dez 072017
 
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O melhor seriado dos últimos tempos: e que você certamente ainda não viu.

Em meio a tantos seriados de zumbis, super-heróis e teorias mirabolantes surge “This Is Us“, já a algum tempo chegado no Brasil pelo serviço televisão por assinatura, arrebata corações por onde passa com a fórmula mais simples e mais eficiente até hoje: um bom roteiro.

Tudo gira em torno da família Pearson onde três irmãos nascidos no mesmo dia compartilham as emoções e inseguranças que todos nós também vivemos como o medo de rejeição, ser aceito em sociedade (e pela própria família), dúvidas sobre a vida infantil e adulta, dentre temas como racismo, obesidade mórbida, conquistas, triunfos e desilusões amorosas. Sendo um relato das vidas de Jack e Rebecca que esperam trigêmeos, as vidas acabam se desenrolando ao longo dos dezoito episódios da primeira temporada. Kevin é um belo ator de televisão que está cansado de fazer papéis superficiais, Kate é uma mulher obesa que vive uma eterna luta para perder peso e Randall reencontra seu pai biológico que o abandonou quando ele era apenas um bebê recém-nascido.

Ao invés de termos mais um seriado apelativo com atitudes nonsense e repreensíveis (ou demasiadamente apelativas) cheias de castelos e de paisagens mirabolantes, encontramos o cotidiano convencional. Desde o primeiro momento a sutileza das relações familiares e as dificuldades que possuem em interagir com o mundo dito “normal”. Porém mesmo sendo “normal” ainda assim existe dificuldade de relacionamentos e interações. De forma comovente o seriado é conduzido de forma simples e, como se fosse apenas uma nova crônica do mundo atual, traz perspectivas bem convencionais porém nada esperadas a cada episódio: bem como é a vida.

Transmitido no Brasil pela FOX, “This Is Us” é daqueles seriados onde quem tem tendências fortes a se emocionar frente a telinha, tem um prato cheio. Ou melhor, transbordando.

Um dos melhores que já vi nos últimos anos (até agora).

E não. Infelizmente não está no Netflix.

fev 102017
 
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Fé. Dizem que a fé move montanhas. A nova produção para a Netflix chamada “The OA” é uma complicada e vasta trama que exige um pouco de conhecimento, imaginação, e principalmente acreditar no que seus olhos vêem (ou não).

A história nos apresenta Prairier Johnson (Brit Marling) que reaparece após sete anos desaparecida – com a capacidade de ver depois de anos de cegueira e uma incrível história. Tão incrível que ela só compartilha com um pequeno grupo de que ela cria, sendo a maioria adolescentes e mais uma professora. Nem mesmo seus pais, que passaram os anos procurando desesperadamente por ela, sabem da verdade. Ela é perseguida e desacreditada pelos holofotes, mas reclusa em seus próprios devaneios e desventuras cósmicas.

Há tempos não temos uma séria tão expansiva e trincada, com possibilidades e teorias quase infinitas sobre os acontecimentos ao longo de cada um dos oito episódios. A série mistura literatura e misticismo, ciência e premonições, juntamente com detalhes soltos sobre os personagens que vão sendo apresentados: cada detalhe é importante para construção do ambiente. Conforme a atriz (e também roteirista) comenta: “você precisa ter uma narrativa que seja suficientemente robusta para sobreviver a toda essa expectativa”.

A história se apresenta bastante emocionante e cheia de nuances de que será mais um dos expoentes midiáticos como tantas outras, chegando a comparações com “Stranger Things” (também sucesso do Netflix). Mas nem tudo que reluz é ouro: a trama possui falhas e deixa várias pontas e laços abertos ao longo dos primeiros episódios até que a engrenagem lunática se faça justa e equilibrada, fazendo com que tudo possa ser desacreditado. A partir do quarto episódio o roteiro toma novo fôlego e vai até o final crepitante e incrédulo até o fantástico e inesperado desfecho. É de arrepiar.

