fev 222018
 
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Em tempos em que a tolerância e a resiliência são palavras de ordem para a convivência social e em comunidade, “Três Anúncios Para Um Crime” vem como uma patrola esmagando conceitos e dando liberdade àqueles que nada tem mais a perder neste mundo. Aos bons de coração e inertes ao mundo que os rodeia, o filme é o espelho de uma sociedade torta e que se enverga ao considerado mundano e consciente de que alguma coisa deve ser feita.

A história nos apresenta a Mildred Hayes, uma senhora extremamente ferida pelo estupro e assassinato brutal de sua filha. Descontente com as atitudes completamente relapsas da polícia na busca de um culpado, ela então decide tomar uma atitude extremamente inédita em se tratando da cidade pequena onde mora: aluga três outdoors em uma estrada próxima a sua casa. A repercussão é imediata tanto na cidade quanto nas redondezas, atraindo inclusive veículos de comunicação de outras localidades próximas. Porém as consequências acabam atingindo outras pessoas, incluindo o Delegado Bill Willoughby, responsável direto pela investigação.

Dizem que não há dor maior na vida de um ser humano do que a perda de um filho. Pois Frances McDormand consegue traduzir e mostrar nas telas durante todo o filme a angústia e força armazenada na personagem principal. Com um humor negro indefectível, sem ser agressivo e impactando a cada diálogo ela segue abalroando aqueles que seguem frente ao seu caminho: mas tudo tem um custo.A atriz consegue oscilar da comédia ao drama quando contracena com Peter Dinklage (o Tyrion Lannister de “Game of Thrones), por exemplo.

Outro contraponto da história é o delegado interpretado por Woody Harrelson que se vê em uma sinuca quando os anúncios são expostos. Ciente de um câncer que o consome rapidamente ele tenta resolver as situações a sua maneira. Dócil com as filhas e esposa, e feroz quando dentro de um uniforme o ator consegue dosar o peso do personagem sem ficar tão estereotipado ao ponto de o público não conseguir definir se o ama ou odeia. Um papel para poucos.

A grande surpresa em termos de elenco é a atuação de Sam Rockwell: um nojento policial com trejeitos abobados e violentamente brutal quando contrariado. O personagem cresce a cada cena tornando-se fundamental na trama até o final. O crescimento do ator não é de hoje, como já reconhecido em outros filmes e tendendo a buscar um revés mais dramático valorizando seus papéis anteriores.

A trinca de atores é o plano chave do diretor Martin McDonagh para fazer uma história que parece morna, aquecer a ponto de fervilhar a emotividade do público. O elenco suporta o peso sem maiores problemas fazendo o hilário e o singelo parecerem confortáveis dentro de um roteiro simples e inteligível. A capacidade de atuação dos três é tão forte que foram indicados ao Oscar 2018. É difícil levarem todos pois concorrem com outros monstros consagrados do cinema. Mas não é impossível.

Talvez vocês possa esperar muito mais de um concorrente ao Oscar com tantos talentos a disposição, ou uma direção mais contundente. Porém talvez a ideia seja justamente criar um ambiente de crítica tão corrosiva ao ponto de tentarmos entender o filme dentro de nossos próprios conceitos. Afinal qual atitude tomar diante da reação explosiva e consequente? A dor é mais suportável que a perda? E para quem não tem mais o que perder, quanto custa? Talvez uma obra que se torna tão necessária em nosso país frente a quantidade de ombros dados ao que vemos diariamente em nosso cotidiano.

Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos (2013)

 Ação, Blogger, Daniel Arrieche, Drama  Comentários desativados em Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos (2013)
out 022013
 
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Uma menina adolescente descobre que pode ver pessoas imaginárias e que dela depende toda sobrevivência de uma raça. Seus pais biológicos não são aqueles que ela sempre imaginou, e que seus grandes amigos e aliados são lobisomens e vampiros. Será uma trilogia em que a personagem principal é apenas uma metade humana. Já viu esse filme? Pois eu também. Se você acha que estava ruim e não podia piorar…… errou! Em “Os Instrumentos Mortais” o que era ruim, ficou ainda pior! Mais uma tentativa frustrada de trilogia teen para tentar angariar fãs reclusos da última saga. Uma colcha de retalhos mal costurada, onde frases adolescentes são confundidas com piadas ocultistas e sem sentido. Onde sotaques dos personagens ingleses e americanos tem uma mistura francesa. Uma trupe de góticos com armas de vidro e borracha se debatem com magos, em uma festa rave acrescida de uma versão homoafetiva de Edward Cullen. Confuso? Pois entre um bocejo e outro no cinema, comecei a reparar nos rostos dos espectadores para entender se apenas eu conseguia entender aquele fiasco de produção: os “sorrisos” e comentários de decepção estavam espalhados e generalizados. Na saída do cinema em meio ao borburinho, escuto uma conversa que resume a obra: “– Amor, quanto tempo perdemos de nossas vidas nessa sala de cinema?”

