out 212018
 
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O filme “First Reformed” ou traduzido no Brasil para “No Coração da Escuridão” é uma grande e bela incógnita. Nos colocada em forma de película, a dubiedade do mundo atual e suas questões mais simples levando a acreditar que o mais complexo pode ser entendido mas que ao mesmo tempo não conseguem trazer respostas imediatas. Ou consegue? Sim. Ficamos entre a fé nos homens e nas entidades religiosas, da cultura da não agressão aos atentados sangrentos e bem elaborados, entre crer e subverter, duvidar e se entregar aos vários dogmas da sociedade.

Ex-capelão e militar (Ethan Hawke), tenta ministrar o luto pela morte do filho e silenciosamente questiona a fé em de todas suas crenças e coloca em xeque sua relação as novas situações apresentadas e os fiéis que o cercam. Atormentado e em dúvida quanto a seus próprios demônios (incluindo uma separação recente) ainda passa pela provocação de um casal de jovens que estão próximos de ter um bebê e que não tem certeza se seu filho terá um lugar no mundo.

Entre os grandes cineastas de sua geração, Paul Schraeder é especialista em questões sociais e em colocar em perigo a ética e a própria credibilidade do público. Conhecido por ter escrito os roteiros clássicos de “Taxi Driver”, “A Última Tentação de Cristo” e “Touro indomável” faz sempre dos diálogos a maior expressão de suas obras. Instigantes e inusitados, as conversações e embates ideológicos deixam o público inquieto. Aqui não é diferente, porém com a câmera na mão ele consegue extrair ainda mais de seus personagens mostrando a amargura da perda, a consciência da dúvida e a certeza de uma parcialidade que, ao mesmo tempo redentora, não pode ser mostrada a olhos vistos para não ser julgado. A questão religiosa e moral é frequentemente colocada em discussão levando a exaustão e a um final derradeiro para os protagonistas.

Em tempos de intolerância política e redes sociais, acaba se tornando um filme de necessária reflexão.