jun 292017
 
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Filmes com orçamento apertado tem que se virar e fazer valer o pouco investido. Ser criativo deixa de ser qualidade para ser obrigação e falta de dinheiro não implica num roteiro falho. Desvantagens contabilizadas e temos o que sobra para atrair seu público. Pois justamente o orçamento baixo em “Ao Cair da Noite” faz com que os profissionais se sobressaiam e façam mais um exemplar do novo cinema de terror.

A sinopse nos entrega Paul (Joel Edgerton), que habita uma estranha casa juntamente com sua esposa e filho. A casa é sua segurança até a chegada de estranhos que acabam por mudar a rotina da família. Mas em meio a um holocausto, conviver em comunidade não é uma tarefa nada fácil principalmente quando a sua vida e dos seus é colocada em iminente risco.

A paranoia de todos os personagens é o que faz o filme andar, juntamente com uma edição de som cautelosa e diferentes posicionamento de câmeras, cada um dos habitantes da casa reage de maneira diferente a cada situação envolvida. O emocional é colocado a prova a todo momento. Intrigas e desconfiança permeiam os cenários a todo momento. O andar de “Ao Cair…” lembra em muito o belo e polêmico “A Bruxa” – fruto desta nova safra de horror.

Não é um filme para todos os públicos. Explico: em pouco mais de uma hora e meia o ritmo é extremamente lento e a grande maioria das cenas são escuras e por hora sufocantes. Quem espera tomar sustos e jogos de “cabra-cega” pode se decepcionar profundamente. A noite em si acaba também tendo seu papel fundamental, pois é ali onde as grandes tensões acabam por acontecer. Nem tudo é explicado, muito pelo contrário, sendo aqueles dramas psicológicos onde nem toda platéia está preparada para pensar o tempo inteiro e tirar suas próprias conclusões.

Não é um filme fácil de ser assistido, deve ser visto somente nos cinemas onde somente ali existe a chance de se manter o silêncio, a escuridão e um clima ideal para curtir este exemplar de forma a aproveita-lo e ter então a experiência por completo.

jun 262017
 
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Logo no trailer do filme “Vida” podemos quase ter tudo o que o longa promete: uma excursão de astronautas em busca de vidas em outros planetas, algo acontece com a nave (no caso estação) espacial. Um ser maligno e inesperado está a bordo e os passageiros em pânico sem saber qual o destino final. Quem já não viu isso tudo em outros filmes infinitamente melhores? Nada de novo no front.

A premissa de vida inteligente vinda de outros planetas e atacando seres humanos até sua (quase) extinção total nos remete a diversos outros com a mesna temática, porém com “Vida”, os clichês se tornam extremamente evidentes fazendo com que o público crie uma expectativa sob alguma coisa nova que realmente não vem. Recheado de atores de renome como Jake Gylenhaall e Ryan Reynolds (que nunca foi ator capaz de interpretar nada além dele mesmo) ainda temos a esperança de que os personagens se desenvolvam como uma tábua de salvação. Nem isso. As histórias são rasas e supérfluas não influenciando em nada seja no roteiro ou na ajuda de quebra para o destaque de algum outro personagem. Os diálogos até tentam ser minimamente filosóficos, mas acabam ficando até piegas e sem encaixe no contexto geral.

Como se já não bastasse a sequência de “mais do mesmo”, o final de “Vida” lembra também e muito o desfecho de “Gravidade” – um dos melhores de gênero até aqui – porém com uma grande surpresa e reviravolta (o que acaba valendo). No fim um grande orçamento para uma montagem de vários outros filmes.

Um filme longo e divertido, mas que bastariam apenas três minutos para que tudo fosse contado. Basta assistir ao trailer. Mais nada. Simples assim.

jun 162017
 
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Ultimamente os filmes argentinos nos apresentam boas histórias, roteiros, atuações e demais técnicas cinematográficas com bastante conhecimento e interesse na arte que o cinema apresenta. A busca impiedosa por uma produção firme e bem feita não falha em “Neve Negra“, uma produção extremamente tensa e focada nas discussões familiares e segredos que podem guardar. Ainda que com a presença do monstro Ricardo Darin, consegue decolar nas telas somente nos momentos finais, e ainda assim deixa o público esperando um pouco mais. Como de costume. Não que esperar um pouco mais seja ruim, mas a sensação de vazio deprecia o todo.

