jun 302015
 
Author Rating / Nota do Autor:

Cinezone Poltergeist Poster

Enquanto o cinema de horror vai patinando entre o juvenil lamentável “Ouija” e o surpreendente (mas batido) “Jessabelle“, ao mesmo tempo vai buscando alguma inovação ou alguma nova ideia que gere frutos para as próximas gerações. Mas nem todos pensam assim. Alguns acreditam que podem mexer no que está bom e até superar o original. É o caso do remake chato “Poltergeist” de 2015.

A história é basicamente a mesma: uma família se muda para uma casa em um bairro recém construído sobre os escombros de um antigo cemitério. Neste momento a caçula da casa começa a se comunicar com seres de outra dimensão através do televisor.

A obra criada por Spielberg e dirigida por Tobe Hoper em 1982, teve seu status de clássico garantido pela originalidade do tema, pelo roteiro bem escrito e podemos dizer, vontade de fazer. Coisa que a nova versão não tem. Nem com muito esforço. A família Bowen é encabeçada por um Sam Rockwell completamente descomprometido com o personagem que, juntamente com sua esposa interpretada por Rosemarie DeWitt assistem aos fenômenos acontecerem dentro de casa com uma naturalidade de quem assiste uma partida da terceira divisão. E quando a filha pequena desaparece? Fato normal do cotidiano. O único que ainda escapa a este insonso elenco é o menino Kyle Catlett (que já tinha demonstrado seu valor em “The Following“, que é o único que parece ter “entrado” no filme.

As coisas acontecem por acaso como se não tivessem responsabilidade com o enredo, uma vez que o andamento do filme não traça perfis, não busca motivos e muito menos se preocupa em fazer com que o espectador tome sustos, ou em algum momento se sinta incomodado. A sequência é lógica mas os fatos ocorrem sem que os fins sejam justificados pelos meios. E meios que surgem sem quem tenham fim algum.

Clássicos não devem ser refeitos, ou tocados (com raríssimas exceções).
Steven Spielberg deve estar se lamentando. Da estréia até hoje.

Link para o IMDb

jun 112015
 
Author Rating / Nota do Autor:

Cinezone San Andreas Poster

O que esperar de um filme americano, que já vem com rótulo de blockbuster, e estrelado por Dwayne “The Rock” Johnson? Somente mais do mesmo. Na superprodução que destrói parte da Califórnia sobram catástrofes, prédios caindo, demolição em massa e até tsunamis. Mas falta drama, trama, roteiro, envolvimento e ainda sobra a rasa construção dos personagens.

O piloto de helicópteros Ray (Johnson) é um especialista em salvamentos complicados e tem em sua bagagem um belo currículo. Porém não conseguiu salvar seu casamento. Em decorrência de uma tragédia familiar mantém um relacionamento pouco distante da ex-mulher Emma (Carla Gugino) e da filha Blake (Alexandra Dadario), podendo estar com elas no momento em que o trabalho não depende dele. Emma por sua vez está prestes a casar com o rico canastrão Riddick (Ioan Gruffudd – e que no filme realmente não representa grande coisa), que pouco liga para o “item” em sua agenda chamado: família. A partir das apresentações dos personagens, o resto é desastre. Em todos os sentidos.

O ator “The Rock” é bastante esforçado e até se esmera, mas o contexto de um filme catástrofe não colabora, juntamente com o tema batido sem trazer nenhuma novidade frente a outros também fracos como “2012“, “Independence Day” (e que inacreditavelmente teremos a sequência), “O Dia Depois de Amanhã“, etc. Com o decorrer dos minutos e as situações já conhecidas de outros filmes o espectador consegue até antecipar a fala dos personagens.

Ainda há a presença da “atriz” Kylie Minongue interpretando a ex-esposa de Riddick, que entre tantas explosões e tentativas de bons argumentos, passa quase despercebida.

Após quase duas horas já existe a certeza de como tudo termina: frases prontas de “vamos reconstruir” e uma bandeira americana hasteada tremulando ao fundo.

Spoiler? Não. Somente mais do mesmo.

 

Link para o IMDb

jun 022015
 
Author Rating / Nota do Autor:

Cinezone Poster MrRobot

Falar muito, ou falar muito pouco de qualquer obra é dilema muito complicado, uma vez que nem todos tem a mesma percepção e/ou subjetividade. Mas… e quando uma delas te tira o fôlego no primeiro episódio? Já no piloto, “Mr. Robot” ganhou não só minha atenção, mas de grande parte da população ligada em séries.

O jovem Elliot (Rami Malek) é um programador que trabalha para uma das maiores empresas de engenharia cibernética dos Estados Unidos e que, ainda que tenha de viver em uma sociedade (julgada por ele) hipócrita, tem a função juntamente com seus colegas de escritório proteger seus clientes de possíveis ataques. Mas na calada da noite ele se transforma em uma espécie de hacker vigilante invadindo contas pela internet, e-mails e arquivos pessoais de pessoas próximas para fazer sua própria justiça ideológica. Porém ele sofre de um sério distúrbio anti-social que o deixa a margem do contato pessoal ou do relacionamento mais profundo com qualquer pessoa (não tolera contato físico e tem a sensação clara de não-realidade). Em meio a tudo, Elliot ainda é observado de longe por um anarquista virtual (Christian Slater) que o convida em um determinado momento para ser seu aliado em derrubar sistemas financeiros inteiros, causando desordem e oportunidades “novas” para todos.

A complexidade é generalizada. Em um ambiente que nos traz tantos conflitos, “Mr. Robot” tem uma direção segura e ao mesmo tempo vibrante. Em apenas uma hora, as câmeras vão passando de cena em cena nos trazendo quase tudo o que é possível em termos técnicos e arrojados, mostrando conhecimento, experiência e audácia nos menores takes. Já o roteiro também acompanha a mesma linha de raciocínio sendo envolvente e dando quebras nas horas certas e nos pontos chave não deixando esmorecer em momento algum, tanto no emocional quanto no escrito, mostrando também domínio e conhecimento do assunto.

O protagonista (em uma clara referência ao poeta T. S. Eliot) vaga entre um grande sofrimento pelo ser anti-social e ao mesmo tempo pela inquietude com aquilo que considera não ético ou ainda fora dos padrões, e por vezes nota-se tentando suprir naqueles que ataca a própria fragilidade de não conseguir “ser”. Acaba criando um personagem fictício (quase um alter ego) que pode quase tudo, até o momento em que a realidade vem à tona.

A série se destaca não somente pela produção, mas pelo aspecto filosófico e sociológico apresentado pelo diretor, que consegue demonstrar de forma clara as contradições e confusões de um mundo dito correto, mas ao mesmo tempo cheio de nuances que nos levam a desconfiar de tudo e de todos. O mundo corrosivo das grandes corporações são ainda incógnitas monstruosas e misteriosas na “première“, e que podem facilmente ser vistas justamente como o mal (Evil) enrustido de virtual ou ainda como uma propensa salvação para um terrorismo também tratado como benéfico. Fato é que não se tem muito de concreto: a não ser a própria personalidade distorcida e sedenta do confuso e inabalado hacker.

Há tempos esperávamos por uma série que dissesse tanto, e de forma tão atual. Na produção, direção, roteiro, fotografia, direção de arte… Uma estréia excelente! Próximo capítulo? Nos Estados Unidos, somente em 24 de junho…

Link para o IMDb