mar 012021
 
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Um filme pode ser superestimado por diversos motivos: um grande diretor, ou um roteirista de renome, ou ainda um(a) grande ator. Mas e quando entram em cena três vencedores do Oscar e quatro estatuetas em uma mesma película? Ou melhor… em uma mesma cena! Sim. “Os pequenos vestígios” vem com a mala pronta para viagem e bagagem recheada com Denzel Washington, Rami Malek e Jared Leto. Mas como traz o dito popular, “vamos devagar com andor, pois o santo é de barro”…

O já tarimbado delegado do condado de Kern, Joe “Deke” Deacon (Denzel Washington), precisa ser enviado a Los Angeles para uma simples coleta de provas e averiguação de rotina em outra jurisdição. Porém, o processo demora um pouco mais do que imagina e acaba por se interessar e se envolver em um caso muito similar a outro que viveu anos atrás: com toda sua “expertise” acaba ajudando e se envolvendo na caça de um “serial-killer” que já está deixando a polícia local e a população em polvorosa. O delegado do departamento de Los Angeles Jim Baxter (Rami Malek), é bastante displicente e arrogante, mas acaba cedendo aos instintos do veterano Deke. A ajuda é extraoficial e tudo pode acontecer, sendo que o pior ou melhor de cada um pode submergir. Com o andar do caso, mazelas do policial Deke vão surgindo e o jogo mental acaba sendo tão importante ou até crucial quanto aos vestígios do criminoso que vão aparecendo. Tudo pode ser cíclico e o mundo já provou dar voltas demais para chegar ao mesmo lugar.

O jogo de gato e rato em um ambiente “noir” não é novidade em filmes policiais, sendo que para tanto é necessário que uma boa mão na direção esteja firme e um roteiro envolvente seja de acordo com a história. Nâo é o que acontece. De acordo com o andamento da história, sentimos aos poucos que nem tudo parece tão real ou ainda que certos fatos jamais aconteceriam em um caso real: porém vamos dando corda, linha e crédito como uma licença poética a cada erro. A comparação com os clássicos do gênero ficam inevitáveis. Apesar das nuances e rastros deixados para que o espectador também identifique o criminoso e desvende os segredos da trama, as pontas vão ficando soltas, tornando o filme morno e – não decepcionando – arrastado.

O diferencial acontece quando Jared Leto entra em cena. O ser apático e dissimulado apresenta um sarcasmo sempre que questionado, deixando em dúvida e as vezes até seduzindo o espectador pouco avisado. A trama ressurge entusiasmada e o ritmo parece que pode ficar frenético. Mas infelizmente não fica. E assim vamos até o desfecho. Ainda existe a tentativa de uma “moral” a lá desenhos do He-Man, onde o final tentava ser educativo. Mas ainda assim falha. Solenemente falha.

Um grande elenco não garante um grande filme. Tampouco um diretor de renome faz milagre com um roteiro errado. Há elogios e acertos em “Os pequenos vestígios”, mas tanto quanto o próprio nome do filme, ainda não foram desta vez encontrados…

fev 172021
 
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Segundo o escritor alemão Goethe, todos os fatos marcantes da vida provém de traumas: desde o sofrido nascimento de um ser humano, passando pelas fases de aprendizado para que consigamos a duras custas entender o significado de sobrevivência e ainda assim também esperar o final da existência e torna-la menos sofríveis. Mas e quando um determinado trauma é para sempre? Violência, humilhação, eternos desconfortos… Existe alguma forma de exterminar em definitivo essa dor permanente?


Vivendo nos Estados Unidos, Maja (Noomi Rapace) tem sua família formada. O marido Lewis (Chris Messina) e o filho Patrick formam o estereótipo de felicidade. Porém ela não consegue esquecer e se livrar dos horrores sofridos em sua terra natal durante a Segunda Guerra. Insônia e antidepressivos são constantes. Em um rompante desespero ela sequestra seu vizinho, sem ter a certeza de que realmente foi ele seu torturador no passado.