Ainda não existe a certeza de uma segunda temporada segundo os produtores, pois a quantidade de informações sugeridas e novas teorias que surgem a cada momento nas redes sociais fazem com que a demora para movimentar este “gigante” seja bastante longa e densa, tanto quanto a vida da própria protagonista, podendo levar muito mais tempo do que se imagina. Assim como é dito por um dos personagens marcantes e mágicos na série: existir é sobreviver às escolhas injustas.

Faz-se jus ao próprio “The OA”, que nasce grande. E com grandes responsabilidades.

 

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jul 162015
 
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Sense8 Cinezone  Poster

 

Os irmãos Wachowski ficaram conhecidos pela trilogia Matrix, de 1999 e que revolucionou a maneira de fazer cinema, uma vez que inovaram tecnologias, referências e tendências sobre a sétima arte. Há quem diga que ali existiu um marco de como se fazia, e como fazer: o que não discordo apesar de achar um pouco de exagero, uma vez que já tivemos diversos pontos de virada e desdobres significativos na era moderna como as transposições de Welles, os vértices de Kubrick, dentre outros expoentes. Pois Andy e Lana (antes Larry) entraram de cabeça no ambicioso “Sense8”, produção exclusiva para o Netflix.

O seriado conta a complexa história de oito pessoas de distintas partes do mundo que, sem razão ou motivo aparente começam a se relacionar umas com as outras psiquicamente, e por consequência ter as mesmas experiências e qualidades conseguindo em conjunto chegar aos objetivos. Porém há uma organização misteriosa que pretende usa-los para o benefício de uma minoria.

Já dito em outras oportunidades, teria o domínio do cinema moderno e das grandes fortunas em película aquele que conseguisse estreitar a janela entre um lançamento nas telonas até a chegada as demais plataformas: canais por assinatura e hoje o estouro do “streaming”, ou ainda de melhor forma diretamente em todas as plataformas. A forma de lançar episódios para download (um por semana) foi quebrada pela plataforma Netflix mudando um pouco a maneira de assistir, podendo faze-lo (com tempo e paciência) de uma só vez. Mas talvez essa tenha sido uma das salvações da série.

Um projeto bastante ambicioso, uma vez que se passa em mais de oito países diferentes com uma logística monstruosa e um orçamento bastante alto, e também uma premissa de seres sensitivos que pode fazer tentáculos para qualquer parte da trama. O ambiente criado desde o início da série deixa os autores livres para criarem da forma que quiserem e manipular os rumos de acordo com a audiência inclusive, tendo um feedback praticamente imediato. E ainda com um espaço de tempo bastante primoroso para trabalhar uma suposta segunda temporada (já renovada).

Porém existem exageros considerados pelos espectadores bastante importantes como o seriado sendo quase uma biografia e pensamentos de Lana Wachowski, a co-criadora que coloca sua visão muito pessoal e intimista fazendo pesadas cenas de homossexualismo (as vezes desnecessárias), uma vez que em quase nada faria a diferença para os personagens. Lana é uma ativista e coloca muito de sua visão sem saber se o público está realmente interessado em suas premissas deixando o roteiro pesado e a trama vagarosa.

Por outro lado, desde a abertura o seriado se compromete com a qualidade das cenas, com não deixar nenhuma ponta desamarrada e com perspicácia suficiente para sair de situações complicadas. A ideia agora é deixar fluir e ver as surpresas que Sense8 nos apresenta daqui em diante.

Título Original: “Sense8”

Direção:  J. Michael Straczynski, Andy Wachowski, Lana Wachowski

jun 022015
 
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Cinezone Poster MrRobot

Falar muito, ou falar muito pouco de qualquer obra é dilema muito complicado, uma vez que nem todos tem a mesma percepção e/ou subjetividade. Mas… e quando uma delas te tira o fôlego no primeiro episódio? Já no piloto, “Mr. Robot” ganhou não só minha atenção, mas de grande parte da população ligada em séries.

