abr 102018
 
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Finalmente um filme para os fãs de Steven Spielberg. Aquele Spielberg de “E.T.”, “Indiana Jones”, “Minority Report”,
dentre tantos outros onde se ia ao cinemas certo de que uma grande aventura cinematográfica estaria prestes a rolar na telona. E o melhor: a garantia de mais um clássico a ser revisto várias e várias vezes. E em “Jogador Número 01”, está definitivamente de volta ao patamar.

O ano é 2044 e Wade Watts é um dos assíduos frequentadores de ambientes virtuais (bem como a maioria da população) e vive diariamente muito mais dentro do jogo OASIS do que no mundo real. Quando o criador do jogo morre, os jogadores são desafiados a descobrir os enigmas e “easter eggs” escondidos afim de conquistar uma grande fortuna. Mas o que parecia ser simplesmente um jogo de realidade virtual e avatares, se torna um desafio de vida ou morte.

Para quem é fã de video-games e/ou cinema, “Ready Player One” acaba se tornando um filme obrigatório devido a quantidade de referências “geek” de forma permanente: desde a presença do icônico carro DeLorean usado na trilogia “De Volta Para O Futuro” ou o famoso “Atari 2600” até imagens mais atuais de “Minecraft” e “Mortal Kombat”. Mas a grande homenagem feita pelo diretor está mais adiante com os personagens visitando “O Iluminado” de Stanley Kubrick (particularmente sendo meu diretor predileto). Todas referências acabam formando uma rede de cultura pop inestimável.

A trilha sonora também é pura nostalgia onde traz clássicos do “New Order”, “Van Halen”, “Rush” dentre outros. Outro grande trunfo do filme são as cenas de ação que, juntamente com os efeitos especiais fazem do filme algo diferente de tantos outros que acabam girando em torno do mundo eletrônico, trazendo agilidade e vigor a cada momento, fazendo uma miscelânea visual fantástica.

Normalmente quando as referências se tornam demasiadas acabamos caindo nos clichês. Mas quando os clichês são bem colocados, podem se tornar uma obra cult e quase obrigatória, bem como os filmes de Quentin Tarantino. Evitando comparações aos estilos cinematográficos, a ideia é bastante semelhante: de um mundo de tanto conseguir extrair o máximo sem ser pedante.

A crítica social também está presente de forma sutil e sem ser pejorativa como em outras obras de Spielberg. A imersão do ser humano em um mundo completamente virtual faz com que acabamos esquecendo aqueles pequenos detalhes que fazem a vida tão grande: o que acaba sendo essencial para a composição do personagem vivido por Tye Sheridan, qual necessita de contatos e ajuda fora da grande rede para cumprir sua heroica missão lá dentro.

Spielberg consegue unir o (in)útil ao agradável e compartilhar com as novas gerações todos os personagens e filmes dos quais também foi criador e pertenceu. O universo nerd/geek, por vezes introspectivo, pode ser um poço sem fundo e que pode ser explorado à exaustão ou ainda um universo finito que se reinventa a cada geração. Um filme que se tornará cult (se já não é) e referência para os que vierem a buscar entendimento do que tivemos de bom e ruim nos anos 80 e 90.

fev 052018
 
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Quando se fala em Guillermo Del Toro, uma das primeiras lembranças que se tem é do seu premiado “O Labirinto do Fauno” onde uma menina tem missões a cumprir em busca de uma felicidade imortal – tarefas estas dadas por um ser mitológico. Não muito longe disso, o diretor traz mais uma de suas pérolas as telas do cinema com “A Forma da Água“, onde não somente seus filmes amadurecem como também os personagens e as intrigas se tornam pouco mais complexas do que as vistas anteriormente. Além de serem mais sutis, permanecem densas e tão pesadas quanto se pode suportar.

