set 172017
 
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Sempre tive um certo receio de aceitar o Netflix como uma de minhas fontes bases de catálogos de filme. Sempre usei as salas de cinema como grandes templos de adoração, usando os torrents como segunda plataforma para assistir filmes mais recentes. De tanta insistência me rendi ao streaming. Sempre que eu dizia que assisti a um filme novo vinha a pergunta: “tem no Netflix?”. E invariavelmente o assunto parava por aí. A plataforma streaming nos trás grandes obras a preços irrisórios. Mas é preciso garimpar para encontrar algo que realmente valha mais do que duas horas (com exceção dos seriados, que são a grande vedete). Por recomendação assisti “Onde está segunda?“.

Ano de 2072 em um país futurista onde famílias só podem ter um filho. Sete irmãs gêmeas tem de se dividir entre os dias da semana para poderem conviver tranquilamente e em segredo. Depois de um dia de trabalho, Segunda não volta para casa, o que faz com que as outras seis tenham de buscar seu paradeiro e arriscando o disfarce de anos.

A ideia do filme é muito boa e um bom roteiro faria uma grande diferença. Mas não é oque acontece: as duas horas que seguem são rodeadas de clichês e sem muito esforço há como saber cada detalhe do que acontecerá até o final. A cada cinco minutos certamente eu conseguiria escrever os próximos cinco sem medo de errar.

O elenco é de dar inveja a grandes produções. Noomi Rapace no papel das sete irmãs faz um esforço descomunal para interpretar um personagem multifacetado e fica bastante claro onde se sente melhor conseguindo atuações mais vantajosas próximas da Lisbeth Salander de “Os Homens que não amavam as mulheres” (excelente na versão original sueca). As presenças dos monstros Willem Dafoe e Glenn Close não chegam a impressionar justamente pela escrita mal conduzida em seus scripts.

A direção fica abalada junto com seus clichês e a coisa parece engrenar sempre para o mais do mesmo. Conforme comentado, a ideia é muito boa, mas colocada em mãos erradas acaba por estragar a obra completa.

Netflix tem disso: as vezes se acerta na escolha, as vezes um erro crasso pode te jogar no desânimo da procura de uma nova emoção. Mas a vantagem da plataforma ainda é que se pode procurar um remédio para a próxima tentativa, mas jamais remediar o tempo perdido.

Tudo Por Justiça (2013)

 Blogger, Daniel Arrieche, Drama  Comentários desativados em Tudo Por Justiça (2013)
abr 012014
 
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Out-of-the-Furnace-Poster

É grande a expectativa de um grande filme, quando se tem um grande elenco. Mas “Tudo por Justiça” é mais uma prova de que somente isso não é o suficiente. Se não encontrarmos uma mão eficiente atrás da câmera e um roteiro bem montado: nada adianta grandiosas atuações. O clima encontrado pelos irmãos Russel (Christian Bale) e Rodney (Casey Affleck) é semelhante ao de “O Vencedor”, onde em uma família desestruturada os membros tentam encontrar forças para suportar os tropeços e peças que a vida lhes prega, porém em proporções diferentes. Rodney é um remanescente da guerra do Iraque que ganha a vida em ringues clandestinos, enquanto Russel acaba de sair da prisão e quer sua pacata vida de volta. As tentativas de inserção dos grandes dramas americanos do novo século à produção se torna quase irrelevante: a eleição de Barack Obama, o sonho americano, guerras sem sentido e os depressivos decorrentes dela, liberação de armas e jogos, dentre outros temas enxertados para dar relevância e fundamento a muitas atitudes dos personagens. Há um grande desperdício de atores de ponta como Willem Dafoe, Forester Witaker, Sam Shepard e Zoe Saldana (que chegam dar a impressão de que precisavam pagar as contas em uma produção barata) que poderiam muito bem ser substituídos por coadjuvantes de segunda linha. O único ganho se nota em Woody Harrelson, que interpreta o chefe de uma quadrilha que domina as montanhas próximas a cidade (ainda que tenha ficado muito parecido com Mickey Knox, de “Assassinos Por Natureza” de 1994), o que até chega a empolgar… Mas não sai do lugar…

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