O jovem Elliot (Rami Malek) é um programador que trabalha para uma das maiores empresas de engenharia cibernética dos Estados Unidos e que, ainda que tenha de viver em uma sociedade (julgada por ele) hipócrita, tem a função juntamente com seus colegas de escritório proteger seus clientes de possíveis ataques. Mas na calada da noite ele se transforma em uma espécie de hacker vigilante invadindo contas pela internet, e-mails e arquivos pessoais de pessoas próximas para fazer sua própria justiça ideológica. Porém ele sofre de um sério distúrbio anti-social que o deixa a margem do contato pessoal ou do relacionamento mais profundo com qualquer pessoa (não tolera contato físico e tem a sensação clara de não-realidade). Em meio a tudo, Elliot ainda é observado de longe por um anarquista virtual (Christian Slater) que o convida em um determinado momento para ser seu aliado em derrubar sistemas financeiros inteiros, causando desordem e oportunidades “novas” para todos.

A complexidade é generalizada. Em um ambiente que nos traz tantos conflitos, “Mr. Robot” tem uma direção segura e ao mesmo tempo vibrante. Em apenas uma hora, as câmeras vão passando de cena em cena nos trazendo quase tudo o que é possível em termos técnicos e arrojados, mostrando conhecimento, experiência e audácia nos menores takes. Já o roteiro também acompanha a mesma linha de raciocínio sendo envolvente e dando quebras nas horas certas e nos pontos chave não deixando esmorecer em momento algum, tanto no emocional quanto no escrito, mostrando também domínio e conhecimento do assunto.

O protagonista (em uma clara referência ao poeta T. S. Eliot) vaga entre um grande sofrimento pelo ser anti-social e ao mesmo tempo pela inquietude com aquilo que considera não ético ou ainda fora dos padrões, e por vezes nota-se tentando suprir naqueles que ataca a própria fragilidade de não conseguir “ser”. Acaba criando um personagem fictício (quase um alter ego) que pode quase tudo, até o momento em que a realidade vem à tona.

A série se destaca não somente pela produção, mas pelo aspecto filosófico e sociológico apresentado pelo diretor, que consegue demonstrar de forma clara as contradições e confusões de um mundo dito correto, mas ao mesmo tempo cheio de nuances que nos levam a desconfiar de tudo e de todos. O mundo corrosivo das grandes corporações são ainda incógnitas monstruosas e misteriosas na “première“, e que podem facilmente ser vistas justamente como o mal (Evil) enrustido de virtual ou ainda como uma propensa salvação para um terrorismo também tratado como benéfico. Fato é que não se tem muito de concreto: a não ser a própria personalidade distorcida e sedenta do confuso e inabalado hacker.

Há tempos esperávamos por uma série que dissesse tanto, e de forma tão atual. Na produção, direção, roteiro, fotografia, direção de arte… Uma estréia excelente! Próximo capítulo? Nos Estados Unidos, somente em 24 de junho…

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maio 272015
 
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Wayward Pines

Em meio a uma quantidade enorme de seriados que aparecem e desaparecem sem muita cerimônia, alguns se destacam pela espera e pela ansiosidade que geram ao longo de sua produção. E justamente aí a nova “Wayward Pines” ganha fôlego com uma boa divulgação e balizada por um nome em especial: M. Night Shyamalan.

Somos em um primeiro momento apresentados ao agente federal Ethan Burke (Matt Dillon), que ainda atordoado pela sequência de eventos recentes, tem a missão de localizar dois colegas. Mesmo sem ter certeza de onde está, ele acaba chegando na cidade de Wayward Pines, uma pequena e estranha comunidade de Idaho onde nem tudo faz muito sentido e a cada pergunta feita, menos respostas aparecem. Ethan acorda em um hospital após um grave acidente de carro, e descobre ter perdido seus documentos, celular e a pasta que continha arquivos importantes para a continuação da investigação. Ele desconfia que algo estranho e fora de seu controle está acontecendo ali. Suas tentativas de ligar para sua esposa e seu filho são frustradas e ninguém parece acreditar que ele seja quem diz ser. Para sua agonia, ao tentar sair da cidade descobre que ela está cercada não só por colinas e cercas, mas também por uma estranha força que o faz andar em círculos.

