anos no futuro. Ou seja, muito ainda tem a ser dito, gravado, filmado, aguardado e aficcionado nas próximas décadas… longa vida a “Star Wars”.

Título Original: “Star Wars: The Force Awakens”

Direção: J. J. Abrams

Dracula – A História Nunca Cotada (2014)

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nov 242014
 
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Dracula-A-Historia-Nunca-Contada-TMPC

 

Um argumento bem feito tem o seu valor. É o que acontece com “Drácula – A História Nunca Contada” de Gary Shore. A história traz um príncipe Vlad já cansado de guerra, em paz com sua família e apaixonado por sua esposa e filho. Não distante das atrocidades que cometera no passado em busca do poder, busca o repouso governando seu povo com mão suave e legítima (mas ainda assim sem deixar de mostrar o tormento da dúvida e da eterna briga em si mesmo do bem contra o mal). Até que a paz acaba e ele se vê obrigado a buscar ajuda em um ser desconhecido e de poder descomunal, para que possa proteger tudo aquilo pelo que sempre sonhou. O filme tenta buscar um Drácula mais humano e num primeiro momento longe do fantástico, que não brilham no escuro ou voam sem motivos: o mito criado por Bram Stocker não foi traído, porém mais uma vez reinventado. Também é muito forte a presença de elementos históricos e que reforçam a versão desta película que ainda ficticiosa, bastante original. Um Drácula heroico e castigado pelos horrores da guerra e ao mesmo tempo ainda um temido empalador de inimigos, que se vê obrigado a sucumbir à uma eterna maldição para que possa salvar seu ingrato povo e que sabe um dia, reencontrar seu eterno amor frente aos séculos. O filme ainda deixa aberto um prelúdio para uma bem pensada e quem sabe, tão bem feita sequência.

 

 

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Malévola (2014)

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jun 032014
 
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Pode-se dizer que “Malévola” é apenas um nome próprio e não mais um adjetivo. Pelo menos é assim que a Disney quer que as
novas gerações pensem sobre os vilões reencarnados e reescritos. A idéia da bruxa má e traiçoeira, que aterrorizava
simplesmente com sua presença agora é apenas folclore. A personagem principal é interpretada pela excelente Angelina
Jolie, que parece ter estudado e seguido à risca as regras da nova produtora: esteja sempre bela, sorria quando estivermos
em “close”, uma vez que seu personagem se arrependerá de toda maldade que um dia alguém disse que fez. Ok? Ainda que estas
últimas linha pareçam “spoiler”, são apenas constatações que se tem dos primeiros aos últimos minutos em tela. Em nada se
acrescenta ao clássico. Pelo contrário: cria-se uma nova imagem de um ser que um dia foi das trevas. Comparações a parte a
bruxa de Charlize Theron, é muito mais bruxa. Não que a interpretação da Sra. Brad Pitt seja ruim: é muito boa. Porém não
há nada de magnitude em suas atitudes, não há força em seus atos e apelos, parece até não haver vontade em ser vingativo.
No personagem. Os efeitos especias e visuais são a grande arma do diretor (acostumado a esse tipo de lance) e justamente
aí é que o filme reage. Entre seres mitológicos e novos arranjos, a bela (adormecida) que procurava em sua madrasta uma
fera, não encontrou…

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A Vida Secreta de Walter Mitty (2013)

 Aventura, Blogger, Comédia, Daniel Arrieche, Drama, Fantasia  Comentários desativados em A Vida Secreta de Walter Mitty (2013)
dez 132013
 

 

The-Secret-Life-of-Walter-Mitty

 

Talvez este não seja o título mais adequado ao filme de Ben Stiller: “A Vida Secreta de Walter Mitty”, uma vez que para o espectador ela é muito esclarecedora e por muitas, genial. A fantasia imposta pelos trailers que divulgam a obra do então comediante não faz jus a grandiosidade que os pequenos detalhes trazem: Stiller hoje busca um caminho bem semelhante ao de Jim Carrey, que saiu das palhaçadas para um status mais interessante (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças / O Show de Truman) onde o que prevalece é uma história bem contada, sem perder a graça. Walter Mitty é o responsável pela revelação de negativos na revista Life, e recebe a missão de entregar a capa de um fotógrafo para a finalização do trabalho. O que parece fácil se transforma em uma grandiosa aventura. Onde tudo é real, o personagem se perde facilmente no próprio imaginário e faz com que o filme tenha um tom mais agradável e habilite que a direção se torne mais criativa: a liberdade de inventar sem comprometer. A mão do diretor surpreende a cada instante trazendo sensibilidade as pequenas intervenções do cotidiano e que nem sempre temos tempo ou interesse em notar. A ousadia não para por aí: a fotografia da obra é um brinde para quem tinha medo de encontrar o nonsense. Outro fato interessante é a presença do grande Sean Penn, que atua de forma discreta e simples (mas ainda assim formidável) trazendo mais um laço de ternura em cada gesto, onde o que importa são os olhares, as diferentes formas de pensar e colocar a expressão: cada objeto, cada ato, cada momento feito com sentimento tem muito mais valor. Outro grande trunfo é o acerto na trilha sonora de Jose Gonzales, mesmo ao final da sessão, fica horas martelando (ainda tenho um gigante barbudo em minha cabeça cantando “Don´t You Want Me Baby” do Human League). Por fim: “A Vida Secreta de Walter Mitty” tenta nos colocar  desde 1939, em sua criação original, que os grandes projetos da vida foram feitos por meras pessoas que cuidaram com carinho daquilo que outros apenas percebiam como pequenos detalhes. Um dos melhores filmes de 2013.

