fev 102017
 
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Fé. Dizem que a fé move montanhas. A nova produção para a Netflix chamada “The OA” é uma complicada e vasta trama que exige um pouco de conhecimento, imaginação, e principalmente acreditar no que seus olhos vêem (ou não).

A história nos apresenta Prairier Johnson (Brit Marling) que reaparece após sete anos desaparecida – com a capacidade de ver depois de anos de cegueira e uma incrível história. Tão incrível que ela só compartilha com um pequeno grupo de que ela cria, sendo a maioria adolescentes e mais uma professora. Nem mesmo seus pais, que passaram os anos procurando desesperadamente por ela, sabem da verdade. Ela é perseguida e desacreditada pelos holofotes, mas reclusa em seus próprios devaneios e desventuras cósmicas.

Há tempos não temos uma séria tão expansiva e trincada, com possibilidades e teorias quase infinitas sobre os acontecimentos ao longo de cada um dos oito episódios. A série mistura literatura e misticismo, ciência e premonições, juntamente com detalhes soltos sobre os personagens que vão sendo apresentados: cada detalhe é importante para construção do ambiente. Conforme a atriz (e também roteirista) comenta: “você precisa ter uma narrativa que seja suficientemente robusta para sobreviver a toda essa expectativa”.

A história se apresenta bastante emocionante e cheia de nuances de que será mais um dos expoentes midiáticos como tantas outras, chegando a comparações com “Stranger Things” (também sucesso do Netflix). Mas nem tudo que reluz é ouro: a trama possui falhas e deixa várias pontas e laços abertos ao longo dos primeiros episódios até que a engrenagem lunática se faça justa e equilibrada, fazendo com que tudo possa ser desacreditado. A partir do quarto episódio o roteiro toma novo fôlego e vai até o final crepitante e incrédulo até o fantástico e inesperado desfecho. É de arrepiar.

Ainda não existe a certeza de uma segunda temporada segundo os produtores, pois a quantidade de informações sugeridas e novas teorias que surgem a cada momento nas redes sociais fazem com que a demora para movimentar este “gigante” seja bastante longa e densa, tanto quanto a vida da própria protagonista, podendo levar muito mais tempo do que se imagina. Assim como é dito por um dos personagens marcantes e mágicos na série: existir é sobreviver às escolhas injustas.

Faz-se jus ao próprio “The OA”, que nasce grande. E com grandes responsabilidades.

 

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fev 032017
 
Author Rating / Nota do Autor:

Sim, a vida é uma caixinha de surpresas. Boas ou ruins, normalmente são inesperadas, isto quando não certas e até conclusivas. Fato é que deve-se enfrenta-la de frente e assumir os erros e acertos em seu tortuoso caminho, ciente de quer o homem é um ser falho e capaz de encontrar atalhos nas trilhas menos óbvias. Em “Manchester À Beira-Mar“, o diretor e roteirista Kenneth Lonergan nos mostra que nem sempre é possível, e nem sempre se é forte o suficiente para sequer vê-la de lado apenas.

Na história, Lee Chandler se vê forçado a retornar para sua cidade natal com o objetivo de tomar conta de seu sobrinho adolescente após o pai do rapaz, seu irmão, falecer. Tudo complica quando Lee precisar enfrentar os demônios que o fizeram ir embora e deixar sua família e amigos para trás, anos antes.

O início traz o ator Casey Affleck com uma aparência desleixada, como quem não quer interpretar. Mas com o andar da carruagem vemos que é justamente este seu papel: um ser atormentado e sem forças para viver, um homem sem motivos para levantar da cama pela manhã. A angústia de sua atuação cresce a cada cena fazendo com que “Manchester À Beira-Mar” seja talvez seu grande auge. Já atuara em outros dramas como “Tudo Por Justiça” e “Interestelar“, mas em nenhum deles foi tão grande como agora. A relação com Michelle Willians (Randi) parece que existe há muitos anos, de tão marcante.

Um drama angustiante e as vezes claustrofóbico, uma vez que os protagonistas estão presos dentro de suas próprias vidas. A visão nua e crua da vida traz um bom prato para que o diretor se sinta a vontade para mergulhar em dramas existenciais, fazendo bom uso de flashbacks para que onespectador entenda o sofrimento de todos, e consiga (ainda que por breves momentos) se colocar no lugar de cada um dos atingidos por suas tragédias pessoais. O bom uso das trilha sonora sem parece piegas demais ajuda nos pontos chaves.

Um filme na medida, mostrando nada mais do que a vida como ela é, pode ser, e provavelmente será com cada um de nós. A resiliência pode ser extremamente necessária para compreender toda a magnitude de mais um (merecidamente) concorrente ao Oscar.

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