A nova obra nos traz Elisa (Sally Hawkins): uma zeladora/faxineira sem voz, que trabalha em um laboratório onde um homem anfíbio que foi descoberto pelos militares americanos e que está sendo mantido em cativeiro para pesquisas. Ela então se apaixona pelo estranho ser e monta um plano para ajudá-lo a escapar das garras tiranas de Strickland (Michael Shannon) que é responsável por ele até então. Tudo isto com a ajuda de seu vizinho e também de sua colega de trabalho (Octavia Spencer).

Apesar dos últimos filmes não terem sido tão abrangedores quanto o primeiro, Del Toro consegue trazer novamente seus elementos fantásticos e fazer de “A Forma da Água” uma divertida e tocante aventura, por vezes infantil, mágica e em certos momentos até erótica. Em épocas de estruturas politicamente corretas, metáforas e eufemismos baratos tentando ajudar roteiros, aqui as figuras de linguagem ficam de lado e são colocadas em seus devidos lugares com sexo (quase) explícito, masturbação soft, sangue, garras, violência e tiros. Mas nada disso se apresenta sem sentido ou casualmente. Tudo normalmente se encaixa como sempre em seu realismo absurdo e inteligível.

Em todo o filme também é clara a intenção de retratar as minorias em suas formas mais simples e diretas, desde os insultos que sofrem as personagens femininas: seja por suas condições de classe operária, seja pelo simples fato de serem mulheres. As estruturas dos atores foram bem trabalhadas e em cada um dos personagens é factível a extração de um conteúdo a mais, seja nos militares russos da guerra fria que buscam aniquilar as descobertas inimigas, seja no colega de quarto (Richard Jenkins) que tenta se recolocar profissionalmente e ao mesmo tempo em que deve aceitar que a tecnologia bate a sua porta, e que também em meio a todos problemas de trabalho ainda busca a felicidade homossexual em tempos severos e de tolerância zero.

O ambiente submerso que vemos em a “A Forma da Água” também é cuidadoso em demasia com a direção de arte, nos deixando a vontade em saber que cada detalhe não foi esquecido. A verossimilhança com os arquétipos das épocas sugeridas também nos remetem aos seriados dos anos 70 – com um saudosismo incrível – sem deixar de ser extremamente atual. Em certos momentos pode remeter a Tim Burton em “Edward Mãos de Tesoura” nas cenas mais tétricas e tristes (uma vez que a figura aquática encontrada é humilhada e ferida pelo simples fato de ser diferente e não falar o idioma local).
Em todo o filme também é clara a intenção de retratar as minorias em suas formas mais simples e diretas, desde os insultos que sofrem as personagens femininas: seja por suas condições de classe operária, seja pelo simples fato de serem mulheres. As estruturas dos atores foram bem trabalhadas e em cada um dos personagens é factível a extração de um conteúdo a mais, seja nos militares russos da guerra fria que buscam aniquilar as descobertas inimigas, seja no colega de quarto (Richard Jenkins) que tenta se recolocar profissionalmente e ao mesmo tempo em que deve aceitar que a tecnologia bate a sua porta, e que também em meio a todos problemas de trabalho, ainda busca a felicidade afetiva em tempos severos e de tolerância zero.
O título do filme também remete diretamente a uma fala do mestre Bruce Lee, onde em vários momentos ele sempre afirma para “sermos água”: contornar as dificuldades, adaptar-se as adversidades, modificar sempre suas formas para que o ambiente o acolha de forma mais intensa e prazerosa, sem deixar de ser água. Apesar das acusações de plágio que o filme vem sofrendo (e com razão) ainda assim é um excelente entretenimento e experiência cinematográfica.
Encontre a “Forma da Água” e aproveite.

jan 022018
 
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Tudo tem seu início, meio e fim. Ou fim, início e o meio como já cantavam Raul Seixas e seu fiel escudeiro e escritor Paulo Coelho. Fato é que o último filme da saga “Guerra Nas Estrelas” ainda tem muito a contar: e não é mais do mesmo. Ao assistir “Os Últimos Jedi” é sensível sentir o poder do cinema novamente na veia dos envolvidos, e consequentemente dos espectadores. A lenda tentara se erguer em “O Despertar da Força” quando uma turma de competentes roteiristas, produtores e diretor (sob supervisão) resolveu retomar o projeto com gana. O resultado trouxe de volta a expectativa de grandes heróis e vilões em uma história não tão peculiar, mas o suficiente para dar o primeiro impulso.

