fev 062016
 
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Cinezone Poster - Os Oito Odiados

A cada lançamento de filmes de Quentin Tarantino há uma expectativa enorme sobre o que o criativo diretor de “Cães de Aluguel” e “Pulp Fiction” vai aprontar desta vez. As ideias batidas e já repetidas do cinema são repaginadas e vitaminadas, como uma calça velha e surrada se customizasse se transformasse em um artigo de luxo na última moda. Mas a ansiosa espera acabou e muitos saíram frustrados ao assistirem “Os Oito Odiados”. Já outros glorificaram mais uma vez a mão de quem consegue fazer mais do mesmo virar espetáculo.

A história nos apresenta John Ruth “Hangman”, um famoso caçador de recompensas, escoltando a fugitiva Daisy Domergue para a cidade de Red Rock, onde receberá seu prêmio por entregar a renegada a justiça. Pelo meio do caminho encontram estranhas figuras como o ex-militar Marquis Warren e o novo delegado na cidade Chris Mannix. Em meio ao caminho uma forte tempestade os atinge, fazendo com que tenham que parar em uma estalagem. Lá encontram algumas figuras esquisitas e extremamente suspeitas com quem terão que passar provavelmente algumas noites até que o tempo estabilize.

Sem sombra de dúvida, a essência de tarantinesca está presente em todos os momentos da obra mas de uma maneira diferente da usual. A transformação estranha aos olhos dos menos ávidos traz uma introspecção que as vezes chega a ser chata devido aos personagens e locais detalhados a exaustão. A abertura é digna de um grande filme de faroeste com a trilha perfeita do ícone Ennio Morricone, mas que acaba desmanchando a expectativa já na primeira hora de filme por se mostrar extremamente longa e com diálogos que poderiam ser encurtados em quase pela metade: uma das características do diretor sempre foi a descrição firme dos personagens para que o perfil psicológico fosse traçado automaticamente pelo espectador, mas este trabalho acaba por ser exagerado e até complexo chegando a confundir. Fato que acaba por deixar até irrelevante a originalíssima ideia de gravar todo o filme com um equipamento da Panavision (apenas quatro em uso hoje no mundo) que torna tudo mais “de época”.

Mas apesar do tom arrastado como é conduzido “Os Oito Odiados”, alguns elementos dão picos de interesse ao público, como alfinetadas na xenofobia americana resistente até hoje e cada vez mais revitalizada por Donald Trump em sua candidatura a eleição nos EUA: as comparações entre mexicanos e cachorros. E não para por aí. O tratamento dado a prisioneira interpretada por Jennifer Jason Leigh é digno de toda misoginia presente em nossa sociedade (ainda), ou ainda o racismo exacerbado sobre o personagem de Samuel L. Jackson que mesmo tendo servido a sua pátria mãe tem de carregar uma carta de Abraham Lincoln como se fosse uma carta de alforria para ser respeitado pelos então confederados.

Parte interessante da metade do filme para o final, onde o público reconhece o que pagou para ver, vem banhado em sangue e diálogos ríspidos em um clima de detetive, como usado no filme “Os Sete Suspeitos“. Em alguns momentos lembrando até Agatha Christie ou ainda o contorcionismo roteirizado do excelente “Deathtrap“, de 1982 (traduzido no Brasil como “Armadilha Mortal”).

De todo, “Os Oito Odiados” não chega a decepcionar um olho pouco mais clínico, mas infelizmente entedia os menos avisados. Sendo o oitavo filme de Tarantino, podemos esperar mais um bom filme nos próximos anos e um “gran finale” como despedida no décimo filme. Segundo o diretor, após dez filmes encerrará sua brilhante carreira. Só nos resta aguardar.

