Maio 122017
 
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Se o filme “The Void” for visto apenas pelo que chamo de “contexto cinematográfico mero e simples”, que é sentar no sofá e assistir televisão, sem compromissos com o ambiente em si ou ainda despreocupado em ter uma qualidade de experiência razoável, se tornará chato, irrelevante e apenas mais uma daquelas escatológicas obras trash. Interagindo com os detalhes da estética, e a história até o final da produção se tem uma nova visão.

A história gira em torno de um policial que, pouco depois de entregar um paciente a um hospital quase vazio, experimenta ocorrências estranhas e violentas aparentemente ligadas a um grupo de misteriosas figuras encapuzadas…

Todo ou boa parte de “The Void” foi monetizado via crowdfunding (site de financiamento coletivo) e levou praticamente 10 anos para ser finalizado. Conta com um elenco praticamente desconhecido, porém com uma equipe de retaguarda que faz todo sentido ao tipo de filme apresentado. A proposta é um filme com âmbitos de “filme b”, recheado de monstros esquisitos, rituais a deuses estranhos, sangue de anilina e tudo muito nojento a ponto de franzir a testa e puxar o lábio. Porém na onda retrô de “Stranger Things” acaba por estragar o filme.

A ideia é boa, mas o roteiro deixa bastante a desejar: onde exste a preocupação com a estética acaba se esquecendo um bom tanto que para tudo isto funcionar, é necessário uma história que prenda e traga o público consigo até o final. O que não acontece. Apesar de começar interessante, o final deixa o espectador sonolento tirando o brilho da obra.

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fev 102017
 
Author Rating / Nota do Autor:

Fé. Dizem que a fé move montanhas. A nova produção para a Netflix chamada “The OA” é uma complicada e vasta trama que exige um pouco de conhecimento, imaginação, e principalmente acreditar no que seus olhos vêem (ou não).

A história nos apresenta Prairier Johnson (Brit Marling) que reaparece após sete anos desaparecida – com a capacidade de ver depois de anos de cegueira e uma incrível história. Tão incrível que ela só compartilha com um pequeno grupo de que ela cria, sendo a maioria adolescentes e mais uma professora. Nem mesmo seus pais, que passaram os anos procurando desesperadamente por ela, sabem da verdade. Ela é perseguida e desacreditada pelos holofotes, mas reclusa em seus próprios devaneios e desventuras cósmicas.

Há tempos não temos uma séria tão expansiva e trincada, com possibilidades e teorias quase infinitas sobre os acontecimentos ao longo de cada um dos oito episódios. A série mistura literatura e misticismo, ciência e premonições, juntamente com detalhes soltos sobre os personagens que vão sendo apresentados: cada detalhe é importante para construção do ambiente. Conforme a atriz (e também roteirista) comenta: “você precisa ter uma narrativa que seja suficientemente robusta para sobreviver a toda essa expectativa”.

A história se apresenta bastante emocionante e cheia de nuances de que será mais um dos expoentes midiáticos como tantas outras, chegando a comparações com “Stranger Things” (também sucesso do Netflix). Mas nem tudo que reluz é ouro: a trama possui falhas e deixa várias pontas e laços abertos ao longo dos primeiros episódios até que a engrenagem lunática se faça justa e equilibrada, fazendo com que tudo possa ser desacreditado. A partir do quarto episódio o roteiro toma novo fôlego e vai até o final crepitante e incrédulo até o fantástico e inesperado desfecho. É de arrepiar.

Ainda não existe a certeza de uma segunda temporada segundo os produtores, pois a quantidade de informações sugeridas e novas teorias que surgem a cada momento nas redes sociais fazem com que a demora para movimentar este “gigante” seja bastante longa e densa, tanto quanto a vida da própria protagonista, podendo levar muito mais tempo do que se imagina. Assim como é dito por um dos personagens marcantes e mágicos na série: existir é sobreviver às escolhas injustas.

Faz-se jus ao próprio “The OA”, que nasce grande. E com grandes responsabilidades.

 

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