jul 112022
 
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Apenas o fato de citar o nome de David Cronenberg já traz calafrios e a certeza de que algo escatológico vem a seguir. Em “Crimes do Futuro” o diretor não foge a regra e ainda traz uma voraz crítica social misturado com arte e poesia.

Na sinopse, um braço governamental investiga uma espécie de evolução do ser enquanto humano. A ingestão de plásticos e outros objetos faz hoje com que novos órgãos sejam criados pelo próprio ser, e um grupo de artistas performáticos liderados do Saul (Viggo Mortensen) trabalha de forma árdua em busca de novos conceitos estéticos e de um padrão de acesso as prováveis novas utilidades.

Cronenberg consegue mais uma vez criar repulsa neste horror disfarçado de drama, junto com os também criativos gregos que nitidamente tem vários dedos na película (visto filmes tão repulsivos, chocantes e quão realistas). Em um futuro distópico, mas não tão distante de nossa realidade, a população está escassa e faminta por novidades que a façam “progredir”. Mas infelizmente juntamente com as novidades, as mazelas da inveja e cobiça vem também inseridas no contexto.

Outra crítica bastante relevante é um soco no estômago, quando retratadas as cirurgias estéticas como novas formas de prazer e de ostentação. O inicio de uma nova fase traz prazer com o uso do bisturi, e a dor acaba sendo uma constante naqueles que buscam um novo auto-entendimento.

Autópsias, cortes, modificações corporais, nudez e assassinatos são usados como lugar comum em “Crimes do Futuro”. Crimes agora em uma dimensão que até agora não havia sido imaginada. A não ser, por Cronenberg, é claro…

mar 242015
 

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OMPC_AcimaDasNuvens

 

A arte de interpretar a si mesmo no cinema ou no teatro não é novidade nenhuma, visto “Birdman” como vencedor do último Oscar. Ainda que a ideia temática esteja muito longe do filme de Iñárritu, o francês “Acima das Nuvens” de Oliver Assayas, não foge ao contexto do famoso jogo de espelhos.

A sempre impecável Juliette Binoche que interpreta Maria no filme, é uma famosa atriz de teatro que há vinte anos fizera uma peça onde uma jovem ambiciosa tem um relacionamento de amor e ódio com uma mulher rica e de muito mais idade que ela. Antes interpretando a jovem, Maria é convidada novamente para atuar na mesma peça, porém no viés do papel que hoje lhe cabe, de uma mulher de mais de quarenta anos. Para isso leva consigo a assistente Valentine (Kristen Stewart) com quem conta profissionalmente e também como ombro amigo.

Os diálogos entre Binoche e Stewart balizam toda obra, muitas vezes ou quase sempre confundindo a realidade com o teatral. A cada momento os textos são repassados entre as duas com a sutileza de não se ter a certeza do que realmente estão tratando: se da vida real, onde amigas (talvez amantes) e profissionais buscam aprimoramento, ou ainda como personagens da própria peça ensaiando suas vidas.

Ainda existe a contrapartida de Chloë Grace Moretz, personagem que vem do cinema hollywoodiano trazendo todo uma bagagem de escândalos, drogas e amantes juntamente com uma gama de paparazzis. O papel chega a ser ironicamente comparado com “Lindsay Lohan” por sua tenra idade e já notada no negativamente no cenário. Existe aí uma crítica sutil aos interesses da mídia quanto ao que é realmente interessante quando se vende: a arte da interpretação ou a ostentação do escândalo bizarro e da vida pessoal? Tire suas próprias conclusões.

 

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Crepúsculo – Amanhecer – Parte 1 (2011)

 Aventura, Blogger, Daniel Arrieche, Drama  Comentários desativados em Crepúsculo – Amanhecer – Parte 1 (2011)
set 162013
 

breaking

Enfim o tal do “Amanhecer” aconteceu. Com a expectativa de fãs adolescentes (e outros nem tanto) a história do trio ternura Bella, Edward e Jacob vai tomando rumo e aguardando seu final épico em alguns meses quando a derradeira etapa encerra a saga. Massante e cômico ao mesmo tempo, o público que acompanha os movimentos da batalha de vampiros versus lobisomens já sabe que vai encontrar cenas líricas de casamento, uma difícil gravidez da protagonista e o embate de sempre pelo amor estranho amor da (ainda) humana. Entende-se também que a vinda do casal para o Rio de Janeiro em lua de mel, nada mais é do que mais um lance de marketing do governo do estado para promover a sede da próxima copa do mundo (tal qual “Velozes e Furiosos 5”, “Rio”, dentre outros…). Apenas no final da película a trama embala, mostrando que o marketing não está só a encargo dos governantes, mas também dos screenplayers para que se tenha uma renda maior em dois filmes (mesmo que sem a necessidade).

Spoiler: não sei se foi clichê ou nada proposital, mas o final do filme é praticamente o inverso do final do eterno “Lost”. Aguardemos sofregos então ao fim de “Twilight”, um dos maiores fenômenos juvenis do nosso tempo, no dia 16 de dezembro.

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