nov 052015
 
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Cinezone Poster

 

Vários adjetivos podem definir “Dope”. Porém apenas três ou quatro não seriam capazes de descrever toda a magia que este filme busca (e consegue) trazer ao espectador. A primeira impressão ao ver o cartaz é: apenas mais um filme sobre algum subúrbio negro violento dos Estados Unidos. Mas quando a sinopse aponta para três negros nerds, sendo que um deles é lésbica, outro com raízes árabes, e um competindo para entrar na mais concorrida universidade do país, a visão pode ser mudada. Quem teria coragem, ou ainda o “peito” de usar estereótipos tão batidos e ainda assim conseguir escapar dos clichês da vida moderna?

Pois a vida de Malcom e seus amigos é até pacata perto de tanta violência e distúrbios sociais na comunidade. Sofrem bullying como qualquer jovem diferente de suas idades e são perseguidos por grupos de maior “autonomia”. Até que alguns eventos em cadeia fazem com que as vidas sejam completamente mudadas e várias questões morais sejam colocadas a um ponto tal que suas decisões poderão influenciar para sempre. E de cabeça para baixo.

Este moderno expoente do novo cinema faz o público pensar ao mesmo tempo que entretém e arranca boas risadas dentro de um ambiente completamente anos 90. Pode-se fazer uma busca visual em encontrar em poucos takes, cenas de “Te Pego Lá Fora” onde todo pré adolescente gostaria de estar entre as gangues modistas, ou ainda em “Um Maluco no Pedaço” estrelado pelo então Will Smith. Minha primeira lembrança foi de “Todos Odeiam o Chris”, tanto pelo visual colorido, quanto pelas mazelas sofridas por um pré adolescente.

Fato é que o diretor Rick Famuyiwa consegue trazer mais do mesmo e ainda assim inovar com uma linguagem simples, misturando a narração em primeira pessoa e os diálogos entre os personagens uma coisa uníssona e contagiante. Não há como não torcer pelos três protagonistas. Inclusive quando estão errados. A voz inicial é de Forest Whitaker, e a trilha sonora também é um deleite sendo produzida por Pharrell Willians – além de todo visual oferecido pela produção.

Fechando como uma das grandes atrações de Cannes e levando a melhor edição de Sundance (festival que premia especialmente os melhores roteiros) não havia como esperar muita coisa diferente de um filme tão diferente, e ao mesmo tempo tão igual a tudo que já vimos. Temos até uma nostalgia “taratinesca”. Nas suas devidas proporções, é claro.

Título Original: Dope

Direção: Rick Famuyiwa

nov 032015
 
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Cinezone Poster - The 33

Quando uma história real se propõe a ser contada, nem todos os relatados tendem a ficar satisfeitos. Um trabalho de adaptação e verossimilhança é minuciosamente buscado para que as injustiças não se tornem a principal atração. Em “Os 33” existe uma busca pela realidade, tentando retratar a esperança dos mineiros presos a mais de 500 metros abaixo da terra.

Em partes a produção busca a realidade e contar com clareza todos os fatos sem ser piegas nem clichê: considerada uma falha é o fato de toda obra usar o idioma inglês ao invés do espanhol (chileno), língua pátria no local do acontecimento. Existiu uma dificuldade muito grande em manter a língua original pelo elenco ser multidiverso: Antonio Banderas (espanhol), Rodrigo Santoro (brasileiro), Juliette Binoche (francesa), Gabriel Byrne (irlandês), incluindo logicamente a língua oficial do país. Ainda assim o elenco bem escolhido garante o sucesso da produção, uma vez que literalmente o roteirista deve tirar “leite de pedra” para buscar uma escrita que não entediasse o público.

As grandes proezas do filme estão nas relações interpessoais comstruídas dentro do refúgio soterrado: a questão de lideranças surgirem naturalmente, o desespero em manter a sanidade mental dos sobreviventes, e também conseguir racionar os alimentos que de apenas três dias deverão durar mais de dois meses. Na segunda metade do filme é que as coisas mais interessantes acontecem, de forma interessante as relações começam ser desfeitas e ficarem tensas quando do contato com o ambiente externo: pode-se fazer uma analogia dos tempos atuais, onde todos tem opinião sobre tudo ao mesmo tempo em que ninguém tem a certeza absoluta de nada. Outra questão colocada muito superficialmente foi a negligência do proprietário da mina quanto ao resgate: não fosse a pressão da mídia talvez o fato pudesse ser “abafado” frente ao conhecimento mundial.

Interessante é que pouco se pode falar de “spoiler” uma vez que a história é bastante conhecida, inclusive tendo o livro da tragédia como balizador de todas as premissas. O filme cumpre o papel de descrever os acontecimentos sem dramatizar demais nem oferecer o sofrimento demasiado dos mineiros. Falta emoção, mas sobra boa vontade.

 

Título Original: “The 33”

Direção: Patricia Riggen