mar 242015
 
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OMPC_AcimaDasNuvens

 

A arte de interpretar a si mesmo no cinema ou no teatro não é novidade nenhuma, visto “Birdman” como vencedor do último Oscar. Ainda que a ideia temática esteja muito longe do filme de Iñárritu, o francês “Acima das Nuvens” de Oliver Assayas, não foge ao contexto do famoso jogo de espelhos.

A sempre impecável Juliette Binoche que interpreta Maria no filme, é uma famosa atriz de teatro que há vinte anos fizera uma peça onde uma jovem ambiciosa tem um relacionamento de amor e ódio com uma mulher rica e de muito mais idade que ela. Antes interpretando a jovem, Maria é convidada novamente para atuar na mesma peça, porém no viés do papel que hoje lhe cabe, de uma mulher de mais de quarenta anos. Para isso leva consigo a assistente Valentine (Kristen Stewart) com quem conta profissionalmente e também como ombro amigo.

Os diálogos entre Binoche e Stewart balizam toda obra, muitas vezes ou quase sempre confundindo a realidade com o teatral. A cada momento os textos são repassados entre as duas com a sutileza de não se ter a certeza do que realmente estão tratando: se da vida real, onde amigas (talvez amantes) e profissionais buscam aprimoramento, ou ainda como personagens da própria peça ensaiando suas vidas.

Ainda existe a contrapartida de Chloë Grace Moretz, personagem que vem do cinema hollywoodiano trazendo todo uma bagagem de escândalos, drogas e amantes juntamente com uma gama de paparazzis. O papel chega a ser ironicamente comparado com “Lindsay Lohan” por sua tenra idade e já notada no negativamente no cenário. Existe aí uma crítica sutil aos interesses da mídia quanto ao que é realmente interessante quando se vende: a arte da interpretação ou a ostentação do escândalo bizarro e da vida pessoal? Tire suas próprias conclusões.

 

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O Protetor (2014)

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out 092014
 
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theequalizer

 

O tipo de filme que americano gosta de ver: um novo herói com um passado obscuro, e que tomado por uma fúria repentina começa a fazer justiça com as próprias mãos. E o diretor Antoine Fuqua sabe como fazer bem feito. Em “O Protetor” ele escala mais uma vez o sempre irreparável Denzel Washington para o papel do mocinho. O Sr. Robert (como é chamado pelos colegas de trabalho) é um cidadão pacato e trabalhador, mora em um apartamento humilde do subúrbio e está sempre disposto a ajudar ao próximo. Insone, tem o costume de ler livros clássicos em uma lanchonete e onde seguidamente encontra a garota de programa Teri, que possui uma relação de trabalho (prostituição) com a máfia russa. O estopim é aceso quando Teri é espancada e internada em um hospital entre a vida e a morte. A caçada de “Bob” começa agora. Não espere um filme onde o roteiro é a prioridade, mas sim a ação e a aventura de mais um justiceiro. Ainda que as cenas sejam bem coreografadas e bem feitas, ainda assim o diretor não escapa dos clichês do tipo: o ator sai caminhando lentamente enquanto uma série de explosões acontece as suas costas, ou ainda a escuridão e os golpes rápidos onde os bandidos são amarrados e não entendem como. Com toda a certeza outros na mesma linha virão a cabeça: Liam Neeson em “Busca Implacável”, Jason Statham em “Carga Explosiva”, e ainda na cena final não há como deixar de comparar com “Stallone Cobra”. Também a presença de Chloë Grace Moretz remete indiretamente ao clássico “O Profissional” com Jean Reno. Ainda existe a tentativa de algumas inserções de frases de efeito do livro “O Velho e o Mar” de Hemingway, e que não sustenta a cena. Mas ainda assim é um filme aprazível e que vale a diversão.

 

 

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Carrie (2013)

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dez 172013
 
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Há quem diga que clássicos não devem ser mexidos, revirados ou revisitados. Há quem torça o nariz para os “remakes” ou para as novas tentativas de fazer com que mais do mesmo seja sucesso. Casos como as refilmagens de “A Morte do Demônio”, “Psicose” e “Footlose” nunca deveriam ter saído do papel pois além de não acrescentarem NADA a obra inicial, ainda ameaçam desmitificar um clássico que não por acaso fora colocado nas mãos de diretores certos como Sam Raimi e Hitchcock. No caso da refilmagem de “Carrie” (primeiro romance do mestre Stephen King) não é muito diferente… a história se repete: a adolescente que é moralmente atormentada e punida pela própria mãe para que siga conceitos religiosos e que acaba sofrendo bulling na escola pela falta de conhecimento. Porém a jovem tem um estranho poder de telecinese e que desenvolve contra aqueles que a oprimem. A atriz Chloe Grace Moretz (que foi escolhida claramente por sua atuação na versão americana de “Deixe Ela Entrar”) é bastante esforçada e ao lado da veterana Julianne Moore, mas não consegue convencer: como já li em outras críticas, ela mais parece uma X-Men ciente e abusando de seus dotes, do que como uma atormentada problemática. A Carrie White de 2013 não é oprimida. Este não é um filme de terror. Nem mesmo de suspense. É apenas uma história que não deve ser contada de novo.

Compare aqui as produções de 1976 e 2013.

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