maio 222017
 
Author Rating / Nota do Autor:

Sempre que o nome “Alien” é citado, automaticamente somos remetidos ao filme de estréia da franquia de Ridley Scott iniciada em 1979 que foi um marco no cinema de horror espacial. Na época nos fora apresentado um ser novo e diferente de tudo aquilo que conhecíamos como “vilão”: extremamente astuto, sanguinolento, monstruoso e principalmente, fora de nosso habitat natural com uma nova espécie até então. As sequências vieram juntamente com a inesquecível Tenente Ripley (Sigourney Weaver) – que fez questão que seu personagem fosse morto no final da trilogia, para que a imagem não fosse exaustivamente danificada (e ainda assim conseguiram com um clone em “Alien: Ressurrection”) – o que fez do diretor e da série inquestionáveis. Até aqui.

Com o prequel de “Prometheus” em 2012, Scott tenta explicar não só as origens da raça humana mas também a origem do monstro xenomorfo e acaba por dar uma guinada gigantesca para quem esperava todo o terror apresentado há mais de trinta anos. Com um clima mais etéreo e filosófico, cheio de grandes paisagens e diálogos que (ainda bem) não chegam a exaustão, “Alien: Covenant” traz uma continuação da “nova” saga mostrando alguma visão diferente e surpreendente dos acontecimentos.

Temos a tripulação do navio-colônia Covenant partindo em uma expedição para colonizar o novo planeta encontrado, porém acabam fazendo uma parada que não estava prevista, em busca do que acreditam ser um paraíso inexplorado e próprio para a sobrevivência. Duas mil pessoas estão na aeronave em sono criogênico profundo, aguardando a chegada ao destino final. Se houver um destino final.

O estrelato fica por conta do (sempre) excelente Michael Fassbender que consegue interpretar a si mesmo em dois personagens iguais, ou nem tanto: Walter e David – androides com consciência capazes de tomar decisões pró e contra a tripulação tanto na nave exploratória quanto fora dela, quando a expedição aterriza em busca de um novo mundo e de diferentes formas de vida e comunicação. A heroína (interpretada por Katherine Waterston) por sua vez é uma imitação barata e desnecessária de Ripley: a não ser que ela tenha alguma ligação incógnita podendo ser revelada mais adiante.

Alguns detalhes fazem do filme de Ridley Scott mais interessante: logo no início do filme, em uma sala extremamente branca e que lembra um laboratório (ou o firmamento), o mentor pergunta a máquina qual seu nome, e a máquina responde: David. E se vira imediatamente para uma estátua gigante de Michelângelo. Um desafio da grandeza das criações feita a seus ultrapassados criadores minúsculos. Apenas uma das várias semióticas e comparações feitas e refeitas no roteiro de John Logan.

A estréia de “Alien: Convenant” gerou a velho dilema de “ame ou odeie”. Há quem goste e há quem não veja motivo para um próximo filme. Acredito que a série hoje seja um tanto injustiçada pelos pessimistas, mas que somente em alguns anos, após a conclusão da saga, teremos o reconhecimento da grandeza da obra e do próprio Ridley Scott. Que até hoje, não errou a mão.

Link para o IMDb

jan 232017
 
Author Rating / Nota do Autor:

Uma pitada de “Alien” (bem pequena), um rápida passagem até “2001” (mas muito rápida), mais uma piscada (bem de lado) para “Gravidade” e um último toque de “Armagedon” e teremos “Passageiros“, de Morten Tyldum. Uma receita que na foto do livro de receitas parece deliciosa, mas que quando sai do forno, murcha e abatuma na hora.

A história conta sobre dois passageiros que acordam 90 anos antes do tempo programado durante uma viagem de rotina no espaço. Sozinhos eles tem de conviver com a situação que tem em mãos, além de buscar soluções para que consigam chegar ao destino sem maiores problemas, juntamente com os demais cinco mil humanos que ainda estão hibernando.