Em “Os Últimos Jedi” o carro sobe a lomba com uma velocidade precisa, trocando de marcha gradativamente e acelerando com tudo no final. O piloto sai do carro com o dever cumprido e gosto de quero mais. E tem mais, muito mais. A “essência” está de volta. Neste novo capítulo tudo parece estar de volta e com uma precisão cirúrgica: o roteiro bem construído com reviravoltas e diálogos nada enfadonhos, tendo ainda até algumas alfinetadas na cultura americana e no “lifestyle” mundial, seguido de tramas quase complexas tal qual os demais, assemelhando-se em muito com o que a saga original trazia também.

A inserção de novos atores como Benício Del Toro dão novos ganchos e novo fôlego a possíveis prequels, bem como a destruição de ícones antigos faz com que a renovação seja algo natural. A presença de Mark Hamill é fundamental para a construção disto tudo e até a ponte para um final quase apoteótico. Falar de mais personagens atitudes seria quase um spoiler imperdoável.

Ainda que seja o mais longo dos filmes da saga, não se torna cansativo e tampouco pedante, mas muito pelo contrário: É bárbaro, décadas depois, ver os espectadores saindo do cinema e cantarolando a trilha de “Star Wars”… e obviamente aguardando pelo próximo.

set 172017
 
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Sempre tive um certo receio de aceitar o Netflix como uma de minhas fontes bases de catálogos de filme. Sempre usei as salas de cinema como grandes templos de adoração, usando os torrents como segunda plataforma para assistir filmes mais recentes. De tanta insistência me rendi ao streaming. Sempre que eu dizia que assisti a um filme novo vinha a pergunta: “tem no Netflix?”. E invariavelmente o assunto parava por aí. A plataforma streaming nos trás grandes obras a preços irrisórios. Mas é preciso garimpar para encontrar algo que realmente valha mais do que duas horas (com exceção dos seriados, que são a grande vedete). Por recomendação assisti “Onde está segunda?“.

Ano de 2072 em um país futurista onde famílias só podem ter um filho. Sete irmãs gêmeas tem de se dividir entre os dias da semana para poderem conviver tranquilamente e em segredo. Depois de um dia de trabalho, Segunda não volta para casa, o que faz com que as outras seis tenham de buscar seu paradeiro e arriscando o disfarce de anos.

A ideia do filme é muito boa e um bom roteiro faria uma grande diferença. Mas não é oque acontece: as duas horas que seguem são rodeadas de clichês e sem muito esforço há como saber cada detalhe do que acontecerá até o final. A cada cinco minutos certamente eu conseguiria escrever os próximos cinco sem medo de errar.

O elenco é de dar inveja a grandes produções. Noomi Rapace no papel das sete irmãs faz um esforço descomunal para interpretar um personagem multifacetado e fica bastante claro onde se sente melhor conseguindo atuações mais vantajosas próximas da Lisbeth Salander de “Os Homens que não amavam as mulheres” (excelente na versão original sueca). As presenças dos monstros Willem Dafoe e Glenn Close não chegam a impressionar justamente pela escrita mal conduzida em seus scripts.

A direção fica abalada junto com seus clichês e a coisa parece engrenar sempre para o mais do mesmo. Conforme comentado, a ideia é muito boa, mas colocada em mãos erradas acaba por estragar a obra completa.

