jul 262017
 
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Todos os filmes de guerra tem seu valor, seja histórico pelo envolvimento de nações em disputas bélicas de dinheiro e ego, seja pela brutalidade em que pessoas são desalojadas de suas casas e moradias em troca de brutalidade e humilhação, seja simplesmente pelo envolvimento emocional e de comoção que é causado no mundo inteiro. Fato é que independente da qualidade em que é representado nas telas (ou fora delas), há sempre uma motivação profunda de demonstrar ou esclarecer fatos e situações em que orgulhos e almas são profundamente ensanguentadas. E em “O Zoológico de Varsóvia” não é diferente.

O casal Jan (Johan Heldengerg) e Antonina Zabinski (Jessica Chastain) foram os zeladores do Jardim Zoológico de Varsóvia durante a invasão da Polônia pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, e os bombardeios que destruíram a cidade mataram grande parte dos animais. O casal resolve a partir deste momento, acolher e esconder judeus EM celas vazias, salvando centenas de pessoas dos sacrifícios nos campos de concentração.

Dentre as atuações como já era esperado, Jessica Chastain consegue transportar ao espectador tanto o carinho que nutre pelos animais quanto a esperança em conseguir salvar as vidas de seus conterrâneos. Bem amparada por um elenco de primeira linha com Daniel Brühl (Adeus, Lênin!) e Michael McElhatton (Game of Thrones) a trama segue sem muitos sobressaltos, porém com uma vida própria e uma maneira única de encantar. Já sob a direção de Niki Caro, o filme passa a ter vida própria e as vezes chegando até a esquecer que se está assistindo meramente um filme produzido nos anos atuais: as cenas nos guetos passam verossimilhança fazendo com que outras obras (não menores) sejam quase descartadas (eu disse quase) frente a sensibilidade. Ter talentos à frente e atrás das câmeras faz com que duas horas durem consideravelmente menos, dando a sensação de quero mais.

Outro cuidado importante na produção e escolha de elencos: a semelhança física entre atores e personagens reais é incrível e deixa a obra mais fiel. Mais tocante ainda é saber que o zoológico de Varsóvia ainda funciona e recebe visitas frequentemente até hoje.

 

fev 112016
 
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Cinezone MoviePoster - Joy

Coisa boa é entrar em uma sala de cinema, torcer pela personagem principal e sair com um sorriso nos lábios e a certeza de ter visto um trabalho bem feito e bem produzido. Essa certamente também será sua impressão ao assistir “Joy: O Nome do Sucesso“, um dos candidatos a prêmio na entrega do Oscar este ano.

Uma história nada fácil de ser contada: a vida e a ascensão de Joy Mangano, filha de imigrantes italianos nos Estados Unidos, que construiu seu reinado abaixo de muita briga e muito trabalho. No Brasil fatalmente ficaria conhecida como uma espécie de “Walter Mercado” (sim, ele está no IMDb!) ou do não menos famoso “zero onze 1406” que varava madrugadas apresentando as facas Guinsu ou as meias Vivarina. Pois mais uma vez David O. Russell consegue tirar leite de pedra e trazer um filme de tirar o fôlego.

Apesar de muitos fatos colocados no filme não serem reais (a meia-irmã Peggy nunca existiu na vida real) e personagens terem suas histórias de vida modificadas (o ex-marido Tony Miranne nunca foi cantor, e sim graduado em negócios), nada perde o encanto e a história linear interpretada bravamente por Jennifer Lawrence faz acontecer. Com ousadia, o diretor busca novamente sua consagrada fórmula de sucesso provada em “O Lado Bom da Vida” para mais uma vez fazer com que o público em vários momentos possa se reconhecer, não apenas pelos personagens mas também pelas situações e pelos percalços da vida. O elenco também conta novamente com Bradley Cooper e Robert De Niro que já atuaram juntos em outras obras.

Além da boa história, um bom roteiro enxuto contando o necessário em duas horas de filme fazendo o público acompanhar as neuroses da família da protagonista sem se perder nos flasbacks que buscam explicar muitas atitudes tomadas mais adiante. A trilha sonora bem escolhida também é um deleite pois além de situar uma época conseguem ser inseridas nos momentos corretos sem ser piegas. Há críticos que desdenhem a boa história aqui contada nesta biografia que mistura comédia e drama em boas doses e coloquem como algo que poderia ter sido melhor elaborada. Talvez sim. Mas não perde em momento algum o brilho da produção em geral e ao que se destina.