O que provavelmente era uma boa ideia se perdeu profundamente num roteiro bastante frouxo e previsível. A presença de dos queridinhos do momento Jennifer Lawrence e Chris Pratt, os transforma de astros em meros pastelões frente a uma descabível história, por vezes até contada sem muito ânimo (percebe-se nas entrelinhas). Por vezes a obra tem espasmos de lucidez, quando tenta fazer com que as viradas toquem em símbolos básicos de uma boa história, fazendo com que se entenda que logo ali, tudo aquilo que se espera realmente aconteça quebrando constantemente o clímax das cenas que tentam ser interessantes.

Nem tudo se perde uma vez que temos algumas referências a outros filmes do gênero e também os nomes dos personagens são claras alusões aos ícones do sci-fi como o android Arthur, sendo homenagem clara a Arthur C. Clarke, por exemplo. Este mesmo ambiente refaz quase que perfeitamente uma das cenas clássicas de “O Iluminado“, onde o protagonista preso e perdido conversa com o barman (que está trajado como no filme de 1980). Já o nome de “Aurora” foi colocado justamente por se tratar do mesmo nome da “Bela Adormecida”. E por aí vai…

Não é a toa que “Passageiros” estava desde 2007 na “blacklist” dos roteiros mais “não filmáveis” de Hollywood, uma vez que sempre fora considerado de difícil acesso devido à inúmeras inconsistências.

 

Link para o IMDb

out 212015
 
Author Rating / Nota do Autor:

Cinezone Poster - The Martian

 

Em mais uma das muitas missões enviadas ao planeta Marte, a equipe da Ares III tem problemas devido a uma tempestade inesperada. Com o perigo iminente de perder a espaçonave e talvez toda a tripulação, a decisão de partida e abortar a missão se tornam necessárias. Em vias de deixar o planeta, um acidente ocorre: uma das partes da nave atinge gravemente o astronauta Mark Watney que, dado como morto, é deixado para trás. Porém Mark está vivo, muito ferido e talvez o pior: sozinho.

O diretor Ridley Scott é muito conhecido justamente por sua experiência em filmes sci-fi, tendo como expoentes o clássico “Blade Runner” e o sombrio “Alien” (filme que deflagrou a onda de monstros extraterrenos persistente até hoje) e ainda sua frustrada tentativa de prequel em “Prometheus”. Porém desta vez ele surpreende público e crítica indo na contramão da indústria cinematográfica, fazendo um filme mais “simpático” utilizando cores mais claras e mais softs, ou ainda as vezes sendo até muito bem humorado. O ator Matt Damon encaixa-se no perfil desejado para o papel uma vez que já esteve isolado em outras situações como “O Resgate do Soldado Ryan” sendo que em algumas consegue fazer também a “Trilogia Bourne” trabalhando perfeitamente sozinho: ele consegue ficar muito a vontade (e as vezes até debochar) da situação onde seu protagonista se encontra.

Pegando o gancho de Damon, a trilha sonora é um deleite a parte para quem gosta do som dos anos setenta como Bee Gees, Donna Summer, Gloria Gaynor, Abba e no momento apropriado David Bowie encontra em pleno espaço a clássica “Starman”.

Outra observação importante a ser feita (spoiler) são as possíveis gafes (goofs) da produção no que se refere ao que é feito no espaço, a exemplo da plantação de batatas feita por Mark: é perfeitamente possível. Desde a comunicação entre os planetas, efeitos especiais na sobrevivência dos astronautas até os acontecimentos com as naves, foram pesquisados na própria NASA para que nenhum dado pudesse ser dado como inverossímil. Inclusive a própria reconstituição do planeta Marte feita pela produção de Ridley Scott foi concebida por especialistas como a mais perfeita feita até hoje…

No contexto geral “Perdido em Marte” se faz um filme bastante interessante na questão cinematográfica, pois acaba por buscar boa parte dos críticos tanto quanto ao público que apenas procura entretenimento. Se for assistir nas salas de exibição em qualquer cinema, espere um público bastante compenetrado e salas lotadas.

