maio 272017
 
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O mundo anda realmente muito chato. Para tudo que se fala ou que se escreve, deve se tomar cuidado para não ofender aquelas que se imaginam as menos favorecidas dentro de uma sociedade. Talvez até sejam. Ou são. Cada palavra dita ou frase feita pode repercutir da forma mais negativa possível. A própria palavra “negativa” pode ter uma conotação errônea onde grupos étnicos podem se sentir invadidos ou ofendidos por meras oito letras empregadas. A chatice é colocada em sério risco quando“Get Out” ou (em um português tosco) “Corra!” estréia nos cinemas. Sim! É um filme de suspense e terror, mas pode e transita facilmente do humor negro às piadas impróprias, chegando a deixar o público embasbacado até o final da sessão.

Tudo começa quando Chris (Daniel Kaluuya), um jovem negro é convidado a visitar os pais de sua namorada (de expressões quase arianas), em uma propriedade mais afastada do grande centro. Chegando lá se depara com uma tradicional família (quase) ortodoxa americana. A família se mostra aconchegante e tentando fazer o máximo para que seu convidado se sinta o mais a vontade possível, uma vez que ele é o cara que está tendo “isso”, já quatro meses com sua filha. Mas existe algo de estranho no ar, que Chris não consegue ainda decifrar. Porém durante uma festa na casa, suas desconfianças passam ser certezas. Incredulamente são absurdas e inimagináveis certezas. Quando se é convidado, não quer dizer que se é obrigatoriamente bem-vindo…


A questão do racismo velado é uma verdade e um risco permanente em qualquer lugar. Porém quando um filme se destina ao propósito de denúncia social (ainda que bem humorada), se torna muito mais vulnerável e ao mesmo tempo obrigatório. Porém “Get Out” é ousado e satírico conseguido dosar todos os elementos de um bom filme em pouco mais de 100 minutos na tela. O diretor Jordan Peele consegue ser ácido e fatídico colocando as idéias atuais em um tema bastante batido de forma séria e até perigoso quando se chega ao limiar do absurdo.

O destaque além do protagonista de Chris (Kaluuya) fica por conta do filho do casal Armitage, Jeremy. Interpretado pelo sinistro Caleb Landry Jones, o personagens tem trejeitos que chegam a ser repugnantes, como o típico adolescente mal criado e soberbo. Mas sendo bem trabalhado e pela fisionomia lembrando muito Heath Leadger (Batman: O Cavaleiro das Trevas) arrisco a dizer que este poderia muito bem tentar interpretar o próximo Coringa.

Independente de gostar ou não de cinema, fato é que “Corra!!!” é um daqueles filmes obrigatórios para 2017 – onde só de olhar o poster já se tem noção se consegue ficar tenso e ter até calafrios, dos absurdos que se pode encontrar em tão pouco tempo.

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maio 222017
 
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Sempre que o nome “Alien” é citado, automaticamente somos remetidos ao filme de estréia da franquia de Ridley Scott iniciada em 1979 que foi um marco no cinema de horror espacial. Na época nos fora apresentado um ser novo e diferente de tudo aquilo que conhecíamos como “vilão”: extremamente astuto, sanguinolento, monstruoso e principalmente, fora de nosso habitat natural com uma nova espécie até então. As sequências vieram juntamente com a inesquecível Tenente Ripley (Sigourney Weaver) – que fez questão que seu personagem fosse morto no final da trilogia, para que a imagem não fosse exaustivamente danificada (e ainda assim conseguiram com um clone em “Alien: Ressurrection”) – o que fez do diretor e da série inquestionáveis. Até aqui.

Com o prequel de “Prometheus” em 2012, Scott tenta explicar não só as origens da raça humana mas também a origem do monstro xenomorfo e acaba por dar uma guinada gigantesca para quem esperava todo o terror apresentado há mais de trinta anos. Com um clima mais etéreo e filosófico, cheio de grandes paisagens e diálogos que (ainda bem) não chegam a exaustão, “Alien: Covenant” traz uma continuação da “nova” saga mostrando alguma visão diferente e surpreendente dos acontecimentos.

Temos a tripulação do navio-colônia Covenant partindo em uma expedição para colonizar o novo planeta encontrado, porém acabam fazendo uma parada que não estava prevista, em busca do que acreditam ser um paraíso inexplorado e próprio para a sobrevivência. Duas mil pessoas estão na aeronave em sono criogênico profundo, aguardando a chegada ao destino final. Se houver um destino final.

O estrelato fica por conta do (sempre) excelente Michael Fassbender que consegue interpretar a si mesmo em dois personagens iguais, ou nem tanto: Walter e David – androides com consciência capazes de tomar decisões pró e contra a tripulação tanto na nave exploratória quanto fora dela, quando a expedição aterriza em busca de um novo mundo e de diferentes formas de vida e comunicação. A heroína (interpretada por Katherine Waterston) por sua vez é uma imitação barata e desnecessária de Ripley: a não ser que ela tenha alguma ligação incógnita podendo ser revelada mais adiante.

Alguns detalhes fazem do filme de Ridley Scott mais interessante: logo no início do filme, em uma sala extremamente branca e que lembra um laboratório (ou o firmamento), o mentor pergunta a máquina qual seu nome, e a máquina responde: David. E se vira imediatamente para uma estátua gigante de Michelângelo. Um desafio da grandeza das criações feita a seus ultrapassados criadores minúsculos. Apenas uma das várias semióticas e comparações feitas e refeitas no roteiro de John Logan.

A estréia de “Alien: Convenant” gerou a velho dilema de “ame ou odeie”. Há quem goste e há quem não veja motivo para um próximo filme. Acredito que a série hoje seja um tanto injustiçada pelos pessimistas, mas que somente em alguns anos, após a conclusão da saga, teremos o reconhecimento da grandeza da obra e do próprio Ridley Scott. Que até hoje, não errou a mão.

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maio 122017
 
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Se o filme “The Void” for visto apenas pelo que chamo de “contexto cinematográfico mero e simples”, que é sentar no sofá e assistir televisão, sem compromissos com o ambiente em si ou ainda despreocupado em ter uma qualidade de experiência razoável, se tornará chato, irrelevante e apenas mais uma daquelas escatológicas obras trash. Interagindo com os detalhes da estética, e a história até o final da produção se tem uma nova visão.

A história gira em torno de um policial que, pouco depois de entregar um paciente a um hospital quase vazio, experimenta ocorrências estranhas e violentas aparentemente ligadas a um grupo de misteriosas figuras encapuzadas…

Todo ou boa parte de “The Void” foi monetizado via crowdfunding (site de financiamento coletivo) e levou praticamente 10 anos para ser finalizado. Conta com um elenco praticamente desconhecido, porém com uma equipe de retaguarda que faz todo sentido ao tipo de filme apresentado. A proposta é um filme com âmbitos de “filme b”, recheado de monstros esquisitos, rituais a deuses estranhos, sangue de anilina e tudo muito nojento a ponto de franzir a testa e puxar o lábio. Porém na onda retrô de “Stranger Things” acaba por estragar o filme.

A ideia é boa, mas o roteiro deixa bastante a desejar: onde exste a preocupação com a estética acaba se esquecendo um bom tanto que para tudo isto funcionar, é necessário uma história que prenda e traga o público consigo até o final. O que não acontece. Apesar de começar interessante, o final deixa o espectador sonolento tirando o brilho da obra.

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