jan 312017
 
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Diante tantas correrias, sangue, socos e bombas que o cinema americano atual nos proporciona, “La La Land” de Damien Chazelle vai na contramão de tudo e quase contra todos, mostrando que cinema de qualidade ainda se faz com bons atores e atrizes comprometidos com o espirito de uma boa produção, roteiro e amor a sétima arte.

Depois da pedrada de “Whiplash” em 2015, Damien nos mostra a simplicidade que pode se ter no gênero um tanto quanto esquecido e “escanteado”, mas que normalmente quando aparece faz muita graça (“Moulin Rouge“, “Chicago“, “Mamma Mia“, etc) e que ao mesmo tempo pode ser empolgante, dramático, engraçado e ainda ter um enlaces no final de literalmente tirar o chapéu. O filme “La La Land” acaba desfranzindo também muitos rostos de menos aficionados no gênero, que normalmente esperam uma obra pesada e cheia de cantorias. Não! A “cidade das estrelas” é contada com muito gosto, como se mostra na cena inicial: com um plano sequência em “travelings” comuns a magia acaba por se fazer em um dos lugares mais monótonos para os dias de hoje – um trânsito caótico. A produção também é um deleite a parte e feita com carinho, onde as roupas dos personagens vão tomando cor de acordo com cada estação apresentada durante o longa.

Obviamente Ryan Gosling e Emma Stone estão muito longe de serem comparados a Gene Kelly e Debbie Reynolds (Cantando na Chuva), ou ainda com John Travolta e Olivia Newton-John (Grease), porém há de se elogiar o empenho de ambos em trazer vida própria aos personagens. Gosling por exemplo, teve de aprender a tocar piano em tempo recorde (e de forma excelente) para não usar dublês, uma vez que iria contracenar com o músico John Legend, enquanto que para Stone dançar nunca foi atributo para seu corpo diminuto e franzino. Outra presença ilustre é a de Tom Everett Scott, que fazia o líder da banda The Wonders, no filme de mesmo nome.

Ainda o filme nos faz reviver diversos outros clássicos em pequenas gotas e em doses homeopáticas, trazendo de volta uma mágica especial mas não excepcional. “La la Land”, apelido carinhoso da cidade de Los Angeles, nos faz sonhar novamente, e em determinados momentos consegue com tanta força que pode tanto nos prender na cadeira quanto nos tirar no chão em voos e saltos longínquos: exatamente como a vida deve ser.

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jan 232017
 
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Uma pitada de “Alien” (bem pequena), um rápida passagem até “2001” (mas muito rápida), mais uma piscada (bem de lado) para “Gravidade” e um último toque de “Armagedon” e teremos “Passageiros“, de Morten Tyldum. Uma receita que na foto do livro de receitas parece deliciosa, mas que quando sai do forno, murcha e abatuma na hora.

A história conta sobre dois passageiros que acordam 90 anos antes do tempo programado durante uma viagem de rotina no espaço. Sozinhos eles tem de conviver com a situação que tem em mãos, além de buscar soluções para que consigam chegar ao destino sem maiores problemas, juntamente com os demais cinco mil humanos que ainda estão hibernando.

O que provavelmente era uma boa ideia se perdeu profundamente num roteiro bastante frouxo e previsível. A presença de dos queridinhos do momento Jennifer Lawrence e Chris Pratt, os transforma de astros em meros pastelões frente a uma descabível história, por vezes até contada sem muito ânimo (percebe-se nas entrelinhas). Por vezes a obra tem espasmos de lucidez, quando tenta fazer com que as viradas toquem em símbolos básicos de uma boa história, fazendo com que se entenda que logo ali, tudo aquilo que se espera realmente aconteça quebrando constantemente o clímax das cenas que tentam ser interessantes.

Nem tudo se perde uma vez que temos algumas referências a outros filmes do gênero e também os nomes dos personagens são claras alusões aos ícones do sci-fi como o android Arthur, sendo homenagem clara a Arthur C. Clarke, por exemplo. Este mesmo ambiente refaz quase que perfeitamente uma das cenas clássicas de “O Iluminado“, onde o protagonista preso e perdido conversa com o barman (que está trajado como no filme de 1980). Já o nome de “Aurora” foi colocado justamente por se tratar do mesmo nome da “Bela Adormecida”. E por aí vai…

Não é a toa que “Passageiros” estava desde 2007 na “blacklist” dos roteiros mais “não filmáveis” de Hollywood, uma vez que sempre fora considerado de difícil acesso devido à inúmeras inconsistências.

 

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jan 032017
 
Author Rating / Nota do Autor:

Não existe prerrogativa (ainda) para que o homem consiga fazer o papel de um deus, criando novos seres tão imperfeitos como ele mesmo. Talvez esse seja o mote inicial para o sci-fiMorgan“, de Luke Scott. O filme abrange diversas temáticas como o criacionismo, seres criados em laboratório, inteligência artificial e livre arbítrio. Ainda que ciceroneado pelo pai Ridley Scott, o diretor cai na mesmice de tantas outras tentativas frustradas que viraram sucessos adolescentes.

Uma consultora corporativa de gestão de risco (Kate Mara) é chamada para investigar um acidente que provocou vários danos em uma instalação remota e longínqua. Lá chegando, ela se depara com uma jovem (Anya Taylor-Joy) de aparência frágil e inofensiva. E precisa decidir se ela deve ou não ser sacrificada. Todo o peso da narrativa se dá no experimento feito com a encubada Morgan, que vive isolada em uma sala onde é observada e controlada o tempo inteiro por psiquiatras, geneticistas e demais profissionais. Morgan sabe que seu destino é ser um experimento e que servirá de apoio a outros maiores, tendo como lucro o propósito final. Porém nota-se que um dos principais atributos do ser humano e que o diferencia de outros animais fora esquecido: o sentimento.

Apesar do nome “Scott” do diretor, outros nomes de peso como Paul Giamatti e Jennifer Jason Leigh procuram trazer confiabilidade ao elenco, enquanto outros bastante emergentes como Rose Leslie (do seriado Game Of Thrones) e Anya Taylor-Joy (do excelente “A Bruxa“) fazem o contraponto da expectativa. Porém nada mais se elege de um filme nada mais que mediano e com notas completamente previsíveis desde o início. Vamos do início ao fim com o mesmo clima de “um talvez terror” ou ainda com esperanças de alguma cena mais surpreendente. Porém vamos até o final com o olhar de tantos outros que fazem a velha fórmula de mais do mesmo.

Como já coloquei em outros posts e críticas: o que seria de uma obra sem o dinheiro investido do produtor (que não
casualmente é do diretor), ou ainda sem os nomes de peso que emprestaram seus rostos e artes para inflar a obra?Precisamos valorizar talvez os mais incógnitos e renovar a safra, uma vez que faz parecer que mais do mesmo acaba por não funcionar.

 

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