ago 252017
 
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O diretor Christopher Nolan é considerado polemico? Não, apenas é colocada em duvida sua capacidade de direção e de interpretar fatos de forma mais profunda do que outros considerados mais introjetados. Não há duvidas é sobre seu novo rebento “Dunkirk“. Não é uma obra-prima do cinema, mas talvez seja a obra-prima de Nolan: um filme de guerra com a marca da garra e da tensão feitos com esmero até a última rajada.

O início já diz que teremos que acompanhar três faces de uma guerra: e que no entanto acabam por se desdobrando muito mais caras que podemos imaginar. Os atores escolhidos para atuarem no “chão e no mar” da batalha são praticamente desconhecidos justamente para dar veracidade ao evento, uma vez que os recolhidos de Dunkirk tinham em sua maioria entre 18 e 19 anos. O próprio Nolan atravessou da Inglaterra até o local dos resgates, levando mais de dezenove horas.

Os detalhes com a estética também foram cuidadosos: as cores usadas em cada lente para cada uma das três histórias contadas, são diferentes para que o público pudesse definir a cronologia dos fatos e da ordem ao longo do filme. As câmeras subjetivas dão os assentamentos perfeitos deixando os espectadores tensos até o último minuto. Outro detalhe importante e também curioso é a fuga proposital de comparações com “Resgate do Soldado Ryan“: a tensão e a visão deveriam ser bastante diferentes. E foram.

A presença de poucos atores de renome também dão o norte a Nolan: Cillian Murphy, Tom Hardy (quase sempre encoberto pela máscara no cokpit) e Kenneth Branagh encabeçam momentos distintos da trama, dando um ar mais profissional e seguro do que ter “apenas” atores jovens. Curiosidade: o ator Michael Caine também está no filme, mas de forma bastante escondida pilotando um dos caças. Seu nome nem consta nos créditos. Todo cuidado se torna pouco, uma vez que o tarimbado ator já fora visto num papel semelhante em 1969.

No fim das contas, Nolan consegue demonstrar um grande paradoxo de todas as guerras: o abandono da batalha como uma das vitórias e a fuga como o grande triunfo. E com isso ele consegue convergir em si mesmo trazendo a dúvida da grandeza do próprio diretor.

mar 302016
 
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Cinezone Poster - Batman VS Superman

“Tell me… Do you bleed? You will”. A frase que aparece no primeiro trailer de “Batman Vs. Superman – Down Of Justice” é o chamamento para o considerado embate do século: o prometido confronto entre os dois maiores heróis mais populares dos quadrinhos.

A história gira em torno da discussão da real função do Homem de Aço na sociedade americana e mundial, uma vez que não é regido por nenhuma lei governamental específica tendo em mãos a possibilidade da destruição total do planeta se assim quiser. Sua idoneidade é colocada mais ainda em dúvida, quando Lex Luthor (Jesse Eisenberg) coloca lenha da fogueira questionando qual a verdadeira influência de um “alien”, e qual seu propósito em adotar um lar tão perecível perto do que um dia foi Krypton, chegando a ser chamado de falso deus, e antagonizado por boa parte da população. Toda esta alegoria acaba chamando a atenção do justiceiro Batman, que começa a se interessar pelo assunto e vê a oportunidade de mais uma vez fazer justiça com as próprias mãos.

Esperado como novo rebento avassalador de bilheterias da DComics / Warner, vindo de uma pré-venda melhor que “Deadpool” e “Vingadores – A Era de Ultron” (e quem sabe a melhor abertura de bilheteria até hoje), não conseguiu agradar a todos. Uma vez pela expectativa gerada após um merchandising que acabou ficando exaustivo, mais as negativas iniciais de Ben Affleck como Bruce Wayne e a despeitada Gal Gadot como Mulher Maravilha, juntamente com um roteiro não tão interessante quanto as premissas esperadas pelo bom e esforçado diretor Zack Snyder.

As mudanças adotadas pela DComics após a trilogia de sucesso de Christopher Nolan foram entendidas como um ajuste para uma sequência de filmes interligados, bem como a Marvel o fez, juntando heróis e criando universos paralelos quando necessário fazer mais (dinheiro). As aparições de outros personagens marcantes se tornam perspicazes e pertinentes ao início de uma nova saga.