O filme é tenso. O tempo inteiro existe a dúvida sobre as atitudes dos protagonistas e para qual caminho o roteiro seguirá. Noomi Rapace ficou conhecida no já cult sueco “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” e vem emplacando atuações de tirar o fôlego, sempre intensas e convincentes sendo na maioria das vezes personagens perturbados e de difícil interpretação. Coisa que não acontece com o apático “Lewis”. Sua sintonia acaba acontecendo com seu algoz (e também sueco) Joel Kinnaman – que consegue fazer um papel quase duplo até o desfecho. 

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Algumas lacunas são observadas no decorrer do longa: se você está acostumado a filmes de investigação ou se ater aos detalhes da produção e continuidade, vai perceber logo. Porém acabam por não terem tanta importância sendo que a trama (ainda que não seja tão atribulada quanto outros do gênero) acaba por prender o espectador até o final. Um ponto forte é a ambientação na América pós-guerra, desde indumentárias, paisagens, diálogos e até gírias e gestos nos transportam a época então. Também os “flashbacks” em preto e branco fazem uma ponte bastante sinuosa, que vai se estreitando com o andar do longa e elucidando boa parte da estrada em seu final. Outro detalhe interessante são as cores vibrantes quando os diálogos se tornam quase um embate psicológico – bela sacada! 


No final das contas é um excelente entretenimento. Dependendo da visão e expectativa frente a tela, pode se tornar mais um exemplar dos horrores da guerra e suas consequências até hoje. Ou ainda apenas mais um jogo de informações onde não se tem o resultado ideal – mas proveitoso.

Disponível também no “Amazon Prime”.

ago 072020
 
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Baseado em fatos reais, “Fuga de Pretória” é mais um daqueles muito tensos e pouco emocionantes filmes de prisão e escape. O tema já e bem batido no cinema desde sempre, mas ainda assim se espera algo que venha a agregar a história. Ainda mais baseando-se em fatos reais e trazendo um elenco de respeito e cuidadosamente escolhido com Daniel Radcliffe (o eterno H.Potter), o versátil Daniel Webber e atores secundários (mas não menos importantes) como Ian Hart e Mark Leonard Winter. O tema de fundo e mote inicial da película vem com a luta incessante contra o “Apartheid“: regime de segregação racial implantado na África do Sul em 1948, motivo pelo qual os protagonistas lutaram até serem presos e julgados.

A caracterização de época é bastante impressionante e faz realmente colocar o espectador frente as mazelas da época cruel (e até pouco tempo) aceitável não só na África mas em grande parte do mundo, da radicalização e racismo explícitos. A luta do ANC (grupo de Nelson Mandela) contra os estragos causados pela estupidez humana são mostrados de forma bastante rápida, mas não menos contundente, fazendo com que a parte mais claustrofóbica e interessante fique com a concretização do plano de fuga. A idealização e a parte histórica de luta e contra opressão foram pouco citados deixando a ação e o suspense sobressaírem-se perante o drama proposto inicialmente. O roteiro é bastante eloquente na apresentação de personagens e fazendo o público entender suas motivações para os atos terroristas, porém apenas a apresentação e não o viés ideológico acabam por não completar aquilo que talvez se busque em um filme de drama (ainda que esteja classificado como “thriller“). Cinematograficamente existe pouco a acrescentar, ainda que os curtos planos-sequência e closes tenham bastante êxito naquilo que se propõe. Alguns “takes” mais significativos, como câmera girando nos sentidos das chaves em portas de cela ou ainda fechaduras sendo expostas internamente, fazem uma pequena diferença no todo mas não tem uma valorização suficiente para destaque no todo.

Então “Fuga de Pretória” acaba cumprindo o que se propõe, mostrando a batida em retirada e a maneira a qual ela se dá na prisão africana. Quem espera (ou compra) a ideia de uma película com uma história mais engajada politicamente ou trazendo historicidade aos fatos acaba enganando-se. Busque um filme de ação ou suspense quando assistir tendo assim uma diversão e um entretenimento que valem a pena em pouco mais de uma hora e meia de cinema.

abr 202020
 
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Nessas férias forçadas em casa ou isolamento social (necessário) como muitos pregam, acabamos tentando que buscar aquilo que nos agrada e que nos faça momentaneamente felizes: seja realizando pequenos desejos pessoais dando atenção aos demais entes na casa, ou ainda ajustando alguns ponteiros que ficam para outra hora no correr dos dias em que normalmente não se consegue agir. O cinema/filme acaba sendo uma saída bastante democrática, cultural e inteligível. Alguns deles especialmente me chamaram a atenção. E “Swallow” foi um deles.

