ago 202016
 
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Cinezone Poster Ben-Hur

Difícil não torcer o rosto quando a notícia de um clássico maior como “Ben-Hur” é regravado. O remake do maior vencedor de oscars até hoje não fez feio. Muito pelo contrario! Um épico, como nossos últimos anos cheios de super-heróis demagogos fantasiados estava precisando. O filme do diretor Timur Bekmambetov consegue conquistar públicos saudosos de Charlton Heston.

A história épica traz Judah Ben-Hur, um príncipe falsamente acusado de traição por seu irmão adotivo Messala, um oficial do exército romano. Destituído de seu título, afastado de sua família e da esposa, Judah é forçado à escravidão nas galés. Anos mais tarde ele retorna à sua pátria em busca de vingança.

O roteiro sem dúvida não é dos melhores, mas também não há muito como fugir do script uma vez que é baseado no best-seller de Lew Wallace, escrito em 1880. Há quem diga que tudo não passa de um dramalhão de época, mas não é bem assim: as cenas que representam mais dramaticidade realmente não caem tão bem como em 1958, porém a direção diferenciada e com diferentes movimentos de câmera fazem o brilho intenso acontecer. A direção é esforçada e comprometida procurando sempre inovar os takes tanto nas batalhas, quanto nos closes, quanto nas imagens aéreas. As corridas são muito bem feitas trazendo
veracidade ao total dos enquadramentos.

Cinezone Ben-Hur - Middle

Já o playboy Jack Huston encara com fácil naturalidade o protagonismo dando vida e reconhecimento ao personagem principal, as vezes sobressaindo-se até muito mais do que o canastrão Messala feito por Toby Kebbell. E Rodrigo Santoro? Chega ao reconhecimento e ao estrelato afinal, fazendo um Jesus sem toque novelesco e adquirindo vida e morte própria. Pode se dizer que a coroa de espinhos lhe caiu muito bem, enquanto Morgan Freeman não erra como coadjuvante, como de costume. O filme ainda busca mensagens eficientes de pacificação e a ideia de que o combo ódio, guerra e sangue não vai fazer melhor um mundo entre zelotes e romanos, mas não passa disso. A parte “religiosa” fica como quase uma obrigação, uma vez que a história do judeu oprimido e vencedor é mais interessante. O que no fim da contas não deixa de ser a mesma coisa.

O gran finale fica para a sensacional corrida de bigas que parece ser onde o esmero e a criatividade da equipe vai a
forra. Um excelente épico que nas devidas proporções não desaponta nem um pouco em seu contexto geral, dando toda grandiosidade merecida desde William Wyler.

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nov 032015
 
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Cinezone Poster - The 33

Quando uma história real se propõe a ser contada, nem todos os relatados tendem a ficar satisfeitos. Um trabalho de adaptação e verossimilhança é minuciosamente buscado para que as injustiças não se tornem a principal atração. Em “Os 33” existe uma busca pela realidade, tentando retratar a esperança dos mineiros presos a mais de 500 metros abaixo da terra.

Em partes a produção busca a realidade e contar com clareza todos os fatos sem ser piegas nem clichê: considerada uma falha é o fato de toda obra usar o idioma inglês ao invés do espanhol (chileno), língua pátria no local do acontecimento. Existiu uma dificuldade muito grande em manter a língua original pelo elenco ser multidiverso: Antonio Banderas (espanhol), Rodrigo Santoro (brasileiro), Juliette Binoche (francesa), Gabriel Byrne (irlandês), incluindo logicamente a língua oficial do país. Ainda assim o elenco bem escolhido garante o sucesso da produção, uma vez que literalmente o roteirista deve tirar “leite de pedra” para buscar uma escrita que não entediasse o público.

As grandes proezas do filme estão nas relações interpessoais comstruídas dentro do refúgio soterrado: a questão de lideranças surgirem naturalmente, o desespero em manter a sanidade mental dos sobreviventes, e também conseguir racionar os alimentos que de apenas três dias deverão durar mais de dois meses. Na segunda metade do filme é que as coisas mais interessantes acontecem, de forma interessante as relações começam ser desfeitas e ficarem tensas quando do contato com o ambiente externo: pode-se fazer uma analogia dos tempos atuais, onde todos tem opinião sobre tudo ao mesmo tempo em que ninguém tem a certeza absoluta de nada. Outra questão colocada muito superficialmente foi a negligência do proprietário da mina quanto ao resgate: não fosse a pressão da mídia talvez o fato pudesse ser “abafado” frente ao conhecimento mundial.

Interessante é que pouco se pode falar de “spoiler” uma vez que a história é bastante conhecida, inclusive tendo o livro da tragédia como balizador de todas as premissas. O filme cumpre o papel de descrever os acontecimentos sem dramatizar demais nem oferecer o sofrimento demasiado dos mineiros. Falta emoção, mas sobra boa vontade.

 

Título Original: “The 33”

Direção: Patricia Riggen

Meu País (2011)

 Daniel Arrieche, Drama  Comentários desativados em Meu País (2011)
set 122013
 
A expectativa de um bom filme nacional se faz presente em “Meu País”, onde a trinca de atores globais se reveza entre boas e más atuações tendo um saldo positivo entre idas e vindas: Paulo José interpreta o pai de dois filhos (Rodrigo Santoro e Cauã Reymond) que desestruturados entre eles, obrigam-se a unir forças após sua morte e rever conceitos tanto na dignidade dos negócios, quanto a encontrar o rumo para suas vidas familiares. Não bastando o vício em jogatinas do caçula, eles descobrem que possuem uma irmã bastarda (Débora Falabella) de vinte e quatro anos e com idade mental de oito. O clima denso e intimista proposto pelo diretor faz com que as diferenças sociais e culturais se acirrem a cada momento, querendo que o clímax tome conta. Ainda que não saia do chão a tentativa de decolagem tenta se focar nas atuações: Rodrigo Santoro vem com toda sua bagagem e experiência trazendo veracidade, enquanto Reymond se esforça. Débora Falabella deveria bater com a cabeça na parede uma centena de vezes para encarar novamente a missão. Ainda assim vale a pedida pela tomadas feitas na Itália, pelas experimentações de fotografia (lentes/foco/plano e contra-plano), e o saudosismo de um filme que parece não ter acabado.