A primeira impressão é de uma série inusitada e que vem para mais confundir e intrigar do que realmente resolver alguma situação. De acordo com o andamento do capítulo de abertura mais e mais informações são colocadas a disposição do espectador para que se consiga fazer alguma suposição ou tentar entender a lógica na vida do agente Burke. Facilmente comparada com produções anteriores “Wayward Pines” tem maneiras diferentes e cenários próprios para mais do mesmo, e ainda tem a força de expandir seu universo para onde entender pois nada existe de definitivo no roteiro: a impressão passada é justamente a de conduzir a trama como uma tele-novela onde a cada movimento da audiência a direção poderá mudar.

O elenco é uma atração a parte e que faz com que tudo se torne mais interessante. Além do protagonista Dillon, temos a bela Carla Gugino (Watchmen) e Toby Jones que invariavelmente está em papéis estranhos. De quebra temos a sempre interessante Juliette Lewis (de quem sou suspeito em falar e fã irrestrito desde “Assassinos por Natureza”), também Terrence Howard (que vem se destacando recentemente pela série Empire) e talvez o grande destaque inicial da temporada vem como a misteriosa enfermeira: a oscarizada Melissa Leo (O Vencedor).

Ainda que tenhamos muitos elementos de séries como “Persons Unknow”, “Under The Dome”, e das aclamadas “Lost” e “Twin Peaks”, temos muito do que conhecer desta obra para a TV de Shyamalan. Ao que tudo indica o diretor famoso pelo eterno “O Sexto Sentido”, filme que revolucionou e espantou a muitos pela forma de apresentar suas armas ludibriando o espectador nos detalhes, nos fará bater muita cabeça antes de qualquer revelação. A mão do indiano ainda não chegou a mostrar para o que veio. Porém, como todo seriado, precisa de audiência para se manter em permanente produção pois já muitas boas obras saíram injustamente do circuito pela questão financeira. Aguardemos fielmente o andamento em Wayward Pines. Que promete.

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abr 302015
 
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Better-Caul-Saul-Poster

 

Definitivamente a série “Better Call Saul” conseguiu apaziguar e amenizar os viúvos da AMC. Saudosos ainda com os eternos Walter White e Jesse Pinkman, a tendência imediata seria fazer uma comparação entre as duas séries. Porém o objetivo é contar o que se passa seis anos antes de Breaking Bad: a história e o início da vida profissional de James McGill, o advogado “chave de cadeia” e com clientela bastante peculiar na cidade de Albuquerque. Após dez episódios já pode-se tirar muitas conclusões e observar determinantes fatos que irão reger a vida e os negócios do bom, velho e eterno perdedor.
A mão do diretor Vince Gilligan rege o clima agreste, mas antes trazendo um herói cansado e atrás de um balcão de uma loja de frangos ao estilo “KFC”. De forma atemporal, não há como definir ao certo quem é aquele ser que está longe do que conhecemos. Em seguida entramos para conhecer o bobo Jimmy, que ainda com pouca malícia para o mundo vai vivendo de seus poucos conhecimentos procurando fazer o melhor e sem agredir a “moral e bons costumes” de qualquer cidadão.

A cada episódio vamos apontando falhas e qualidades tanto do personagem como do próprio seriado, que apesar de um clima mais lento não deixa de ter o brilhantismo da série que derivou. Ainda como “brinde” temos as aparições inusitadas como do sombrio ex-policial Mike, o qual certamente veremos muito mais e também tem muito mais a contar, quiçá ter sua própria série também. O barril de pólvora Tuco está entre as aparições, e já sabemos que a segunda temporada (confirmada para 2016) também contará o pouco da história que conhecemos do tio Hector Salamanca.