Na trama, Hunter (Haley Bennett) é uma jovem recém casada e que ainda se sente perdida dentro de sua nova vida. Vinda de origem humilde e visivelmente desconfortável dentro da imensa nova casa, acaba encontrando na necessidade de engolir objetos estranhos e buscando nisso um perigoso alívio. Cada vez mais viciada em se alimentar de objetos perigosos, ela acaba tendo que enfrentar sua nova família opressora e também seus próprios medos e agruras.

Filme inicialmente classificado como terror, acaba por não se traduzir a isso mas sim a um sufocante drama psicológico onde tentamos de forma involuntária ajudar a protagonista a entender sua obsessão. Não é fácil de assistir cenas tão fortes que acabam por incomodar o espectador, principalmente por contrastarem tanto com os cenários límpidos e exuberantes. Aos poucos vamos notando que as mudanças que Hunter tenta fazer em seu ambiente, não resultam em sua mudança de vida e seus hábitos ainda persistem. Tecnicamente as mudanças de cenário vão acontecendo gradualmente e mudando de cor a cada momento em que a vida de Hunter também vai se extinguindo perante sua falta de capacidade, onde ainda não entendemos a que leva a personagem aos estranhos fatos e movimentos. Aos observadores mais atentos não apenas o cenário, mas a postura da atriz, suas vestimentas, forma de falar e agir vão também sofrendo essa transformação.

A libertação (se realmente é possível) acaba se fazendo quando os monstros são confrontados fora de seu habitat natural, bem como um animal descoberto tendo de ir em busca de uma sobrevivência, porém ainda com o grande peso da vida em suas costas. O filme é muito mais que uma simples observação de um cotidiano de sofrimentos internos, mas também a sensibilidade da obra em conseguir fazer entender a cada momento da película as nuances, sem que a tragédia ou o grotesco se façam perceber, mudando o contexto do que realmente se quer mostrar ali.

Bem como a vida é, “Swallow” faz com que em algum momento consigamos nos identificar. Seja na angústia de não conseguir sair de determinada situação visto que somente atitudes não são suficientes para dobrar a mente e fazer com que sua visão de mundo e percepção mude, seja ainda na tentativa de tratar diferentemente tudo ao nosso redor fazendo com que o mundo seja mais confortável ao nosso desespero. A ânsia de “devorar” pequenos objetos (ou engolir pequenos “sapos”) diariamente pode fazer com que a vida se torne amarga, mas em algum momento o “gosto” vai ser diferente, ou perder-se completamente.

Não é um filme fácil de engolir. Literalmente.

out 212018
 

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O filme “First Reformed” ou traduzido no Brasil para “No Coração da Escuridão” é uma grande e bela incógnita. Nos colocada em forma de película, a dubiedade do mundo atual e suas questões mais simples levando a acreditar que o mais complexo pode ser entendido mas que ao mesmo tempo não conseguem trazer respostas imediatas. Ou consegue? Sim. Ficamos entre a fé nos homens e nas entidades religiosas, da cultura da não agressão aos atentados sangrentos e bem elaborados, entre crer e subverter, duvidar e se entregar aos vários dogmas da sociedade.

Ex-capelão e militar (Ethan Hawke), tenta ministrar o luto pela morte do filho e silenciosamente questiona a fé em de todas suas crenças e coloca em xeque sua relação as novas situações apresentadas e os fiéis que o cercam. Atormentado e em dúvida quanto a seus próprios demônios (incluindo uma separação recente) ainda passa pela provocação de um casal de jovens que estão próximos de ter um bebê e que não tem certeza se seu filho terá um lugar no mundo.

