mar 302016
 
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Cinezone Poster - Batman VS Superman

“Tell me… Do you bleed? You will”. A frase que aparece no primeiro trailer de “Batman Vs. Superman – Down Of Justice” é o chamamento para o considerado embate do século: o prometido confronto entre os dois maiores heróis mais populares dos quadrinhos.

A história gira em torno da discussão da real função do Homem de Aço na sociedade americana e mundial, uma vez que não é regido por nenhuma lei governamental específica tendo em mãos a possibilidade da destruição total do planeta se assim quiser. Sua idoneidade é colocada mais ainda em dúvida, quando Lex Luthor (Jesse Eisenberg) coloca lenha da fogueira questionando qual a verdadeira influência de um “alien”, e qual seu propósito em adotar um lar tão perecível perto do que um dia foi Krypton, chegando a ser chamado de falso deus, e antagonizado por boa parte da população. Toda esta alegoria acaba chamando a atenção do justiceiro Batman, que começa a se interessar pelo assunto e vê a oportunidade de mais uma vez fazer justiça com as próprias mãos.

Esperado como novo rebento avassalador de bilheterias da DComics / Warner, vindo de uma pré-venda melhor que “Deadpool” e “Vingadores – A Era de Ultron” (e quem sabe a melhor abertura de bilheteria até hoje), não conseguiu agradar a todos. Uma vez pela expectativa gerada após um merchandising que acabou ficando exaustivo, mais as negativas iniciais de Ben Affleck como Bruce Wayne e a despeitada Gal Gadot como Mulher Maravilha, juntamente com um roteiro não tão interessante quanto as premissas esperadas pelo bom e esforçado diretor Zack Snyder.

As mudanças adotadas pela DComics após a trilogia de sucesso de Christopher Nolan foram entendidas como um ajuste para uma sequência de filmes interligados, bem como a Marvel o fez, juntando heróis e criando universos paralelos quando necessário fazer mais (dinheiro). As aparições de outros personagens marcantes se tornam perspicazes e pertinentes ao início de uma nova saga.

Cinezone Wall - BvS 02

A agonia dos fãs ao saberem que o canastrão Ben Afleck interpretaria o homem-morcego foi em vão. O ator mostra amadurecimento e faz entender que seus cabelos grisalhos não vieram à toa. Diferentemente de Christian Bale, o novo Bruce Wayne faz um milionário mais sombrio e ciente de seus compromissos, porém ainda atormentado pelo passado trágico ainda advindo do assassinato de seus pais. O ator é um dos que mais leva a sério a história e toda a trama: os próximos prováveis filmes solo dirão o que o presente ainda tende a duvidar. Superman continua o mesmo idealizado no filme de 2013, com o galã Henry Cavill bom moço e ligado a família. Parênteses: um dos fatos que mais me agradam ao assistir e comentar cinema é a quantidade de mensagens subliminares passadas a cada frame, e em “Batman vs. Superman” essa ideia é repetidamente interessante. A associação feita continuamente em “Homem de Aço” como o “salvador da humanidade” se faz aqui em diversos momentos lendo-se Superman como o Cristo libertador da era moderna. As constantes aparições frente ao sol, a ligação direta com a religiosidade, aquele que vem dos céus em uma nave flamejante, e (SPOILER) em uma das últimas cenas sendo carregado nos braços por duas mulheres, faz uma alusão quase absurda a crucifixão inclusive com as cruzes de ferro ao fundo na cena.

Outro personagem que tem seu destaque é Lex Luthor. Interpretado por Jesse Eisenberg, o vilão é um multimilionário filantrópico que em busca de poder tenta destruir tudo aquilo que não consegue alcançar. Com frases prontas de efeito bem colocadas, faz com que o público se divirta e se interesse cada vez mais pelo excêntrico e megalomaníaco. Uma pitada da loucura é muito bem vinda e certeira, fazendo lembrar em momentos até mesmo o melhor Coringa até hoje, Heath Ledger.

Lógico que um filme desta magnitude tem seus erros e acertos, como as pontas deixadas desatadas para os próximos filmes, as nuances de novos vilões estampadas em pichações nas pelas paredes das cidades de Metrópolis e de Gotham, os novos personagens que são brevemente citados dando a entender novas aparições (Aquaman, Flash, Ciborgue, Lanterna Verde, etc), fazem esta obra única, e merecedora de aplausos pela ousadia e pelo afinco como foi colocada nas telas. Palmas. E ansioso pelos próximos capítulos.