 

Título Original: “The Martian”

Direção: Ridley Scott

 

Êxodo: Deuses e Reis (2014)

 Ação, Aventura, Blogger, Daniel Arrieche, Drama  Comentários desativados em Êxodo: Deuses e Reis (2014)
dez 242014
 
Author Rating / Nota do Autor:

TMPCExodus

 

 

Existia uma enorme expectativa em assistir a epopeia do líder bíblico Moisés dirigido pelas mãos do diretor Ridley Scott em “Êxodo: Deuses e Reis”, estrelado pelo inglês Christian Bale. Porém não há como falar do profeta sem citar “Os Dez Mandamentos” de 1956. É automático vir a mente a imagem de Charlton Heston abrindo o Mar Vermelho em uma cena eternizada pela sua grandiosidade e também com a mão genial de Cecil B. DeMille à direção. Porém as comparações não ficaram apenas na arte e no cinema em si, mas também no plano histórico o que contribuiu para polêmicas entre religiosos, historiadores e os próprios espectadores ávidos por um bom filme.

O ideal é tentar entrar nas salas de cinema esquivando-se das referências bíblicas e imaginando um novo personagem: dono de si e longe daquele plebeu que levantava seu cajado, este Moisés corre, luta, briga e usa sua espada até a última cena. Um Moisés com conhecimentos bélicos e táticos, advindos de toda estadia ao lado do seu até então irmão Ramsés. Ainda que a atuação de Bale seja extremamente esforçada é difícil engoli-lo como egípcio ou ainda africano. Um dos grandes erros da escolha do elenco e da produção foi não preocupar-se com a origem de cada ator sendo que os principais são de origem inglesa, americana ou ainda australiana: pele clara e olhos verdes/azuis contrastando completamente com as origens do povo daquela região castigada pelo sol, e pelo clima quente e árido. Ressalvas ao sempre competente Ben Kingsley que se encaixa como uma luva ao ancião Nun e, também a John Turturro que trabalha de uma forma enxuta para fazer Seti quase irreconhecível como o grande Faraó.

Personagens a parte, uma grande perda é Joel Edgerton que tem uma atuação insegura e longe de um Ramsés que seja raivoso, triste ou em pânico, também bem diferente dos personagens fortes já vistos em “Guerreiro” ou ainda mais recentemente como o marido traído de “O Grande Gatsby”. Fora o desperdício de atuações apagadas e quase incógnitas (escondidas) de Sigourney Weaver (Alien) e de Aaron Paul (Breaking Bad).

Mas as tentativas e a visão de Ridley Scott quanto ao episódio da saída dos hebreus rumo a terra prometida tem seus grandes méritos na produção suntuosa (e cara): os cenários são bastante realistas e grandiosos trazendo praticamente tudo em tamanho real tanto nas minas de escravidão quanto nos gigantes de pedra erguidos em meio a areia do deserto. As cenas iniciais de ataques e lutas corporais são bem definidas e com uma coreografia típicas de “Gladiador”. Nos bastidores comenta-se que os papéis dos últimos épicos bíblicos foram invertidos e que Russell Crowe deveria interpretar Moisés, enquanto Bale faria Noé. Porém por questões contratuais e de compromissos paralelos ambos tiveram que adiar suas apresentações frente as produtoras e encaixando-se conforme acertos comerciais (certamente seriam melhor aproveitados e encaixados).

O filme em um todo cumpre seu propósito de contar a história, apresentar fatos e tentar encontrar explicações mais
científicas para os fenômenos naturais apresentados no Velho Testamento, como as sete pragas lançadas por Deus ou ainda a abertura do Mar Vermelho. Uma história mais palpável e talvez mais verossímil aos olhos atuais. Mas não há como contentar a todos: desavenças e embates entre religiosos e céticos infelizmente permeiam a sétima arte.

Ainda há uma última frase dita pelo diretor em uma de suas polêmicas entrevistas sobre “Êxodo: Deuses e Reis”: “A maior invenção do diabo, foi a própria religião”. O filme? É crer pra ver.

 

 

Link para o IMDb