jun 262017
 
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Logo no trailer do filme “Vida” podemos quase ter tudo o que o longa promete: uma excursão de astronautas em busca de vidas em outros planetas, algo acontece com a nave (no caso estação) espacial. Um ser maligno e inesperado está a bordo e os passageiros em pânico sem saber qual o destino final. Quem já não viu isso tudo em outros filmes infinitamente melhores? Nada de novo no front.

A premissa de vida inteligente vinda de outros planetas e atacando seres humanos até sua (quase) extinção total nos remete a diversos outros com a mesna temática, porém com “Vida”, os clichês se tornam extremamente evidentes fazendo com que o público crie uma expectativa sob alguma coisa nova que realmente não vem. Recheado de atores de renome como Jake Gylenhaall e Ryan Reynolds (que nunca foi ator capaz de interpretar nada além dele mesmo) ainda temos a esperança de que os personagens se desenvolvam como uma tábua de salvação. Nem isso. As histórias são rasas e supérfluas não influenciando em nada seja no roteiro ou na ajuda de quebra para o destaque de algum outro personagem. Os diálogos até tentam ser minimamente filosóficos, mas acabam ficando até piegas e sem encaixe no contexto geral.

Como se já não bastasse a sequência de “mais do mesmo”, o final de “Vida” lembra também e muito o desfecho de “Gravidade” – um dos melhores de gênero até aqui – porém com uma grande surpresa e reviravolta (o que acaba valendo). No fim um grande orçamento para uma montagem de vários outros filmes.

Um filme longo e divertido, mas que bastariam apenas três minutos para que tudo fosse contado. Basta assistir ao trailer. Mais nada. Simples assim.

out 072015
 
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Cinezone Poster - Everest

 

Não há dúvidas da incredulidade do público ao encarar as filas de cinema para assistir “Everest”: com um tema bastante corriqueiro em filmes de ação na neve, (Risco Total / Limite Vertical) e a idéia de apenas mais blockbuster nas telas. Baseado em personagens reais e fatos verídicos acontecidos em 1996, a história conta os fatos trágicos acontecidos durante a escalada de um grupo com experientes alpinistas, a um dos pontos mais altos do planeta terra. O filme apresentado por Baltasar Kormákur  é competente no que se destina. Vai longe. Mas não muito.

A iniciativa de contar uma história baseada em fatos reais pode ser perigosa para muitos roteiristas, uma vez que lacunas no roteiro podem ser irreparáveis tanto para aqueles que são caracterizados pelos escritores como para a ambientação (locações). Em determinados momentos de “Everest” esta estranheza é notada, por exemplo no rosto dos atores que não estão maltratados pelo clima gélido, ou pelas roupas de grife usadas pelos andarilhos locais, ou ainda mesmo pelos “cromaquis” (ou chroma key) usados nas cenas de ação: para os fotógrafos trabalhar branco do gelo é infernal, uma vez que a câmera seguidamente é enganada pelos reflexos.

Depois de uma hora o filme já torna-se cansativo e talvez até moroso. O que salva a obra de forma geral é a ótima atuação de grande parte do elenco, que não fica caricato em momento algum chegando até a emocionar os mais sensíveis. Também a semelhança de cada ator com os verdadeiros protagonistas traz bastante veracidade aos fatos. Nomes como Jason Clark (finalmente em um papel que faz valer sua falta de expressão), Josh Brolin (que consegue convencer bem), Jake Gyllenhaal, Keira Knightley (ótima), Sam Worthington (o eterno “Avatar”), Emily Watson (num apoio de peso) fazem valer.

Simplesmente, cumpre o que promete.

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Título Original: “Everest”

Direção: Baltasar Kormákur

 

 

O Abutre (2014)

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dez 312014
 
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TMPC Nightcrawler

 

Jornalismo sensacionalista e a guerra entre as emissoras. Os noticiários com os casos mais sangrentos e em busca da audiência a qualquer preço. O sangue escorre do olho da vítima caindo diretamente no tapete da sala. Pode-se sentir na garganta a aflição do motorista preso nas ferragens ou ainda a bala que atravessa o peito do inocente. A faca estalando no peito e rasgando a carne. As reportagens são feitas com o imediatismo que o cotidiano exige e muitas vezes com entradas dos repórteres ao vivo do local dos acontecimentos. O realismo a flor da pele para manter o espectador grudado no noticiário. Mas até onde o ser humano é capaz de ir para conquistar seus objetivos? Esse é uma das muitas perguntas feitas em “O Abutre”.