De toda sorte que “Better Call Saul” precisava para uma boa estréia e consolidação do novo seriado como um novo início, um bom motivo, ou ainda uma brecha na lei para que o advogado mais conhecido (e carismático) dos últimos anos pudesse entrar com uma ação, indo de réu a “promotoria”…

 

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abr 072015
 
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TheFall_OMPC

 

Quando se sabe do lançamento de uma série policial, a primeira ideia que temos é: “mais uma de detetives e serial killer como as outras… mais um CSI (Miami/Nova York/Cyber), mais um Criminal Minds, Law & Order, Cold Case, apenas mais uma série tão longa e pouco interessante quanto as outras. Mas às vezes surge uma luz no final do túnel. Desta vez ela veio com “The Fall”.

Um tanto quanto diferente dos demais seriados, a trama se passa em Belfast na Irlanda do Norte onde a detetive Stella Gibson é a responsável por caçar um assassino metódico. O vilão é um pai de família acima de qualquer suspeita: (interpretado por um Jamie Dornan muito distante do apático Sr. Grey de “Cinquenta Tons de Cinza”) casado e pai de dois filhos, trabalha durante a noite onde pode encobrir seus assassinatos e modo operante. Durante a caçada, eventos paralelos vão acontecendo com um limiar muito pequeno tanto para a polícia quanto para o maníaco, e a tendência é que as linhas se cruzem com o andar da carruagem, acirrando ainda mais a luta entre o “gato e o rato”.

Os seriados produzidos pela BBC geralmente são bem produzidos e costumam primar pela qualidade, e em “The Fall” não é diferente. O gélido ambiente do norte irlandês vem a calhar com a frieza dos assuntos e com a meticulosidade nas intenções. Como em uma das falas da detetive Gibson: – o diabo está nos detalhes. A detetive é um elogio, sendo que a intérprete é a ótima Gillian Anderson. Já conhecida em seriados do tipo por “Arquivo-X” e mais recentemente como a psiquiatra do canibal em “Hannibal“, ela é uma estrela a parte que revigora o personagem da mulher de ferro: impenetrável, imponente e sem piedade, ao mesmo tempo tendo a fragilidade suficiente para separar o correto do justo, e o certo do coerente.

Ainda há, utilizando a figura de Gillian Anderson, um cuidado na personificação da mulher tanto em situações de risco, quanto na necessidade de valorização do ser como potencial e vivo, capaz de enfrentar riscos e assumir posições de frente e comando. Porém ao mesmo tempo que não deixa de ser o sexo frágil na condução de assuntos mais pertinentes a feminilidade (demonstrados em diversos aspectos como pintura das unhas, poder de sedução usado a seu favor, violência sendo combatida com inteligência e meios legais, ou ainda os pequenos detalhes de roupas e cabelos, que não escapam a direção nem aos continuistas).

Há quem diga que a mini-série da Rede Globo “Dupla Identidade” é uma cópia descarada da obra de Allan Cubitt. Se for, a fonte de inspiração é excelente, porém é uma pena o acervo ser tão pequeno vista a riqueza de criatividade de um país como o Brasil. Hoje, salvo raras exceções como Luther (que está sendo “americanizada” para 2016), The Killing (adaptação da dinamarquesa “Forbrydelsen” – e que felizmente parou na terceira temporada) e a espetacular “True Detective”, dificilmente encontramos uma série tão bem produzida e conduzida. Já está prevista a terceira temporada para 2016.

