jun 292017
 
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Filmes com orçamento apertado tem que se virar e fazer valer o pouco investido. Ser criativo deixa de ser qualidade para ser obrigação e falta de dinheiro não implica num roteiro falho. Desvantagens contabilizadas e temos o que sobra para atrair seu público. Pois justamente o orçamento baixo em “Ao Cair da Noite” faz com que os profissionais se sobressaiam e façam mais um exemplar do novo cinema de terror.

A sinopse nos entrega Paul (Joel Edgerton), que habita uma estranha casa juntamente com sua esposa e filho. A casa é sua segurança até a chegada de estranhos que acabam por mudar a rotina da família. Mas em meio a um holocausto, conviver em comunidade não é uma tarefa nada fácil principalmente quando a sua vida e dos seus é colocada em iminente risco.

A paranoia de todos os personagens é o que faz o filme andar, juntamente com uma edição de som cautelosa e diferentes posicionamento de câmeras, cada um dos habitantes da casa reage de maneira diferente a cada situação envolvida. O emocional é colocado a prova a todo momento. Intrigas e desconfiança permeiam os cenários a todo momento. O andar de “Ao Cair…” lembra em muito o belo e polêmico “A Bruxa” – fruto desta nova safra de horror.

Não é um filme para todos os públicos. Explico: em pouco mais de uma hora e meia o ritmo é extremamente lento e a grande maioria das cenas são escuras e por hora sufocantes. Quem espera tomar sustos e jogos de “cabra-cega” pode se decepcionar profundamente. A noite em si acaba também tendo seu papel fundamental, pois é ali onde as grandes tensões acabam por acontecer. Nem tudo é explicado, muito pelo contrário, sendo aqueles dramas psicológicos onde nem toda platéia está preparada para pensar o tempo inteiro e tirar suas próprias conclusões.

Não é um filme fácil de ser assistido, deve ser visto somente nos cinemas onde somente ali existe a chance de se manter o silêncio, a escuridão e um clima ideal para curtir este exemplar de forma a aproveita-lo e ter então a experiência por completo.

Êxodo: Deuses e Reis (2014)

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dez 242014
 
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TMPCExodus

 

 

Existia uma enorme expectativa em assistir a epopeia do líder bíblico Moisés dirigido pelas mãos do diretor Ridley Scott em “Êxodo: Deuses e Reis”, estrelado pelo inglês Christian Bale. Porém não há como falar do profeta sem citar “Os Dez Mandamentos” de 1956. É automático vir a mente a imagem de Charlton Heston abrindo o Mar Vermelho em uma cena eternizada pela sua grandiosidade e também com a mão genial de Cecil B. DeMille à direção. Porém as comparações não ficaram apenas na arte e no cinema em si, mas também no plano histórico o que contribuiu para polêmicas entre religiosos, historiadores e os próprios espectadores ávidos por um bom filme.

O ideal é tentar entrar nas salas de cinema esquivando-se das referências bíblicas e imaginando um novo personagem: dono de si e longe daquele plebeu que levantava seu cajado, este Moisés corre, luta, briga e usa sua espada até a última cena. Um Moisés com conhecimentos bélicos e táticos, advindos de toda estadia ao lado do seu até então irmão Ramsés. Ainda que a atuação de Bale seja extremamente esforçada é difícil engoli-lo como egípcio ou ainda africano. Um dos grandes erros da escolha do elenco e da produção foi não preocupar-se com a origem de cada ator sendo que os principais são de origem inglesa, americana ou ainda australiana: pele clara e olhos verdes/azuis contrastando completamente com as origens do povo daquela região castigada pelo sol, e pelo clima quente e árido. Ressalvas ao sempre competente Ben Kingsley que se encaixa como uma luva ao ancião Nun e, também a John Turturro que trabalha de uma forma enxuta para fazer Seti quase irreconhecível como o grande Faraó.

Personagens a parte, uma grande perda é Joel Edgerton que tem uma atuação insegura e longe de um Ramsés que seja raivoso, triste ou em pânico, também bem diferente dos personagens fortes já vistos em “Guerreiro” ou ainda mais recentemente como o marido traído de “O Grande Gatsby”. Fora o desperdício de atuações apagadas e quase incógnitas (escondidas) de Sigourney Weaver (Alien) e de Aaron Paul (Breaking Bad).

Mas as tentativas e a visão de Ridley Scott quanto ao episódio da saída dos hebreus rumo a terra prometida tem seus grandes méritos na produção suntuosa (e cara): os cenários são bastante realistas e grandiosos trazendo praticamente tudo em tamanho real tanto nas minas de escravidão quanto nos gigantes de pedra erguidos em meio a areia do deserto. As cenas iniciais de ataques e lutas corporais são bem definidas e com uma coreografia típicas de “Gladiador”. Nos bastidores comenta-se que os papéis dos últimos épicos bíblicos foram invertidos e que Russell Crowe deveria interpretar Moisés, enquanto Bale faria Noé. Porém por questões contratuais e de compromissos paralelos ambos tiveram que adiar suas apresentações frente as produtoras e encaixando-se conforme acertos comerciais (certamente seriam melhor aproveitados e encaixados).

O filme em um todo cumpre seu propósito de contar a história, apresentar fatos e tentar encontrar explicações mais
científicas para os fenômenos naturais apresentados no Velho Testamento, como as sete pragas lançadas por Deus ou ainda a abertura do Mar Vermelho. Uma história mais palpável e talvez mais verossímil aos olhos atuais. Mas não há como contentar a todos: desavenças e embates entre religiosos e céticos infelizmente permeiam a sétima arte.

Ainda há uma última frase dita pelo diretor em uma de suas polêmicas entrevistas sobre “Êxodo: Deuses e Reis”: “A maior invenção do diabo, foi a própria religião”. O filme? É crer pra ver.

 

 

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