ago 212018
 
Author Rating / Nota do Autor:

 

Quais ações sofridas na infância de uma pessoa pode ter reflexos diretos em sua vida adulta? Todas. Desde a formação de personalidade, escolhas profissionais, dependência química, dentre outras tantas sequelas que talvez ainda hoje não possamos dimensionar. Esse é o tema central de “Patrick Melrose” – seriado inglês em cinco episódios interpretado por Benedict Cumberbatch.

A trama nos apresenta o playboy da alta casta inglesa que deve ir buscar o corpo de seu pai recém falecido em Nova York. Pai que abusava sexualmente dele quando criança – fato que era tolerado pela mãe dentro da própria casa. Estas informações vão sendo introduzidas sutilmente e de forma homeopática em um primeiro momento, fazendo com que a rotina do protagonista seja entendida e suas atitudes sufoquem pouco a pouco o espectador. A empatia é imediata.

O romance auto-biográfico é quase uma sátira e um espelho da falida aristocracia inglesa. Com suas pomposas festas onde muitos falam de todos e nem todos conhecem exatamente o que falam. Mas falam. O circuito social de Patrick é um tortuoso caminho o qual deve ser tratado e enfrentado quase como uma solução para seus problemas com a alta drogadição: usada quase sempre como fuga de suas terríveis lembranças infantis. O que para muitos deveria ser um local de evasão e êxodo, para Patrick funciona como uma redenção conseguir sobreviver em meio ao caos. Entender e compreender este caos pode ser redentor.

O elenco escolhido a dedo é fantástico: o afetado e desajeitado Benedict Cumberbatch ( de “O Jogo da Imitação) faz um Patrick ora extremamente engraçado com trejeitos típicos, ora trazendo a melancolia e tristeza fruto do abuso de drogas como heroína e cocaína. Os pais interpretados por Hugo Weaving e Jennifer Jason Leigh são tão fortes que chegam a engasgar a cada fala. Isso fora o grande elenco que se esforça para trazer o que há de melhor a cada interpretação.

O roteiro bem cuidado para não parecer pedante nem monótono, aliado a uma impecável direção de arte juntamente com a excelente fotografia fazem cinco episódios parecerem muito pouco, podendo até estender a saga do personagem para outras desventuras. Vale a pena buscar e se emocionar com as histórias. Conseguir trazer para nosso cotidiano as observações do personagem principal não apenas com o ódio nem ressentimento, mas também a busca dentro de si mesmo por algo melhor.

Homeland

 Bruno Spotorno Domingues, Homeland  Comentários desativados em Homeland
out 032013
 

homeland

Claire Danes (Romeo + Juliet) é Carrie Mathison, uma agente da CIA que desconfia que o fuzileiro Nicolas Brody (Damien Lewis, Band of Brothers), desaparecido há oito anos no Iraque e resgatado de seu cativeiro, tenha se tornado um terrorista. Mas Carrie é a única que desconfia de Brody e o fato de ela ter alguns probleminhas mentais não a ajuda a convencer mais ninguém.

Carrie é obcecada por Brody e durante as duas primeiras temporadas ela vai do ódio ao amor pelo fuzileiro ruivo. Agora, começando a terceira temporada, ela está em apuros de novo, devido aos inúmeros erros que cometeu e agravado pelo histórico de problemas mentais.

Roteiro e personagens muito bem construídos e excelente direção. Uma das melhores, senão a melhor, atuações de Claire Danes. Lewis faz um ótimo trabalho. Não conheço trabalhos dele além do maravilhoso Band of Brothers, onde ele também está muito bem.

Além deles, contamos com a atuação impecável do veterano Mandy Patinkin no papel de Saul Berenson, chefe de Carrie. A carioca Morena Baccarin (Firefly) também faz excelente trabalho no papel da esposa de Brody, apesar de seu personagem ser daqueles que não ganham a simpatia do público.

Tenho grandes expectativas para esta terceira temporada. Tem tudo pra continuar sendo um sucesso, só precisam ter cuidado para que o público não canse da bipolar Carrie.

Link para o IMDb