Entre os grandes cineastas de sua geração, Paul Schraeder é especialista em questões sociais e em colocar em perigo a ética e a própria credibilidade do público. Conhecido por ter escrito os roteiros clássicos de “Taxi Driver”, “A Última Tentação de Cristo” e “Touro indomável” faz sempre dos diálogos a maior expressão de suas obras. Instigantes e inusitados, as conversações e embates ideológicos deixam o público inquieto. Aqui não é diferente, porém com a câmera na mão ele consegue extrair ainda mais de seus personagens mostrando a amargura da perda, a consciência da dúvida e a certeza de uma parcialidade que, ao mesmo tempo redentora, não pode ser mostrada a olhos vistos para não ser julgado. A questão religiosa e moral é frequentemente colocada em discussão levando a exaustão e a um final derradeiro para os protagonistas.

Em tempos de intolerância política e redes sociais, acaba se tornando um filme de necessária reflexão.

jun 122018
 

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A primeira coisa que chama atenção neste filme sem dúvidas é a foto de Jim Carrey estampada na capa como uma isca perfeita aos desavisados. O ator ficou marcado por suas excelentes atuações em comédias e filmes pastelão, porém nunca quis ser rotulado desta forma, tentando por diversas vezes quebrar este paradigma interpretando dramas e agora um thriller de suspense. No caso de “Dark Crimes” ele consegue. De novo.

O policial Tadek (Carrey) investiga o assassinato de um empresário. Para surpresa de todos, o caso é comentado letra por letra em um livro escrito por Kozlow, renomado escritor. De acordo com o andamento das investigações mais informações vão surgindo fazendo com que a trama se torne mais sombria.

Gravado na Cracóvia (Polônia) o filme tem um tom acinzentado e sombrio demonstrando que direção de arte fez seu trabalho de forma correta ilustrando as atitudes de seus personagens. Porém somente este quesito funciona bem. Com uma trama bastante interessante, o roteiro consegue estragar a ideia inicial de um romance “noir” em que os confusos diálogos entre os personagens não parecem reais. Os personagens não possuem início nem meio, uma vez que entram e saem da tela com tanta facilidade que se tornam coadjuvantes da paisagem e da tentativa de uma boa direção.A direção que por sua vez começa bem montando um cenário que lembra muito as cenas de “8 Milímetros” de Joel Schumacher. Vai se esgueirando deixando referências de vários diretores, em especial nas cenas mais arrastadas em que Tarkovski é nitidamente citado. Mas em certos momentos parece que tudo é esquecido e voltamos a um espelho tacanho de filmes feitos por obrigação, como quem tivesse que entregar um trabalho a contra-gosto e deixa o espectador (que iniciou com a mente fervendo) com uma imagem morna e sem vontade. Tudo se deve também ao reflexo dos erros de (pós) produção e na demora de dois anos no lançamento da obra, que deveria ter chegado às telas em 2016.

Por incrível que possa parecer o grande destaque de “Dark Crimes” é justamente a atuação de Jim Carrey que se mostra firme e seguro conseguindo passar ao público seu esforço e capacidade. Uma pena que desta vez tenha sido engolido pelos erros de outros setores, que acabam por comprometer todo o contexto por mais interessante que possa parecer.

 

jun 262017
 

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Logo no trailer do filme “Vida” podemos quase ter tudo o que o longa promete: uma excursão de astronautas em busca de vidas em outros planetas, algo acontece com a nave (no caso estação) espacial. Um ser maligno e inesperado está a bordo e os passageiros em pânico sem saber qual o destino final. Quem já não viu isso tudo em outros filmes infinitamente melhores? Nada de novo no front.

A premissa de vida inteligente vinda de outros planetas e atacando seres humanos até sua (quase) extinção total nos remete a diversos outros com a mesna temática, porém com “Vida”, os clichês se tornam extremamente evidentes fazendo com que o público crie uma expectativa sob alguma coisa nova que realmente não vem. Recheado de atores de renome como Jake Gylenhaall e Ryan Reynolds (que nunca foi ator capaz de interpretar nada além dele mesmo) ainda temos a esperança de que os personagens se desenvolvam como uma tábua de salvação. Nem isso. As histórias são rasas e supérfluas não influenciando em nada seja no roteiro ou na ajuda de quebra para o destaque de algum outro personagem. Os diálogos até tentam ser minimamente filosóficos, mas acabam ficando até piegas e sem encaixe no contexto geral.

