fev 172021
 
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Segundo o escritor alemão Goethe, todos os fatos marcantes da vida provém de traumas: desde o sofrido nascimento de um ser humano, passando pelas fases de aprendizado para que consigamos a duras custas entender o significado de sobrevivência e ainda assim também esperar o final da existência e torna-la menos sofríveis. Mas e quando um determinado trauma é para sempre? Violência, humilhação, eternos desconfortos… Existe alguma forma de exterminar em definitivo essa dor permanente?


Vivendo nos Estados Unidos, Maja (Noomi Rapace) tem sua família formada. O marido Lewis (Chris Messina) e o filho Patrick formam o estereótipo de felicidade. Porém ela não consegue esquecer e se livrar dos horrores sofridos em sua terra natal durante a Segunda Guerra. Insônia e antidepressivos são constantes. Em um rompante desespero ela sequestra seu vizinho, sem ter a certeza de que realmente foi ele seu torturador no passado.


O filme é tenso. O tempo inteiro existe a dúvida sobre as atitudes dos protagonistas e para qual caminho o roteiro seguirá. Noomi Rapace ficou conhecida no já cult sueco “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” e vem emplacando atuações de tirar o fôlego, sempre intensas e convincentes sendo na maioria das vezes personagens perturbados e de difícil interpretação. Coisa que não acontece com o apático “Lewis”. Sua sintonia acaba acontecendo com seu algoz (e também sueco) Joel Kinnaman – que consegue fazer um papel quase duplo até o desfecho. 

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Algumas lacunas são observadas no decorrer do longa: se você está acostumado a filmes de investigação ou se ater aos detalhes da produção e continuidade, vai perceber logo. Porém acabam por não terem tanta importância sendo que a trama (ainda que não seja tão atribulada quanto outros do gênero) acaba por prender o espectador até o final. Um ponto forte é a ambientação na América pós-guerra, desde indumentárias, paisagens, diálogos e até gírias e gestos nos transportam a época então. Também os “flashbacks” em preto e branco fazem uma ponte bastante sinuosa, que vai se estreitando com o andar do longa e elucidando boa parte da estrada em seu final. Outro detalhe interessante são as cores vibrantes quando os diálogos se tornam quase um embate psicológico – bela sacada! 


No final das contas é um excelente entretenimento. Dependendo da visão e expectativa frente a tela, pode se tornar mais um exemplar dos horrores da guerra e suas consequências até hoje. Ou ainda apenas mais um jogo de informações onde não se tem o resultado ideal – mas proveitoso.

Disponível também no “Amazon Prime”.

Robocop (2014)

 Ação, Blogger, Daniel Arrieche  Comentários desativados em Robocop (2014)
mar 112014
 

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Como já dito anteriormente, determinados “remakes” não deveriam sair nem mesmo da prancheta do roteirista, uma vez que acabam por denegrir ou tirar o sentido da produção original. Porém, o “Robocop” de José Padilha é uma livre interpretação dos acontecimentos e desventuras do policial Alex Murphy (diga-se de passagem muito bem incorporado por Joel Kinnaman – conhecido pela adaptação americana do seriado escandinavo “The Killing”) que após um acidente é adaptado em uma máquina para combater o crime. Muito elogiável a ideia do diretor em citar os polêmicos “drones” na segurança americana em um momento em que as próximas votações do senado daquele país já estão dando voz ao assunto. Pós 11 de setembro qualquer tema que trate de segurança nacional é bilheteria garantida. Mas o filme vai bem além disso, ou de muitos tiroteios sem sentido. Em determinado momento são suprimidos de Murphy os sentimentos, o caráter, e algumas memórias para que o policial seja manipulável as vistas da sociedade que, incrédula encontra seu mais novo herói. Segundo Jose Padilha, “Robocop” está mais para Frankenstein do que para qualquer outro super-herói americano. Alex Murphy nunca quis ser o monstro/máquina para qual foi criado. Se quisesse um blockbuster qualquer, o diretor colocaria um ator conhecido de rosto bonitinho e muitas explosões, o que não é o caso do quase anti-herói feito pelo brazuca. A obra também é sensível na interpretação do ótimo Gary Oldman, que faz o mentor e médico responsável pela condução do projeto robô: em uma das cenas, um artista que teve sua mão amputada deve tocar violão com a prótese, quando reclama que não teria a sensibilidade de seus dedos. É imediatamente ajudado pelo cientista: a música vem do cérebro e do coração, enquanto os dedos apenas executam o que lhes é ordenado. Dentre outras tantas questões “Robocop” se faz um filme inteligente e bem feito, buscando esquecer o saudosismo oitentista de quem não tem certeza do que realmente é bom hoje em dia.

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The Killing – Primeira Temporada – Episódio Final

 Daniel Arrieche, The Killing  Comentários desativados em The Killing – Primeira Temporada – Episódio Final
nov 082011
 

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Definitivamente “The Killing” foi a série policial que mais me cativou nos últimos tempos. Com uma trama bem armada, um roteiro excelente e sem clichês, a primeira temporada termina com a certeza de que terá mais e mais adeptos a palpitar quem matou Rosie Larsen. Atuações perfeitas e pendendo largamente para o emocional, a direção conseguiu prender o espectador de uma forma intrigante e diria até angustiante em certos momentos. Sarah Linden é uma de minhas protagonistas preferidas, dentre tantos outros na linhagem de investigação (depois de David Mills e Willian Somerset em “Seven”). Ainda que tenha algumas diferenças da série original, com certeza trará mais dúvidas e mais apreensão. Espero que a segunda temporada venha tão forte quanto a primeira.