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mar 312015
 
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Quando da estréia de “Silêncio dos Inocentes” em 1991, o filme nos apresentou um dos psicopatas mais intrigantes do cinema: Hannibal Lecter. Com uma história egressa de violência e traumas psicológicos o médico psiquiatra inicialmente foi muito bem interpretado por Anthony Hopkins que criara um personagem extremamente inteligente e manipulador, com um âmago metódico e capaz das mais controversas tramas para alcançar seus objetivos (ou fazer com que não sejam alcançados por ninguém além dele mesmo). Tamanho foi a aceitação do assassino pelo público, que mais três filmes (Hannibal, Dragão Vermelho e Hannibal Rising) foram criados e adaptados em cima do carisma pelo mórbido, além de “Manhunter”, criação esquecida de 1986 que trazia Brian Cox como protagonista.
Anunciada a criação de uma série intitulada “Hannibal”, fãs e cinéfilos logo torceram o rosto pois tocar em um personagem tão icônico seria extremamente perigoso, e ainda mais sendo criado especialmente para a televisão ao invés da telona. E o pior: quem fará o monstro? Quem poderia ter um perfil que não transbordasse a ponto de ridicularizar, e também não ficasse tão apagado com o risco de ser denegrido por uma crítica feroz e fatalmente esquecido por fãs? A escolha então feita pelo ator Mads Mikkelsen, já conhecido por bons filmes como “Cassino Royale” e “A Caça”, trouxe em sua bagagem uma nova roupagem para o doutor. E não decepcionou.

O dinamarquês vem com um refinado e alinhado psicopata, que atende em seu consultório propensas pessoas com dúvidas e distúrbios de personalidade, a quem ajuda a sua maneira: potencializando a violência e o instinto assassino de cada um, fazendo com que cumpram mortes e por vezes sejam cúmplices de suas carnificinas para depois obviamente, fazer com que suas vítimas sejam servidas em verdadeiros banquetes a seus convidados. A série ainda traz um elenco escolhido de forma minuciosa como Laurence Fishburne (chefe do FBI), Hugh Dancy (agente especial) e Caroline Dhavernas (psicóloga) e também profissionais capazes de fornecer suporte tecnicamente.

Mas nem tudo são flores e a série inicia arrastada e com uma narrativa confusa, chegando até a ser ameaçada de
cancelamento pela baixa audiência. Porém assim como o psicopata, a trama vai evoluindo e elucidando personagens bastante complexos a ponto de manter-se a dúvida entre o real e o imaginário, fazendo com que o público ficasse curioso pelo desfecho. Mas ainda assim a falta de ação e agilidade das cenas deixou a série arrastada. Para a segunda temporada foi tentado resolver o problema, complicando ainda mais a trajetória dos fatos, porém mantendo as dúvidas pertinentes a qualquer suspense: como, quando, onde e porquê?

Muito ficou para ser resolvido na terceira temporada. Quem sobreviveu as emboscadas de Hannibal Lecter? E ainda assim, alguém ficou ileso ao ponto de não se deixar envolver psicologicamente novamente? Os novos personagens já contratados para a nova temporada farão a diferença?

Ainda não sabemos a trajetória da série frente a guerra pela audiência americana, onde o mais importante é o retorno financeiro e não necessariamente a qualidade das produções. Há indícios que a história continuará bebendo da fonte do escritor Thomas Harris e também seguirá os filmes onde o psicopata já apareceu, consequentemente levando o anti-herói e protagonista ao apogeu, chegando quem sabe a apoteose divina de “silenciar” novamente os inocentes…

 

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fev 102015
 
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TMPC_FargoSerie

 

O que esperar de um seriado?

Boas cenas de ação? Bons diálogos? Um roteiro envolvente? Trama bem feita? Personagens cativantes? Um final de perder o fôlego? Assista a Fargo.

Tendo como ponto de partida o premiado filme de 1996, a história se passa em uma pacata cidade onde nada acontece e onde os ânimos fervem. Porém nada acontece. Mesmo. A neve toma conta, e a cidade tão branca quanto a palidez de seus próprios personagens. Mas basta um estranho aparecer com uma simples fagulha, e fazer o caldeirão ferver.