Não se impressione se ao final da sessão ficar com vontade de comprar o esfregão oferecido por Jennifer Lawrence, de quão boa surpresa é “Joy“. E um palpite: cedo ou tarde o filme estará sendo apresentado em cursos de administração e/ou marketing como exemplos de coragem e empreendedorismo.

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fev 052016
 
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Cinezone Poster - The Danish Girl

Quem assiste a “A Garota Dinamarquesa” sem saber do contexto, imagina que pela capa o filme seja mais uma daquelas comédias românticas onde a protagonista se apaixona pelo melhor amigo. Mas comete o grande erro de julgar o livro pela capa. A história de Lili Elbe foi um choque para a sociedade européia nos meados de 1830 onde a sexualidade era desencorajada e muito mais pudica, para não dizer hipócrita e até proibitiva em certos ambientes. A simples citação da palavra “sexo”, ou ainda qualquer pintura ou quadro referente ao mesmo poderia escandalizar.

O filme de Tom Hoper é uma obra bem feita e com uma essência em que os fatos vão lentamente sendo apresentados e com uma sequência em que o espectador fique confortável ao assistir uma história baseada em fatos reais. A ambientação simples e sem muita ênfase em grandes planos faz com que os pormenores sejam valorizados, fazendo com que, quando uma sequência um pouco mais longa seja colocada em prática seja apreciada de maneira total e privilegiada.

Mas o grande espetáculo do filme está nas atuações. Quando Eddie Redmayne foi escalado para interpretar o inglês Stephen Hawking a grande ideia era encontrar alguém com uma grande semelhança física (trocadilho infame) e que suprisse a primeira necessidade de “A Teoria de Tudo” – Eddie surpreendeu tanto que acabou levando a estatueta dourada. Mas quando se imaginava que este seria seu único e derradeiro papel, ele surpreende novamente e faz um introspectivo Einer Wegener, onde ao mesmo tempo a dor e o descobrimento são tão constantes e intensos no personagem que fazem o público respirar ofegante. Os demais papéis também tão bem encaixados como os de Alicia Vikander (a esposa compreensiva) e Mathias Schoenaerts (o legítimo canastrão) completam o quadro.

Depois de assistir “A Garota Dinamarquesa”, o quase certo prêmio de melhor ator será mais uma vez colocado em xeque. Se a escolha dependesse de minha opinião, Eddie Redmayne levaria o Oscar novamente este ano, afundando mais uma vez o navio de DiCaprio.

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jan 192016
 
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Cinezone - Steve Jobs Poster1

Existem certas indicações como bons filmes ou ainda como películas que despontam como grandes obras que chamam atenção. Não como um grande espetáculo montado para entreter o público, ou ainda fazer dinheiro (como um blockbuster), mas sim para contar uma história tal qual ela deveria ser contada, ainda que para isso todo investimento nos demais itens acabe se tornando quase supérfluo.

No novo filme de Danny Boyle (Slumdog Millionaire (2008) a história comercial do ícone “Steve Jobs” é retratada maneira mais peculiar e própria, buscando (sem avisar o público) que os pontos a serem ali tocados são a parte das discussões que levaram a empresa Apple aos altos e baixos em um mercado de gigantes, onde se degladiam com IBM e Microsoft. Tem-se a impressão de que em diversos momentos o espectador é esquecido, onde os personagens ficam trocando acusações (com todo sentido), mostrando-se mais egoístas do que o próprio protagonista realmente o teria sido em vida.