Netflix tem disso: as vezes se acerta na escolha, as vezes um erro crasso pode te jogar no desânimo da procura de uma nova emoção. Mas a vantagem da plataforma ainda é que se pode procurar um remédio para a próxima tentativa, mas jamais remediar o tempo perdido.

jun 022017
 
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O diretor Guy Ritchie tem um estilo único: qualidade que o destaca do senso comum e o coloca entre aqueles que mudaram de certa forma a maneira de ver cinema. Em “Rei Arthur” consegue imprimir mais uma vez sua marca, porém desta vez em uma história épica. Ou nem tanto. Entra ano e sai ano, os guetos continuam sendo inspiração. Assim como em “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, “Snatch” e “Rock´n´Rolla” o clima soturno de pancadaria e diálogos afiados vindos das ruas é presente e pode acontecer a qualquer momento, com a diferença que hoje o abuso da tecnologia só faz ajudar.

A história é conhecida, mas tem algumas nuances peculiares: Arthur vive nas ruas imundas de uma Londres (assim chamada então Londonium) e controla seus becos e ruelas, porém não faz ideia de sua linhagem até entrar em contato pela primeira vez com Excalibur – a lendária espada (de seu pai Uther Pendragon) guardada por Viviane (a rainha do lago) que aparece depois do açoriamento de um rio – mas ele não consegue controlar tamanha responsabilidade na espada, e precisa enfrentar demônios e se unir a ela para assumir seu posto por direito. Mas para isso deve encarar Vortigern (Jude Law), seu tio e então sanguinário rival.

Recheado de referências a antiga lenda, o então “Rei Arthur” interpretado por Charlie Hunnam, é estilizado a época pós moderna com um corte de cabelos feito em nossas novas barbershops e pelo andar da carruagem – desculpas pelo trocadilho – é conectado a novas tendências da moda e sempre com gel “mousse” fixante no cabelo. Quando ainda criança é treinado em uma academia de artes marciais. Só falta o tênis bamba, de tanto escorregar na malandragem. Mas ainda assim não perde a magia do personagem: beneficiado pelas trucagens e montagens bem feitas, consegue ser quase um cavaleiro de jogos Playstation quando as lutas empunhadas com espada acontecem.

O filme ainda abusa no uso do “low-bullet” e de câmeras que os atores carregam que cham a lembrar selfies. Também nas montagens de fala e cenários, fazendo com que a dinâmica da obra segure o espectador até o final. Perdas a parte ficam pela minguada Morgana interpretada por Astrid Berges-Frisbey, que apesar de esforçada fica longe da musa Eva Green em Camelot. Ah! Uma das surpresas guardadas é uma ponta feita por David Beckham. Quem acaba se sobressaindo em relação ao elenco é Aidan Gillen, que faz o Ensaboado Bill.

No fim das contas, uma boa diversão.

jan 232017
 
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Uma pitada de “Alien” (bem pequena), um rápida passagem até “2001” (mas muito rápida), mais uma piscada (bem de lado) para “Gravidade” e um último toque de “Armagedon” e teremos “Passageiros“, de Morten Tyldum. Uma receita que na foto do livro de receitas parece deliciosa, mas que quando sai do forno, murcha e abatuma na hora.

A história conta sobre dois passageiros que acordam 90 anos antes do tempo programado durante uma viagem de rotina no espaço. Sozinhos eles tem de conviver com a situação que tem em mãos, além de buscar soluções para que consigam chegar ao destino sem maiores problemas, juntamente com os demais cinco mil humanos que ainda estão hibernando.

O que provavelmente era uma boa ideia se perdeu profundamente num roteiro bastante frouxo e previsível. A presença de dos queridinhos do momento Jennifer Lawrence e Chris Pratt, os transforma de astros em meros pastelões frente a uma descabível história, por vezes até contada sem muito ânimo (percebe-se nas entrelinhas). Por vezes a obra tem espasmos de lucidez, quando tenta fazer com que as viradas toquem em símbolos básicos de uma boa história, fazendo com que se entenda que logo ali, tudo aquilo que se espera realmente aconteça quebrando constantemente o clímax das cenas que tentam ser interessantes.

