jul 162015
 
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Sense8 Cinezone  Poster

 

Os irmãos Wachowski ficaram conhecidos pela trilogia Matrix, de 1999 e que revolucionou a maneira de fazer cinema, uma vez que inovaram tecnologias, referências e tendências sobre a sétima arte. Há quem diga que ali existiu um marco de como se fazia, e como fazer: o que não discordo apesar de achar um pouco de exagero, uma vez que já tivemos diversos pontos de virada e desdobres significativos na era moderna como as transposições de Welles, os vértices de Kubrick, dentre outros expoentes. Pois Andy e Lana (antes Larry) entraram de cabeça no ambicioso “Sense8”, produção exclusiva para o Netflix.

O seriado conta a complexa história de oito pessoas de distintas partes do mundo que, sem razão ou motivo aparente começam a se relacionar umas com as outras psiquicamente, e por consequência ter as mesmas experiências e qualidades conseguindo em conjunto chegar aos objetivos. Porém há uma organização misteriosa que pretende usa-los para o benefício de uma minoria.

Já dito em outras oportunidades, teria o domínio do cinema moderno e das grandes fortunas em película aquele que conseguisse estreitar a janela entre um lançamento nas telonas até a chegada as demais plataformas: canais por assinatura e hoje o estouro do “streaming”, ou ainda de melhor forma diretamente em todas as plataformas. A forma de lançar episódios para download (um por semana) foi quebrada pela plataforma Netflix mudando um pouco a maneira de assistir, podendo faze-lo (com tempo e paciência) de uma só vez. Mas talvez essa tenha sido uma das salvações da série.

Um projeto bastante ambicioso, uma vez que se passa em mais de oito países diferentes com uma logística monstruosa e um orçamento bastante alto, e também uma premissa de seres sensitivos que pode fazer tentáculos para qualquer parte da trama. O ambiente criado desde o início da série deixa os autores livres para criarem da forma que quiserem e manipular os rumos de acordo com a audiência inclusive, tendo um feedback praticamente imediato. E ainda com um espaço de tempo bastante primoroso para trabalhar uma suposta segunda temporada (já renovada).

Porém existem exageros considerados pelos espectadores bastante importantes como o seriado sendo quase uma biografia e pensamentos de Lana Wachowski, a co-criadora que coloca sua visão muito pessoal e intimista fazendo pesadas cenas de homossexualismo (as vezes desnecessárias), uma vez que em quase nada faria a diferença para os personagens. Lana é uma ativista e coloca muito de sua visão sem saber se o público está realmente interessado em suas premissas deixando o roteiro pesado e a trama vagarosa.

Por outro lado, desde a abertura o seriado se compromete com a qualidade das cenas, com não deixar nenhuma ponta desamarrada e com perspicácia suficiente para sair de situações complicadas. A ideia agora é deixar fluir e ver as surpresas que Sense8 nos apresenta daqui em diante.

Título Original: “Sense8”

Direção:  J. Michael Straczynski, Andy Wachowski, Lana Wachowski