abr 102018
 
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Finalmente um filme para os fãs de Steven Spielberg. Aquele Spielberg de “E.T.”, “Indiana Jones”, “Minority Report”,
dentre tantos outros onde se ia ao cinemas certo de que uma grande aventura cinematográfica estaria prestes a rolar na telona. E o melhor: a garantia de mais um clássico a ser revisto várias e várias vezes. E em “Jogador Número 01”, está definitivamente de volta ao patamar.

O ano é 2044 e Wade Watts é um dos assíduos frequentadores de ambientes virtuais (bem como a maioria da população) e vive diariamente muito mais dentro do jogo OASIS do que no mundo real. Quando o criador do jogo morre, os jogadores são desafiados a descobrir os enigmas e “easter eggs” escondidos afim de conquistar uma grande fortuna. Mas o que parecia ser simplesmente um jogo de realidade virtual e avatares, se torna um desafio de vida ou morte.

Para quem é fã de video-games e/ou cinema, “Ready Player One” acaba se tornando um filme obrigatório devido a quantidade de referências “geek” de forma permanente: desde a presença do icônico carro DeLorean usado na trilogia “De Volta Para O Futuro” ou o famoso “Atari 2600” até imagens mais atuais de “Minecraft” e “Mortal Kombat”. Mas a grande homenagem feita pelo diretor está mais adiante com os personagens visitando “O Iluminado” de Stanley Kubrick (particularmente sendo meu diretor predileto). Todas referências acabam formando uma rede de cultura pop inestimável.

A trilha sonora também é pura nostalgia onde traz clássicos do “New Order”, “Van Halen”, “Rush” dentre outros. Outro grande trunfo do filme são as cenas de ação que, juntamente com os efeitos especiais fazem do filme algo diferente de tantos outros que acabam girando em torno do mundo eletrônico, trazendo agilidade e vigor a cada momento, fazendo uma miscelânea visual fantástica.

Normalmente quando as referências se tornam demasiadas acabamos caindo nos clichês. Mas quando os clichês são bem colocados, podem se tornar uma obra cult e quase obrigatória, bem como os filmes de Quentin Tarantino. Evitando comparações aos estilos cinematográficos, a ideia é bastante semelhante: de um mundo de tanto conseguir extrair o máximo sem ser pedante.

A crítica social também está presente de forma sutil e sem ser pejorativa como em outras obras de Spielberg. A imersão do ser humano em um mundo completamente virtual faz com que acabamos esquecendo aqueles pequenos detalhes que fazem a vida tão grande: o que acaba sendo essencial para a composição do personagem vivido por Tye Sheridan, qual necessita de contatos e ajuda fora da grande rede para cumprir sua heroica missão lá dentro.

Spielberg consegue unir o (in)útil ao agradável e compartilhar com as novas gerações todos os personagens e filmes dos quais também foi criador e pertenceu. O universo nerd/geek, por vezes introspectivo, pode ser um poço sem fundo e que pode ser explorado à exaustão ou ainda um universo finito que se reinventa a cada geração. Um filme que se tornará cult (se já não é) e referência para os que vierem a buscar entendimento do que tivemos de bom e ruim nos anos 80 e 90.

fev 242015
 
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TMPC_Fury2014

O ator Brad Pitt literalmente veste (a camiseta) o uniforme em “Corações de Ferro” com a demonstração de que pode fazer muito mais do que simplesmente filmes para um público sem cérebro, e que a idade supostamente avançada em nada impede uma excelente figura de ação em um guerreiro (ou um troglodita). A história nos traz basicamente uma tropa militar, que durante a Segunda Guerra Mundial, montado em um antigo tanque de guerra (Fury, que dá nome ao filme), que deve de cumprir missões atravessando o território alemão dominado pelos nazistas de Hitler.

Os ideais são pacíficos, porém a história é extremamente violenta e realista. Os sentimentos de compaixão e perda durante as batalhas são significadas a cada momento buscando explicar muitas vezes o inexplicável: amizades são feitas lentamente e terminadas com uma velocidade tão grande quanto o disparo de um fuzil. Razão e emoção não podem ser confundidos, com a pena de serem eternizadas com profundas marcas que jamais serão esquecidas.

Porém esta é a “marca” principal do filme: a união entre os ocupantes do carro bélico que juntos fazem dele o verdadeiro “tanque” que pode transpor barreiras e invadir sem temer. Uma equipe forte, que de repente recebe o jovem Norman: o paradoxo perfeito entre a estupidez da guerra, os sentimentos da juventude, a desumanização do personagem soldado e a extrema vontade de viver, ainda que em missões visivelmente suicidas. Porém o senso de conjunto e o trabalho em equipe é o sustento da equipe. E do filme.

Viva em conjunto, ou morra sozinho.

O filme ainda conta com um elenco de primeira linha e já acostumado com filmes de guerrilha e ação (Shia LaBeouf, em Indiana Jones / John Bernthal, de Walking Dead), o que traz um suporte sem ser exagerado a produção, o que ajuda bastante.

Um belo filme de guerra. Para ser visto com o coração.

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