mar 312015
 
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OMPC_Insurgente

 

Insurgente: do latim “insurgens.entis”, aquele que insurge ou insurgiu – também rebelde, amotinado, insubordinado,
dissidente, etc. Pois a segunda parte da trilogia vem novamente com a dupla Tris e Quatro liderando a revolta contra a ditadura e o poderio do estado liderado pela fria Jeanine (Kate Winslet). O filme trás a continuação da trilogia “Divergente”, onde o planeta fora destruído e uma pequena parte da população foi dividida em castas e os contrários ao sistema são caçados e exterminados.

Ainda que a história não traga nenhuma novidade no gênero (visto Jogos Vorazes, Maze Runner, Instrumentos Mortais e até mesmo (bem de longe) Star Wars) sempre se espera que a obra tenha um pouco mais do que simples correrias e explosões, uma vez que o mote é um prato cheio para analogias ao momento político e econômico mundial. Ainda que pareçam bobos, sempre podemos tirar alguma coisa dali.

Ainda que subjetivamente se mostre, a ideia da escritora para a série foi claramente inspirada em outros clássicos da literatura. Na lendária história do “Rei Arthur” (contada com detalhes em “As Brumas de Avalon”) somente o verdadeiro e legítimo rei teria a força e sabedoria para desencravar a espada de um pedra. Outro ponto interessante a ser lembrado é o triunfo já esperado por aqueles que são bem quistos em uma sociedade controladora e sendo justamente ali a grande virada de toda história bem contada. Não há também como não fazer o paralelo com o livro “1984” de George Orwell, ou ainda com o filme (…) Matrix!

Os destaques ficam com também amadurecimento da personagem principal interpretada por Shaylene Woodley, onde mostra que realmente é uma atriz e poderá vingar em outros filmes dramáticos e muito mais complexos. O surgimento forte da tribo dos “sem-facção” faz sentido e trás um ar de revolução juntamente com o crescimento de outros participantes da história e que agora passam a ter papel fundamental para o encerramento no terceiro filme, como a atriz Naomi Watts.

Já é sabido que a última obra da escritora Veronica Roth, que fecha a trilogia com “Convergente”, tem estréia definida para março de 2016. Será dividido em duas partes garantindo a bilheteria mínima para fechar no lucro, independente do público que atingir. A curiosidade nos levará até lá.

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mar 312015
 
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OMPC_Hannibal Poster

Quando da estréia de “Silêncio dos Inocentes” em 1991, o filme nos apresentou um dos psicopatas mais intrigantes do cinema: Hannibal Lecter. Com uma história egressa de violência e traumas psicológicos o médico psiquiatra inicialmente foi muito bem interpretado por Anthony Hopkins que criara um personagem extremamente inteligente e manipulador, com um âmago metódico e capaz das mais controversas tramas para alcançar seus objetivos (ou fazer com que não sejam alcançados por ninguém além dele mesmo). Tamanho foi a aceitação do assassino pelo público, que mais três filmes (Hannibal, Dragão Vermelho e Hannibal Rising) foram criados e adaptados em cima do carisma pelo mórbido, além de “Manhunter”, criação esquecida de 1986 que trazia Brian Cox como protagonista.
Anunciada a criação de uma série intitulada “Hannibal”, fãs e cinéfilos logo torceram o rosto pois tocar em um personagem tão icônico seria extremamente perigoso, e ainda mais sendo criado especialmente para a televisão ao invés da telona. E o pior: quem fará o monstro? Quem poderia ter um perfil que não transbordasse a ponto de ridicularizar, e também não ficasse tão apagado com o risco de ser denegrido por uma crítica feroz e fatalmente esquecido por fãs? A escolha então feita pelo ator Mads Mikkelsen, já conhecido por bons filmes como “Cassino Royale” e “A Caça”, trouxe em sua bagagem uma nova roupagem para o doutor. E não decepcionou.

O dinamarquês vem com um refinado e alinhado psicopata, que atende em seu consultório propensas pessoas com dúvidas e distúrbios de personalidade, a quem ajuda a sua maneira: potencializando a violência e o instinto assassino de cada um, fazendo com que cumpram mortes e por vezes sejam cúmplices de suas carnificinas para depois obviamente, fazer com que suas vítimas sejam servidas em verdadeiros banquetes a seus convidados. A série ainda traz um elenco escolhido de forma minuciosa como Laurence Fishburne (chefe do FBI), Hugh Dancy (agente especial) e Caroline Dhavernas (psicóloga) e também profissionais capazes de fornecer suporte tecnicamente.

