jun 122018
 
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A primeira coisa que chama atenção neste filme sem dúvidas é a foto de Jim Carrey estampada na capa como uma isca perfeita aos desavisados. O ator ficou marcado por suas excelentes atuações em comédias e filmes pastelão, porém nunca quis ser rotulado desta forma, tentando por diversas vezes quebrar este paradigma interpretando dramas e agora um thriller de suspense. No caso de “Dark Crimes” ele consegue. De novo.

O policial Tadek (Carrey) investiga o assassinato de um empresário. Para surpresa de todos, o caso é comentado letra por letra em um livro escrito por Kozlow, renomado escritor. De acordo com o andamento das investigações mais informações vão surgindo fazendo com que a trama se torne mais sombria.

Gravado na Cracóvia (Polônia) o filme tem um tom acinzentado e sombrio demonstrando que direção de arte fez seu trabalho de forma correta ilustrando as atitudes de seus personagens. Porém somente este quesito funciona bem. Com uma trama bastante interessante, o roteiro consegue estragar a ideia inicial de um romance “noir” em que os confusos diálogos entre os personagens não parecem reais. Os personagens não possuem início nem meio, uma vez que entram e saem da tela com tanta facilidade que se tornam coadjuvantes da paisagem e da tentativa de uma boa direção.A direção que por sua vez começa bem montando um cenário que lembra muito as cenas de “8 Milímetros” de Joel Schumacher. Vai se esgueirando deixando referências de vários diretores, em especial nas cenas mais arrastadas em que Tarkovski é nitidamente citado. Mas em certos momentos parece que tudo é esquecido e voltamos a um espelho tacanho de filmes feitos por obrigação, como quem tivesse que entregar um trabalho a contra-gosto e deixa o espectador (que iniciou com a mente fervendo) com uma imagem morna e sem vontade. Tudo se deve também ao reflexo dos erros de (pós) produção e na demora de dois anos no lançamento da obra, que deveria ter chegado às telas em 2016.

Por incrível que possa parecer o grande destaque de “Dark Crimes” é justamente a atuação de Jim Carrey que se mostra firme e seguro conseguindo passar ao público seu esforço e capacidade. Uma pena que desta vez tenha sido engolido pelos erros de outros setores, que acabam por comprometer todo o contexto por mais interessante que possa parecer.

 

Debi & Lóide 2 (2014)

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nov 182014
 
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DumbandDumberTo_TMPC

 

Os Irmãos Bobby e Peter Farelly continuam muito bem, e com um humor afiadíssimo e tão bom quanto há vinte anos. A sequência de “Debi & Lóide” ainda tem a pegada que mostrou no primeiro filme. Sempre existe um receio de que o primeiro sempre é sempre melhor que o segundo, porém pode-se dizer que tanto um quanto o outro são escrachados, debochados e com piadas com “timing” exato. Os atores originais Jim Carrey e Jeff Daniels, parecem não ter sofrido a ação do tempo tanto na maquiagem e atitudes, quanto na força das atuações cômicas. Como sempre Jim Carrey se sobressai com suas caretas e palhaçadas, sem deixar de estar no contexto da comédia. O roteiro é bem escrito para um filme do gênero, que tem a estupidez dos personagens como mote principal. Alguns fatos interessantes: o filme já ganhou prêmio por um dos melhores posters do ano (que faz alusão direta ao “Lucy” de Luc Besson) e também a curiosa participação da atriz Jennifer Lawrence que não cobrou cachê por ser fã, e faz uma ponta no filme como a Fraida jovem (no flashback), porém pediu para que seu nome fosse retirado dos créditos após suas fotos íntimas terem sido espalhadas na Internet por um hacker nos últimos meses. Outro fato interessante foram os valores pagos aos atores: Carrey ficou com 7 milhões de dólares para fazer este segundo filme (o salário mais bem pago até hoje para um ator de comédia) enquanto Daniels recebeu apenas 60 mil. Os Farrely são conhecidos também por outros filmes do mesmo gênero como “Quem Vai Ficar Com Mary?” e “O Amor é Cego“, mas nenhum deles teve tanta bilheteria quanto a franquia de “Debi & Lóide”. Vá ao cinema com a consciência leve e tranquila, esperando por uma tela extremamente nonsense. Se não tiver paciência e bom humor para este tipo de comédia não vá, pois é um risco sair da sala com o estômago machucado de tanto se torcer de rir.

 


 

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A Vida Secreta de Walter Mitty (2013)

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dez 132013
 

 

The-Secret-Life-of-Walter-Mitty

 

Talvez este não seja o título mais adequado ao filme de Ben Stiller: “A Vida Secreta de Walter Mitty”, uma vez que para o espectador ela é muito esclarecedora e por muitas, genial. A fantasia imposta pelos trailers que divulgam a obra do então comediante não faz jus a grandiosidade que os pequenos detalhes trazem: Stiller hoje busca um caminho bem semelhante ao de Jim Carrey, que saiu das palhaçadas para um status mais interessante (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças / O Show de Truman) onde o que prevalece é uma história bem contada, sem perder a graça. Walter Mitty é o responsável pela revelação de negativos na revista Life, e recebe a missão de entregar a capa de um fotógrafo para a finalização do trabalho. O que parece fácil se transforma em uma grandiosa aventura. Onde tudo é real, o personagem se perde facilmente no próprio imaginário e faz com que o filme tenha um tom mais agradável e habilite que a direção se torne mais criativa: a liberdade de inventar sem comprometer. A mão do diretor surpreende a cada instante trazendo sensibilidade as pequenas intervenções do cotidiano e que nem sempre temos tempo ou interesse em notar. A ousadia não para por aí: a fotografia da obra é um brinde para quem tinha medo de encontrar o nonsense. Outro fato interessante é a presença do grande Sean Penn, que atua de forma discreta e simples (mas ainda assim formidável) trazendo mais um laço de ternura em cada gesto, onde o que importa são os olhares, as diferentes formas de pensar e colocar a expressão: cada objeto, cada ato, cada momento feito com sentimento tem muito mais valor. Outro grande trunfo é o acerto na trilha sonora de Jose Gonzales, mesmo ao final da sessão, fica horas martelando (ainda tenho um gigante barbudo em minha cabeça cantando “Don´t You Want Me Baby” do Human League). Por fim: “A Vida Secreta de Walter Mitty” tenta nos colocar  desde 1939, em sua criação original, que os grandes projetos da vida foram feitos por meras pessoas que cuidaram com carinho daquilo que outros apenas percebiam como pequenos detalhes. Um dos melhores filmes de 2013.

 

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