dez 152015
 
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Cinezone Poster - By The Sea

Na França dos anos setenta, o escritor Roland (Brad Pitt) e sua esposa Vanessa (Angelina Jolie) decidem fazer uma viagem para uma cidade litorânea, com a finalidade de que o bloqueio criativo dele desemperre tanto quanto seu casamento que após quatorze anos parece estar afundando cada vez mais, visto a depressão sem fim de sua amada.

O novo filme da atriz Angelina Jolie faz um retrato de muitos relacionamentos que, em vias de fim, procuram reciclar idéias e pensamentos para alavancar um novo começo, esquecendo das amarguras e dos percalços que a vida deve trazer. Mais uma vez atuando com seu marido Brad Pitt, Jolie (que também é responsável pelo cuidadoso e bem escrito roteiro) acerta a mão em um filme de difícil aceitação para um público mais ávido por enlatados como “Sr. e Sra. Smith“, onde a pancadaria e tramas sem sentido dão lugar a sensibilidade e a visão mais intensa dos seres.

Duas horas podem entediar os mais inquietos, porém para os mais interessados na sétima arte a tela oferecida se transforma em um deleite e tanto mostrando a maturidade dos “queridinhos da América”, quanto na atuação dele quanto na escrita e estudo dela.

Detalhes são em muitos momentos a chave para muitas perguntas que a obra coloca, e que na medida certa vão sendo desvendados pouco a pouco. Desde os olhares entre os atores, a posição de determinados objetos e até as cores são parte fundamental deste quebra-cabeças quase onírico. Outro ponto alto são as metáforas oferecidas praticamente em todos os diálogos. E em todo esse tempo de filme, as cenas se passam basicamente dentro do quarto do casal: uma habilidade sensacional para manter um público interessado é necessária, e há êxito em cada tomada.

Também a parte técnica funciona muito bem: com uma fotografia sólida e homogênea marcando passagens de tempo e delimitando situações, com uma trilha sonora básica e essencial, com uma sonoplastia impecável, e ainda com uma direção de elenco que faz com que os coadjuvantes dancem um belo “ballet” dosados com sabedoria.

Um filme intrigante e muito bem feito. Elogiável tanto tecnicamente quanto atuado com vontade de uma produção intocável. Talvez não venha a agradar todos os públicos por parecer moroso em determinado tempo, o que não tira o brilho do complexo montado para os amantes do cinema.

Título Original: “By The Sea

Direção: Angelina Jolie Pitt

fev 102015
 
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TMPC_Unbroken

 

 

Talvez por algum motivo especial, em uma determinada época, vários filmes com o mesmo tema são lançados parecendo até coisa combinada. Neste caso o mote da vez são as histórias verídicas sobre guerras e suas sempre danosas consequências.

No caso de “Invencível” (Unbroken) a regra de se contar uma história bastante linear e nos padrões de outras já contadas, parece temerária e as vezes até medrosa. A então diretora Angelina Jolie simplesmente seguiu a regra e os pontos básicos para não errar. Porém, também não acerta.

O filme nos apresenta a história de Louis Zamperini, filho de imigrantes italianos nos Estados Unidos, que desde cedo parece ter um destino fácil aos estrangeiros da época: álcool, cigarros e uma pré-disposição para confusão. Porém em uma guinada do destino, descobre que pode correr muito rápido e ajudado pelo irmão chega a incorporar a equipe de atletas da escola, e até disputar uma olimpíada. Porém a guerra chega e o sofrimento começa, sem ter cor, raça, crença ou piedade para qualquer um.

O que uma grande história podia trazer, “Invencível” traz. Porém não empolga em momento algum. Histórias paralelas rasas e que se limitam tão somente a contar sem se aprofundar e, em vezes se tornando até mesmo clichês sem necessidade. O ator Jack O´Connel (um ilustre desconhecido) não acrescenta em nada o personagem e chega em determinados momentos a se tornar sem expressão. As cargas emotivas poderiam ser o grande trunfo uma vez que batalhas são sempre fortes nas telas. Mas existem muitos pecados no filme, inclusive com erros de continuidade inadmissíveis (náufragos em um bote, em meio ao oceano por mais de quarenta dias com a barba perfeitamente feita, por exemplo). Realmente não é de admirar ter sido preterido pela premiação no Globo de Ouro.

É valido assistir pelos fatos históricos paralelos e também pela história de vida do atleta que, debaixo de sofrimento e maus tratos nunca esmoreceu. Também pela curiosidade de Zamperini ter assistido ao filme já finalizado somente no dia fatídico de sua morte, acamado e debilitado, no laptop da própria diretora Jolie.

Na dúvida entre tantos filmes de guerra este início de ano, a sugestão é “Uma Longa Viagem” (The Railway Man) com Colin Firth e Nicole Kidman em que apresentam uma história extremamente semelhante (quase igual) e com um roteiro fraco, porém com atuações valem o interesse.

 

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Malévola (2014)

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jun 032014
 
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Pode-se dizer que “Malévola” é apenas um nome próprio e não mais um adjetivo. Pelo menos é assim que a Disney quer que as
novas gerações pensem sobre os vilões reencarnados e reescritos. A idéia da bruxa má e traiçoeira, que aterrorizava
simplesmente com sua presença agora é apenas folclore. A personagem principal é interpretada pela excelente Angelina
Jolie, que parece ter estudado e seguido à risca as regras da nova produtora: esteja sempre bela, sorria quando estivermos
em “close”, uma vez que seu personagem se arrependerá de toda maldade que um dia alguém disse que fez. Ok? Ainda que estas
últimas linha pareçam “spoiler”, são apenas constatações que se tem dos primeiros aos últimos minutos em tela. Em nada se
acrescenta ao clássico. Pelo contrário: cria-se uma nova imagem de um ser que um dia foi das trevas. Comparações a parte a
bruxa de Charlize Theron, é muito mais bruxa. Não que a interpretação da Sra. Brad Pitt seja ruim: é muito boa. Porém não
há nada de magnitude em suas atitudes, não há força em seus atos e apelos, parece até não haver vontade em ser vingativo.
No personagem. Os efeitos especias e visuais são a grande arma do diretor (acostumado a esse tipo de lance) e justamente
aí é que o filme reage. Entre seres mitológicos e novos arranjos, a bela (adormecida) que procurava em sua madrasta uma
fera, não encontrou…

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