Mas nem tudo são flores e a série inicia arrastada e com uma narrativa confusa, chegando até a ser ameaçada de
cancelamento pela baixa audiência. Porém assim como o psicopata, a trama vai evoluindo e elucidando personagens bastante complexos a ponto de manter-se a dúvida entre o real e o imaginário, fazendo com que o público ficasse curioso pelo desfecho. Mas ainda assim a falta de ação e agilidade das cenas deixou a série arrastada. Para a segunda temporada foi tentado resolver o problema, complicando ainda mais a trajetória dos fatos, porém mantendo as dúvidas pertinentes a qualquer suspense: como, quando, onde e porquê?

Muito ficou para ser resolvido na terceira temporada. Quem sobreviveu as emboscadas de Hannibal Lecter? E ainda assim, alguém ficou ileso ao ponto de não se deixar envolver psicologicamente novamente? Os novos personagens já contratados para a nova temporada farão a diferença?

Ainda não sabemos a trajetória da série frente a guerra pela audiência americana, onde o mais importante é o retorno financeiro e não necessariamente a qualidade das produções. Há indícios que a história continuará bebendo da fonte do escritor Thomas Harris e também seguirá os filmes onde o psicopata já apareceu, consequentemente levando o anti-herói e protagonista ao apogeu, chegando quem sabe a apoteose divina de “silenciar” novamente os inocentes…

 

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mar 262015
 
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OMPC_Focus

 

O novo filme de Will Smith chegou arrasando quarteirões e rasgando a cena nas estreias de outros que já estavam em cartaz, batendo inclusive o dispensável “Cinquenta Tons de Cinza”, e chamando atenção por onde passa. Mas o veloz “Fórmula 1” em seguida perdeu o embalo, desacelerou e entrou juntamente com os demais em um trânsito truncado e seguindo o fluxo da demanda de blockbusters.

Incompreensível é o motivo que leva a indústria brasileira a trocar os nomes dos filmes tão drasticamente. O filme no seu original “Focus” é traduzido para os brazucas como “Golpe Duplo”. Há quem diga que o nome dado no Brasil faz sentido com o enredo desenvolvido, e realmente faz. Mas não há a necessidade de transformar o título em mais um entre tantos de trapaças e reviravoltas (ex.: Golpe Baixo, O Golpe, Golpe de Gênio, O Grande Golpe, Golpe Perfeito, etc…). Partindo desta premissa, certamente acabará se acomodando tanto quanto os demais nas prateleiras.

A história vem com Nicky, um experiente ladrão que se vê assediado pela estonteante Jess (Margot Robbie), que é uma novata neste mundo de criminosos larápios. Persuadido, os dois começam a agir juntos com mais uma equipe especializada na arte de “bater carteiras” e ludibriar. Porém os negócios vão esquentando e as afinidades sempre maiores fazem com que os principais personagens se apaixonem, e em um pequeno intervalo de tempo se separem, afinal não há honra entre ladrões. Dois anos depois eles se reencontram, quase inimigos íntimos.

O roteiro nos mostra partes distintas na obra, e acabam por se emendar como se fossem três episódios da mesma temporada em um seriado, o que acaba pesando no final das contas pois a temática já é batida, e enrolar o público faz parte do negócio. Aqui temos o ápice das ações, onde os golpes são bem dados e extremamente coreografados e pode-se dizer que o espectador fica incrédulo e agarrado na cadeira enquanto o segredo do truque não é revelado. Atenção a “Simpathy For The Devil” dos eternos Rolling Stones que dão o ritmo.

Falar de Rodrigo Santoro é chover no molhado (o personagem fora oferecido a Ryan Gosling, Brad Pitt e Ben Affleck que declinaram), uma vez que tem sua boa ação condecorada como sempre, mas não acrescenta nada a história porém não desabona o brasileiro.

No fim temos um mesclado de histórias contadas e por vezes desencontradas, que tentam fazer apenas mais do mesmo. E conseguem.

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mar 242015
 
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OMPC_StillAlice

 

A visão cruel e verdadeira de uma portadora do Mal de Alzeihmer, interpretada de forma brilhante e irrepreensível por Juliane Moore, traz em “Para Sempre Alice” um retrato do que a doença é capaz, de como conviver com ela e um principalmente de como conviver, com quem convive com ela.

A história nos traz Alice Howland, renomada professora e palestrante em universidades americanas e especialista em linguagem, começa a apresentar aos cinquenta anos os primeiros sintomas da doença, onde começa a esquecer o caminho de casa, coisas muito comuns ao dia, assim como as palavras: a arte que dominava como ninguém.

De todo o drama apresentado pelo diretor Richard Glatzer (que veio a falecer dias depois da cerimônia do Oscar, que rendeu o prêmio de melhor atriz) temos as reações da família, do marido (muito bem interpretado por Alec Baldwin), dos amigos e colegas de trabalho em relação ao desconhecimento e a desconstrução vagarosa de uma pessoa que até então conheciam.

Ainda temos a relação de lecionar em universidades e saber que aos poucos irá perder tudo o que foi conquistado e talvez o mais importante, a identidade de ser o que é, e ainda no que se tornará.