Salvador (Darin) é culpado desde a adolescência por matar seu irmão em uma caçada pela neve, e vive quase como um ermitão. Quase no meio do nada. Muitos anos depois, sem ter contato com praticamente ninguém, seu irmão Marcos (Leonardo Sbaraglia) aparece juntamente com a esposa grávida, tentando convencer o isolado bronco a vender as terras que possuem, deixadas por uma herança de seu pai. Pois justamente neste cenário rude e branco de neve, as marcas reaparecem deixando transparecer as feridas – e os rostos maquiados pelo tempo.

O pretexto de uma boa história e um roteiro bem afinado sempre renderam bons filmes e, ainda que fossem pobres de produção ficavam marcados pela sua perspicácia escrita. “Neve Negra” é exatamente o contrário: abre a expectativa de reviravoltas, e acaba se tornando interessante justamente pela técnica apurada. Gravar na neve não é nada fácil, uma vez que a cor branca em grande quantidade traz uma dificuldade incrível para as objetivas. Porém o destaque se faz justamente nas tomadas aéreas e que acabam por traduzir muitas vezes a imensidão do vazio dos personagens.

Todo o embate por uma trama fica bastante claro antes do filme ter o seu final revelado por completo. Ainda que a direção de atores, continuidade e a fotografia trabalhem bem e em sincronia com o andamento, mágicas acontecem para que as pontas se unam. Um bom início, uma boa trama em um inverno mal aquecido…

 

jun 022017
 
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O diretor Guy Ritchie tem um estilo único: qualidade que o destaca do senso comum e o coloca entre aqueles que mudaram de certa forma a maneira de ver cinema. Em “Rei Arthur” consegue imprimir mais uma vez sua marca, porém desta vez em uma história épica. Ou nem tanto. Entra ano e sai ano, os guetos continuam sendo inspiração. Assim como em “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, “Snatch” e “Rock´n´Rolla” o clima soturno de pancadaria e diálogos afiados vindos das ruas é presente e pode acontecer a qualquer momento, com a diferença que hoje o abuso da tecnologia só faz ajudar.

A história é conhecida, mas tem algumas nuances peculiares: Arthur vive nas ruas imundas de uma Londres (assim chamada então Londonium) e controla seus becos e ruelas, porém não faz ideia de sua linhagem até entrar em contato pela primeira vez com Excalibur – a lendária espada (de seu pai Uther Pendragon) guardada por Viviane (a rainha do lago) que aparece depois do açoriamento de um rio – mas ele não consegue controlar tamanha responsabilidade na espada, e precisa enfrentar demônios e se unir a ela para assumir seu posto por direito. Mas para isso deve encarar Vortigern (Jude Law), seu tio e então sanguinário rival.

Recheado de referências a antiga lenda, o então “Rei Arthur” interpretado por Charlie Hunnam, é estilizado a época pós moderna com um corte de cabelos feito em nossas novas barbershops e pelo andar da carruagem – desculpas pelo trocadilho – é conectado a novas tendências da moda e sempre com gel “mousse” fixante no cabelo. Quando ainda criança é treinado em uma academia de artes marciais. Só falta o tênis bamba, de tanto escorregar na malandragem. Mas ainda assim não perde a magia do personagem: beneficiado pelas trucagens e montagens bem feitas, consegue ser quase um cavaleiro de jogos Playstation quando as lutas empunhadas com espada acontecem.

O filme ainda abusa no uso do “low-bullet” e de câmeras que os atores carregam que cham a lembrar selfies. Também nas montagens de fala e cenários, fazendo com que a dinâmica da obra segure o espectador até o final. Perdas a parte ficam pela minguada Morgana interpretada por Astrid Berges-Frisbey, que apesar de esforçada fica longe da musa Eva Green em Camelot. Ah! Uma das surpresas guardadas é uma ponta feita por David Beckham. Quem acaba se sobressaindo em relação ao elenco é Aidan Gillen, que faz o Ensaboado Bill.

No fim das contas, uma boa diversão.