jun 022017
 
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O diretor Guy Ritchie tem um estilo único: qualidade que o destaca do senso comum e o coloca entre aqueles que mudaram de certa forma a maneira de ver cinema. Em “Rei Arthur” consegue imprimir mais uma vez sua marca, porém desta vez em uma história épica. Ou nem tanto. Entra ano e sai ano, os guetos continuam sendo inspiração. Assim como em “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, “Snatch” e “Rock´n´Rolla” o clima soturno de pancadaria e diálogos afiados vindos das ruas é presente e pode acontecer a qualquer momento, com a diferença que hoje o abuso da tecnologia só faz ajudar.

A história é conhecida, mas tem algumas nuances peculiares: Arthur vive nas ruas imundas de uma Londres (assim chamada então Londonium) e controla seus becos e ruelas, porém não faz ideia de sua linhagem até entrar em contato pela primeira vez com Excalibur – a lendária espada (de seu pai Uther Pendragon) guardada por Viviane (a rainha do lago) que aparece depois do açoriamento de um rio – mas ele não consegue controlar tamanha responsabilidade na espada, e precisa enfrentar demônios e se unir a ela para assumir seu posto por direito. Mas para isso deve encarar Vortigern (Jude Law), seu tio e então sanguinário rival.

Recheado de referências a antiga lenda, o então “Rei Arthur” interpretado por Charlie Hunnam, é estilizado a época pós moderna com um corte de cabelos feito em nossas novas barbershops e pelo andar da carruagem – desculpas pelo trocadilho – é conectado a novas tendências da moda e sempre com gel “mousse” fixante no cabelo. Quando ainda criança é treinado em uma academia de artes marciais. Só falta o tênis bamba, de tanto escorregar na malandragem. Mas ainda assim não perde a magia do personagem: beneficiado pelas trucagens e montagens bem feitas, consegue ser quase um cavaleiro de jogos Playstation quando as lutas empunhadas com espada acontecem.

O filme ainda abusa no uso do “low-bullet” e de câmeras que os atores carregam que cham a lembrar selfies. Também nas montagens de fala e cenários, fazendo com que a dinâmica da obra segure o espectador até o final. Perdas a parte ficam pela minguada Morgana interpretada por Astrid Berges-Frisbey, que apesar de esforçada fica longe da musa Eva Green em Camelot. Ah! Uma das surpresas guardadas é uma ponta feita por David Beckham. Quem acaba se sobressaindo em relação ao elenco é Aidan Gillen, que faz o Ensaboado Bill.

No fim das contas, uma boa diversão.

Camelot – Primeira Temporada – Episódio Final

 Camelot, Daniel Arrieche  Comentários desativados em Camelot – Primeira Temporada – Episódio Final
nov 092011
 
Camelot; 2011
Encerra-se mais uma boa série do canal Starz. Logo depois de “Spartacus” seus orfãos, conseguiram uma série medieval que conseguiu manter na linha o canal a alura de suas expectativas, trazendo uma nova roupagem (e talvez a mais sincera) a lendado Rei Arthur e de suas aventuras em torno da távola redonda e todos seus protagonistas. Com um time liderado por Joseph Finnes (Merlin) e Eva Green (Morgana) o seriado conseguiu colocar várias questões a quem imaginava saber alguma coisa sobre a lenda dos Pendragon. Bem produzido, com uma escolha de elenco primorosa, e um bom roteiro e direção segura, chegamos ao final da primeira temporada. Sabendo que o último episódio contava com 56 minutos, torcia para que o tempo passasse cada vez mais devagar para poder apreciar cada detalhe do jogo de intrigas entre Morgana e seu meio-irmão Arthur (Jamie Campbell Bower), que mais parece um fedelho e que vai crescendo a cada episódio, ainda que longe de outros personagens mais consagrados. Não espere um “Robin Hood” ou um seriado bobinho de sessão da tarde, e sim a fidelização aos livros. Me entusiasmei, e aguardo ansioso pela segunda temporada. Pena termos apenas dez episódios (mas que valeram por muitas outras séries que nada trazem, com mais de vinte).