jul 112022
 
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Apenas o fato de citar o nome de David Cronenberg já traz calafrios e a certeza de que algo escatológico vem a seguir. Em “Crimes do Futuro” o diretor não foge a regra e ainda traz uma voraz crítica social misturado com arte e poesia.

Na sinopse, um braço governamental investiga uma espécie de evolução do ser enquanto humano. A ingestão de plásticos e outros objetos faz hoje com que novos órgãos sejam criados pelo próprio ser, e um grupo de artistas performáticos liderados do Saul (Viggo Mortensen) trabalha de forma árdua em busca de novos conceitos estéticos e de um padrão de acesso as prováveis novas utilidades.

Cronenberg consegue mais uma vez criar repulsa neste horror disfarçado de drama, junto com os também criativos gregos que nitidamente tem vários dedos na película (visto filmes tão repulsivos, chocantes e quão realistas). Em um futuro distópico, mas não tão distante de nossa realidade, a população está escassa e faminta por novidades que a façam “progredir”. Mas infelizmente juntamente com as novidades, as mazelas da inveja e cobiça vem também inseridas no contexto.

Outra crítica bastante relevante é um soco no estômago, quando retratadas as cirurgias estéticas como novas formas de prazer e de ostentação. O inicio de uma nova fase traz prazer com o uso do bisturi, e a dor acaba sendo uma constante naqueles que buscam um novo auto-entendimento.

Autópsias, cortes, modificações corporais, nudez e assassinatos são usados como lugar comum em “Crimes do Futuro”. Crimes agora em uma dimensão que até agora não havia sido imaginada. A não ser, por Cronenberg, é claro…

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