O assassino de aluguel, frio e calmo Lorne Malvo (Billy Bob Thornton) chega a cidade sem um motivo aparente e com uma gama de mortes em suas costas. De forma completamente casual, encontra Lester Nygaard (Matin Freeman) nos corredores de um hospital. Lester trabalha como corretor de seguros: é o verdadeiro “nada”, o legítimo zero à esquerda que sinceramente não sabe o motivo pelo qual está no mundo, mal casado e humilhado frequentemente por vizinho e colegas. Que relação pode existir entre os dois?

Os irmãos Joel e Ethan Coen, como de costume em seus filmes, criaram uma das melhores séries que apareceram nos últimos tempos. Das dezenas de estréias que tivemos no último ano, Fargo destaca-se pela força no roteiro e nos diálogos estranhamente geniais, isso sem falar no humor negro com timming perfeito e as nuances de uma cidade do interior americano, com uma polícia local despreparada (e desinteressada) por fatos mais chocantes.

O elenco ainda conta com a novata Allison Tolman interpretando uma policial que tem faro legítimo, mas que incrivelmente está sempre certa nas horas erradas.

Já renovada para a segunda temporada, a série será enxertada de personagens e atores novos, afinal a new season terá uma história diferente como se fosse um prequel da primeira. Já confirmados estão Keir O’Donnel, Ted Danson, Patrick Wilson, Kirsten Dunst, Jesse Plemons, dentre outros.

Podemos ter certeza de um bom espetáculo para a próxima temporada prevista para o segundo semestre de 2015.

 

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Bates Motel (2013)

 Bates Motel, Blogger, Daniel Arrieche, Séries  Comentários desativados em Bates Motel (2013)
nov 272014
 
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batesmotelTMPC

 

 

O clássico “Psicose” dirigido e produzido por Alfred Hitchcock em 1960 teve grande repercussão na mídia no momento de seu lançamento, uma vez que modificava a maneira de se ver e fazer cinema. Um cinema pensante e com traços de um personagem extremamente transtornado psicologicamente, e que faz o espectador viver o drama até seus últimos minutos, saindo estupefato das salas. A história do psicopata Norman Bates é contada desde o seu início no seriado “Bates Motel”, onde o filho adolescente e a mãe Norma chegam a uma pequena cidade para assumir e administrar uma herança de família: uma pousada de beira de estrada. O seriado, que vai para a terceira temporada, é contemporâneo e mistura a tecnologia dos dias atuais (celulares, wi-fi, laptops, etc) com detalhes da época da obra original (carros, telefones fixos, poços artesianos, etc) fazendo com que o público consiga quase interagir com as tramas. A primeira temporada insere o público no ambiente da pequena cidade de Pine White Bay, onde a principal atividade é o plantio e distribuição de maconha. O tráfico da droga é liderado por dois grupos distintos que vivem por disputar o comércio local: em um destes grupos está Dylan, irmão de Norman, que tem papel fundamental na história familiar mais adiante. Já o foco da segunda temporada traz à tona as revelações sobre cada personagem e a formação de caráter e identidade de cada um, fazendo com que tudo tome forma, e em especial desenvolve cada vez mais a relação Édipo/Jocasta entre mãe e filho (Norma/Norman) até um ponto em que parece insustentável as reviravoltas e ataques mútuos entre os próprios Bates e que, por consequência acabam atingindo diretamente até os habitantes locais. A personalidade de Norman Bates vai ficando cada vez mais psicótica pela pressão super protetora exercida pela mãe, e reagindo de maneiras inesperadas a cada episódio. Infelizmente quem já viu a obra original sabe como o excelente seriado termina, delimitado pelo filme original interpretado por Anthony Perkins. Mas até chegar lá, muita água e muito sangue deve rolar… vale cada detalhe, cada segundo!

 

 

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