As interpretações são entre si bastante palpáveis, mas não palatáveis. Explico: as idéias de grandes intérpretes como Michael Fassbender (que segundo o IMDb foi a segunda terceira opção como protagonistas, onde Christian Bale e Tom Cruise já haviam declinado), Kate Winslet, e Seth Rogen (em sua primeira interpretação de verdade), são bastante convincentes e extremamente fidedignas, porém ficam bastante perdidas ante muitas informações e debates que acabam por deixar o filme arrastado. As relações familiares com a filha e com seus pais (adotivos e biológicos) ficam em um pano de fundo sendo usados apenas como justificativas para os atos “excêntricos” de Jobs. Infelizmente Danny Boyle acaba perdendo o prumo e fazendo com que suas conhecidas e habituais pirotecnias passe quase despercebidas em meio a tantos diálogos. Infelizmente os três atos do filme que, são cuidadosamente retratados em películas diferentes por exemplo, acabam por passar praticamente despercebidos.

Há outros relatos de que esta realmente é verdadeira história a ser contada sobre o Sr. Inovação, porém as discussões pessoais e os extensos diálogos acabam sufocando alguns ganchos para histórias bem mais interessantes e que poderiam ser muito mais aprofundadas. Definitivamente comprei o ingresso para um filme, e acabei assistindo outro.

Não! Em hipótese alguma pode-se dizer que Steve Jobs é um filme fraco ou ruim. É um bom filme e com sacadas geniais tanto dos protagonistas quanto dos próprios roteirista e diretor, porém em muitos cacos que poderiam formar belíssimo jarro. Poderiam.

Outros filmes sobre Steve Jobs: “Piratas da Informática: Piratas do Vale do Silício (1999)“, “Jobs” (2013) e “Steve Jobs: The Man In The Machine” (2015).

 

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dez 292015
 
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Cinezone Poster - No Coracao do Mar

O diretor Ron Howard tem a mão fácil para contar histórias (ou adaptar roteiros) como na adaptação blockbusterO Código DaVinci“, “Uma Mente Brilhante” – vencedor do Oscar – e mais recentemente em “Rush“. E neste caso não é diferente: nossa história apresenta Tom Nickerson (Brendan Gleeson), um velho recluso e um dos únicos sobreviventes do Essex, navio de caça à baleias que parte em busca de óleo combustível. Instigado a contar o passado ao escritor Herman Melville (Ben Whishaw), se põe a falar da viagem que fez anos atrás, comandado pelo imediato Owen Chase (Chris Hemsworth) – lenda entre os baleeiros – e pelo Capitão George Pollard (Benjamin Walker) – novato de família rica colocado no posto por questões políticas. Fato é que em meio as brigas entre os comandantes, navio e tripulação encontram durante a viagem a baleia cachalote Moby Dick, monstro branco descrito por Melville anos mais tarde.

Muito mais do que um simples filme, “No Coração do Mar” é daquelas histórias não contadas que revelam muito mais do que a intenção de uma grande aventura, mas também a condição de sobrevivência e que nem todas as atitudes imediatas são exatamente tomadas pelos motivos que parecem ter. Nem parecem ser. Porém, é mais simples do que parece.

As desventuras passadas pelos personagens não são apenas marítimas, mas reflexões de liderança e política que nos são impostos até hoje. Comandantes e comandados são muitas vezes obrigados a andar lado a lado (em uma metáfora) para que o barco não penda para nenhum lado. Nem sempre o destino traçado corresponde as expectativas criadas uma vez que todos somos vulneráveis a cobiça, seja ela pelo dinheiro, pelo poder ou pela própria vaidade sem mesmo questionar muitas vezes a quem estamos atingindo (mesmo que indiretamente). Também a questão da sobrevivência colocada a toda prova pode fazer com que grandes rivais revejam conceitos, uma vez que a própria pele pode estar em jogo.

Ron Howard consegue superar expectativas e fazer com que “Thor” não seja apenas mais um rostinho bonito nas telas, mas também saiba interpretar e dar vida a personagens mais complexos. Atores coadjuvantes como Cillian Murphy e Ben Whishaw (que interpreta o próprio escritor de Moby Dick) ajudam muito nas cenas mais calmas, e impressionam também. Um grande filme (em amplitude cinematográfica) que não deixa nada a desejar em relação a outros filmes do gênero.

