abr 302015
 
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O novo filme dos vingadores dividiu públicos, fãs, cinéfilos e críticos. A nova saga da trupe Marvel continua o último filme com uma expectativa exagerada, uma ânsia de rever os heróis baseados no sucesso da estréia do primeiro e acaba por fazer morna a opinião dos mais afoitos. Logicamente que os filhos de quadrinhos irão gostar pois não é sempre que temos Homem de Ferro, Thor, Capitão América, Hulk, dentre outros tantos em uma única película, e o melhor: trazendo novos personagens.

A trama segue em volta de defender o mundo, desta vez contra um inimigo imaterial criado pelo próprio Tony Stark com a ajuda do Dr. Banner. Sem querer, o experimento toma forma, consciência e vida própria com uma força descomunal se chamado Ultron. O ser criado é malévolo e parte para a teoria da destruição para a evolução. Entre outras palavras: é necessário o fim do planeta para construção de um mundo melhor.

O filme não é por si só apenas pancadaria, pois trás uma tentativa rasa de levantar alguns temas como família, onde o Gavião Arqueiro possui dúvidas entre lutar e ficar com sua esposa e filhos. Também como em outros filmes da franquia, o armamento bélico produzido pelas indústrias Stark e a responsabilidade frente o “consumidor final” de seus produtos. Mas nem tudo está perdido. Um dos pontos fortes está justamente nas contradições do “ser” herói e na “humanização” como por exemplo na relação da Viúva Negra (Scarlett Johansson) e do gigante verde onde um romance impossível pode destrinchar a inquietude do auto-destrutivo isolando ainda mais o que não pode ser separado: o homem do monstro de cada um.

Outro acerto e que acaba ganhando confiança aos poucos é Ultron, que interpretado por James Spader vai do ódio pelo próximo ao amor a si mesmo instantaneamente. A soberba do veterano ator trouxe um toque especial e peculiar ao simbionte de lata, onde entre a ingenuidade e frases prontas acabam por emergir no público um efeito por vezes encantador. Ainda podemos citar a inserção dos gêmeos Mercúrio (que fica muito longe do criado por Evan Peters para”X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido“) e Feiticeira Escarlate que de fracos e sem expressão passam a vitais na trama, e também para a próxima aventura, bem como o carismático Visão (sempre bem e inexplicavelmente sempre conduzido a papéis secundários, Paul Bettany) que acaba por ser o revés direto de Ultron.

Não saia da sala de cinema antes do término dos créditos, pois apos as letrinhas subirem, tem surpresa logo ali.

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abr 302015
 
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Better-Caul-Saul-Poster

 

Definitivamente a série “Better Call Saul” conseguiu apaziguar e amenizar os viúvos da AMC. Saudosos ainda com os eternos Walter White e Jesse Pinkman, a tendência imediata seria fazer uma comparação entre as duas séries. Porém o objetivo é contar o que se passa seis anos antes de Breaking Bad: a história e o início da vida profissional de James McGill, o advogado “chave de cadeia” e com clientela bastante peculiar na cidade de Albuquerque. Após dez episódios já pode-se tirar muitas conclusões e observar determinantes fatos que irão reger a vida e os negócios do bom, velho e eterno perdedor.
A mão do diretor Vince Gilligan rege o clima agreste, mas antes trazendo um herói cansado e atrás de um balcão de uma loja de frangos ao estilo “KFC”. De forma atemporal, não há como definir ao certo quem é aquele ser que está longe do que conhecemos. Em seguida entramos para conhecer o bobo Jimmy, que ainda com pouca malícia para o mundo vai vivendo de seus poucos conhecimentos procurando fazer o melhor e sem agredir a “moral e bons costumes” de qualquer cidadão.

A cada episódio vamos apontando falhas e qualidades tanto do personagem como do próprio seriado, que apesar de um clima mais lento não deixa de ter o brilhantismo da série que derivou. Ainda como “brinde” temos as aparições inusitadas como do sombrio ex-policial Mike, o qual certamente veremos muito mais e também tem muito mais a contar, quiçá ter sua própria série também. O barril de pólvora Tuco está entre as aparições, e já sabemos que a segunda temporada (confirmada para 2016) também contará o pouco da história que conhecemos do tio Hector Salamanca.

De toda sorte que “Better Call Saul” precisava para uma boa estréia e consolidação do novo seriado como um novo início, um bom motivo, ou ainda uma brecha na lei para que o advogado mais conhecido (e carismático) dos últimos anos pudesse entrar com uma ação, indo de réu a “promotoria”…

 

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abr 292015
 

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Uma câmera estática. Na Jacuzzi um homem descansa aos fundos de sua mansão. Enquanto isso os créditos vão passando e alimentando o necessário de informações. Logo após o homem sai da piscina e vai se recolhendo e desligando cada luz da casa até que tudo fique em silêncio. Este é o início de “Casa Grande“, que começa de uma forma diferente e cheia de expectativa, mas que acaba esbarrando em novos erros velhos.

A obra traz um cinema sem clichês e que tenta ser melhor do que realmente é, escapando do cinema nacional mais clássico onde a câmera rápida com os diálogos ríspidos e putaria se acomodam. Mas apenas tenta.

Não adianta somente a tentativa de ser um filme com críticas sociais (diálogos perdidos tentam contextualizar as cotas raciais, mostrar as diferenças entre classes e/ou ainda envolver personagens que não se encaixam nas cenas). Existe complexidade nas cenas e o espectador consegue ficar grudado nos momentos, que não conseguem ser angustiantes ou cômicos ao menos. A ideia de mostrar a nova sociedade formada pós crise governamental declarada é original e tem um “que” de perspicaz. Mas não arranca, não decola. Nos pudores de um roteiro simplista que não sabe exatamente onde vai, nem o que quer, perdemos uma história que poderia ser complexa e melhor tramada.

