jun 022015
 
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Cinezone Poster MrRobot

Falar muito, ou falar muito pouco de qualquer obra é dilema muito complicado, uma vez que nem todos tem a mesma percepção e/ou subjetividade. Mas… e quando uma delas te tira o fôlego no primeiro episódio? Já no piloto, “Mr. Robot” ganhou não só minha atenção, mas de grande parte da população ligada em séries.

O jovem Elliot (Rami Malek) é um programador que trabalha para uma das maiores empresas de engenharia cibernética dos Estados Unidos e que, ainda que tenha de viver em uma sociedade (julgada por ele) hipócrita, tem a função juntamente com seus colegas de escritório proteger seus clientes de possíveis ataques. Mas na calada da noite ele se transforma em uma espécie de hacker vigilante invadindo contas pela internet, e-mails e arquivos pessoais de pessoas próximas para fazer sua própria justiça ideológica. Porém ele sofre de um sério distúrbio anti-social que o deixa a margem do contato pessoal ou do relacionamento mais profundo com qualquer pessoa (não tolera contato físico e tem a sensação clara de não-realidade). Em meio a tudo, Elliot ainda é observado de longe por um anarquista virtual (Christian Slater) que o convida em um determinado momento para ser seu aliado em derrubar sistemas financeiros inteiros, causando desordem e oportunidades “novas” para todos.

A complexidade é generalizada. Em um ambiente que nos traz tantos conflitos, “Mr. Robot” tem uma direção segura e ao mesmo tempo vibrante. Em apenas uma hora, as câmeras vão passando de cena em cena nos trazendo quase tudo o que é possível em termos técnicos e arrojados, mostrando conhecimento, experiência e audácia nos menores takes. Já o roteiro também acompanha a mesma linha de raciocínio sendo envolvente e dando quebras nas horas certas e nos pontos chave não deixando esmorecer em momento algum, tanto no emocional quanto no escrito, mostrando também domínio e conhecimento do assunto.

O protagonista (em uma clara referência ao poeta T. S. Eliot) vaga entre um grande sofrimento pelo ser anti-social e ao mesmo tempo pela inquietude com aquilo que considera não ético ou ainda fora dos padrões, e por vezes nota-se tentando suprir naqueles que ataca a própria fragilidade de não conseguir “ser”. Acaba criando um personagem fictício (quase um alter ego) que pode quase tudo, até o momento em que a realidade vem à tona.

A série se destaca não somente pela produção, mas pelo aspecto filosófico e sociológico apresentado pelo diretor, que consegue demonstrar de forma clara as contradições e confusões de um mundo dito correto, mas ao mesmo tempo cheio de nuances que nos levam a desconfiar de tudo e de todos. O mundo corrosivo das grandes corporações são ainda incógnitas monstruosas e misteriosas na “première“, e que podem facilmente ser vistas justamente como o mal (Evil) enrustido de virtual ou ainda como uma propensa salvação para um terrorismo também tratado como benéfico. Fato é que não se tem muito de concreto: a não ser a própria personalidade distorcida e sedenta do confuso e inabalado hacker.

Há tempos esperávamos por uma série que dissesse tanto, e de forma tão atual. Na produção, direção, roteiro, fotografia, direção de arte… Uma estréia excelente! Próximo capítulo? Nos Estados Unidos, somente em 24 de junho…

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