R.I.P.D. – Agentes do Além (2013)

 Ação, Bruno Spotorno Domingues, Comédia, Crime  Comentários desativados em R.I.P.D. – Agentes do Além (2013)
set 262013
 
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Não há muito o que dizer sobre R.I.P.D. a não ser que é péssimo. Uma tentativa frustrada de fazer um novo MIB. Não deu certo. O personagem de Jeff Bridges está muito exagerado e chato e Ryan Reynolds já provou que não é ator. Meia boca no médio Eu Queria Ter a Sua Vida (The Change-Up) e o pior Hal Jordan possível em Lanterna Verde (Green Lantern) – filme ruim que tinha tanto potencial. Talvez o que se salve no filme é Kevin Bacon, que já mostrou que o negócio dele é ser vilão e não mocinho (já viram The Following? Ser o mocinho simplesmente não combina com ele), a bela atriz Francesa Stephanie Szostak e Mary-Louise Parker, que é bem engraçada.

Definitivamente uma perda de tempo.

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Depois da Terra (2013)

 Ação, Bruno Spotorno Domingues, Ficção Científica  Comentários desativados em Depois da Terra (2013)
set 232013
 
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Desta vez preciso concordar com a crítica de After Earth (Depois da Terra): uma tentativa frustrada de Will Smith lançar de vez seu filho, Jaden Smith, para o cinema. Jaden, quando ainda com 8 anos, fez um ótimo trabalho em The Pursuit of Happyness (À Procura da Felicidade). Mas é preciso entender que aquele filme como um todo é excelente: direção, roteiro, Will Smith… tudo. Não é o caso de After Earth.

Com um roteiro clichê, batido, e atuações no mínimo medíocres de ambas as partes, After Earth é um dos piores filmes de Ficção Científica que assisti nos últimos tempos, e eu assisto qualquer filme do gênero, inclusive os de baixíssimo orçamento.

Não sei se o garoto quer realmente ser ator e não sei como vai a carreira de “rapper, songwriter and dancer”. Das duas uma: ou ele quer muito ser ator e o papai está dando uma força, ou ele não quer e o papai está forçando a barra. Em ambos os casos, ou ele faz umas aulas pra aprender a atuar, ou larga de vez e segue uma das outras carreiras que persegue.

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Rush (2013)

 Ação, Biografia, Daniel Arrieche, Drama, Esporte  Comentários desativados em Rush (2013)
set 232013
 

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O primeiro grande trunfo de “Rush” é a semelhança física que existe entre os protagonistas Chris Hemsworth e Daniel Bruhl que representam James Hunt e Nikki Lauda, respectivamente. Após aparecer como “Thor” para os cinemas, Chris faz seu papel mais insinuante e de respeito, também nas mãos do experiente Howard. E Daniel para quem não lembra de “Adeus, Lenin!” traz um austríaco típico, com a segurança suficiente para emocionar público e o próprio herói da fórmula um, que diz ter chorado após assistir a obra. Um verdadeiro deleite para os fãs do esporte. Não sou tão ligado no esporte ou patrocinadores e nem acordava cedo para assistir as corridas, porém não há como se emocionar com uma história bem contada e com a medida certa, misturando cenas produzidas com as reais da década de setenta. À vezes não conseguimos identificar o que é real ou não, tão perfeita a sincronia montada pelo editor. Nas cenas de corrida (em especial a última) você pode sentir o ronco dos motores e até a chuva batendo no capacete. Para quem não é conhecedor da história, é o encaixe perfeito de entretenimento do cinema e a rivalidade da Fórmula 1.

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Atividade Paranormal 3 (2011)

 Daniel Arrieche, Terror  Comentários desativados em Atividade Paranormal 3 (2011)
set 122013
 
 
O terceiro (e acredito que último) filme de “Atividade Paranormal” conta como tudo começou. Como muitas franquias (Batman, Wolverine, Hannibal, etc, etc…) conta a origem de todos os acontecimentos, dando uma explicação “lógica” mostrando quando as irmãs Katie e Kristi ainda eram crianças. Sem novidades. O memo drama, a mesma casa, personagens, cobertores e lençóis voando, vultos, puxões de cabelo e portas batendo. Tudo soa muito artificial, perfeitinho demais e de longe não remonta o clima tenso do primeiro. Até começarem os sustos. Sim… ainda que a crítica não seja lá essas coisas, os sustos estão garantidos. Se for assistir no cinema, evite os horários da tarde, ou início da noite, pois infelizmente ainda temos pessoas que vão as salas e não sabem se portar, ou ainda respeitar quem paga para ver um filme: gritos sem motivos, risadas histéricas, fotos e celulares brilhando. Prefira as últimas sessões, onde a maturidade do público é maioria.