Nem tudo se perde uma vez que temos algumas referências a outros filmes do gênero e também os nomes dos personagens são claras alusões aos ícones do sci-fi como o android Arthur, sendo homenagem clara a Arthur C. Clarke, por exemplo. Este mesmo ambiente refaz quase que perfeitamente uma das cenas clássicas de “O Iluminado“, onde o protagonista preso e perdido conversa com o barman (que está trajado como no filme de 1980). Já o nome de “Aurora” foi colocado justamente por se tratar do mesmo nome da “Bela Adormecida”. E por aí vai…

Não é a toa que “Passageiros” estava desde 2007 na “blacklist” dos roteiros mais “não filmáveis” de Hollywood, uma vez que sempre fora considerado de difícil acesso devido à inúmeras inconsistências.

 

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ago 202016
 
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Cinezone Poster Ben-Hur

Difícil não torcer o rosto quando a notícia de um clássico maior como “Ben-Hur” é regravado. O remake do maior vencedor de oscars até hoje não fez feio. Muito pelo contrario! Um épico, como nossos últimos anos cheios de super-heróis demagogos fantasiados estava precisando. O filme do diretor Timur Bekmambetov consegue conquistar públicos saudosos de Charlton Heston.

A história épica traz Judah Ben-Hur, um príncipe falsamente acusado de traição por seu irmão adotivo Messala, um oficial do exército romano. Destituído de seu título, afastado de sua família e da esposa, Judah é forçado à escravidão nas galés. Anos mais tarde ele retorna à sua pátria em busca de vingança.

O roteiro sem dúvida não é dos melhores, mas também não há muito como fugir do script uma vez que é baseado no best-seller de Lew Wallace, escrito em 1880. Há quem diga que tudo não passa de um dramalhão de época, mas não é bem assim: as cenas que representam mais dramaticidade realmente não caem tão bem como em 1958, porém a direção diferenciada e com diferentes movimentos de câmera fazem o brilho intenso acontecer. A direção é esforçada e comprometida procurando sempre inovar os takes tanto nas batalhas, quanto nos closes, quanto nas imagens aéreas. As corridas são muito bem feitas trazendo
veracidade ao total dos enquadramentos.

Cinezone Ben-Hur - Middle

Já o playboy Jack Huston encara com fácil naturalidade o protagonismo dando vida e reconhecimento ao personagem principal, as vezes sobressaindo-se até muito mais do que o canastrão Messala feito por Toby Kebbell. E Rodrigo Santoro? Chega ao reconhecimento e ao estrelato afinal, fazendo um Jesus sem toque novelesco e adquirindo vida e morte própria. Pode se dizer que a coroa de espinhos lhe caiu muito bem, enquanto Morgan Freeman não erra como coadjuvante, como de costume. O filme ainda busca mensagens eficientes de pacificação e a ideia de que o combo ódio, guerra e sangue não vai fazer melhor um mundo entre zelotes e romanos, mas não passa disso. A parte “religiosa” fica como quase uma obrigação, uma vez que a história do judeu oprimido e vencedor é mais interessante. O que no fim da contas não deixa de ser a mesma coisa.

O gran finale fica para a sensacional corrida de bigas que parece ser onde o esmero e a criatividade da equipe vai a
forra. Um excelente épico que nas devidas proporções não desaponta nem um pouco em seu contexto geral, dando toda grandiosidade merecida desde William Wyler.

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ago 092016
 
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Cinezone - Tarzan Poster

 

A ideia de esperança de um novo filme sobre a lenda criada por Edgar Rice Burroughs em 1912, pode gerar uma expectativa um pouco demasiada. Rever um clássico sem alterar suas origens e ao mesmo tempo contar uma boa história pode ser perigoso, ainda que com bons e esforçados atores. Em uma expedição inglesa a África o filho da família Clayton é o único sobrevivente em um massacre na selva. Ainda bebê ele é criado também como um macaco por uma família de gorilas. Na história contada em “A Lenda de Tarzan” (2016) o herói é convencido a retornar ao continente africano sem saber que uma emboscada é tramada para captura-lo.