Como se já não bastasse a sequência de “mais do mesmo”, o final de “Vida” lembra também e muito o desfecho de “Gravidade” – um dos melhores de gênero até aqui – porém com uma grande surpresa e reviravolta (o que acaba valendo). No fim um grande orçamento para uma montagem de vários outros filmes.

Um filme longo e divertido, mas que bastariam apenas três minutos para que tudo fosse contado. Basta assistir ao trailer. Mais nada. Simples assim.

maio 222017
 

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Sempre que o nome “Alien” é citado, automaticamente somos remetidos ao filme de estréia da franquia de Ridley Scott iniciada em 1979 que foi um marco no cinema de horror espacial. Na época nos fora apresentado um ser novo e diferente de tudo aquilo que conhecíamos como “vilão”: extremamente astuto, sanguinolento, monstruoso e principalmente, fora de nosso habitat natural com uma nova espécie até então. As sequências vieram juntamente com a inesquecível Tenente Ripley (Sigourney Weaver) – que fez questão que seu personagem fosse morto no final da trilogia, para que a imagem não fosse exaustivamente danificada (e ainda assim conseguiram com um clone em “Alien: Ressurrection”) – o que fez do diretor e da série inquestionáveis. Até aqui.

Com o prequel de “Prometheus” em 2012, Scott tenta explicar não só as origens da raça humana mas também a origem do monstro xenomorfo e acaba por dar uma guinada gigantesca para quem esperava todo o terror apresentado há mais de trinta anos. Com um clima mais etéreo e filosófico, cheio de grandes paisagens e diálogos que (ainda bem) não chegam a exaustão, “Alien: Covenant” traz uma continuação da “nova” saga mostrando alguma visão diferente e surpreendente dos acontecimentos.

Temos a tripulação do navio-colônia Covenant partindo em uma expedição para colonizar o novo planeta encontrado, porém acabam fazendo uma parada que não estava prevista, em busca do que acreditam ser um paraíso inexplorado e próprio para a sobrevivência. Duas mil pessoas estão na aeronave em sono criogênico profundo, aguardando a chegada ao destino final. Se houver um destino final.

O estrelato fica por conta do (sempre) excelente Michael Fassbender que consegue interpretar a si mesmo em dois personagens iguais, ou nem tanto: Walter e David – androides com consciência capazes de tomar decisões pró e contra a tripulação tanto na nave exploratória quanto fora dela, quando a expedição aterriza em busca de um novo mundo e de diferentes formas de vida e comunicação. A heroína (interpretada por Katherine Waterston) por sua vez é uma imitação barata e desnecessária de Ripley: a não ser que ela tenha alguma ligação incógnita podendo ser revelada mais adiante.

Alguns detalhes fazem do filme de Ridley Scott mais interessante: logo no início do filme, em uma sala extremamente branca e que lembra um laboratório (ou o firmamento), o mentor pergunta a máquina qual seu nome, e a máquina responde: David. E se vira imediatamente para uma estátua gigante de Michelângelo. Um desafio da grandeza das criações feita a seus ultrapassados criadores minúsculos. Apenas uma das várias semióticas e comparações feitas e refeitas no roteiro de John Logan.

A estréia de “Alien: Convenant” gerou a velho dilema de “ame ou odeie”. Há quem goste e há quem não veja motivo para um próximo filme. Acredito que a série hoje seja um tanto injustiçada pelos pessimistas, mas que somente em alguns anos, após a conclusão da saga, teremos o reconhecimento da grandeza da obra e do próprio Ridley Scott. Que até hoje, não errou a mão.

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mar 282017
 

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Procurando pelo nome do diretor M.Night Shyamalan pode-se encontrar as mais diversas opiniões sobre suas obras e seus pontos de vista: desde o sonhador profano, romântico inveterado, estúpido excêntrico até o ridículo sem noção. Mas uma coisa não dá pra negar: ele é genial! E com “Fragmentado” ele volta as telas de forma triunfal e exageradamente atualizado, dentro de muitos conceitos novos de cinema que não costumava utilizar.

