fev 102020
 
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A grande surpresa em relação aos concorrentes a estatueta de ouro é o filme de guerra “1917” – que estreou comercialmente no Brasil somente em 23 de janeiro – e que estava escondido entre os demais até o último momento. Um marketing de efeito e que acabou por permear a curiosidade daqueles que gostam de cinema. Na direção temos Sam Mendes (de Beleza Americana) e um elenco de estrelas que vai aparecendo ao longo da película. Mas o que se apresenta nas telas realmente vale a pena? A pergunta acabou dividindo admiradores do gênero e também amantes da sétima arte.

Durante a primeira grande guerra, dois soldados britânicos são incumbidos de uma tarefa quase impossível: entregar uma mensagem a outra guarnição muito distante evitando um massacre em massa, atravessando o território inimigo. A corrida contra o tempo tem ainda mais um agravante: o irmão de um deles ainda está entre os soldados em perigo.

O diretor Sam Mendes se utilizou de dois grandes trunfos: a história é baseada em fatos reais contados por seu avô, que participou das batalhas e provavelmente viveu “in loco” parte delas. Detalhes de sobrevivência e percalços durante a jornada são detalhados a cada momento com muita ênfase na parte humana dos então dois protagonistas. Mas até onde há protagonistas em uma guerra? Outra cartada certeira foi o uso do “plano sequencia “ – técnica de difícil execução onde não existem cortes na cena e a câmera acompanha os personagens e/ou a história de maneira ininterrupta – que faz com que o trajeto dos soldados seja mais valioso e o trabalho da equipe técnica supervalorizada (com razão), uma vez que tudo e todos devem ter atenção redobrada. Apesar de todo mérito, o uso do plano não é nenhuma novidade: Alfred Hitchcock inaugurou a ideia em “Festim Diabólico”, e mais recentemente o vencedor do Oscar com “Birdman” também o fez de forma fantástica. Mais maldosos dirão que até nos seriados dos japoneses “Flashman” isso nunca fora uma novidade – em suas devidas proporções, obviamente.

O grande acerto e digno de aplausos está a direção de fotografia: uma aula de cinema nos ensinada por Roger Deskins (de Blade Runner 2049). Deixado livre pela direção para criar e extravasar ele consegue transformar as cenas mais simples em verdadeiros meteoros fumegantes dando um espetáculo a parte e vivendo a real grandiosidade de cada passagem. A mão do diretor de fotografia se torna pesada nos últimos quarenta minutos onde todos os sentimentos são traduzidos em cores e visões quase estroboscópicas. Pode apostar uma estatueta certa para este quesito.

Mas até onde vai a grandiosidade de “1917”? Dalton Trumbo já teria perguntado em seu livro “Johnny Vai a Guerra” se algum soldado se orgulha de ter morrido por seu país. A resposta certa é que nenhum deles voltou para contar. Outros clássicos do gênero sempre trazem questões contundentes como em “Platoon”, com os horrores traduzidos por Oliver Stone, ou ainda em “Apocalipse Now”, de Francis Ford Copolla no final derradeiro do astro Marlon Brando. Sem falar de outros inúmeros (Nascido Para Matar, Atrás das Linhas Inimigas, Círculo de Fogo, etc…). Ainda podemos citar o recente “Jojo Rabbit” – que consegue encontrar graça e fazer piada com o holocausto nazista (sim, é possível) e encontrar uma moral a ser questionada.

Fato é que “1917” se apresenta vazio e sem objetivos, onde o heroísmo e a técnica apenas se apresentam como grandes noções de megalomania. É uma grande obra sem dúvida alguma. Mas fatalmente fadada ao esquecimento logo logo, justamente por não conseguir trazer tudo aquilo que uma guerra realmente pode nos mostrar e/ou ensinar.

fev 102015
 

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Talvez por algum motivo especial, em uma determinada época, vários filmes com o mesmo tema são lançados parecendo até coisa combinada. Neste caso o mote da vez são as histórias verídicas sobre guerras e suas sempre danosas consequências.

No caso de “Invencível” (Unbroken) a regra de se contar uma história bastante linear e nos padrões de outras já contadas, parece temerária e as vezes até medrosa. A então diretora Angelina Jolie simplesmente seguiu a regra e os pontos básicos para não errar. Porém, também não acerta.

