jun 202022
 
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A ultima produção da Netflix infelizmente vem ao encontro da grande maioria de outras já lançadas. Raso, contando com um elenco de apoio e também com um fraquíssimo roteiro, ”Spiderhead” (que nem o nome faz jus) é a bola da vez.

Em algum tempo não muito longe daqui, determinados condenados pela lei poderão servir como cobaias em novos experimentos científicos, porém com o consentimento do próprio apenado. Um dos presos nota que existe algo a mais e que não havia sido dito e/ou mencionado até aquele momento.

Mesmo com alguns atores ligados fortemente ao MCU como Chris Hemswort (Thor) e Miles Teller (Quarteto Fantástico), em momento algum o filme convence ou consegue colocar algum tipo de sensação na telinha. Ainda que a premissa seja excelente e o texto bem construído, nem direção nem equipe técnica conseguem fazer do limão uma limonada. Personagens apáticos e (aparentemente) perdidos em cena tendem a cada frame perder a desenvoltura (talvez inicial). Teller poderia ser substituído por qualquer ator, barateando o custo. E a presença de Hemswort como antagonista é apenas necessária comercialmente, pois nem não conseguimos desvencilhar sua imagem do “deus do trovão”: a exigência do papel é demasiada e não acredito no entusiasmo de nenhum outro que pudesse substitui-lo.

A ideia do experimento científico é muito boa, tirada de um conto publicado no New York Times, poderia flertar com teorias freudianas, comportamentais e até filosóficas se fosse a necessidade. Ao invés disso, busca na falta de empatia dos personagens, um humor nonsense completamente desnorteado.

A trama de pouco mais de 90 minutos, caberia muitíssimo bem em apenas um episodio da série “Black Mirror” e bastaria. Seria menos tempo perdido e extremamente melhor aproveitados, poupando o publico de mais uma tentativa caça-níqueis/clientes do serviço de streaming

dez 292015
 

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Cinezone Poster - No Coracao do Mar

O diretor Ron Howard tem a mão fácil para contar histórias (ou adaptar roteiros) como na adaptação blockbusterO Código DaVinci“, “Uma Mente Brilhante” – vencedor do Oscar – e mais recentemente em “Rush“. E neste caso não é diferente: nossa história apresenta Tom Nickerson (Brendan Gleeson), um velho recluso e um dos únicos sobreviventes do Essex, navio de caça à baleias que parte em busca de óleo combustível. Instigado a contar o passado ao escritor Herman Melville (Ben Whishaw), se põe a falar da viagem que fez anos atrás, comandado pelo imediato Owen Chase (Chris Hemsworth) – lenda entre os baleeiros – e pelo Capitão George Pollard (Benjamin Walker) – novato de família rica colocado no posto por questões políticas. Fato é que em meio as brigas entre os comandantes, navio e tripulação encontram durante a viagem a baleia cachalote Moby Dick, monstro branco descrito por Melville anos mais tarde.

Muito mais do que um simples filme, “No Coração do Mar” é daquelas histórias não contadas que revelam muito mais do que a intenção de uma grande aventura, mas também a condição de sobrevivência e que nem todas as atitudes imediatas são exatamente tomadas pelos motivos que parecem ter. Nem parecem ser. Porém, é mais simples do que parece.

As desventuras passadas pelos personagens não são apenas marítimas, mas reflexões de liderança e política que nos são impostos até hoje. Comandantes e comandados são muitas vezes obrigados a andar lado a lado (em uma metáfora) para que o barco não penda para nenhum lado. Nem sempre o destino traçado corresponde as expectativas criadas uma vez que todos somos vulneráveis a cobiça, seja ela pelo dinheiro, pelo poder ou pela própria vaidade sem mesmo questionar muitas vezes a quem estamos atingindo (mesmo que indiretamente). Também a questão da sobrevivência colocada a toda prova pode fazer com que grandes rivais revejam conceitos, uma vez que a própria pele pode estar em jogo.

Ron Howard consegue superar expectativas e fazer com que “Thor” não seja apenas mais um rostinho bonito nas telas, mas também saiba interpretar e dar vida a personagens mais complexos. Atores coadjuvantes como Cillian Murphy e Ben Whishaw (que interpreta o próprio escritor de Moby Dick) ajudam muito nas cenas mais calmas, e impressionam também. Um grande filme (em amplitude cinematográfica) que não deixa nada a desejar em relação a outros filmes do gênero.

 

Título Original: “In the Heart of the Sea”

Direção: Ron Howard

 

jul 032015
 

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Cinezone Terminator Poster

 

E mais uma vez renasce Arnold Schwarzenegger na carcaça do robô T-800 com “Exterminador do Futuro: Gênesis“. O novo filme da franquia tenta trazer de volta a mágica fórmula que tornou o ex-governador da Califórnia em astro pop, e até hoje com milhares de seguidores. No papel foi eternizado como a máquina responsável por eliminar o líder da rebelião contra os ciborgues criados a partir da Skynet. A nova película dirigida por Alan Taylor tem seus erros e acertos, mas não consegue alcançar o tom dos clássicos dirigidos por James Cameron.

