nov 032018
 
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O ano é 1985. “Live Aid”. Shows ao vivo acontecendo simultaneamente em vários países diferentes. E qual é o único show que durou pouco mais de vinte minutos, em que se lembra perfeitamente? Certamente é o show do “Queen”. Indo neste caminho e partindo da premissa da eternização dessa passagem meteórica, “Bohemian Rhapsody” já pode ser considerado um clássico.

O filme conta a trajetória de Freddie Mercury e sua banda desde o início das primeiras incursões no meio musical até o final apoteótico no templo de Wembley. Com uma direção já conhecida e segura de Bryan Singer (X-Men) conseguimos facilmente encontrar o frontman em Ramy Malek (ator já conhecido e premiado pelo seriado “Mr. Robot”). Ainda que não tenha sido o primeiro ator escolhido para interpretar o vocalista da banda, o ator está simplesmente genial e certamente será lembrado pelos trejeitos estudados e perfeitamente coreografados para alcançar uma performance parecida com o ícone da música pop. Não será nenhuma surpresa se for agraciado com a estatueta.

Baseado em relatos verídicos “Bohemian Rhapsody” busca a essência musical na formação do “Queen” até seu apogeu e término com a descoberta da doença que liquidaria com a vida de Freddie. O filme trata de ser o mais verossímil possível, detalhando fatos da vida íntima de Freddie, sua solidão e insatisfação com o ser que sempre esteve preso dentro de si. E que com a banda ele conseguia fazer aparecer. Como em “O Médico e o Monstro”, se transformava quando em conjunto com sua família musical. Fora dela? Orgias e abuso de álcool e drogas acompanhado de pessoas as quais apenas interagiam falsamente atrás de alguma vantagem. Nota-se que em raros momentos o ator está sozinho ou sem interação com outros personagens, fato que acaba por ratificar os depoimentos colhidos.

Não se incomode com pessoas batucando nas cadeiras ou ainda batendo com os pés de forma espontânea no chão, tentando por exemplo seguir as batidas de “We Will Rock You”. É praticamente impossível não interagir tanto com o filme, quanto com a banda.

Um daqueles compromissos obrigatórios para quem gosta um pouquinho que seja de boa música.

nov 032018
 
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Visceral é a palavra que descreve bem “Nasce Uma Estrela”.

Apesar de ser um remake, o filme estrelado por Bradley Cooper e Lady Gaga avassala corações e os mais sensíveis neste “quase” drama musical. Ainda que olhos estivessem atentos e bocas ficassem tortas antes da estréia, nas primeiras cenas temos crédito o suficiente para entender que teremos um filme inesquecível sentimentalmente.

O famoso cantor e músico Jackson Maine (Cooper) encontra sem querer uma parceira para sua longa e sólida carreira, tanto musical quanto de vida. Sua nova musa Ally (Gaga) entende que essa é sua chance de sair do anonimato. Juntos a trilha do casal é problemática uma vez que ele possue sérios problemas com o álcool e que acabam comprometendo tanto carreiras, quanto vidas.

Logo nas primeiras cenas temos Ally com uma interpretação própria de “La Vie En Rose” da diva Edith Piaf em uma boate burlesca. Há dúvidas quanto a sua versão do clássico, mas não há dúvidas quanto ao talento de Lady Gaga como cantora. Sua versão atriz é boa, mas não verossímil e deixa escapar que é esforçada, mas não performática o suficiente para um papel tão intenso. A primeira opção para o papel seria de Beyoncé, que não conseguiu assumir o papel em prol de outros compromissos.

Em contrapartida Bradley Cooper é a cara da verdade. Um papel duro e com uma amargura profunda e sofrida que se consegue sentir nos primeiros momentos e também na voz embargada do ator (que canta todas as músicas). Nas vésperas da estréia do filme o ator falou publicamente de sua drogadição e alcoolismo anos atrás, vivenciando novamente a experiência e que o personagem acabara por se tornar seu alter ego.