Cinezone Wall - BvS 02

A agonia dos fãs ao saberem que o canastrão Ben Afleck interpretaria o homem-morcego foi em vão. O ator mostra amadurecimento e faz entender que seus cabelos grisalhos não vieram à toa. Diferentemente de Christian Bale, o novo Bruce Wayne faz um milionário mais sombrio e ciente de seus compromissos, porém ainda atormentado pelo passado trágico ainda advindo do assassinato de seus pais. O ator é um dos que mais leva a sério a história e toda a trama: os próximos prováveis filmes solo dirão o que o presente ainda tende a duvidar. Superman continua o mesmo idealizado no filme de 2013, com o galã Henry Cavill bom moço e ligado a família. Parênteses: um dos fatos que mais me agradam ao assistir e comentar cinema é a quantidade de mensagens subliminares passadas a cada frame, e em “Batman vs. Superman” essa ideia é repetidamente interessante. A associação feita continuamente em “Homem de Aço” como o “salvador da humanidade” se faz aqui em diversos momentos lendo-se Superman como o Cristo libertador da era moderna. As constantes aparições frente ao sol, a ligação direta com a religiosidade, aquele que vem dos céus em uma nave flamejante, e (SPOILER) em uma das últimas cenas sendo carregado nos braços por duas mulheres, faz uma alusão quase absurda a crucifixão inclusive com as cruzes de ferro ao fundo na cena.

Outro personagem que tem seu destaque é Lex Luthor. Interpretado por Jesse Eisenberg, o vilão é um multimilionário filantrópico que em busca de poder tenta destruir tudo aquilo que não consegue alcançar. Com frases prontas de efeito bem colocadas, faz com que o público se divirta e se interesse cada vez mais pelo excêntrico e megalomaníaco. Uma pitada da loucura é muito bem vinda e certeira, fazendo lembrar em momentos até mesmo o melhor Coringa até hoje, Heath Ledger.

Lógico que um filme desta magnitude tem seus erros e acertos, como as pontas deixadas desatadas para os próximos filmes, as nuances de novos vilões estampadas em pichações nas pelas paredes das cidades de Metrópolis e de Gotham, os novos personagens que são brevemente citados dando a entender novas aparições (Aquaman, Flash, Ciborgue, Lanterna Verde, etc), fazem esta obra única, e merecedora de aplausos pela ousadia e pelo afinco como foi colocada nas telas. Palmas. E ansioso pelos próximos capítulos.

 

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Interestelar (2014)

 Blogger, Daniel Arrieche, Ficção Científica, Filmes  Comentários desativados em Interestelar (2014)
nov 242014
 
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interstellarMPC

 

O novo filme de Christopher Nolan pode ser considerado o melhor de sua carreira até então. O diretor, juntamente com seu irmão, conseguiu chegar a um ponto em “Interestelar” em que a cabeça do espectador não sabe ao certo o que está vendo ou sentindo… Explico: a obra conseguiu unir grandes e consagradíssimos atores (Anne Hathaway, Matt Damon, Michael Caine, John Lithgow, Jessica Chastain, etc), ter um roteiro cuidadosamente escrito, um bom argumento e uma bela fotografia que não chega a ser deslumbrante mas cumpre perfeitamente o seu papel de composição e arte. Se imaginou que “A Origem” era complexo, agarre-se firme na poltrona para esse novo (e sensacional) rebento de ficção científica. Cooper (Matthew MacConaughey) é um engenheiro espacial e piloto aposentado, fazendeiro e pai de dois filhos que (assim como nós) assiste a lenta extinção do planeta, frente a degradação dos recursos naturais e suas consequências: clima árido e seco, falta de alimentos e a extinção gradual da população. Entre um fato e outro o protagonista tem a chance de entrar novamente em órbita liderando uma equipe de astronautas, para tentar entender e buscar alterativa de vida em outros planetas. Então a saga inicia, sem um “tempo” exato para acabar, ou ainda com a incerteza de retornarem a seus lares. Se você imaginou alguma coisa parecida com “Armageddon” esqueça, pois literalmente o “buraco” é mais embaixo. Com muitas metáforas, Nolan cria um aspecto envolvente sem ser cansativo em quase três horas de apresentação, sempre muito objetivo em seus diálogos sem deixar de ser emotivo e carismático. Cada um de seus personagens tem uma alma e uma função na trama, sempre tentando interar o público e faze-lo compreender de alguma forma as teorias quânticas, a astrofísica, gravidade, viagens espaço-tempo, evolucionismo, dentre outros tantos temas, e ainda assim não esquecendo das questões morais e afetivas que muitas vezes são o ponto chave para resolver as questões mais difíceis. Difícil não lembrar de “2001“, tanto pela referência que tem como o maior clássico do gênero, como os robôs em formato de monolito. Em muitos momentos de “Interestelar” os fatos podem não condizer com explicações técnicas ou didáticas, porém após assistir nos cinemas essa nova imersão na massa cinzenta dos Nolan, a licença poética acaba sendo muito bem aceita onde também pode-se contextualizar a luta pela sobrevivência não só como humanos mas também como raça, o abandono e a solidão sob múltiplos aspectos, as dificuldades de aceitação do fatídico e inevitável… É uma obra que no mínimo deverá ser observada com cautela antes de ser criticada: recém lançado já possui qualificação máxima nos melhores sites de críticos e colocando-se já na estréia entre os melhores filmes no ranking do IMDb. Obs.: o filme deve ser visto obrigatoriamente nos cinemas (preferencialmente no Imax) para que se possa ter a experiência completa e… Interestelar!

 

 

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