ago 302016
 
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Cinezone - Pets Poster

Com mais uma animação os mesmos diretores de “Meu Malvado Favorito” trazem mais bichinhos fofinhos e muito coloridos para chamar a atenção da criançada. E por consequência do tema, dos adultos também. Curiosidade ou não, a grande maioria do público neste filme em especial é de adultos. “Pets: A Vida Secreta dos Bichos” é um longa-metragem animado inocente e bobinho mas que em alguns momentos gosta de dar algumas alfinetadas nos mais desavisados.

Conhecemos a partir de então, Max: um cachorrinho que mora em um apartamento de Manhattan. Quando sua dona traz para casa um vira-lata chamado Duke, Max não gosta nada, já que o seu tempo de bichinho de estimação favorito parece ter acabado. Mas logo eles vão ter que colocar as divergências de lado pois um coelhinho branco adorável chamado Snowball está construindo um exército de animais abandonados determinados a se vingar de todos os pets que tem dono.

A ideia de tentar demonstrar o que os animais de estimação fazem quando os donos estão fora de casa não é nova: basta procurar no YouTube vídeos de donos que penduram câmeras em seus bichinhos. Porém a produtora acerta em cheio aqueles que amam e/ou idolatram “pets”, sendo que no Brasil principalmente é um dos mercados que cresce exponencialmente além de, é claro, amaciar o coração dos mais moles desavisados. A fórmula deu certo e o filme já desponta entre os de maior bilheteria em agosto (quase um infame trocadilho com o mês do cachorro louco) e com sequência já confirmada.

Cinezone - Pets Middle
A história gira em torno do comportamento de Max, que com ciúmes, tem dificuldades de convivência com o grandalhão Duke que é desajeitado e não tem traquejo com lugares pequenos. Se conseguirmos transpor os personagens para o ambiente humano, o filme não é tão infantil quanto parece pois mostraria um mundo tão interessante e uma visão mais elite de quem apenas observa do lado de dentro da vitrine. Mas aos poucos a crítica social soft toma conta do ambiente colocando como inimigo a ser evitado um coelho maluco – que lembra muito o coelho de “Alice” – juntamente com os “maltrapilhos” maltratados pela rua (pobres, bandidos, ladrões e violentos) que acabam obviamente sendo subjugados. Mas com bons olhos também podemos assistir a diversidade entre os animais que estão juntos e confraternizando independente de raça ou cor, socializando e flertando também com a questão da acessibilidade, onde um cão mais velho e cadeirante os guia co experiência entre os atalhos da grande cidade.

Tons de cores extravagantes, muita correria, muita ação e um humor contagiante fazem de “Pets – A Vida Secreta dos Bichos” um filme sem segredos e capaz de agradar a todos: dos mais críticos aos mais descompromissados. Ah! Procure chegar cedo aos cinemas, pois antes do filme tem um curta dos Minions, outro sucesso das bilheterias (e entre as crianças e adultos, é claro).

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ago 202016
 
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Cinezone Poster Ben-Hur

Difícil não torcer o rosto quando a notícia de um clássico maior como “Ben-Hur” é regravado. O remake do maior vencedor de oscars até hoje não fez feio. Muito pelo contrario! Um épico, como nossos últimos anos cheios de super-heróis demagogos fantasiados estava precisando. O filme do diretor Timur Bekmambetov consegue conquistar públicos saudosos de Charlton Heston.

A história épica traz Judah Ben-Hur, um príncipe falsamente acusado de traição por seu irmão adotivo Messala, um oficial do exército romano. Destituído de seu título, afastado de sua família e da esposa, Judah é forçado à escravidão nas galés. Anos mais tarde ele retorna à sua pátria em busca de vingança.

O roteiro sem dúvida não é dos melhores, mas também não há muito como fugir do script uma vez que é baseado no best-seller de Lew Wallace, escrito em 1880. Há quem diga que tudo não passa de um dramalhão de época, mas não é bem assim: as cenas que representam mais dramaticidade realmente não caem tão bem como em 1958, porém a direção diferenciada e com diferentes movimentos de câmera fazem o brilho intenso acontecer. A direção é esforçada e comprometida procurando sempre inovar os takes tanto nas batalhas, quanto nos closes, quanto nas imagens aéreas. As corridas são muito bem feitas trazendo
veracidade ao total dos enquadramentos.

Cinezone Ben-Hur - Middle

Já o playboy Jack Huston encara com fácil naturalidade o protagonismo dando vida e reconhecimento ao personagem principal, as vezes sobressaindo-se até muito mais do que o canastrão Messala feito por Toby Kebbell. E Rodrigo Santoro? Chega ao reconhecimento e ao estrelato afinal, fazendo um Jesus sem toque novelesco e adquirindo vida e morte própria. Pode se dizer que a coroa de espinhos lhe caiu muito bem, enquanto Morgan Freeman não erra como coadjuvante, como de costume. O filme ainda busca mensagens eficientes de pacificação e a ideia de que o combo ódio, guerra e sangue não vai fazer melhor um mundo entre zelotes e romanos, mas não passa disso. A parte “religiosa” fica como quase uma obrigação, uma vez que a história do judeu oprimido e vencedor é mais interessante. O que no fim da contas não deixa de ser a mesma coisa.

O gran finale fica para a sensacional corrida de bigas que parece ser onde o esmero e a criatividade da equipe vai a
forra. Um excelente épico que nas devidas proporções não desaponta nem um pouco em seu contexto geral, dando toda grandiosidade merecida desde William Wyler.

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ago 092016
 
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Cinezone - Tarzan Poster

 

A ideia de esperança de um novo filme sobre a lenda criada por Edgar Rice Burroughs em 1912, pode gerar uma expectativa um pouco demasiada. Rever um clássico sem alterar suas origens e ao mesmo tempo contar uma boa história pode ser perigoso, ainda que com bons e esforçados atores. Em uma expedição inglesa a África o filho da família Clayton é o único sobrevivente em um massacre na selva. Ainda bebê ele é criado também como um macaco por uma família de gorilas. Na história contada em “A Lenda de Tarzan” (2016) o herói é convencido a retornar ao continente africano sem saber que uma emboscada é tramada para captura-lo.

Cinezone - Tarzan middle

Interpretado por Alexander Skarsgard, o personagem Tarzan é um protótipo de protagonista da Disney (acreditem ou não, Michael Phelps foi cotado para o papel principal, assim como os primeiros intérpretes era nadadores consagrados). Inicialmente até lembra um pouco a grande interpretação de Christopher Lambert em “Greystoke: A Lenda de Tarzan” de 1984, mas é só um espasmo de uma boa interpretação e de um bom filme. Aos poucos a infantilização das interpretações e o toque de humor fora de hora acabam por denotar o rumo que será tomado. Ainda que demais atores como Samuel L. Jackson, Christoph Waltz e Margot Robbie (além da aparição discreta de Ben Chaplin) tentem salvar a trama, não há novidades ou um roteiro interessante que façam o filme ficar mais sério ou um pouco mais proveitoso. Ainda há o esforço em takes que beiram a insanidade mas que retratam bem a expectativa dos personagens.

Ainda que o filme trate em uma breve parte histórica da exploração indiscriminada do continente negro pelos europeus, a carga emocional necessária para um bom filme deixa a desejar, tratando-a única e exclusivamente de um entretenimento. Nada mais. Sinceramente? Não desfazendo o mérito da iniciativa, mas a animação “Mogli: O Menino Lobo” traz muito mais vida a floresta do que o próprio grito do Tarzan…

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