 

Título Original: “In the Heart of the Sea”

Direção: Ron Howard

 

out 072015
 
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Cinezone Poster - Everest

 

Não há dúvidas da incredulidade do público ao encarar as filas de cinema para assistir “Everest”: com um tema bastante corriqueiro em filmes de ação na neve, (Risco Total / Limite Vertical) e a idéia de apenas mais blockbuster nas telas. Baseado em personagens reais e fatos verídicos acontecidos em 1996, a história conta os fatos trágicos acontecidos durante a escalada de um grupo com experientes alpinistas, a um dos pontos mais altos do planeta terra. O filme apresentado por Baltasar Kormákur  é competente no que se destina. Vai longe. Mas não muito.

A iniciativa de contar uma história baseada em fatos reais pode ser perigosa para muitos roteiristas, uma vez que lacunas no roteiro podem ser irreparáveis tanto para aqueles que são caracterizados pelos escritores como para a ambientação (locações). Em determinados momentos de “Everest” esta estranheza é notada, por exemplo no rosto dos atores que não estão maltratados pelo clima gélido, ou pelas roupas de grife usadas pelos andarilhos locais, ou ainda mesmo pelos “cromaquis” (ou chroma key) usados nas cenas de ação: para os fotógrafos trabalhar branco do gelo é infernal, uma vez que a câmera seguidamente é enganada pelos reflexos.

Depois de uma hora o filme já torna-se cansativo e talvez até moroso. O que salva a obra de forma geral é a ótima atuação de grande parte do elenco, que não fica caricato em momento algum chegando até a emocionar os mais sensíveis. Também a semelhança de cada ator com os verdadeiros protagonistas traz bastante veracidade aos fatos. Nomes como Jason Clark (finalmente em um papel que faz valer sua falta de expressão), Josh Brolin (que consegue convencer bem), Jake Gyllenhaal, Keira Knightley (ótima), Sam Worthington (o eterno “Avatar”), Emily Watson (num apoio de peso) fazem valer.

Simplesmente, cumpre o que promete.

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Título Original: “Everest”

Direção: Baltasar Kormákur

 

 

fev 192015
 
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A informática e os computadores pessoais nos dias de hoje devem muito a Alan Turing. Parte de sua história foi contada no intrigante filme “O Jogo da Imitação”, onde conta desde sua entrada nas forças britânicas até a descoberta de seu suposto suicídio em 1954.

Conforme o filme, o matemático Turing era extremamente anti-social, cheio de manias e de uma inteligência fora do comum para números e problemas de lógica. Baseado nisso, fora chamado para integrar uma equipe de uma força especial da Inglaterra especialista em quebras de código e que estava com a responsabilidade de desvendar o grande mistério da máquina de criptografia “Enigma”, inventada pelo exército alemão para enviar mensagens secretas entre suas tropas sem serem descobertos. Porém a maior guerra que o gênio enfrentaria não seria contra os alemães, e sim dentro de seu próprio país: o “crime” de ser homossexual.

O foco da produção foi contar uma história o mais verossímil possível, utilizando-se de locações de época e bastante
realistas, dentro de ambientes sem influências externas (o que facilitaria bastante o trabalho do direto inciante Morten Tyldum podendo controlar a luz), baseado em fatos históricos e não menos trazendo a reação tanto dos militares quanto daqueles que participaram diretamente dos fatos. Outro fato de relevância na obra é a presença do elenco de apoio como Keira Knightley (que faz uma insossa ajudante que se destaca em apenas alguns breves momentos sendo literalmente a coadjuvante, no sentido literal da palavra), Charles Dance (de Game Of Thrones), Mark Strong (o Dr. Nash, de “Antes de Dormir”), que deixam o excelente Benedict Cumberbatch a vontade para interpretar o complexo personagem cheio de trejeitos e com um constante deficit de atenção.

O ator Benedict Cumberbatch é a estrela desta produção, inclusive recebendo a indicação de seu primeiro Oscar pelo papel do matemático. Dramático na medida certa, eloquente e firme, sem em momento algum deixando escapar uma fagulha do personagem. Ainda que interpretando um homossexual assumido, não afeta em nada a importância do filme nem se torna o motivo principal, ainda que o filme traga uma carga bastante pesada do preconceito e da ignorância quanto ao assunto na época.

Alguns críticos podem colocar algumas situações como clichês, ou ainda falar do sotaque exagerado, ou ainda das piadas fora de hora. Porém em nada tira a importância da obra para o mundo atual, nem mesmo o brilhantismo do conjunto como cinema.

