jul 302015
 
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Samba Poster Cinezone

 

O novo filme da dupla Olivier Nakache e Eric Toledaro, responsáveis em 2011 pelo estrondoso sucesso de “Intocáveis” – que bateu todos os números da bilheteria francesa (e com razão) – vem agora com “Samba”. A adaptação de um livro que conta a história de um senegalês que vive de pequenos trabalhos pela França atual, porém frequentemente metido em confusões acaba na seção de imigração, onde conhece a assistente social Alice. A empatia dos dois é imediata, uma vez que ambos possuem problemas pessoais e de esferas diferentes. Porém nem tudo são flores.

A ideia dos diretores franceses não é nova e tampouco original, porém o enfoque em buscar a felicidade dos imigrantes e as dificuldades de mercado de trabalho (juntamente com a xenofobia) sem parecer piegas ou pedante é um mérito. O sofrimento visto em outras produções como degradante ou até miserável, aqui não traz importado as mazelas dos países de onde são oriundos, mas sim a luta e a insistência em estar em um lugar onde há esperança. Por ínfima que seja. Porém há.

O ator Omar Sy é quem praticamente carrega o filme sobre os ombros, uma vez que os coadjuvantes pouco ajudam e fazem se parecer até os burocráticos ingleses. Destaque a parte fica por conta de Tahar Rahim que traz um pouco de graça a história, com seu drama paralelo de nacionalidade múltipla e desconhecida onde as vezes nem mesmo seu nome sabe ao certo…

O nome do filme não se justifica especificamente pela musicalidade, mas sim pelo nome do protagonista: “Samba Cissè” e pelo fato de o filme ser livremente inspirado no livro “Samba Pour La France”. Mas é claro que a trilha sonora acaba se confundindo com personagens e tornando-se uma espécie de cortina bem colocada nos episódios mais icônicos. A descontração fica por conta de Gilberto Gil, Tom Jobim, Djavan e Jorge Bem Jor (na época sem “Jor”).

Não podemos definir a obra como comédia, drama ou simples entretenimento. Mas sim como mais uma das muitas histórias do cotidiano europeu que diariamente acolhe e recebe gente de todos os países: como trabalhadores, como imigrantes, como turistas… como pessoas.

 

Título Original: “Samba”

Direção:  Olivier Nakache e Eric Toledano

jul 162015
 
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Sense8 Cinezone  Poster

 

Os irmãos Wachowski ficaram conhecidos pela trilogia Matrix, de 1999 e que revolucionou a maneira de fazer cinema, uma vez que inovaram tecnologias, referências e tendências sobre a sétima arte. Há quem diga que ali existiu um marco de como se fazia, e como fazer: o que não discordo apesar de achar um pouco de exagero, uma vez que já tivemos diversos pontos de virada e desdobres significativos na era moderna como as transposições de Welles, os vértices de Kubrick, dentre outros expoentes. Pois Andy e Lana (antes Larry) entraram de cabeça no ambicioso “Sense8”, produção exclusiva para o Netflix.

O seriado conta a complexa história de oito pessoas de distintas partes do mundo que, sem razão ou motivo aparente começam a se relacionar umas com as outras psiquicamente, e por consequência ter as mesmas experiências e qualidades conseguindo em conjunto chegar aos objetivos. Porém há uma organização misteriosa que pretende usa-los para o benefício de uma minoria.

Já dito em outras oportunidades, teria o domínio do cinema moderno e das grandes fortunas em película aquele que conseguisse estreitar a janela entre um lançamento nas telonas até a chegada as demais plataformas: canais por assinatura e hoje o estouro do “streaming”, ou ainda de melhor forma diretamente em todas as plataformas. A forma de lançar episódios para download (um por semana) foi quebrada pela plataforma Netflix mudando um pouco a maneira de assistir, podendo faze-lo (com tempo e paciência) de uma só vez. Mas talvez essa tenha sido uma das salvações da série.