No início de tudo Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) é um biscate que vive entre um emprego e outro sem paradeiro fixo e nenhum tostão no bolso e vivendo de pequenos delitos. Porém ele tem um trunfo que com o tempo poderá ser uma arma letal em suas conquistas: o discurso. Sua capacidade de convencimento e de vender a si mesmo é tão grande que cedo ou tarde alcançará seu objetivo. Em uma de suas andanças na madrugada presencia um grave acidente e por curiosidade pára: um cinegrafista registra tudo e no dia seguinte as imagens inéditas estão rodando nas emissoras. Louis vê ali um nicho em que pode se dar bem. E dali parte na sua saga.

Os questionamentos apontados em “O Abutre” permeiam a ética profissional e também qual a contribuição de quem adquire os diretos de exibição dessas imagens, para o crescimento deste mercado negro. Tratado pelo diretor como um submundo o filme conta a história do sociopata e as que vantagens pode tirar da desgraça alheia. O sofrimento do próximo é o que mais interessa não só a ambos, mas também a uma massa ávida e estereotipada pelo próprio meio de comunicação.

Tido como um cidadão que paga seus impostos e trabalhando arduamente ele vai galgando seu espaço e tirando de seu caminho aqueles que o importunam. A qualquer preço.

Certamente a obra será referência nas escolas de comunicação do mundo inteiro pela ética e até pelo dia a dia dos profissionais da área, não só o interpretado por Gyllenhaal mas também pelo papel de Rene Russo a quem interessa a audiência e também sua própria sobrevivência. A cena do embate entre a bela e a fera é digno de um bom roteiro, fazendo com que o espectador fique assustado e preso a cadeira: o jogo de gato e rato travado entre fornecedor e receptor é digno de ser lembrado também daqui há alguns anos como um dos grandes do cinema.

Uma direção segura, firme e uma fotografia “noir” que reflete bem a personalidade de Louis Bloom. Um roteiro consistente e que deixa a dúvida do desfecho até o final. Um filme que desmascara herói ou bandido. Ética ou sobrevivência? Até que ponto chegamos?

 

LInk para o IMDb

Os Suspeitos (2013)

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out 222013
 
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Os-Suspeitos

Talvez o título equivocado dado no Brasil (como muitos outros) seja o único porém deste empolgante thriller de suspense sem precedentes: é a flor da pele a cada minuto e empolgante até o último segundo. O elenco de primeira qualidade já prenunciava um grande filme, porém havia receio que em uma obra de mais de duas horas pudesse almejar bocejos em alguns expectadores ou ainda tédio em determinados diálogos: NÃO! Vale cada centavo da exibição na telona. Em um dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, duas meninas de famílias vizinhas desaparecem na tarde fria de um pacato bairro. O principal suspeito é o motorista de um trailer (Paul Dano) que não possui todas as faculdades mentais em perfeito estado, porém parece incapaz de maltratar qualquer ser. Sem provas ou qualquer vestígio das meninas, a polícia se vê na obrigação de solta-lo. Furioso com a ineficiência das autoridades, um dos pais (Hugh Jackman) resolve sequestra-lo e tortura-lo até descobrir onde estão as crianças. Mas em momento algum há certeza de nada. Nem dos pais, nem do paradeiro das crianças, nem mesmo se estão vivas… nem mesmo se o então preso tem alguma culpa. O diretor Denis Villeneuve conduz a trama com maestria e consegue em lances lentos de câmera captar cada detalhe, desde os rostos do impulsivo e excelente Keller Dover até as simbologias e piscadas metódicas do policial interpretado por Jake Gyllenhall. Mas a obra não é apenas técnica e abusa dos conceitos éticos e morais, onde talvez os fins possam modificar os meios: a tradução entre o certo e o errado, o impulso via de regra religiosa e a intencionalidade de fazer com que o público intensamente acredite… na dúvida. As relações entre pais e filhos / maridos e mulheres mostram em muito a fragilidade de um sistema familiar as vezes medieval, as vezes avançado demais para nossas falhas mentes humanas. Excelente!

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