Kevin é um homem visivelmente atormentado e, que incrivelmente, possui 23 personalidades distintas (sim, eu disse vinte e três!) e consegue alterná-las quimicamente em seu organismo apenas com a força do pensamento. Uma de suas personalidades, sem deixar rastros, sequestra três garotas que encontra em um estacionamento. Dentro do cativeiro, elas devem conhecer e entender as diferentes máscaras/rostos deste desconhecido terror, e precisam encontrar algum meio de escapar com vida do estranho cativeiro onde estão.

O ator James McAvoy está sensacional e consegue transitar em todas as personalidades sem deixar um fio da figura anterior, indo de uma criança de nove anos até uma distinta senhora. Porém o roteiro é firme e consegue explorar todos os contextos que levaram o personagem a chegar neste estado físico/emocional. Juntamente com a presença da psicóloga Sra. Fletcher (Betty Buckley), as linhas de realidade e ficção acabam se parametrizando e dando um pouco mais de veracidade aos fatos. Outra ilustre presença é a de Anya Taylor-Joy (do excelente “A Bruxa”), que interpreta uma das jovens sequestradas e (obviamente) toma a frente de situações em que um pouco mais de perseverança é necessária. A tensão é uma constante em todo o filme, dando créditos a fotografia e iluminação, também com méritos a edição de som que trabalha cada ruído de forma minuciosa.

Sim. É o retorno de um dos grandes cineastas que estava apagado frente a outros projetos e obras menos ambiciosas, mas que tem sua marca e estilo próprios. Há quem o tache de infantil e com estereótipos ridiculamente absurdos em sua composições, e que ainda tenha a veia do cinema fantástico. Pois é justamente assim ele consegue atingir o objetivo de com toda sutileza entrar em assuntos como a influência direta dos pais na vida de suas crianças, na esquizofrenia que é a própria sociedade, na animalesca fome de vida que os seres humanos mais usurpados de vida possuem. Talvez se Shyamalan fosse mais direto e reto, pudesse atingir os críticos mais debochados e recalcados de vez. Mas aí é justamente aí que mora a sua personalidade mais sombria, inconfundível e memorável.

nov 142016
 

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Em tempos de super-herois e pancadarias desmedidas em filmes onde tudo o que interessa é saber quem vai vencer no final, “A Garota No Trem” surge como um hiato. Um roteiro interessante, trilha sonora de bom gosto, direção de qualidade e excelentes atuações fazem uma boa surpresa para quem vai as salas de cinema apenas por mero entretenimento.

Rachel (Emily Blunt) é uma alcoólatra desempregada e deprimida que sofre pelo seu divórcio recente. Todas as manhãs ela viaja de trem fantasiando sobre a vida de um jovem casal que observa pela janela. Certo dia ela testemunha uma cena estranha e após mais uma de suas frequentes bebedeiras, ela apaga, acordando em meio a uma série de situações que fazem sua vida virar de ponta-cabeça.

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Tate Taylor já era conhecido pelos oscarizados “Inverno da Alma” e “Historias Cruzadas” e definitivamente parece ter sido um desafio e tanto fazer uma obra tão diferente dos anteriores. Porém é praticamente impossível se desvencilhar da semelhança com “Garota Exemplar“, visto as reviravoltas e final quase surpreendentes.

As atuações são um show a parte: “Blunt” no papel da alcoólatra Rachel, faz uma personagem perturbada e desgovernada sugerindo sempre um caso psiquiátrico notório. Halley Bennett e Rebecca Ferguson revezam-se como coadjuvantes de luxo instigando cada vez mais a trama entregando-se aos papéis de forma profunda, isso sem falar de Justin Theroux (The Leftovers) que ao longo da história tem sua presença crucial.

Não há como, a partir daqui, comentar alguma coisa sem se tratar como “spoiler“. Mas pode ter a certeza de que ficar grudado na cadeira não será demérito algum, uma vez que até o último momento, não se sabe realmente, quem é quem.

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