Estamos em 2029 e a resistência liderada por John Connor está prestes a um passo de definir a batalha contra as máquinas, quando acontece a necessidade de voltar ao passado e novamente proteger a genitora Sarah Connor da morte. Para tanto é escolhido o Sargento Kyle, braço direito e homem de confiança.

A ideia de trazer Schwarzenegger novamente pode ter rendido bons frutos junto as bilheterias em um filme com efeitos pirotécnicos e visuais muito impressionantes, porém não consegue ter a mesma fórmula dos anteriores. Infelizmente a mão de Alan Taylor (conhecido pelo segundo filme da franquia Thor) não é tão eficiente quanto os demais e o status de clássico fica longe de ser alcançado. A história de idas e vindas dos personagens faz com que trama seja confusa e com explicações que deixam o público um tanto perdido, porém isto é facilmente superado quando a ação é colocada em prática – é o que realmente se faz valer – e consegue elevar a cabeça do espectador novamente para a tela. O ator, ainda que com idade avançada, consegue dar conta do recado não tão monossilábico e quase (eu disse quase) emotivo, conseguindo inclusive criar novos jargões característicos do personagem cibernético. A passagem do tempo para o ator é explicada de forma sensata.

A decepção fica por conta do elenco de apoio. Ainda que faça sucesso estrondoso como a Daenerys Targaryen de “Game Of Thrones“, a atriz Emilia Clarke ainda que esforçada não traz nem o cheiro da musculosa e rasgada Sarah Connor interpretada de forma vigorosa por Linda Hamilton. Falta carisma e presença para trazer à tona a heroína e mãe do salvador dos humanos. Salvador que também acaba ficando inócuo: em determinados momentos fica quase desinteressante sua presença no filme (impossível também não compará-lo a Edward Furlong ou ao classudo Christian Bale).

Mas nem tudo está perdido ou deixa de ser interessante. A ação e a aventura imposta em alta escala acaba por cobrir algum furo de roteiro ou deslize entre idas e vindas, ou ainda alguma outra atuação apagada (como a do oscarizado J. K. Simmons). A trilha sonora também apresenta uma boa surpresa (gabba gabba hey!). Quem sabe é apenas um reinício para a saga? É válido aguardar os próximos capítulos.

Asta La vista, Baby!

 

 

Título Original: “”Terminator Genisys”

Direção: Alan Taylor

 

 

abr 302015
 

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OMPC_Avengers2

 

O novo filme dos vingadores dividiu públicos, fãs, cinéfilos e críticos. A nova saga da trupe Marvel continua o último filme com uma expectativa exagerada, uma ânsia de rever os heróis baseados no sucesso da estréia do primeiro e acaba por fazer morna a opinião dos mais afoitos. Logicamente que os filhos de quadrinhos irão gostar pois não é sempre que temos Homem de Ferro, Thor, Capitão América, Hulk, dentre outros tantos em uma única película, e o melhor: trazendo novos personagens.

A trama segue em volta de defender o mundo, desta vez contra um inimigo imaterial criado pelo próprio Tony Stark com a ajuda do Dr. Banner. Sem querer, o experimento toma forma, consciência e vida própria com uma força descomunal se chamado Ultron. O ser criado é malévolo e parte para a teoria da destruição para a evolução. Entre outras palavras: é necessário o fim do planeta para construção de um mundo melhor.

O filme não é por si só apenas pancadaria, pois trás uma tentativa rasa de levantar alguns temas como família, onde o Gavião Arqueiro possui dúvidas entre lutar e ficar com sua esposa e filhos. Também como em outros filmes da franquia, o armamento bélico produzido pelas indústrias Stark e a responsabilidade frente o “consumidor final” de seus produtos. Mas nem tudo está perdido. Um dos pontos fortes está justamente nas contradições do “ser” herói e na “humanização” como por exemplo na relação da Viúva Negra (Scarlett Johansson) e do gigante verde onde um romance impossível pode destrinchar a inquietude do auto-destrutivo isolando ainda mais o que não pode ser separado: o homem do monstro de cada um.

Outro acerto e que acaba ganhando confiança aos poucos é Ultron, que interpretado por James Spader vai do ódio pelo próximo ao amor a si mesmo instantaneamente. A soberba do veterano ator trouxe um toque especial e peculiar ao simbionte de lata, onde entre a ingenuidade e frases prontas acabam por emergir no público um efeito por vezes encantador. Ainda podemos citar a inserção dos gêmeos Mercúrio (que fica muito longe do criado por Evan Peters para”X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido“) e Feiticeira Escarlate que de fracos e sem expressão passam a vitais na trama, e também para a próxima aventura, bem como o carismático Visão (sempre bem e inexplicavelmente sempre conduzido a papéis secundários, Paul Bettany) que acaba por ser o revés direto de Ultron.

Não saia da sala de cinema antes do término dos créditos, pois apos as letrinhas subirem, tem surpresa logo ali.

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