Cinezone - Tarzan middle

Interpretado por Alexander Skarsgard, o personagem Tarzan é um protótipo de protagonista da Disney (acreditem ou não, Michael Phelps foi cotado para o papel principal, assim como os primeiros intérpretes era nadadores consagrados). Inicialmente até lembra um pouco a grande interpretação de Christopher Lambert em “Greystoke: A Lenda de Tarzan” de 1984, mas é só um espasmo de uma boa interpretação e de um bom filme. Aos poucos a infantilização das interpretações e o toque de humor fora de hora acabam por denotar o rumo que será tomado. Ainda que demais atores como Samuel L. Jackson, Christoph Waltz e Margot Robbie (além da aparição discreta de Ben Chaplin) tentem salvar a trama, não há novidades ou um roteiro interessante que façam o filme ficar mais sério ou um pouco mais proveitoso. Ainda há o esforço em takes que beiram a insanidade mas que retratam bem a expectativa dos personagens.

Ainda que o filme trate em uma breve parte histórica da exploração indiscriminada do continente negro pelos europeus, a carga emocional necessária para um bom filme deixa a desejar, tratando-a única e exclusivamente de um entretenimento. Nada mais. Sinceramente? Não desfazendo o mérito da iniciativa, mas a animação “Mogli: O Menino Lobo” traz muito mais vida a floresta do que o próprio grito do Tarzan…

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mar 302016
 
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Cinezone Poster - Batman VS Superman

“Tell me… Do you bleed? You will”. A frase que aparece no primeiro trailer de “Batman Vs. Superman – Down Of Justice” é o chamamento para o considerado embate do século: o prometido confronto entre os dois maiores heróis mais populares dos quadrinhos.

A história gira em torno da discussão da real função do Homem de Aço na sociedade americana e mundial, uma vez que não é regido por nenhuma lei governamental específica tendo em mãos a possibilidade da destruição total do planeta se assim quiser. Sua idoneidade é colocada mais ainda em dúvida, quando Lex Luthor (Jesse Eisenberg) coloca lenha da fogueira questionando qual a verdadeira influência de um “alien”, e qual seu propósito em adotar um lar tão perecível perto do que um dia foi Krypton, chegando a ser chamado de falso deus, e antagonizado por boa parte da população. Toda esta alegoria acaba chamando a atenção do justiceiro Batman, que começa a se interessar pelo assunto e vê a oportunidade de mais uma vez fazer justiça com as próprias mãos.

Esperado como novo rebento avassalador de bilheterias da DComics / Warner, vindo de uma pré-venda melhor que “Deadpool” e “Vingadores – A Era de Ultron” (e quem sabe a melhor abertura de bilheteria até hoje), não conseguiu agradar a todos. Uma vez pela expectativa gerada após um merchandising que acabou ficando exaustivo, mais as negativas iniciais de Ben Affleck como Bruce Wayne e a despeitada Gal Gadot como Mulher Maravilha, juntamente com um roteiro não tão interessante quanto as premissas esperadas pelo bom e esforçado diretor Zack Snyder.

As mudanças adotadas pela DComics após a trilogia de sucesso de Christopher Nolan foram entendidas como um ajuste para uma sequência de filmes interligados, bem como a Marvel o fez, juntando heróis e criando universos paralelos quando necessário fazer mais (dinheiro). As aparições de outros personagens marcantes se tornam perspicazes e pertinentes ao início de uma nova saga.

Cinezone Wall - BvS 02

A agonia dos fãs ao saberem que o canastrão Ben Afleck interpretaria o homem-morcego foi em vão. O ator mostra amadurecimento e faz entender que seus cabelos grisalhos não vieram à toa. Diferentemente de Christian Bale, o novo Bruce Wayne faz um milionário mais sombrio e ciente de seus compromissos, porém ainda atormentado pelo passado trágico ainda advindo do assassinato de seus pais. O ator é um dos que mais leva a sério a história e toda a trama: os próximos prováveis filmes solo dirão o que o presente ainda tende a duvidar. Superman continua o mesmo idealizado no filme de 2013, com o galã Henry Cavill bom moço e ligado a família. Parênteses: um dos fatos que mais me agradam ao assistir e comentar cinema é a quantidade de mensagens subliminares passadas a cada frame, e em “Batman vs. Superman” essa ideia é repetidamente interessante. A associação feita continuamente em “Homem de Aço” como o “salvador da humanidade” se faz aqui em diversos momentos lendo-se Superman como o Cristo libertador da era moderna. As constantes aparições frente ao sol, a ligação direta com a religiosidade, aquele que vem dos céus em uma nave flamejante, e (SPOILER) em uma das últimas cenas sendo carregado nos braços por duas mulheres, faz uma alusão quase absurda a crucifixão inclusive com as cruzes de ferro ao fundo na cena.