O filme nos apresenta a história de Louis Zamperini, filho de imigrantes italianos nos Estados Unidos, que desde cedo parece ter um destino fácil aos estrangeiros da época: álcool, cigarros e uma pré-disposição para confusão. Porém em uma guinada do destino, descobre que pode correr muito rápido e ajudado pelo irmão chega a incorporar a equipe de atletas da escola, e até disputar uma olimpíada. Porém a guerra chega e o sofrimento começa, sem ter cor, raça, crença ou piedade para qualquer um.

O que uma grande história podia trazer, “Invencível” traz. Porém não empolga em momento algum. Histórias paralelas rasas e que se limitam tão somente a contar sem se aprofundar e, em vezes se tornando até mesmo clichês sem necessidade. O ator Jack O´Connel (um ilustre desconhecido) não acrescenta em nada o personagem e chega em determinados momentos a se tornar sem expressão. As cargas emotivas poderiam ser o grande trunfo uma vez que batalhas são sempre fortes nas telas. Mas existem muitos pecados no filme, inclusive com erros de continuidade inadmissíveis (náufragos em um bote, em meio ao oceano por mais de quarenta dias com a barba perfeitamente feita, por exemplo). Realmente não é de admirar ter sido preterido pela premiação no Globo de Ouro.

É valido assistir pelos fatos históricos paralelos e também pela história de vida do atleta que, debaixo de sofrimento e maus tratos nunca esmoreceu. Também pela curiosidade de Zamperini ter assistido ao filme já finalizado somente no dia fatídico de sua morte, acamado e debilitado, no laptop da própria diretora Jolie.

Na dúvida entre tantos filmes de guerra este início de ano, a sugestão é “Uma Longa Viagem” (The Railway Man) com Colin Firth e Nicole Kidman em que apresentam uma história extremamente semelhante (quase igual) e com um roteiro fraco, porém com atuações valem o interesse.

 

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Magia Ao Luar (2014)

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out 012014
 

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Talvez pela mera falta de informação ou interesse, não sabia que Woody Allen estava nos cinemas com mais uma de suas obras. Imediatamente pulamos do sofá direto para a sala de projeção, um tanto afoito e na espera de mais um protótipo do mesmo diretor interpretado de forma sutil por outra pessoa. Porém a idéia do nova-iorquino lançar sempre um filme por ano (talvez até por exigência contratual das produtoras) pode se tornar bastante desgastante, uma vez que crises criativas não são incomuns. Em “Magia ao Luar” o cansaço pode ser midiático e a mão pode parecer até preguiçosa: mas não deixa de ser Woody Allen. Stanley (Colin Firth) é um ilusionista com uma prática de desmascarar charlatões que é contatado por um amigo para conhecer uma suposta médium (Emma Stone), que tem feito bastante sucesso na região onde mora por seus diferentes talentos. No entanto aos poucos ele vai sucumbindo a beleza e sutileza da menina, começando a acreditar não só nas palavras como também no coração – onde na verdade ele realmente quer encontrar algo (ou alguém) que quebre seus paradigmas e prove que está errado, bem como a provável impostora deseja ser exposta para que seu sofrimento tenha fim. Podemos divagar por horas sobre as atitudes do diretor frente ao seu próprio mundo, e sua projeção nos personagens para falar de si mesmo em todos os personagens – que é marca registrada. Mas o fato é que em determinados momentos o espectador cansa de tantas marcações para que o roteiro destrinche e exista o clímax, até que o filme se torne extremamente chato e massante. Chega a lembrar as críticas de “O Escorpião de Jade” (que particularmente gostei) onde a imprensa escangalhou com o cineasta o levando a refilmar fora dos Estados Unidos novamente. Chato, sim. Allen, sempre.

 

 

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O Discurso do Rei (2010)

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nov 072011
 

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Conforme anunciou o site do Terra: “é necessário se curvar diante a majestade do rei”. Uma direção impecável, com angulações bem definidas, panorâmicas, enquadramentos perfeitos, plano e contra-plano geniais, foco no necessário, e Tom Hooper está sem concorrente este ano. O elenco está digno de lordes ingleses, com Colin Firth (que eu nunca gostei) se dedicando ao máximo, desde as pernas “ex-cambotas” e a gagueira natural. E Geoffrey Rush que fica além de qualquer comentário. Um mestre e um canastrão em uma mesma cena se completam barbaramente. Ambientação de época e também a mistura de cenas produzidas com as reais como a do discurso de “Her Hitler” dão um toque de gênio. Ainda não vi todos os outros concorrentes, mas dificilmente algum outro me deixará tão embevecido quanto “O Discurso do Rei”.

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