set 182018
 
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A cada ano que passa fica mais difícil encontrar surpresas no cinema. Ou melhor, encontrar surpresas positivas e que venham a adicionar o grande número de produções que empolgam o espectador que está já entediado de mais do mesmo. Eis que no fim do túnel surge a luz de “Upgrade“: que não inova, mas renova.

A trama nos mostra um futuro (bem) próximo, onde a força da tecnologia controla a tudo e a todos, desde carros guiados por robôs, policiamento feito por drones até alimentação feita por impressoras 3D. Neste ambiente o mecânico de automóveis Gray (avesso a tecnologia), tem seu mundo virado de cabeça para baixo, e talvez a sua sua única esperança tenha refúgio justamente na tecnologia, que poderá lhe proporcionar a chance de um retorno triunfal.

É um filme de fácil compreensão e difícil comentar sem apresentar spoilers, pois quase todas as ações mais inusitadas acontecem na primeira meia hora do longa fazendo com que o público fique ligado e intrigado até o final. O clima futurístico e soturno apresentado pelo diretor Leigh Whannell cria um ambiente inóspito e robótico transmitindo que assim também será nosso futuro (tanto quanto o de cada personagem). Não muito diferente de “Jogos Mortais”, seu primeiro e estrondoso sucesso como roteirista que faz novamente a parceria com o agora produtor James Wan.

O ator Logan Marshall-Green é uma grata surpresa ao longo do filme. Sua transformação a cada cena (que é muito necessário) faz com que surpreenda a cada quadro, que se torna ainda mais interessante devido às ironias e provocações do roteiro. Já uma das cenas de luta inesperada em uma cozinha e que dura pouco mais de um minuto pode ser considerada um dos pontos mais altos. Sua reação pode ser tão inusitada quanto a própria sequência. O ator já é conhecido por suas atuações como coadjuvante em filmes como “Prometheus” (2018) e “Homem-Aranha: De Volta Ao Lar” (2017).

Uma pena que um dos filmes mais surpreendentes do ano não tenha entrado nas telonas do circuito comercial brasileiro (como muitos outros) e nem nos serviços de streamming por assinatura. Vale a busca. E muito.

maio 222017
 
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Sempre que o nome “Alien” é citado, automaticamente somos remetidos ao filme de estréia da franquia de Ridley Scott iniciada em 1979 que foi um marco no cinema de horror espacial. Na época nos fora apresentado um ser novo e diferente de tudo aquilo que conhecíamos como “vilão”: extremamente astuto, sanguinolento, monstruoso e principalmente, fora de nosso habitat natural com uma nova espécie até então. As sequências vieram juntamente com a inesquecível Tenente Ripley (Sigourney Weaver) – que fez questão que seu personagem fosse morto no final da trilogia, para que a imagem não fosse exaustivamente danificada (e ainda assim conseguiram com um clone em “Alien: Ressurrection”) – o que fez do diretor e da série inquestionáveis. Até aqui.

Com o prequel de “Prometheus” em 2012, Scott tenta explicar não só as origens da raça humana mas também a origem do monstro xenomorfo e acaba por dar uma guinada gigantesca para quem esperava todo o terror apresentado há mais de trinta anos. Com um clima mais etéreo e filosófico, cheio de grandes paisagens e diálogos que (ainda bem) não chegam a exaustão, “Alien: Covenant” traz uma continuação da “nova” saga mostrando alguma visão diferente e surpreendente dos acontecimentos.

Temos a tripulação do navio-colônia Covenant partindo em uma expedição para colonizar o novo planeta encontrado, porém acabam fazendo uma parada que não estava prevista, em busca do que acreditam ser um paraíso inexplorado e próprio para a sobrevivência. Duas mil pessoas estão na aeronave em sono criogênico profundo, aguardando a chegada ao destino final. Se houver um destino final.