Medianeras (2011)

 Comédia, Daniel Arrieche, Drama  Comentários desativados em Medianeras (2011)
set 122013
 
 
Martin e Mariana vivem em Buenos Aires, no mesmo bairro e na mesma rua. Tem objetivos, meios, lugares e princípios em comum. Porém nunca se viram, e talvez isto nunca venha a acontecer pois eles estão na era do amor virtual. A película argentina faz uma amostra de simplicidade e de direção segura e competente: personagens complexos e de fácil manejo em um cenário extremamente comum a todos nós: a tão famosa selva de pedra. Em uma cidade de três milhões de habitantes onde o medo, a paranóia, e as facilidades da vida moderna nos trazem uma realidade plausível, os acontecimentos mais banais fazem com que na tela fiquem estereotipados. O filme argentino em muito lembra a dupla gaúcha Jorge Furtado e Giba Assis Brasil, tanto na narração quanto na montagem, mais os cortes secos e pontes entre situações distantes. Una excelente película muestra bien hecho! Clap! Clap! Clap! Clap!

Meu País (2011)

 Daniel Arrieche, Drama  Comentários desativados em Meu País (2011)
set 122013
 
A expectativa de um bom filme nacional se faz presente em “Meu País”, onde a trinca de atores globais se reveza entre boas e más atuações tendo um saldo positivo entre idas e vindas: Paulo José interpreta o pai de dois filhos (Rodrigo Santoro e Cauã Reymond) que desestruturados entre eles, obrigam-se a unir forças após sua morte e rever conceitos tanto na dignidade dos negócios, quanto a encontrar o rumo para suas vidas familiares. Não bastando o vício em jogatinas do caçula, eles descobrem que possuem uma irmã bastarda (Débora Falabella) de vinte e quatro anos e com idade mental de oito. O clima denso e intimista proposto pelo diretor faz com que as diferenças sociais e culturais se acirrem a cada momento, querendo que o clímax tome conta. Ainda que não saia do chão a tentativa de decolagem tenta se focar nas atuações: Rodrigo Santoro vem com toda sua bagagem e experiência trazendo veracidade, enquanto Reymond se esforça. Débora Falabella deveria bater com a cabeça na parede uma centena de vezes para encarar novamente a missão. Ainda assim vale a pedida pela tomadas feitas na Itália, pelas experimentações de fotografia (lentes/foco/plano e contra-plano), e o saudosismo de um filme que parece não ter acabado.

127 Horas (2010)

 Aventura, Biografia, Daniel Arrieche, Drama  Comentários desativados em 127 Horas (2010)
set 112013
 

127

Muita expectativa para pouco que se apresenta… essa foi a minha impressão ao final do filme. Uma atuação boa de James Franco, mas em um papel que qualquer outro ator desta safra nova faria. Talvez o grande alarde por ser de direção do Danny Boyle, que ganhou o premio em 2009 por “Slumdog Millionaire”. Realmente “127 Horas” lembra o filmaço indiano no início, com os cortes e a trilha sonora… porém é só. Nem a tão falada cena do braço sendo decepado é tão terrível quanto cotada. A validade toda é o fato de o filme ser completamente biográfico, e em saber que o contado é exatamente o ocorrido com Aron Ralston em 2003. Definitivamente Franco deveria voltar a fazer o inimigo do “cara de teia”, onde certamente será mais notório…

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Não Tenha Medo do Escuro (2010)

 Daniel Arrieche, Suspense, Terror  Comentários desativados em Não Tenha Medo do Escuro (2010)
mar 122013
 
As vezes em meio a tanta tecnologia e Jason e Freddy Krueger que matam sem muito sentido, existe a falta daquele horror clássico e de um suspense muito bem feito. Ainda que não dirigido diretamente por Del Toro, ele nos traz em “Não Tenha Medo do Escuro” o medo e a aflição dos corpos já nas primeiras cenas (chocantes) em um enredo bem simples e nada original: novos compradores de uma casa mal assombrada resolvem habita-la sem conhecer exatamente a história do que ali já foi vivido. O casal Katie Holmes e Guy Pearce trazem a tiracolo a pequena Bailee Madison (que chega a ser tétrica em alguns momentos) que aparenta sérios problemas de adaptação e também algum transtorno mental. Mas o fato é que os sustos são iminentes a cada segundo, juntamente com a música e as tomadas rápidas o filme vai melhorando a cada passo e derradeiramente nos levando ao desconhecido. Ou nem tanto. Faz tempo que não via tanta gente pular tão alto das cadeiras no cinema, e gritar tão freneticamente. Observe na saída da sessão os comentários e rostos daqueles que acabaram de passar por essa boa experiência.