A magia funciona não como um casal, mas sim quando entram em cena para colocarem seus prodígios frente aos microfones e ao público. Prepare-se para um oceano de lágrimas e a emotividade a flor da pele. Gaga e Cooper arrancam sorrisos e um choro compulsivo de forma tão fácil quanto quanto se dedilha um teclado escrevendo este texto.

Não há como não sem se emocionar.
E vale cada olhar marejado.

 

 

jul 262017
 
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Antes era difícil falar. Difícil de encontrar uma linguagem nas telas onde se conseguisse exprimir um sentimento ou uma sensação, e para tanto os diretores e roteiristas usavam de subterfúgios e metáforas tentando exemplificar as vezes o inexplicável. E sem dúvida Terrence Malick é um mestre na arte de fazer entender o incompreensível e confundir ainda mais o que as vezes é inexplicável. Porém em “De Canção em Canção” ele passa por muito do que os novos e antigos diretores tem passado: a difícil arte de falar fácil.

Em meio a cena musical de Austin, no Texas, dois casais partem para o desconhecido tentando encontrar a si mesmos – os compositores Faye e BV, e um magnata da música (Michael Fassbender) com uma garçonete – mas nem sempre o escuro pode ser confortável como se imagina. Perdidos em suas próprias vidas, acabam usando outras como muletas para chegarem onde seus corações mandam (ou exigem).

“De Canção em Canção” engana muito logo na primeira impressão pois trás um poster que lembra em muito filmes como “The Wonders” e “Sing Street, ou ainda a capa de um disco do U2. Mas esqueça qualquer tipo de referência a estes ícones mais agitados, pois a história é bem outra: apesar do filme ter uma trilha sonora deveras interessante e bem produzida combinando com o trabalho de primeira linha com a direção de arte, e ainda a câmera solta aliada a uma excelente trabalho de fotografia não compensam as duas horas de roteiro longo e arrastado onde até algumas cenas importantes chegam a chorar na tela de tão lamuriosas.

Uma expectativa que ficou muito aquém do esperado foi a de Ryan Gosling (hoje o queridinho de Hollywood) – quem tem variado entre bons trabalhos (La la Land) e alguns tropeços sem motivo (Dois Caras Legais) – que parece ter a mesma cara em todas as cenas, não conseguindo em momento algum entrar no filme. Apesar do elenco oscarizado de Natalie Portman, Rooney Mara, Cate Blanchett, dentre outros também importantes, a coisa continua no mesmo ritmo por ininterruptas e longas duas horas de duração. O que pode diferenciar e talvez chame mais atenção do que as próprias estrelas cinematográficas, são as presenças (quase) insólitas de Iggy Pop, Red Hot Chili Peppers, Patti Smith e uma aparição sem motivo de Val Kilmer. É quase como assistir a um filma da Marvel, só pra procurar o Stan Lee em alguma cena. Uma pena.

Malick fica tão modesto em seus detalhes que realmente não são percebidos. Não há como. Menos ousadia na próxima vez, Malick. Menos. Bem menos. Minhas sinceras desculpas aos adoradores de filmes arrastados e contemplativos, mas esse passou dos limites…

jan 312017
 
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Diante tantas correrias, sangue, socos e bombas que o cinema americano atual nos proporciona, “La La Land” de Damien Chazelle vai na contramão de tudo e quase contra todos, mostrando que cinema de qualidade ainda se faz com bons atores e atrizes comprometidos com o espirito de uma boa produção, roteiro e amor a sétima arte.

Depois da pedrada de “Whiplash” em 2015, Damien nos mostra a simplicidade que pode se ter no gênero um tanto quanto esquecido e “escanteado”, mas que normalmente quando aparece faz muita graça (“Moulin Rouge“, “Chicago“, “Mamma Mia“, etc) e que ao mesmo tempo pode ser empolgante, dramático, engraçado e ainda ter um enlaces no final de literalmente tirar o chapéu. O filme “La La Land” acaba desfranzindo também muitos rostos de menos aficionados no gênero, que normalmente esperam uma obra pesada e cheia de cantorias. Não! A “cidade das estrelas” é contada com muito gosto, como se mostra na cena inicial: com um plano sequência em “travelings” comuns a magia acaba por se fazer em um dos lugares mais monótonos para os dias de hoje – um trânsito caótico. A produção também é um deleite a parte e feita com carinho, onde as roupas dos personagens vão tomando cor de acordo com cada estação apresentada durante o longa.