 

 

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fev 102015
 
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TMPC_Unbroken

 

 

Talvez por algum motivo especial, em uma determinada época, vários filmes com o mesmo tema são lançados parecendo até coisa combinada. Neste caso o mote da vez são as histórias verídicas sobre guerras e suas sempre danosas consequências.

No caso de “Invencível” (Unbroken) a regra de se contar uma história bastante linear e nos padrões de outras já contadas, parece temerária e as vezes até medrosa. A então diretora Angelina Jolie simplesmente seguiu a regra e os pontos básicos para não errar. Porém, também não acerta.

O filme nos apresenta a história de Louis Zamperini, filho de imigrantes italianos nos Estados Unidos, que desde cedo parece ter um destino fácil aos estrangeiros da época: álcool, cigarros e uma pré-disposição para confusão. Porém em uma guinada do destino, descobre que pode correr muito rápido e ajudado pelo irmão chega a incorporar a equipe de atletas da escola, e até disputar uma olimpíada. Porém a guerra chega e o sofrimento começa, sem ter cor, raça, crença ou piedade para qualquer um.

O que uma grande história podia trazer, “Invencível” traz. Porém não empolga em momento algum. Histórias paralelas rasas e que se limitam tão somente a contar sem se aprofundar e, em vezes se tornando até mesmo clichês sem necessidade. O ator Jack O´Connel (um ilustre desconhecido) não acrescenta em nada o personagem e chega em determinados momentos a se tornar sem expressão. As cargas emotivas poderiam ser o grande trunfo uma vez que batalhas são sempre fortes nas telas. Mas existem muitos pecados no filme, inclusive com erros de continuidade inadmissíveis (náufragos em um bote, em meio ao oceano por mais de quarenta dias com a barba perfeitamente feita, por exemplo). Realmente não é de admirar ter sido preterido pela premiação no Globo de Ouro.

É valido assistir pelos fatos históricos paralelos e também pela história de vida do atleta que, debaixo de sofrimento e maus tratos nunca esmoreceu. Também pela curiosidade de Zamperini ter assistido ao filme já finalizado somente no dia fatídico de sua morte, acamado e debilitado, no laptop da própria diretora Jolie.

Na dúvida entre tantos filmes de guerra este início de ano, a sugestão é “Uma Longa Viagem” (The Railway Man) com Colin Firth e Nicole Kidman em que apresentam uma história extremamente semelhante (quase igual) e com um roteiro fraco, porém com atuações valem o interesse.

 

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jan 272015
 
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TMPC_American Sniper

A maturidade dos temas abordados nos filmes de Clint Eastwood são notáveis, desde que resolveu enveredar definitivamente na carreira de diretor. Não desvalorizando seus feitos como ator (Os Imperdoáveis, Cavaleiro Solitário, Dirty Harry, Alcatraz: Fuga Impossível, dentre outros) mas sua mão firme atrás das câmeras são de muito mais valia tanto para a indústria cinematográfica quanto para quem busca entusiasmado assistir sua próxima obra. Outra marca registrada do diretor é o patriotismo exacerbado. Em “Sniper Americano” vemos um pouco de cada parte disso.

O soldado Chris Kyle (Bradley Cooper) é um exímio atirador, e peça fundamental nas investidas americanas no Iraque. Vindo de uma modesta e tradicional família, Kyle é um jovem que não tem muito futuro como cowboy (seu sonho de menino) e, impulsionado por um ufanismo sem precedentes resolve se alistar para ajudar seu país. A constante presença nas guerras faz com que sua vida familiar não se estabeleça e gradativamente frequentes ataques de paranóia não o deixe ter uma vida social tranquila.

Em alguns momentos da trama nota-se o dedo do diretor (spoiler): em uma das primeiras cenas, o pai dos meninos (Chris e seu irmão menor) discursa a mesa sobre quem são e como sobrevivem dentro daquela casa usando uma metáfora de lobos e cordeiros, fazendo claramente uma analogia as intervenções americanas em outros países se justificar pela soberania da justiça cega e da liberdade incondicional.

