maio 192015
 
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Cinezone Poster Mad Max

 

Épico! Não há uma palavra melhor para definir o novo filme da franquia “Mad Max”. Épico! Uma experiência além da expectativa e que faz com que o espectador grude na cadeira do início ao fim, com um nó na garganta e poeira carcomendo os olhos. Com setenta anos, George Miller dá uma aula de cinema de ação e sci-fi para os novos e supre com toda vontade a nostalgia pós apocalíptica cyberpunk, que agonizava nos mais aflitos em rever o couro e o ferro rasgando as entranhas.

A história nos coloca no cenário de um imenso deserto onde a gasolina e a água são ingredientes raros e ao mesmo tempo de pura combustão. A vida é apenas um fator de sorte e luta para Max Rockatansky (Tom Hardy). Em lugares ermos existem sociedades, e dentre elas está a liderada por Immortan Joe, espécie de líder violento e carismático que rege a água e o destino de todos dentro de um fervor religioso entre a vida e a morte. Nesta sociedade há o alto clero que decide quem vive e quem morre, enquanto a baixa casta é composta por um povo miserável e sedento onde as mulheres saudáveis são subjugadas e vivem aprisionadas com a única função da reprodução. Os homens que são caçados por essa horda servem para o abastecimento de sangue e órgãos para o exército local quando necessário. Mas um desequilíbrio é colocado em prática quando Furious (Charlize Theron) resolve raptar as mulheres mais novas, juntamente com um tanque de combustíveis.

O roteiro do filme passa quase despercebido e mostra que não se torna tão importante no momento em que a direção de arte, fotografia, som e a ação podem fazer o papel deste. Em Mad Max tudo foi meticulosamente cuidado, sem deixar pontas desamarradas em momento algum. Tecnicamente perfeito, consegue montar uma obra com cortes rápidos proporcionais e tão cuidadosos quanto angulações de câmera fazendo com que os grandes planos usados não se tornem cansativos. A trilha sonora acompanha orquestrada a cada rodada de pneu e rajada de fogo saindo das guitarras: temos a impressão de que uma banda de rock segue as trupes desenfreadas em sintonia com cada gesto e tomada juntamente com gigantescas caixas de som no volume máximo. Tudo é tão perfeito, que até o “flare” (efeito do sol na lente da câmera que causa certas manchas de luz circulares) está no lugar certo e na hora certa.

Em meio a ao turbilhão sangue e areia, sensíveis olhares são notados quanto a relação sexualidade/força e a tentativa de equiparação de hierarquia e lugar onde ambos se equivalem: ainda que não seja aceito em um primeiro momento pelo lado masculino, a fragilização do ser e a masculinização pelo rudimentar feminino. Em diversas vezes estes papéis são invertidos mostrando a importância do papel da mulher não só na sociedade moderna, justamente por estarem (supostamente) em um mundo que já não existe. Muitas vezes a falta de aceitação desta verdade faz com que a força e a violência sejam usadas contra os menos providos.

Não pode-se esperar um reboot ou alguma continuação dos outros três filmes estrelados por Mel Gibson (que inclusive esteve na premiére em Cannes), e sim uma nova aventura do flagelo do deserto. Algumas referências (como a perda da família e o velho Interceptor V8) são feitas aos anteriores, para que o público que não conhece a saga não fique completamente perdido. Ainda falta o carisma do personagem encarnado por Hardy, que ainda que fale menos de cem palavras em duas horas, consegue carregar o peso de uma antiga trilogia nas costas sem problema algum.

Com este exemplar, qualquer videoteca estará bem servida.
Caso exista uma sequência, será muito bem vinda.

Ps. Dê preferência para a exibição 3D ou ainda se possível, ao IMAX para uma experiência completa.

 

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