Obviamente Ryan Gosling e Emma Stone estão muito longe de serem comparados a Gene Kelly e Debbie Reynolds (Cantando na Chuva), ou ainda com John Travolta e Olivia Newton-John (Grease), porém há de se elogiar o empenho de ambos em trazer vida própria aos personagens. Gosling por exemplo, teve de aprender a tocar piano em tempo recorde (e de forma excelente) para não usar dublês, uma vez que iria contracenar com o músico John Legend, enquanto que para Stone dançar nunca foi atributo para seu corpo diminuto e franzino. Outra presença ilustre é a de Tom Everett Scott, que fazia o líder da banda The Wonders, no filme de mesmo nome.

Ainda o filme nos faz reviver diversos outros clássicos em pequenas gotas e em doses homeopáticas, trazendo de volta uma mágica especial mas não excepcional. “La la Land”, apelido carinhoso da cidade de Los Angeles, nos faz sonhar novamente, e em determinados momentos consegue com tanta força que pode tanto nos prender na cadeira quanto nos tirar no chão em voos e saltos longínquos: exatamente como a vida deve ser.

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set 172015
 
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Cinezone - Ricki And The Flash Poster

Falar de Meryl Streep é quase como chover no molhado, ou ainda enxugar gelo: uma vez em cena a oscarizada atriz sempre arrebenta corações e faz de seu papel quase um ingresso a ser pago a parte. E no caso de “Ricki and The Flash” vale muito!

A rockeira Ricki há muitos anos resolveu deixar marido, família e uma vida cômoda no lar para se aventurar e fazer o que gosta: cantar, tocar sua guitarra e sair pela estrada rodando com sua banda “The Flash”. Porém após o telefonema de seu ex-marido, decide retornar onde tudo começou, pois sua filha Julie está passando por uma grande crise de depressiva pelo término do recente casamento. Sombras do passado ressurgem e a então ovelha negra da família tem que se posicionar. Nem que seja à sua maneira…

Dificilmente vemos sincronias tão grandes e ajustes tão simétricos quanto este filme de Jonathan Demme (mais conhecido pelo vencedor da estatueta de melhor ator com Tom Hanks em “Philadelphia” e pelo clássico “O Silêncio dos Inocentes“) . A roteirista do momento Diablo Cody coloca mais uma vez em pauta uma de suas experiências de vida para dar vida aos personagens. Também em outra oportunidade já fora premiada como roteirista por “Juno“, onde revela sua veia escrita no cenário hollywoodiano.

Mas as coincidências nem sempre são por acaso: Maryl Streep e Mammie Gummer que representam mãe e filha respectivamente, também são mãe e filha na vida real, o que acabou facilitando e muito as atuações transformando determinadas cenas, trazendo uma verossimilhança quase irreparável. Outro fato que acaba se tornando relevante é de que Mammie já passara por situação idêntica com seu casamento: uma separação tumultuada e nos mesmos moldes do filmado. Neste momento a metalinguagem se vê como quase obrigatória e necessária.

O filme na medida em que vai acontecendo, também vai ampliando a dimensão sem ser piegas ou cansativo dando cada vez mais emotividade e verdade aos atos (fatos). As atitudes de Ricki e o movimento de ir atrás de seus  objetivos e principalmente sua felicidade, sem olhar para trás e de ser feliz sem pedir licença se justificam a cada momento mais fortes. Meryl Streep consegue fazer uma Ricki ser simples e singular: o suficiente para ser a mãe ausente e talvez arrependida em determinados momentos, porém de cabeça erguida por ter feito as escolhas erradas. E talvez as mais certas.

“Ricki and The Flash” é um daqueles filmes sinceros e emocionantes. O final é quase apoteótico. Tanto quanto sua protagonista que dá nome a obra.