O estrelato fica por conta do (sempre) excelente Michael Fassbender que consegue interpretar a si mesmo em dois personagens iguais, ou nem tanto: Walter e David – androides com consciência capazes de tomar decisões pró e contra a tripulação tanto na nave exploratória quanto fora dela, quando a expedição aterriza em busca de um novo mundo e de diferentes formas de vida e comunicação. A heroína (interpretada por Katherine Waterston) por sua vez é uma imitação barata e desnecessária de Ripley: a não ser que ela tenha alguma ligação incógnita podendo ser revelada mais adiante.

Alguns detalhes fazem do filme de Ridley Scott mais interessante: logo no início do filme, em uma sala extremamente branca e que lembra um laboratório (ou o firmamento), o mentor pergunta a máquina qual seu nome, e a máquina responde: David. E se vira imediatamente para uma estátua gigante de Michelângelo. Um desafio da grandeza das criações feita a seus ultrapassados criadores minúsculos. Apenas uma das várias semióticas e comparações feitas e refeitas no roteiro de John Logan.

A estréia de “Alien: Convenant” gerou a velho dilema de “ame ou odeie”. Há quem goste e há quem não veja motivo para um próximo filme. Acredito que a série hoje seja um tanto injustiçada pelos pessimistas, mas que somente em alguns anos, após a conclusão da saga, teremos o reconhecimento da grandeza da obra e do próprio Ridley Scott. Que até hoje, não errou a mão.

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out 212015
 
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Cinezone Poster - The Martian

 

Em mais uma das muitas missões enviadas ao planeta Marte, a equipe da Ares III tem problemas devido a uma tempestade inesperada. Com o perigo iminente de perder a espaçonave e talvez toda a tripulação, a decisão de partida e abortar a missão se tornam necessárias. Em vias de deixar o planeta, um acidente ocorre: uma das partes da nave atinge gravemente o astronauta Mark Watney que, dado como morto, é deixado para trás. Porém Mark está vivo, muito ferido e talvez o pior: sozinho.

O diretor Ridley Scott é muito conhecido justamente por sua experiência em filmes sci-fi, tendo como expoentes o clássico “Blade Runner” e o sombrio “Alien” (filme que deflagrou a onda de monstros extraterrenos persistente até hoje) e ainda sua frustrada tentativa de prequel em “Prometheus”. Porém desta vez ele surpreende público e crítica indo na contramão da indústria cinematográfica, fazendo um filme mais “simpático” utilizando cores mais claras e mais softs, ou ainda as vezes sendo até muito bem humorado. O ator Matt Damon encaixa-se no perfil desejado para o papel uma vez que já esteve isolado em outras situações como “O Resgate do Soldado Ryan” sendo que em algumas consegue fazer também a “Trilogia Bourne” trabalhando perfeitamente sozinho: ele consegue ficar muito a vontade (e as vezes até debochar) da situação onde seu protagonista se encontra.

Pegando o gancho de Damon, a trilha sonora é um deleite a parte para quem gosta do som dos anos setenta como Bee Gees, Donna Summer, Gloria Gaynor, Abba e no momento apropriado David Bowie encontra em pleno espaço a clássica “Starman”.

Outra observação importante a ser feita (spoiler) são as possíveis gafes (goofs) da produção no que se refere ao que é feito no espaço, a exemplo da plantação de batatas feita por Mark: é perfeitamente possível. Desde a comunicação entre os planetas, efeitos especiais na sobrevivência dos astronautas até os acontecimentos com as naves, foram pesquisados na própria NASA para que nenhum dado pudesse ser dado como inverossímil. Inclusive a própria reconstituição do planeta Marte feita pela produção de Ridley Scott foi concebida por especialistas como a mais perfeita feita até hoje…

No contexto geral “Perdido em Marte” se faz um filme bastante interessante na questão cinematográfica, pois acaba por buscar boa parte dos críticos tanto quanto ao público que apenas procura entretenimento. Se for assistir nas salas de exibição em qualquer cinema, espere um público bastante compenetrado e salas lotadas.

 

Título Original: “The Martian”

Direção: Ridley Scott