Um projeto bastante ambicioso, uma vez que se passa em mais de oito países diferentes com uma logística monstruosa e um orçamento bastante alto, e também uma premissa de seres sensitivos que pode fazer tentáculos para qualquer parte da trama. O ambiente criado desde o início da série deixa os autores livres para criarem da forma que quiserem e manipular os rumos de acordo com a audiência inclusive, tendo um feedback praticamente imediato. E ainda com um espaço de tempo bastante primoroso para trabalhar uma suposta segunda temporada (já renovada).

Porém existem exageros considerados pelos espectadores bastante importantes como o seriado sendo quase uma biografia e pensamentos de Lana Wachowski, a co-criadora que coloca sua visão muito pessoal e intimista fazendo pesadas cenas de homossexualismo (as vezes desnecessárias), uma vez que em quase nada faria a diferença para os personagens. Lana é uma ativista e coloca muito de sua visão sem saber se o público está realmente interessado em suas premissas deixando o roteiro pesado e a trama vagarosa.

Por outro lado, desde a abertura o seriado se compromete com a qualidade das cenas, com não deixar nenhuma ponta desamarrada e com perspicácia suficiente para sair de situações complicadas. A ideia agora é deixar fluir e ver as surpresas que Sense8 nos apresenta daqui em diante.

Título Original: “Sense8”

Direção:  J. Michael Straczynski, Andy Wachowski, Lana Wachowski

jul 032015
 
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Cinezone Terminator Poster

 

E mais uma vez renasce Arnold Schwarzenegger na carcaça do robô T-800 com “Exterminador do Futuro: Gênesis“. O novo filme da franquia tenta trazer de volta a mágica fórmula que tornou o ex-governador da Califórnia em astro pop, e até hoje com milhares de seguidores. No papel foi eternizado como a máquina responsável por eliminar o líder da rebelião contra os ciborgues criados a partir da Skynet. A nova película dirigida por Alan Taylor tem seus erros e acertos, mas não consegue alcançar o tom dos clássicos dirigidos por James Cameron.

Estamos em 2029 e a resistência liderada por John Connor está prestes a um passo de definir a batalha contra as máquinas, quando acontece a necessidade de voltar ao passado e novamente proteger a genitora Sarah Connor da morte. Para tanto é escolhido o Sargento Kyle, braço direito e homem de confiança.

A ideia de trazer Schwarzenegger novamente pode ter rendido bons frutos junto as bilheterias em um filme com efeitos pirotécnicos e visuais muito impressionantes, porém não consegue ter a mesma fórmula dos anteriores. Infelizmente a mão de Alan Taylor (conhecido pelo segundo filme da franquia Thor) não é tão eficiente quanto os demais e o status de clássico fica longe de ser alcançado. A história de idas e vindas dos personagens faz com que trama seja confusa e com explicações que deixam o público um tanto perdido, porém isto é facilmente superado quando a ação é colocada em prática – é o que realmente se faz valer – e consegue elevar a cabeça do espectador novamente para a tela. O ator, ainda que com idade avançada, consegue dar conta do recado não tão monossilábico e quase (eu disse quase) emotivo, conseguindo inclusive criar novos jargões característicos do personagem cibernético. A passagem do tempo para o ator é explicada de forma sensata.

A decepção fica por conta do elenco de apoio. Ainda que faça sucesso estrondoso como a Daenerys Targaryen de “Game Of Thrones“, a atriz Emilia Clarke ainda que esforçada não traz nem o cheiro da musculosa e rasgada Sarah Connor interpretada de forma vigorosa por Linda Hamilton. Falta carisma e presença para trazer à tona a heroína e mãe do salvador dos humanos. Salvador que também acaba ficando inócuo: em determinados momentos fica quase desinteressante sua presença no filme (impossível também não compará-lo a Edward Furlong ou ao classudo Christian Bale).

Mas nem tudo está perdido ou deixa de ser interessante. A ação e a aventura imposta em alta escala acaba por cobrir algum furo de roteiro ou deslize entre idas e vindas, ou ainda alguma outra atuação apagada (como a do oscarizado J. K. Simmons). A trilha sonora também apresenta uma boa surpresa (gabba gabba hey!). Quem sabe é apenas um reinício para a saga? É válido aguardar os próximos capítulos.

Asta La vista, Baby!

 

 

Título Original: “”Terminator Genisys”

Direção: Alan Taylor