set 262016
 
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Sem dúvidas de que Juliano Cazarré é um dos grandes e mais versáteis atores brasileiros, o que acaba por mais uma vez provar em “Boi Neon“. Filme nacional cotado para ser um dos representantes estrangeiros ao Oscar, porém preterido por outro bem menos conhecido ou ovacionado.

Cazarrè interpreta Iremar, um vaqueiro de curral que viaja pelo Nordeste, ao lado de Galega e a pequena Geise. Por onde passa Iremar recolhe revistas, panos e restos de manequins, já que seu grande sonho é largar tudo para iniciar uma carreira como estilista no Pólo de Confecções do Agreste.

A história em si é um bom início para quebra de paradigmas e demonstrar mais uma vez um Brasil enorme e cheio de diferenças que por pequenas nuances acaba sempre sendo o mesmo que já conhecemos há muito tempo.

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Tá aí um filme em que as críticas são excelentes, mas não me fazem o menor sentido os exageros. Semânticas e boa
fotografia a parte, cenas longas de sexo desnecessárias ao contexto. Acabei me decepcionando por um exemplar tão
comentado. Tem seu valor? Lógico que possui, e muita quebra de conceitos (machismo principalmente), onde também uma mulher dirige um caminhão e um homem de cabelos compridos e sombracelhas feitas é tão másculo como qualquer outro na obra. Mas peca nos excessos, como a cena final que possui cerca de dez minutos e não quer dizer muita coisa. Arte!? Apenas na fotografia muito bem colocada.

Ainda há algumas tentativas frustradas de semiótica, quando os personagens são travestidos de animais tentando passar a impressão de que todos somos os próprios quadrúpedes usados por outros ao bel prazer. Mas não consegue arrancar mais do que meros rostos torcidos, ou apáticos.

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set 052016
 
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Cinezone Poster - AqUARIUS

Sinceramente? Depois de assistir o último minuto de filme comentei: “Eu quero ser Kleber Mendonça Filho“. Sim. Eu quero ser esse cara quando crescer. “Aquarius” simplesmente coloca o cinema nacional novamente em um dos patamares mais altos possíveis. Depois do incompreendido “O Som ao Redor” (e que eu mesmo tive dúvidas) o crítico pernambucano simplesmente faz um espetáculo para poucos diretores e para todos os espectadores.

A historia contada gira em torno de Clara (Sônia Braga), que vive sozinha num apartamento à beira-mar do antigo prédio chamado “Aquarius”. Ela já tem uma vida estabilizada e agora está sofrendo nas mãos de uma construtora que planeja destruir o edifício onde ela mora para construir um mais moderno. E para isso a construtora não terá escrúpulos.

Podemos definir “Aquarius” como a própria metáfora brasileira. Com um solavanco atrás de outro, sopapo atrás de sopapo, Mendonça vai empilhando desaforos bem contados da nossa história passando pelos ancestrais e negros oprimidos de ontem e nos trazendo até o nosso ainda machista cenário tupiniquim sem ser piegas e nem agressivo. As são idéias colocadas sutilmente com enquadramentos de Kubrick aos diálogos de Woody Allen, de câmeras latentes de Coppola a os enfoques distorcidos de William Friedkin, passando também por Malick e Walter Salles Jr. Sem falar no roteiro justinho como uma luva.

Cinezone Middle Aquarius

E Sonia Braga? O que dizer dessa megera indomada? Parece ter absorvido e incorporado os dramas e amores incompreendidos da personagem, fazendo uma Clara lúcida e vigorosa sempre altiva e guerreira também enfrentando o mal de dentro para fora (como deve ser). Julgada por ser a dama da lotação e a rainha da chanchada ou ovacionada por ser a mulher aranha de Hector Babenco e William Hurt ela sobrevoa com seu véu sobre as praias de Recife, onipotente.

Por definição, Aquário é a era de fraternidade baseada na razão onde será possível solucionar os problemas sociais com grandes oportunidades para o desenvolvimento intelectual e espiritual e com o conhecimento acima da razão e percepções diretas do coração. E Kleber Mendonça consegue construir uma obra onde simplesmente todos estes conceitos conseguem ser engolidos, transformados e regurgitados em uma sensacional aula de como se faz cinema. De verdade.

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