maio 142015
 
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Cinezone Chappie Poster

 

Os filmes de Neill Bloomkamp são sempre muito parecidos: normalmente Johanesburg (ou semelhante) com cidades cinzentas, situações atuais com interferências futuristas, personagens masculinos como referencial, sociedades divididas em castas e pela situação econômica. Com “Chappie” não é muito diferente.

Os robôs (livremente inspirados no personagem Briareos, do mangá Appleseed) são os policiais de 2016 colocados nas ruas para interagirem com os humanos e promover a paz e segurança. Seu criador Deon (Dev Patel) sonha e trabalha firmemente em um projeto para trazer “consciência” as máquinas, que além de julgamento terão também sensações e emoções adquiridas com o convívio social diário (como um recém nascido aprendendo gradativamente). Em contra-ponto temos o personagem de Hugh Jackman (inexpressivo) que insiste em uma máquina mais mortífera e efetiva comandada “manualmente”: ele está disposto a derrubar o projeto de Chappie a qualquer preço.

Neste ponto, com um misto de inveja e ganância, o projeto de Deon chama atenção de traficantes que querem usar sua força e inteligência supostamente biônica para praticar delitos. Em meio a confusão, acabam por dar vida ao brinquedo.

Podemos chamar “Chappie” de um novo Frankenstein, pois ganha vida a partir de outros consagrados: trabalha com a premissa de “O Exterminador do Futuro“, onde as frases prontas e sentimento adquirido são desejáveis; incluí-se aí “Blade Runner” onde um simbionte é capaz de caçar seus semelhantes (ainda que de forma não declarada); ou ainda em “E.T.” onde a criatura e seus próximos se afeiçoam a ponto de criarem uma relação pai/mãe; e ainda podemos passar por “Transcendence” onde a o conhecimento e a percepção são virtudes a serem alcançadas pela máquina; e porque não, Pinóquio? A trilha sonora bem feita lembra em muito Robocop, que não é de se admirar uma vez que o narrador do filme de 1987 é o mesmo nas cenas iniciais.

Curiosidades: não é a primeira vez que o eterno Wolverine contracena com robôs, pois em “Gigantes de Aço” faz um papel semelhante, porém como protagonista. Outro fato que até então parecia irrelevante é que o casal de bandidos “Mama” e “Ninja” , são os nomes reais da dupla “Die Antwoord“, muito conhecida na cena musical sul-africana.

Mas de tudo, ainda falta muito do apelo emocional usado em “Distrito 9“, sendo a segregação racial o grande mote a ser explorado, ainda que Bloomkamp tente faze-lo em uma cena com um coquetel molotov jogado as costas do protagonista. Também não chega a ter a ação bem medida que existe em “Elysium“. Ou falta, ou é exagerada. No final ainda existe a deixa para uma sequência que pode mais parecer uma comédia do que qualquer outro gênero usado até então.

 

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