set 042017
 
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Certamente o legado do músico Belchior não foi apenas musical, mas também literário, e hoje cinematográfico. A letra de “Como Nossos Pais” parece ter sido transcrita de forma fiel ao filme sob forma de uma nova poesia que pode chegar a encantar.

Na obra, Rosa (Maria Ribeiro – excepcional!) é uma mulher que busca sempre e incondicionalmente a perfeição em tudo o que faz em sua vida, seja como profissional, mãe de duas meninas, esposa e amada amante. Ela possui sérios problemas de convivência com sua mãe (Clarisse Abujamra), ao mesmo tempo em que se vê responsável pelas viagens do pai. Moderna, ela se vê encurralada entre ser o que é ou ser aquilo que os outros esperam.

Os recheios de metáfora em “Como Nossos Pais” não chegam a ser tão sutis quanto as obras dos mestres Anna Muylaert e Karim Aïnouz, mas são de uma sinceridade que chega as vezes a constranger. Outra fórmula batida e que funciona muito são as ilusões de ótica propostas e a eterna dúvida de Capitu: as coisas realmente acontecem, é desejado que aconteça ou realmente existiu o fato consumado? Talvez nunca venhamos a saber.

Detalhes a parte o roteiro apesar de bem encaixado é comum a outras fórmulas de drama, mas na mão da diretora Laís Bodanzky, tudo acaba sendo bem entendido e bem transmitido. Sintonia pura.

Além de muito bem dirigido e produzido o filme ainda, além de flertar com as relações pais e filhos, atravessa como uma estaca no peito as mazelas conjugais de sempre, dando um ar atual aos grandes dilemas de relacionamento. De uma forma objetiva e ao mesmo tempo sutil as histórias do cotidiano de Rosa e Dado, transformam quem está do lado de fora da tela em quase um protagonista, pois em muitos casos é quase impossível a não identificação.

E quando o espectador consegue se identificar com a história e os personagens, existe a certeza de que houve êxito. E foi perfeito.

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