fev 052015
 
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TMPC_Birdman

O diretor Alejandro Gonzáles Iñárritu já é conhecido por seus roteiros fantásticos e também por normalmente inovar a cada obra. Inicialmente conhecido por “Amores Brutos” (onde também despontou Gael Garcia Bernal), mostra conhecimento de técnicas e de atores, e ainda como não raro misturar o cinema fantástico. Agora vem nos brindar com o inquieto Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), um filme de difícil concepção e de entendimento múltiplo: neste caso, para bons entendedores meias palavras não bastam.

A história nos apresenta Rigggan, um decadente ator de meia-idade que há mais de vinte anos atrás ficou conhecido por interpretar Birdman, um anti-herói contestado por pais e críticos porém idolatrado por crianças e grande parte da população. Mas ficou atrelado a esta imagem e não há maneira de se livrar desta “roupa”. Em uma peça de teatro escrita e dirigida por ele, vê a chance de reconquistar seu respeito e também sua família.

Os melhores (e mais conhecidos) papéis de Michael Keaton foram feitos atrás de máscaras: em “Beetlejuice” (com a tosca tradução em português: “Os Fantasmas Se Divertem”) e no Batman de Tim Burton. Ninguém melhor que Keaton para encarar quase uma comédia de sua própria vida, de seus próprios fracassos e porque não dizer sua própria canastrice. Aqui ele está em casa, em uma atuação difícil e completa porém extremamente familiar, vide algumas “coincidências” impostas pelo próprio roteiro de Iñárritu: o último filme de Riggan interpretando o homem-pássaro foi em 92, mesmo ano de seu último filme como o homem-morcego. Mas as coincidências não param por aí: Edward Norton e Emma Stone também participaram de outros filmes de heróis como “O Incrível Hulk” e “O Espetacular Homem-Aranha“, respectivamente. E as referências continuam até o último momento lembrando muito e propositadamente Hitchcock, Godard, Kubrick (spoiler: cena de perspectiva que lembra muito “O Iluminado” inclusive usando uma réplica perfeita do tapete usado no filme) dentre outros. Spoiler: em um determinado momento Riggan cita George Clooney, comentando que se os dois estivessem em um avião, a capa do jornal seria a morte de Clooney, e não a de Riggan. Mais uma vez “casualmente” o ator George Clooney foi o Batman em duas sequências após a saída de Keaton do papel.

Mas o mérito do filme não é apenas a metalinguagem ou as referências. Não pára por aí. Do início ao fim em algum momento o espectador tende a se identificar, seja com as atitudes do protagonista em relação a sua profissão de altos e baixos, seja com a família desestruturada, problemas com álcool e discussões acirradas sobre drogas, ou ainda o próprio futuro de cada um.

A fórmula dos planos sequência usados pelo diretor não é novidade alguma, visto que já foram usadas e exploradas outras vezes nos também consagrados “Festim Diabólico“, “Arca Russa” e mais recentemente no suspense uruguaio “La Casa Muda“. Mas o grande trunfo foi o chamado “realismo mágico” usado muito para misturar a realidade a ficção, não só da história em si, ou dos personagens mas também uma crítica severa a forma de se fazer cinema e ao próprios críticos da sétima arte, que se sentem deuses capazes de afundar ou erguer uma obra sem ao menos terem passado por uma oficina de teatro ou ainda um set de filmagens (slap!). Ou ainda a crítica muito direta aos filmes de “ação” e “aventura” que apenas mostram pancadaria sem nexo algum, ou ainda corridas de carro sufocantes onde os protagonistas não sabem nem ao menos o que a palavra “protagonista” significa. A falta de imaginação ou bom senso na criação de filmes mais intensos e/ou inteligentes.

Em relação premiação do Oscar, em que concorre em nove categorias (edição de som está fantástica) este ano, será difícil bater Boyhood pela inovação (gravar 12 anos com os mesmos personagens), porém onde Boyhood se esquece da técnica, o “Birdman” de Iñárritu exagera. Dando show.

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Gravidade (2013)

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out 242013
 
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gravity
Levado pela onda de elogios e boas críticas ao novo filme estrelado por  Sandra Bullock e George Clooney, fui tentado a assistir “Gravidade”. Conforme  recomendado assisti a obra em Imax 3D para que a realidade fosse aumentada e a  impressão fosse uma experiência diferente. E realmente foi. Única.  Explêndida. Há anos que não saio de uma sala de cinema estupefato e boquiaberto. A  experiência oferecida por Alfonso Cuaron é algo inigualável e necessária para  renovação do gênero ficção científica: sem invenções mirabolantes e um mero olhar sobre a necessidade humana de sobrevivência, a mão do diretor se faz  segura e sem rodeios em um roteiro simples e forte. Com diálogos que inicialmente parecem aleatórios, a engrenagem de “Gravidade” começa a rodar  lentamente e entra em uma navilouca transcedental, trazendo ao espectador a vertigem prometida em um ambiente onde constam o silêncio, a agonia e o vácuo. Em resumo: após incidentes com a tripulação e nave, dois astronautas se vêem perdidos no espaço sem comunicação ou esperança de se desvencilharem da situação em que estão. Sensações ímpares nos remetem desde os mais primitivos acúos, latidos e latidos de um cão até a simplicidade e o recolhimento de um recolhimento nostálgico de volta ao útero materno. A sobrevivente Ryan Stone nos faz perceber o quanto a vida é simples e mera, uma vez que a observamos entre botões do dia a dia, não percebemos que em um simples piscar de olhos podemos vislumbrar o infinito… enquanto o personagem Matt Kowalski nos remete sempre a uma realidade não próxima, colocando a cabeça entre as nuvens e os pés no chão. Tecnicamente um filme que já nasce clássico e obrigatório, com takes e posicionamentos de câmera que nos remetem a escola de George Lucas e Spielberg. Sem medo de parecer piegas ou exagerado: o mestre Kubrick ( de 2001: Uma Odisséia no Espaço), esteja onde estiver, deve estar com uma pontinha de inveja… Definitivamente, até aqui o melhor filme do ano!