mar 212017
 
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Estamos acostumados a transpor tudo o que vemos e sentimos ao nosso universo particular, mas nem sempre isso é possível devido a ambientação, locais, personagens, cultura e até mesmo gírias. No caso de “A Qualquer Custo” (título brasileiro que não diz muito no contexto da obra em sua essência) é possível enxergarmos cada um de nós em seus detalhes, locações, modos de ser, de falar e expressar. E de certa forma é aí que, para os mais atentos, mais uma das meras histórias de perseguição entre mocinho e bandido se transforma quase em um faroeste caboclo.

Dois irmãos, um ex-presidiário (Ben Foster) e um pai divorciado (Chris Pine) com dois filhos, perderam a fazenda da
família em West Texas e decidem assaltar bancos imaginando isso como uma chance de redenção e de se restabelecerem financeiramente. Sua forma de agir e de conseguir o dinheiro chama a atenção de um delegado (Jeff Bridges) daquela jurisdição que se interessa pelo caso e parte, juntamente com seu parceiro, na busca pela dupla.

Pra quem gosta de um simples faroeste, é um bom filme. Para quem gosta de ler nas entrelinhas, é um excelente filme. Tudo se passa em uma região devastada economicamente do país. A direção de David Mackenzie faz questão de demonstrar o tempo inteiro o isolamento dos povoados a cada curva de estrada empoeirada, enquanto persegue de perto os anti-heróis. Estes que buscam uma justiça criminosa para conseguir retirar dos bancos, aquilo que lhes foi tirado em dívidas: a dignidade de suas famílias. Os roubos acontecem rápidos, com notas e valores pequenos: não para não serem rastreados, mas para reaverem tudo aquilo quase da mesma forma que foram usurpados. A relação entre eles também é complexa. Um Chris Pine quase irreconhecível, visto filmes onde faz personagens mais “bonzinhos”. E um excelente Ben Foster, onde por fim acabamos por apostar quase todas as fichas em um destino inesperado.

Mas o que fez “A Qualquer Custo” sair do ostracismo foi o roteiro eloquente e principalmente os diálogos ácidos e politicamente e incorretos. A caricatura do personagem de Bridges, um texano bronco (tanto quanto o nome de sua camionete) faz piadas racistas ao seu comparsa e traz sempre o sarcasmo regional, da supremacia branca e rude que tudo pode na “terra das oportunidades”. Ainda assim, quase no fim de sua vida profissional, nota-se que é mais importante compreender os motivos para que se possa determinar por si só os fins.

A expressão “hell or high water” não possui um contexto literal para o português, algo como “custe o que custar” ou ainda “sob qualquer sacrifício”, e também consta em algumas cláusulas de contrato bancário a fim de quitar dívidas. O que acaba por muito definir as intenções e desejos dentro, e muito também, fora das telas.

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R.I.P.D. – Agentes do Além (2013)

 Ação, Bruno Spotorno Domingues, Comédia, Crime  Comentários desativados em R.I.P.D. – Agentes do Além (2013)
set 262013
 
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Não há muito o que dizer sobre R.I.P.D. a não ser que é péssimo. Uma tentativa frustrada de fazer um novo MIB. Não deu certo. O personagem de Jeff Bridges está muito exagerado e chato e Ryan Reynolds já provou que não é ator. Meia boca no médio Eu Queria Ter a Sua Vida (The Change-Up) e o pior Hal Jordan possível em Lanterna Verde (Green Lantern) – filme ruim que tinha tanto potencial. Talvez o que se salve no filme é Kevin Bacon, que já mostrou que o negócio dele é ser vilão e não mocinho (já viram The Following? Ser o mocinho simplesmente não combina com ele), a bela atriz Francesa Stephanie Szostak e Mary-Louise Parker, que é bem engraçada.

Definitivamente uma perda de tempo.

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True Grit (2010)

 Aventura, Daniel Arrieche, Drama, Faroeste  Comentários desativados em True Grit (2010)
nov 072011
 

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O remake de 1969 nos traz nada menos do que mais um filme dos Cohen, com diálogos ácidos e atuações dignas de premiações, e assim como em “Onde Os Fracos Não Tem Vez”, muita gente sai decepcionada por não entender mais uma vez a magia que os irmãos dão a sétima arte. Definitivamente não é o tipo de filme que me atrai. Porém o farto roteiro, adaptação e direção de elenco fazem um franco concorrente em qualquer época. Imperdível a cena em que Bridges decide se a língua de Damon deve ou não ficar em seu devido lugar (literalmente).

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