O fato de o roteiro ser adaptado de uma literatura biográfica, faz com que o filme em certos momentos seja arrastado e por momentos até sonolento, sendo que muitos outros temas poderiam ser abordados com profundidade (influência dos quadrinhos, questões psiquiátricas, relações familiares e suas consequências, a política americana frente as ações militares, fanatismo religioso, etc, etc) e deixam de ser mais comentados, visto a tentativa de fidelidade ao livro. Outra situação clara que se consegue entender somente nos créditos finais é que o único motivo para a escolha de Cooper como protagonista é a semelhança física com o próprio Kyle. Porém apesar de esforçado não traz carga emotiva ao personagem e nem consegue transmitir muita coisa ao público.

Apesar de ter bilheteria recorde nos Estados Unidos (batendo inclusive Avatar) na estréia, tem causado furor na mídia e entre os pais de crianças e adolescentes e demais associações armamentistas quando falam que o filme exalta um assassino, ou ainda sobre a covardia do atirador (comentário de Michael Moore, documentarista de “Tiros em Columbine“). Contra este avalanche de críticas, produtores de Hollywood comentam que ninguém reclama das altas audiências de seriados como Dexter e Hannibal, ou ainda do anti-herói e traficante de drogas Walter White, de Breaking Bad.

Caso “Sniper Americano” tenha alguma premiação este ano, certamente será técnico (montagem / som / roteiro adaptado) tão e somente, pois nas demais categorias tem concorrentes muito superiores. Sou fã da obra do diretor Clint Eastwood, mas desta vez não convenceu.

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jan 212015
 
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TMPC_Wild

 

Quando um filme entra no hall dos concorrentes ao Globo de Ouro ou ao Oscar, já fica pré-concebido como um bom filme ou com alguma coisa a mais a mostrar, o que normalmente provoca uma corrida aos cinemas (ou aos torrents). Quando a indicação é pela atuação, o filme em si pode deixar muito a desejar. É o caso de “Livre“.

A biografia traz uma mulher que tem uma conturbada infância com um pai alcoólatra e violento, as drogas e o sexo com estranhos como fuga principal da realidade. Após a perda da mãe, resolve entrar em uma longa caminhada de 1.800 quilômentros. Cheryl Strayed resolveu ter esse nome depois de separar do marido e entender que sua vida estava “desviada”, sem rumo, e que precisava de um sentido para prosseguir: “ser a mulher que sua mãe criou”.

Em uma tradução peculiar ao cinema brasileiro, o título “Livre” pode tentar dizer um pouco mais do que o original “Wild” (literalmente: selvagem, ou algo que o valha) pois a caminhada vivida por Reese Witherspoon é mais uma tentativa de libertação, do que uma inserção ao mundo desconhecido propriamente dito. Talvez o mérito da atriz já inicie na escolha do elenco por ter batido Jennifer Lawrence, Emma Watson e Scarlett Johansson (casualmente todas queridinhas da hora, o que pode simplesmente não passar de um mero hoax, ou boato para valorizar o papel) ou ainda pela grande semelhança com a escritora original e inspiração para o filme Cheryl Strayed. Sinceramente não vi nada de tão espetacular que a elevasse a tamanho prêmio, ainda que não seja nenhum expert em dramaturgia. Porém James Franco conseguiu ser muito mais convincente em “127 Horas“, em um clima árido bastante semelhante em determinados momentos.

Deixando um pouco as atuações que levaram o filme a ser conhecido/divulgado de lado: o ritmo imposto por Jean-Marc Vallée (Clube de Compras Dallas) inicialmente é bem interessante com uma personagem forte apesar de estereotipada, trazendo bastante envolvimento com os demais detalhes nas cenas: botas, mochilas, caronas e relações interpessoais. Mas a impressão que fica é que o roteiro está atrelado demais ao livro no qual foi inspirado. Explico: cenas que não agregam nada e ficam perdidas no contexto entram no filme porque a autora passou por aqueles momentos, e não porque seriam encaixados em outras valias da história.

A história não chega a ser chata , piegas ou pedante, mas também dificilmente terá qualquer influência benéfica contada da forma que foi. Talvez o livro traga mais detalhes que dignifiquem o motivo pelo qual a obra foi realizada.

 

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