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Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014)

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abr 292014
 
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Há quem diga que “Capitão América 2: O Soldado Invernal” é o melhor filme da franquia Marvel. E não é exagero. O então apático e esforçado soldado Steve Rogers, na luta por seu país acaba sofrendo (e crescendo) perante as mazelas da segunda guerra mundial. Com o soro do super-soldado nas veias, o agora herói americano é o exemplo a ser seguido por uma geração que acredita em que o impossível acontece, e que as oportunidades para seguirem um ideal existem! Porém o agora Capitão América foi congelado, e acorda décadas depois em um mundo que já não é mais o mesmo: já não é mais seu. Dentre uma realidade e outra, frases de efeito moral e brincadeiras com os personagens atuais se revezam entre socos e chutes. As pinceladas em outros herós da Marvel também são frequentes (arsenal Stark, viagens a Asgard, citações ao olho vazado de Nick Fury, etc) uma vez que o próximo filme dos Vingadores terá uma cronologia aproximada. A visão deturpada do mundo não confunde Rogers (em uma das pontas de lucidez do roteiro) o personagem Fury, que inflamando um discurso de que a força é necessário para a liberdade, é interrompido abruptamente pelo vingador que diz: não é liberdade nem segurança, é medo! E as críticas ao sistema governamental dos EUA continuam a cada cena, inclusive com as reviravoltas dentro da própria entidade S.H.I.E.L.D. que visa proteção, é colocada em dúvida. Entre idas e vindas, socos, ponta-pés e línguas afiadas a obra se faz equilibrada mostrando um filme maduro e cruel quando se trata das questões sérias e burocráticas, e ao mesmo tempo consegue alegrar aqueles que foram as salas apenas para o bom e velho entretenimento…

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Robocop (2014)

 Ação, Blogger, Daniel Arrieche  Comentários desativados em Robocop (2014)
mar 112014
 
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Como já dito anteriormente, determinados “remakes” não deveriam sair nem mesmo da prancheta do roteirista, uma vez que acabam por denegrir ou tirar o sentido da produção original. Porém, o “Robocop” de José Padilha é uma livre interpretação dos acontecimentos e desventuras do policial Alex Murphy (diga-se de passagem muito bem incorporado por Joel Kinnaman – conhecido pela adaptação americana do seriado escandinavo “The Killing”) que após um acidente é adaptado em uma máquina para combater o crime. Muito elogiável a ideia do diretor em citar os polêmicos “drones” na segurança americana em um momento em que as próximas votações do senado daquele país já estão dando voz ao assunto. Pós 11 de setembro qualquer tema que trate de segurança nacional é bilheteria garantida. Mas o filme vai bem além disso, ou de muitos tiroteios sem sentido. Em determinado momento são suprimidos de Murphy os sentimentos, o caráter, e algumas memórias para que o policial seja manipulável as vistas da sociedade que, incrédula encontra seu mais novo herói. Segundo Jose Padilha, “Robocop” está mais para Frankenstein do que para qualquer outro super-herói americano. Alex Murphy nunca quis ser o monstro/máquina para qual foi criado. Se quisesse um blockbuster qualquer, o diretor colocaria um ator conhecido de rosto bonitinho e muitas explosões, o que não é o caso do quase anti-herói feito pelo brazuca. A obra também é sensível na interpretação do ótimo Gary Oldman, que faz o mentor e médico responsável pela condução do projeto robô: em uma das cenas, um artista que teve sua mão amputada deve tocar violão com a prótese, quando reclama que não teria a sensibilidade de seus dedos. É imediatamente ajudado pelo cientista: a música vem do cérebro e do coração, enquanto os dedos apenas executam o que lhes é ordenado. Dentre outras tantas questões “Robocop” se faz um filme inteligente e bem feito, buscando esquecer o saudosismo oitentista de quem não tem certeza do que realmente é bom hoje em dia.

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Capitão América: O Primeiro Vingador (2011)

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nov 092011
 

A expectativa sobre o primeiro vingador pelos fãs pode ser chamada de nobre, ainda que o filme não consiga captar tudo isto. Personagem criado em 1941 para arrastar voluntários para a segunda guerra mundial, o herói patriota encarnado por Cris Ewans mostra carisma, juntamente com seu par romantico, e o excelente Tommy Lee Jones. Mas o roteiro (como os outros filmes da Marvel) não ajuda. Sonolento e arrastado. Hugo Weaving com cotação absoluta para encarnar o Caveira Vermelha também não empolga. Mas nem tudo está perdido: a ambientação nos anos quarenta e a criação do personagem Steve Rogers são pontos altos na riqueza de detalhes. Também o encaixe com outros personagens da editora: Howard Stark, como o pai do alcoolatra Tony completa a sequencia iniciada em Homem de Ferro 2, sem falar em Nick Fury, etc, etc, etc. Todavia o negócio agora é esperar o lançamento dos Vingadores, previsto para 2012.