Um drama impossível de não se emocionar. O mérito está em conseguir demonstrar de forma sutil, as posições tomadas e a visão de cada um dos que convive com Alice, com opiniões divergentes e ao mesmo tempo juntos com o mesmo objetivo de ajudar a quem sempre também os ajudou a serem o que são. O processo inverso do aprendizado e a decomposição cerebral são cruéis a medida que os relatos vão sendo expostos.

Como já cantava Caetano Veloso na música “O Dom de Iludir”: “…cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é“. Nada, nem ninguém pode ser julgado ou criticado por sua natureza, sem que se conheça o âmago de um ser. Conhece-lo? Impossível. Impossível é se manter incólume a esta história de vida.

 

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mar 242015
 
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OMPC_AcimaDasNuvens

 

A arte de interpretar a si mesmo no cinema ou no teatro não é novidade nenhuma, visto “Birdman” como vencedor do último Oscar. Ainda que a ideia temática esteja muito longe do filme de Iñárritu, o francês “Acima das Nuvens” de Oliver Assayas, não foge ao contexto do famoso jogo de espelhos.

A sempre impecável Juliette Binoche que interpreta Maria no filme, é uma famosa atriz de teatro que há vinte anos fizera uma peça onde uma jovem ambiciosa tem um relacionamento de amor e ódio com uma mulher rica e de muito mais idade que ela. Antes interpretando a jovem, Maria é convidada novamente para atuar na mesma peça, porém no viés do papel que hoje lhe cabe, de uma mulher de mais de quarenta anos. Para isso leva consigo a assistente Valentine (Kristen Stewart) com quem conta profissionalmente e também como ombro amigo.

Os diálogos entre Binoche e Stewart balizam toda obra, muitas vezes ou quase sempre confundindo a realidade com o teatral. A cada momento os textos são repassados entre as duas com a sutileza de não se ter a certeza do que realmente estão tratando: se da vida real, onde amigas (talvez amantes) e profissionais buscam aprimoramento, ou ainda como personagens da própria peça ensaiando suas vidas.

Ainda existe a contrapartida de Chloë Grace Moretz, personagem que vem do cinema hollywoodiano trazendo todo uma bagagem de escândalos, drogas e amantes juntamente com uma gama de paparazzis. O papel chega a ser ironicamente comparado com “Lindsay Lohan” por sua tenra idade e já notada no negativamente no cenário. Existe aí uma crítica sutil aos interesses da mídia quanto ao que é realmente interessante quando se vende: a arte da interpretação ou a ostentação do escândalo bizarro e da vida pessoal? Tire suas próprias conclusões.

 

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mar 042015
 
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OMPC_Superpai

 

O próprio nome do filme “Superpai” é uma ironia. Nem pai, nem super, nem quase nada.

Desempregado e com a moral baixa, Diogo (Danton Mello) tem um filho e é casado com Marina (Mônica Iozzi). Aparentemente vivendo em um mundo alheio ao de sua esposa, se demonstra relapso as responsabilidades do dia e os passa jogando cartas com os vizinhos. Mas em uma situação improvável, sua esposa tem de sair as pressas de casa e ele tem que tomar conta do filho sozinho, justamente na noite que um encontro com ex-colegas, marcado há quase vinte anos acontece. A confusão inicia quando ele resolve fazer as duas coisas ao mesmo tempo…

Entre altos e baixos o cinema nacional desafia semana a semana a lógica das boas criações e roteiros interessantes, com as enfadonhas idéias de roteiros chupados com piadas prontas, racistas e sexistas. E por vezes até remetendo aos anos sessenta. Alguém lembra de algum filme nacional que não tenha referência a sexo, ou ainda não tenha uma única cena apelativa? Não impossível. Difícil.

As tentativas de não fazer uma comédia apelativa se chocam com a necessidade de riso fácil, com a inserção de esforçados atores da área (Antonio Tabet, Dani Calabresa, Thogun Teixeira e Juliana Didone) e a cada minuto que vai passando a ideia vai se esvaindo, não flui com consistência e acaba por ser mais do mesmo. Ainda que com a tentativa de um humor escrachado alá “Porta Dos Fundos”, as piadas conseguem extrair risos e algumas pinceladas de lucidez, mas são em pouquíssimos e raros momentos.

Spoiler: o golpe de misericórdia vem com a tentativa de uma “moral da história” quando, invadindo um reduto criminoso dominado pelo “bandido” Rafinha Bastos, os heróis conseguem libertar crianças do trabalho infantil. Não bastando, são abordados por policiais liderados por Danilo Gentili.

Não deslancha. Nem com “Porta Dos Fundos”, nem com o elenco do “CQC” em peso. Nem com Nicole Bahls. Nem nada. Quase nada.

LInk para o IMDb