Outro personagem que tem seu destaque é Lex Luthor. Interpretado por Jesse Eisenberg, o vilão é um multimilionário filantrópico que em busca de poder tenta destruir tudo aquilo que não consegue alcançar. Com frases prontas de efeito bem colocadas, faz com que o público se divirta e se interesse cada vez mais pelo excêntrico e megalomaníaco. Uma pitada da loucura é muito bem vinda e certeira, fazendo lembrar em momentos até mesmo o melhor Coringa até hoje, Heath Ledger.

Lógico que um filme desta magnitude tem seus erros e acertos, como as pontas deixadas desatadas para os próximos filmes, as nuances de novos vilões estampadas em pichações nas pelas paredes das cidades de Metrópolis e de Gotham, os novos personagens que são brevemente citados dando a entender novas aparições (Aquaman, Flash, Ciborgue, Lanterna Verde, etc), fazem esta obra única, e merecedora de aplausos pela ousadia e pelo afinco como foi colocada nas telas. Palmas. E ansioso pelos próximos capítulos.

 

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mar 302016
 
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Cinezone Poster - Risen 2016

A história bíblica conta o que teria acontecido no dia da crucificação e morte de Jesus Cristo, sob o olhar incrédulo de Clavius, um comandante romano incumbido por Pilatos de encontrar o corpo do Messias antes que a suposta ressurreição acontecesse, fazendo com que o mito não se espalhasse e contaminasse o restante da população com um Deus mártir.

A presença de Joseph Fiennes no filme “Ressurreição” faz alguma pequena diferença frente a história que todos conhecemos. A chegada de um novo épico as telas seria empolgante se não fosse tão piegas e até chato. Já não bastasse a bateria de filmes gospel presentes massivamente na televisão e cinema atualmente, mais uma vez somos apresentados a um exemplar caça niqueis, propositadamente com estréia na véspera da sexta-feira santa. Já tivemos bons filmes sobre o assunto: alguns polêmicos, outros muito bem feitos e alguns nem tanto (“Jesus Cristo Superstar”, “A Última Tentação de Cristo”, “Jesus de Nazaré”, “A Paixão de Cristo” de Mel Gibson – o mais bem produzido e filmado até hoje. Sem dúvidas).

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Independente de religiões, o filme não traz nada de especial, nenhuma novidade em termos de roteiro (o que esperávamos muito e não vimos absolutamente nada), ou ainda uma direção ousada que pudesse fomentar um pouco mais de interesse cinematográfico. É simplesmente mais do mesmo. Ou melhor, algumas passagens ainda são claramente ficcionais. Nem todos os fatos se dão de forma cronológica, tendo uma clara demonstração de buscar a todo custo apenas enxertar passagens da vida de Cristo que dessem motivos para que a obra fosse realizada. Um verdadeiro desperdício, uma vez que custos com figurinos e locações são altos, podendo buscar algum dinamismo ou ainda, o que seria muito plausível, deixar questionamentos para que o público saísse das salas de cinema com dúvidas sobre fatos históricos. Não só piegas é “Ressurreição” que em certos momentos chega a ser até risível: em determinadas situações como as aparições dos personagens de Bartolomeu e Tomé, faz lembrar e muito o clássico “A Vida de Brian (1979)”.

Chega a ser uma heresia fazer qualquer comparação com Monty Python, que pelo menos faz rir.

 

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