out 212015
 
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Cinezone Poster - The Martian

 

Em mais uma das muitas missões enviadas ao planeta Marte, a equipe da Ares III tem problemas devido a uma tempestade inesperada. Com o perigo iminente de perder a espaçonave e talvez toda a tripulação, a decisão de partida e abortar a missão se tornam necessárias. Em vias de deixar o planeta, um acidente ocorre: uma das partes da nave atinge gravemente o astronauta Mark Watney que, dado como morto, é deixado para trás. Porém Mark está vivo, muito ferido e talvez o pior: sozinho.

O diretor Ridley Scott é muito conhecido justamente por sua experiência em filmes sci-fi, tendo como expoentes o clássico “Blade Runner” e o sombrio “Alien” (filme que deflagrou a onda de monstros extraterrenos persistente até hoje) e ainda sua frustrada tentativa de prequel em “Prometheus”. Porém desta vez ele surpreende público e crítica indo na contramão da indústria cinematográfica, fazendo um filme mais “simpático” utilizando cores mais claras e mais softs, ou ainda as vezes sendo até muito bem humorado. O ator Matt Damon encaixa-se no perfil desejado para o papel uma vez que já esteve isolado em outras situações como “O Resgate do Soldado Ryan” sendo que em algumas consegue fazer também a “Trilogia Bourne” trabalhando perfeitamente sozinho: ele consegue ficar muito a vontade (e as vezes até debochar) da situação onde seu protagonista se encontra.

Pegando o gancho de Damon, a trilha sonora é um deleite a parte para quem gosta do som dos anos setenta como Bee Gees, Donna Summer, Gloria Gaynor, Abba e no momento apropriado David Bowie encontra em pleno espaço a clássica “Starman”.

Outra observação importante a ser feita (spoiler) são as possíveis gafes (goofs) da produção no que se refere ao que é feito no espaço, a exemplo da plantação de batatas feita por Mark: é perfeitamente possível. Desde a comunicação entre os planetas, efeitos especiais na sobrevivência dos astronautas até os acontecimentos com as naves, foram pesquisados na própria NASA para que nenhum dado pudesse ser dado como inverossímil. Inclusive a própria reconstituição do planeta Marte feita pela produção de Ridley Scott foi concebida por especialistas como a mais perfeita feita até hoje…

No contexto geral “Perdido em Marte” se faz um filme bastante interessante na questão cinematográfica, pois acaba por buscar boa parte dos críticos tanto quanto ao público que apenas procura entretenimento. Se for assistir nas salas de exibição em qualquer cinema, espere um público bastante compenetrado e salas lotadas.

 

Título Original: “The Martian”

Direção: Ridley Scott

 

Interestelar (2014)

 Blogger, Daniel Arrieche, Ficção Científica, Filmes  Comentários desativados em Interestelar (2014)
nov 242014
 
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interstellarMPC

 