 

 

Título Original: “Ricki and The Flash”

Direção: Jonathan Demme

jan 132015
 
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TMPC WHIPLASH

Quando se ouve falar que determinado filme ganhou em Sudance (festival que premia os melhores roteiros, idealizado por Robert Redford) pode-se ter a certeza de um bom filme. No mínimo um roteiro ótimo e com uma idéia original. Pois “Whiplash” é mais uma das certezas este ano.

A obsessão de um garoto para chegar ao estrelato fazendo o que gosta chega ao extremo, e muitas vezes as vias de fato: Andrew (Miles Teller) é um baterista adolescente e que tem por objetivo tocar nas melhores bandas do mundo, e para isso se inscreve em uma das melhores escolas de música do país, mesmo sabendo que teria como mentor o temido professor Fletcher (J.K. Simmons). A empatia e o clima de tensão é imediato.

Musicalidades a parte, “Whiplash” nos traz uma história semelhante a muitas outras entre aluno e professor, estudo e superação, atleta e treinador, porém o diretor consegue fazer com que o público respire muito fundo para entrar no clima acirrado que o filme propõe. Sempre com câmeras inusitadas e nos lugares certos, a “busca pela perfeição” é insistente e bastante madura, longe do clichê. As quebras de eixo entre os personagens nas cenas de diálogo demonstram de forma simples as passagens que exigem menos compreensão do espectador fazendo com que fique claro a intenção de tentar embasar e situar, ao mesmo tempo de tentar criar uma complexidade sentimental um pouco maior nos personagens. Sempre nos “closes“, os embates mais fortes, as cenas mais pesadas e que tendem a balizar a história.

A fotografia também é um trabalho muito positivo da direção no momento em que se consegue transmitir as sensações dos lugares e quando em muito os momentos de razão/emoção dos personagens. O clima é sensível e pertinente a cada momento. Nada que as coisas mais simples nos momentos mais concretos. Belo acerto.

Fazer das tripas, coração: quando um filme consegue tirar emoções fortes do público, já pode ter conquistado seu objetivo. Momentos que fazem a platéia subir na cadeira e em muitos perder o fôlego com as performances de Andrew, ou ainda franzir o rosto tentando entender o sadismo de Fletcher em busca de seus objetivos. Um filme para ser degustado, para ser visto e ouvido com toda calma (ou fervor). Um filme para ser apreciado por aqueles que gostam/conhecem boa música. Um filme para ser visto e apreciado por aqueles que amam cinema tanto quanto respirar. Prepare-se para suar frio. Para sentir a cada batida do bumbo, a cada toque de caixa, a cada estalar de pratos, o coração sair pela boca… um filme e tanto.

Qualquer elogio será pouco. Para ser visto e revisto.

 

 

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Metallica – Through The Never (2013)

 Blogger, Daniel Arrieche, Musical  Comentários desativados em Metallica – Through The Never (2013)
out 062013
 
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metallica

Apenas vá aos cinemas se realmente for um daqueles fãs fervorosos da banda, assim como eu. Onde se esperava um filme, encontra-se um show. Sim. Uma excelente apresentação de James Hetfield e tua trupe em um ambiente fechado, com espetáculos realmente impressionantes de luzes e ações monstruosas em um palco especialmente projetado para o filme. Em “Through The Never” a presença de outros atores ou roteiro é meramente paliativo e bastante dispensável, com um roteiro fraquíssimo (se é que se pode chamar de roteiro) e às vezes até sem muito nexo. Em raros momentos as inserções de um filme coincidem com o que é tocado em palco. O palco em si é uma obra de arte, com cadeira elétrica em “Ride The Lightning”, fogos e uma verdadeira guerra auditiva em “One”, crucifixos emergindo em “Master Of Puppets” e a quase destruição total em “… And Justice For All”. Talvez nas mãos de um diretor de verdade (como Allan Parker a coisa realmente funcionaria). Outro detalhe importante pra você que não está interessado em gastar muito: o 3D é completamente dispensável, e pode-se perfeitamente assistir toda a obra sem aqueles irritantes óculos. Repito: apenas vá aos cinemas se realmente for fã de Metallica… caso contrário, aguarde o lançamento nas lojas.

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