 

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O Homem do Futuro (2011)

 Comédia, Daniel Arrieche, Fantasia, Ficção Científica  Comentários desativados em O Homem do Futuro (2011)
nov 142011
 

O tal do Wagner Moura disse a que veio neste simples e bem feito filme. Talvez pelo trailer que não havia chamado a atenção, relutei tanto em ir assistir ao novo filme do Cláudio Torres (“Redentor” e “A Mulher Invisível”). Zero, o personagem principal tramita entre três épocas diferentes para tentar desfazer o grande lapso amoroso de sua vida reencontrando Alinne Morais (também com excelente atuação), e acaba remontando claramente cenas das trilogias “De Volta Para o Futuro” e “O Exterminador do Futuro” e também do terror de “Carrie, A Estranha”, sendo talvez uma homenagem do diretor a estes filmes. Uma boa comédia romântica – A lá anos noventa – com toques de saudosismo em um filme brasileiro sem violência ou putaria. Vale também prestar atenção na trilha sonora cantada pelo próprio Wagner com músicas da Legião Urbana, Ultraje A Rigor e Radiohead. SPOILER: fiquei com uma impressão de que a saga de Jesus Cristo teria sido plageada ao final do filme, com um fim trágico inevitável para “salvar” sua própria humanidade, sendo preso pelos “soldados” da educação física, “coroado” e traído pela namorada e ainda entregue ao próprio povo como um troféu nerd por ser diferente e tentar mudar o mundo. Exagerei?!

Meia Noite em Paris (2011)

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nov 092011
 

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Woody Allen consegue ser sutil e ao mesmo tempo pitoresco em seus filmes. Há quem não goste do diretor americano, e o criticam justamente por seu humor ácido e corrosivo que acaba tocando justamente o coração dos críticos de cinema. Pois em “Meia Noite em Paris” ele ataca novamente, fazendo com que sua cidade européia preferida seja palco para seu alterego rever grandes nomes da música, pintura e literatura mundial em uma aventura quase esquizofrênica onde Owen Wilson entra a meia-noite em uma carruagem para encontrar os personagens que o ajudarão então a concluir a obra que está escrevendo. A direção segura faz com que a obra se torne agradável arrancando boas gargalhadas nos embates verbais entre o protagonista e seus algozes, que são nada menos que o ex-namorado de sua esposa, e também seu sogro (que chega ao ponto de contratar um detetive para persegu-lo). Dentre um e outro diálogo, Allen não deixa de alfinetar com piadinhas infames seus conterrâneos, já sendo uma piada dizer que sua cidade preferida é Paris, e não Nova York como sempre sugere. As presenças da primeira dama francesa Carla Bruni e da oscarizada Kathy Bates enriquecem o contexto entre personagens ilustres como Pablo Picasso, Modigliani, Hemingway (caricato), Luiz Buñuel, e Salvador Dali (que ficou cômico com Adrien Brody). Para quem curte literatura (e Paris em especial) é um senhor filme.

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Thor (2011)

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nov 082011
 

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Não podia haver ator melhor do que Chris Hemsworth para encarnar o príncipe de Asgard (que no filme é mostrado como outro planeta, e não como o céu dos nórdicos). Um brutamontes vaidoso e orgulhoso que tem uma briga feia com seu pai Odin, que o envia a Terra como castigo. Não falemos mais pois pode passar como “spoiler”. O fato é que da direção de Kenneth Branagh não poderíamos esperar outra sinopse senão dramas familiares, como em espetáculos em que tanto atua como dirige obras de Shakespeare. Um detalhe que quase passa despercebido é a presença de Natalie Portman (vencedora do Oscar 2011) e que poderia ser interpretado por qualquer outra menina desconhecida que soubesse fazer o papel de bobinha apaixonada. Até a coadjuvante Kat Dennings consegue ser melhor com suas tentativas de falar o nome do poderoso martelo “Mjolnir. Vale prestar a atenção na ponta do criador Stan Lee (nem eu havia percebido), e também nas citações da agência “Shield” que mais uma vez dá as caras como em “Homem de Ferro” e “Hulk” já antecipando um provável filme com “Os Vingadores” (mais Capitão América, Homem-Aranha, Wolverine, Arqueiro Verde, dentre outros já em pós produção pelos estúdios da Marvel). Basta saber como convocarão de novo o extra-terreno Thor para a nova aventura. Bom divertimento a todos!