jan 302018
 
Author Rating / Nota do Autor:

A arte de crescer não é nada fácil. E é justamente este o tema principal de “Lady Bird”, onde uma adolescente de classe média (Saoirse Ronan) tenta se adaptar ao meio onde vive passando pelas fases e dificuldades, dúvidas e escolhas típicas da idade. Mas o pássaro prestes a bater as asas e talvez voar, tenha um pouco mais a nos dizer neste singelo filme da atriz Greta Gerwig.

Apesar de ser o primeiro filme de Greta na direção, possui traços firmes de que não fez apenas um filme de adolescentes em crise de identidade, mas também mostra que pode ter maturidade para assumir novas responsabilidades a partir daqui. Ainda que “Lady Bird” não seja auto-biográfico, muito se tem da diretora: a mãe da protagonista é uma enfermeira, tal qual a mãe da diretora também é na vida real. Em entrevistas a diretora Greta comenta que sempre teve um comportamento completamente oposto a da atriz principal e que tinha comportamentos exemplares: talvez justamente aí possam estar todos, ou a grande maioria dos paradoxos.

Além da vida adolescente de “Lady Bird” McPherson, o foco traz à tona a difícil relação com sua mãe, que revela em meio a uma das discussões que não teve uma mãe com quem pudesse dialogar francamente. Porém justamente esta é a dificuldade: tentar a aproximação com alguém tão próxima e ao mesmo tempo tão distante, tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais.

Certamente “Lady Bird” bebeu em outras fontes, e de fato o espectador encontrará semelhança em outras obras. Mas com toda certeza em algum momento conseguirá se identificar (e talvez até se emocionar) com alguma passagem, e fará questão de se remeter a própria adolescência e questiona-la da mesma forma que Christine McPherson acaba por fazer. Quem nunca se arrependeu de algo, e apesar de ter voado um mundo inteiro, gostaria de voltar e fazer diferente? Talvez não melhor, mas diferente.

Definitivamente, como já falava e esbravejava o músico Belchior: “Ainda somos os mesmos, e vivemos como nossos pais…”

jan 022018
 
Author Rating / Nota do Autor:

Tudo tem seu início, meio e fim. Ou fim, início e o meio como já cantavam Raul Seixas e seu fiel escudeiro e escritor Paulo Coelho. Fato é que o último filme da saga “Guerra Nas Estrelas” ainda tem muito a contar: e não é mais do mesmo. Ao assistir “Os Últimos Jedi” é sensível sentir o poder do cinema novamente na veia dos envolvidos, e consequentemente dos espectadores. A lenda tentara se erguer em “O Despertar da Força” quando uma turma de competentes roteiristas, produtores e diretor (sob supervisão) resolveu retomar o projeto com gana. O resultado trouxe de volta a expectativa de grandes heróis e vilões em uma história não tão peculiar, mas o suficiente para dar o primeiro impulso.

Em “Os Últimos Jedi” o carro sobe a lomba com uma velocidade precisa, trocando de marcha gradativamente e acelerando com tudo no final. O piloto sai do carro com o dever cumprido e gosto de quero mais. E tem mais, muito mais. A “essência” está de volta. Neste novo capítulo tudo parece estar de volta e com uma precisão cirúrgica: o roteiro bem construído com reviravoltas e diálogos nada enfadonhos, tendo ainda até algumas alfinetadas na cultura americana e no “lifestyle” mundial, seguido de tramas quase complexas tal qual os demais, assemelhando-se em muito com o que a saga original trazia também.

A inserção de novos atores como Benício Del Toro dão novos ganchos e novo fôlego a possíveis prequels, bem como a destruição de ícones antigos faz com que a renovação seja algo natural. A presença de Mark Hamill é fundamental para a construção disto tudo e até a ponte para um final quase apoteótico. Falar de mais personagens atitudes seria quase um spoiler imperdoável.

Ainda que seja o mais longo dos filmes da saga, não se torna cansativo e tampouco pedante, mas muito pelo contrário: É bárbaro, décadas depois, ver os espectadores saindo do cinema e cantarolando a trilha de “Star Wars”… e obviamente aguardando pelo próximo.