Um cinema diferente por exemplo no ótimo “O Lobo Atrás da Porta” onde apesar do final não ser exatamente o que se espera, é real e crú, como a vida muitas vezes (ou quase sempre) o é. Ou ainda do inesperado “O Som ao Redor” que tem controversas opiniões e faz com que a crítica ao menos se movimente ante o social.

Em “Casa Grande” vale a tentativa da inovação. E paramos por aí.

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abr 142015
 
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The-Humbling-Poster

 

Falar de Al Pacino é como chover no molhado. Um ator que, durante toda sua carreira interpreta a si mesmo e ainda assim consegue se salientar ante os grandes sem perder a suposta majestade, definitivamente tem seus louros merecidos. Há algum tempo nosso inesquecível “Scarface” não mostrava as unhas.

Em “O Último Ato” o ator Simon Axler está em franca decadência de público e crítica, quando resolve em um ato desesperado e de pouca (talvez muita) lucidez cair do palco em sua última peça. Após frequentes sessões de terapia via Skype, seu psiquiatra resolve interna-lo em uma clínica para reabilitação onde tem uma estada entre malucos e mal resolvidos. Logo após acaba retornando para casa e lá é recebido por sua jovem afilhada (Greta Gerwig): fã incondicional e lésbica assumida. A partir deste momento o ator começa a rever seus conceitos.

O retorno as telonas lembra em muito o recente “Birdman“, porém sem o fantástico de Iñárritu, onde a confusão ente imaginação e realidade é frequente. Neste caso o público na maior parte do tempo sabe onde pisa e consegue discernir os momentos mágicos frutos da mente, daqueles reais. Pacino ainda consegue fazer um mix de todos seus papéis memoráveis em um só, trazendo forte presença de trejeitos que o fazem lembrar sempre e em alguns momentos buscando até (sacrilégio) Woody Allen a lembrança.

Um novo filme pode trazer um novo pulmão para o ator que consegue circular sem problemas entre o drama e a comédia com uma incrível rapidez que pouco se vê fazendo, com que o público se identifique em diversos momentos (a impagável parada na clínica veterinária). A versatilidade é indiscutível dando mérito também ao diretor que, entre câmeras distantes e primeiro plano consegue fazer bem a tradução da obra do escritor Philip Roth. Em certos momentos “O Último Ato” pode parecer cansativo, massante e por vezes até sonolento porém sempre grandioso, como o sempre Al Pacino.

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abr 072015
 
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TheFall_OMPC

 

Quando se sabe do lançamento de uma série policial, a primeira ideia que temos é: “mais uma de detetives e serial killer como as outras… mais um CSI (Miami/Nova York/Cyber), mais um Criminal Minds, Law & Order, Cold Case, apenas mais uma série tão longa e pouco interessante quanto as outras. Mas às vezes surge uma luz no final do túnel. Desta vez ela veio com “The Fall”.

Um tanto quanto diferente dos demais seriados, a trama se passa em Belfast na Irlanda do Norte onde a detetive Stella Gibson é a responsável por caçar um assassino metódico. O vilão é um pai de família acima de qualquer suspeita: (interpretado por um Jamie Dornan muito distante do apático Sr. Grey de “Cinquenta Tons de Cinza”) casado e pai de dois filhos, trabalha durante a noite onde pode encobrir seus assassinatos e modo operante. Durante a caçada, eventos paralelos vão acontecendo com um limiar muito pequeno tanto para a polícia quanto para o maníaco, e a tendência é que as linhas se cruzem com o andar da carruagem, acirrando ainda mais a luta entre o “gato e o rato”.

Os seriados produzidos pela BBC geralmente são bem produzidos e costumam primar pela qualidade, e em “The Fall” não é diferente. O gélido ambiente do norte irlandês vem a calhar com a frieza dos assuntos e com a meticulosidade nas intenções. Como em uma das falas da detetive Gibson: – o diabo está nos detalhes. A detetive é um elogio, sendo que a intérprete é a ótima Gillian Anderson. Já conhecida em seriados do tipo por “Arquivo-X” e mais recentemente como a psiquiatra do canibal em “Hannibal“, ela é uma estrela a parte que revigora o personagem da mulher de ferro: impenetrável, imponente e sem piedade, ao mesmo tempo tendo a fragilidade suficiente para separar o correto do justo, e o certo do coerente.

Ainda há, utilizando a figura de Gillian Anderson, um cuidado na personificação da mulher tanto em situações de risco, quanto na necessidade de valorização do ser como potencial e vivo, capaz de enfrentar riscos e assumir posições de frente e comando. Porém ao mesmo tempo que não deixa de ser o sexo frágil na condução de assuntos mais pertinentes a feminilidade (demonstrados em diversos aspectos como pintura das unhas, poder de sedução usado a seu favor, violência sendo combatida com inteligência e meios legais, ou ainda os pequenos detalhes de roupas e cabelos, que não escapam a direção nem aos continuistas).

Há quem diga que a mini-série da Rede Globo “Dupla Identidade” é uma cópia descarada da obra de Allan Cubitt. Se for, a fonte de inspiração é excelente, porém é uma pena o acervo ser tão pequeno vista a riqueza de criatividade de um país como o Brasil. Hoje, salvo raras exceções como Luther (que está sendo “americanizada” para 2016), The Killing (adaptação da dinamarquesa “Forbrydelsen” – e que felizmente parou na terceira temporada) e a espetacular “True Detective”, dificilmente encontramos uma série tão bem produzida e conduzida. Já está prevista a terceira temporada para 2016.

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