 

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mar 302016
 
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Cinezone Poster - Risen 2016

A história bíblica conta o que teria acontecido no dia da crucificação e morte de Jesus Cristo, sob o olhar incrédulo de Clavius, um comandante romano incumbido por Pilatos de encontrar o corpo do Messias antes que a suposta ressurreição acontecesse, fazendo com que o mito não se espalhasse e contaminasse o restante da população com um Deus mártir.

A presença de Joseph Fiennes no filme “Ressurreição” faz alguma pequena diferença frente a história que todos conhecemos. A chegada de um novo épico as telas seria empolgante se não fosse tão piegas e até chato. Já não bastasse a bateria de filmes gospel presentes massivamente na televisão e cinema atualmente, mais uma vez somos apresentados a um exemplar caça niqueis, propositadamente com estréia na véspera da sexta-feira santa. Já tivemos bons filmes sobre o assunto: alguns polêmicos, outros muito bem feitos e alguns nem tanto (“Jesus Cristo Superstar”, “A Última Tentação de Cristo”, “Jesus de Nazaré”, “A Paixão de Cristo” de Mel Gibson – o mais bem produzido e filmado até hoje. Sem dúvidas).

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Independente de religiões, o filme não traz nada de especial, nenhuma novidade em termos de roteiro (o que esperávamos muito e não vimos absolutamente nada), ou ainda uma direção ousada que pudesse fomentar um pouco mais de interesse cinematográfico. É simplesmente mais do mesmo. Ou melhor, algumas passagens ainda são claramente ficcionais. Nem todos os fatos se dão de forma cronológica, tendo uma clara demonstração de buscar a todo custo apenas enxertar passagens da vida de Cristo que dessem motivos para que a obra fosse realizada. Um verdadeiro desperdício, uma vez que custos com figurinos e locações são altos, podendo buscar algum dinamismo ou ainda, o que seria muito plausível, deixar questionamentos para que o público saísse das salas de cinema com dúvidas sobre fatos históricos. Não só piegas é “Ressurreição” que em certos momentos chega a ser até risível: em determinadas situações como as aparições dos personagens de Bartolomeu e Tomé, faz lembrar e muito o clássico “A Vida de Brian (1979)”.

Chega a ser uma heresia fazer qualquer comparação com Monty Python, que pelo menos faz rir.

 

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mar 082016
 
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Cinezone Poster - The Witch

A mídia feita sobre o filme “A Bruxa” por si só já poderia garantir bilheteria. Com sessões excassas nas capitais, tem salas lotadas de amantes do gênero e de curiosos ávidos para assistir a obra que deixou boquiaberto até o mestre do terror Stephen King. Mas certamente o filme não agradará a todos os públicos, uma vez que foge dos clichês tradicionais e de sustos que costumam tirar os mais incautos das poltronas.

Ambientado na Inglaterra do ano de 1630 a história traz uma família de seis pessoas que após ser isolada de sua comunidade por questões religiosas passa a viver de forma mais afastada de tudo e de todos. Pai, mãe e seus quatro filhos vivem de uma precária e pequena produção agrícola juntamente com alguns animais de subsistência. Em um momento de descuido da filha mais velha, o bebê Sam é levado: em uma fração de segundos e literamente um piscar de olhos o caçula some das vistas para não mais ser encontrado. Uma crise existencial então se abate sobre o pequeno grupo e, sobre uma forte pressão psicológica, estranhos eventos malignos começam a acontecer.

Baseado em relatos da época, a produção teve um imenso cuidado em ambientar o público aos costumes locais fazendo inclusive com que o elenco falasse um inglês mais arcaico. Vestimentas e detalhes minusciosos fazem de “A Bruxa” um filme diferente dos demais, conseguindo extrair as mais diferentes sensações do espectador, do riso fácil com piadas pequenas e colocadas no timing, ao choque brutal nas cenas mais fortes fazendo com que os mais desavisados colem na cadeira.

Um filme mais parado que o normal e que pode incomodar os menos interessados em uma produção artística, mas que se revela uma grata surpresa. Principalmente na meia hora final onde os eventos mais contundentes acontecem. O ritmo que é lento inicialmente, vai ficando pesado a cada cena e a cada conflito entre os personagens trazendo tensão não somente sobre o terror, mas também sobre os fatos externos que vão dando um toque mais amedrontador e enigmático a cada momento. A inserção de elementos novos como o desgaste emocional, aliado a personalidade dos integrantes familiares que vai sendo revelada de acordo com o andar da carruagem, fazem um filme memorável e para ser comentado exaustivamente.

Uma excelente inovação e um belo impulso no gênero que anda tão carente de bons nomes ultimamente.

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