O novo filme de Christopher Nolan pode ser considerado o melhor de sua carreira até então. O diretor, juntamente com seu irmão, conseguiu chegar a um ponto em “Interestelar” em que a cabeça do espectador não sabe ao certo o que está vendo ou sentindo… Explico: a obra conseguiu unir grandes e consagradíssimos atores (Anne Hathaway, Matt Damon, Michael Caine, John Lithgow, Jessica Chastain, etc), ter um roteiro cuidadosamente escrito, um bom argumento e uma bela fotografia que não chega a ser deslumbrante mas cumpre perfeitamente o seu papel de composição e arte. Se imaginou que “A Origem” era complexo, agarre-se firme na poltrona para esse novo (e sensacional) rebento de ficção científica. Cooper (Matthew MacConaughey) é um engenheiro espacial e piloto aposentado, fazendeiro e pai de dois filhos que (assim como nós) assiste a lenta extinção do planeta, frente a degradação dos recursos naturais e suas consequências: clima árido e seco, falta de alimentos e a extinção gradual da população. Entre um fato e outro o protagonista tem a chance de entrar novamente em órbita liderando uma equipe de astronautas, para tentar entender e buscar alterativa de vida em outros planetas. Então a saga inicia, sem um “tempo” exato para acabar, ou ainda com a incerteza de retornarem a seus lares. Se você imaginou alguma coisa parecida com “Armageddon” esqueça, pois literalmente o “buraco” é mais embaixo. Com muitas metáforas, Nolan cria um aspecto envolvente sem ser cansativo em quase três horas de apresentação, sempre muito objetivo em seus diálogos sem deixar de ser emotivo e carismático. Cada um de seus personagens tem uma alma e uma função na trama, sempre tentando interar o público e faze-lo compreender de alguma forma as teorias quânticas, a astrofísica, gravidade, viagens espaço-tempo, evolucionismo, dentre outros tantos temas, e ainda assim não esquecendo das questões morais e afetivas que muitas vezes são o ponto chave para resolver as questões mais difíceis. Difícil não lembrar de “2001“, tanto pela referência que tem como o maior clássico do gênero, como os robôs em formato de monolito. Em muitos momentos de “Interestelar” os fatos podem não condizer com explicações técnicas ou didáticas, porém após assistir nos cinemas essa nova imersão na massa cinzenta dos Nolan, a licença poética acaba sendo muito bem aceita onde também pode-se contextualizar a luta pela sobrevivência não só como humanos mas também como raça, o abandono e a solidão sob múltiplos aspectos, as dificuldades de aceitação do fatídico e inevitável… É uma obra que no mínimo deverá ser observada com cautela antes de ser criticada: recém lançado já possui qualificação máxima nos melhores sites de críticos e colocando-se já na estréia entre os melhores filmes no ranking do IMDb. Obs.: o filme deve ser visto obrigatoriamente nos cinemas (preferencialmente no Imax) para que se possa ter a experiência completa e… Interestelar!

 

 

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Elysium (2013)

 Blogger, Daniel Arrieche, Ficção Científica  Comentários desativados em Elysium (2013)
set 272013
 
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elysiumposter

São duas classes distintas: pobres que vivem em um submundo de drogas, altamente tatuados, proletários e operariado vivendo em uma cidade superpovoada sem direito a educação ou saúde e na maioria das vezes obrigados a trabalhar para prover a sobrevivência diária. Em outro patamar vive o dinheiro, a saúde imediata, empresários que podem pagar por suas monstruosas casas e um reino decente, cobertos por uma segurança eficiente e tendo assim os seus a seu alcance. Nenhuma novidade até aqui, uma vez que podemos simplesmente ficar na ponta dos pés e observar o que acontece do outro lado do muro. Nada além do que conhecemos. Porém o ano é 2154. Assim começa “Elysium“, o novo filme do diretor sul-africano Neill Blomkamp (que apareceu para os cinemas com “Distrito 9” e apadrinhado fortemente por Peter Jackson). O personagem central fica com Matt Damon que sofre um acidente letal e que resolve se revoltar contra o sistema em prol de uma vida única para ele e para os seus. A crítica social é fortíssima e de alguma forma você poderá se encontrar em algum personagem, ou ainda entender como o outro o vê. Mas não vamos muito além disso: a partir deste ponto nada muda muito do que conhecemos como filme de ficção científica. Fato é que temos a estréia excelente de Wagner Moura que desponta como uma espécie de coyote, tentando levar cidadãos a terra prometida, em troca de alguns favores e informações. A mídia internacional já alçou o ator brasileiro a astro (com justiça). Um filme que vale ser visto. Revisto. Com um olhar crítico se faz valer muito a pena.

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True Grit (2010)

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nov 072011
 

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O remake de 1969 nos traz nada menos do que mais um filme dos Cohen, com diálogos ácidos e atuações dignas de premiações, e assim como em “Onde Os Fracos Não Tem Vez”, muita gente sai decepcionada por não entender mais uma vez a magia que os irmãos dão a sétima arte. Definitivamente não é o tipo de filme que me atrai. Porém o farto roteiro, adaptação e direção de elenco fazem um franco concorrente em qualquer época. Imperdível a cena em que Bridges decide se a língua de Damon deve ou não ficar em seu devido lugar (literalmente).

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